EREsp 1848530 - ACORDAO
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o embargante não comprovou a existência ou a atualidade do dissídio jurisprudencial indicado, não há contradição interna no acórdão que justifique acolhimento, e a pretensão revela tentativa de reexame do mérito do recurso especial, vedado pela Súmula 7/STJ; corrige-se...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2021
- Procedural Posture
- Ação De Indenização (consumidor) / Julgamento De Embargos De Declaração Na Corte Especial
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Embargos De Divergência, Embargos De Declaração, Reexame Do Conjunto Fático Probatório, Atualidade Da Divergência Jurisprudencial, Erro Material, Contradição Interna, Omissão
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Procedural Posture
Ação De Indenização (consumidor) / Julgamento De Embargos De Declaração Na Corte Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de embargos de divergência
- 2 requisitos de admissibilidade dos embargos de divergência (atualidade do dissídio)
- 3 possibilidade de correção de erro material de ofício
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos de declaração porque o embargante não comprovou a existência ou a atualidade do dissídio jurisprudencial indicado, não há contradição interna no acórdão que justifique acolhimento, e a pretensão revela tentativa de reexame do mérito do recurso especial, vedado pela Súmula 7/STJ; corrige-se de ofício erro material relativo à indicação da Turma sem prejuízo às partes.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração
- Corrigir de ofício a indicação da Turma que julgou o agravo interno, passando a constar que foi a Quarta Turma
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Laurita Vaz, João Otávio de Noronha, Maria Thereza de Assis Moura, Herman Benjamin, Jorge Mussi, Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Licenciado o Sr. Ministro Felix Fischer, sendo substituído pela Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti, nos termos do disposto nos arts. 2º, § 2º, e 55 do RISTJ. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MATERIAL E MORAL. VEÍCULO. DEFEITO DE FABRICAÇÃO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA LIMINARMENTE INDEFERIDOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATUALIDADE DO DISSÍDIO.CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. I - Na origem, trata-se de ação objetivando, em síntese, reparação por danos moral e material, decorrentes da responsabilidade civil da montadora de veículo findada em vício de fabricação. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Inicialmente se percebeque o acórdão recorrido foi bastante claro ao estabelecer que os embargos de divergência são cabíveis contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia, não havendo, portanto, que falar em contradição no julgado. III - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS n. 51.806/ES, relatorMinistro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp n. 1.532.943/MT, relatorMinistro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. IV - Ademais, o acórdão embargado também evidenciou que a admissão dos embargos de divergência demanda comprovação de atualidade da divergência jurisprudencial, deixando igualmente claro que a parte recorrente não demonstrou tal atualidade. Com efeito, depreende-se, dos argumentos recursais, que a tese defendida pelo embargante nem sequer corresponde à tese dos acórdão paradigmas suscitados nos embargos de declaração, incidindo, neste ponto, o disposto na Súmula n. 284/STF. V - De fato, nota-se que, in casu, sob o argumento de existência de omissão, pretende a parte recorrente, por vias transversas, seja feita a análise do mérito do recurso especial, o qual foi inadmitido por força da Súmula n. 7/STJ. VI - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. VII - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. VIII - Por fim, de fato há erro material quanto à indicação da Turma na qual foi julgado o primeiro agravo interno, que se corrige de ofício para declarar que o agravo interno provido foi julgado pela Quarta Turma, todavia, frise-se queeventuais erros materiais da decisão, constantes no seu relatório ou em trechos que não fazem parte da fundamentação, em nada alteram o julgado, uma vez que não importam nenhum prejuízo à parte. IX - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Na origem, trata-se de ação objetivando, em síntese, reparação por danos moral e material, decorrentes da responsabilidade civil da montadora de veículo findada em vício de fabricação. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida, conforme a seguinte ementa do acórdão: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MATERIAL E MORAL. VEÍCULO. DEFEITO DE FABRICAÇÃO. FATO DO PRODUTO. INEXISTÊNCIA. LAUDO PRODUZIDO POR ASSISTENTE TÉCNICO. AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA. NEXO DE CAUSALIDADE. AUSÊNCIA. CULPA DA MONTADORA. INEXISTÊNCIA. ATROPELAMENTO DE TERCEIRO. CULPA EXCLUSIVA DA CONSUMIDORA/CONDUTORA. RESPONSABILIZAÇÃO DA MONTADORA. NÃO CABIMENTO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. A reparação decorrente da responsabilidade civil da montadora de veículo fundada em vício de fabricação impõe a existência de prova da sua existência. Ausente a verossimilhança na alegação, não suprida pela apresentação de laudo de assistente técnico desprovido de elementos mínimo de convicção, não há falar na inversão do ônus da prova prevista no CDC, revelando-se, isto sim, que o autor não prova o fato constitutivo do seu direito (art. 373, I, CPC), o que conduz à improcedência do pedido de reparação de danos. 2. No caso, a segunda autora conduzia o veículo do primeiro e, em uma manobra em estacionamento no Lago Norte, engatou marcha à frente em vez da ré e acelerou, atropelando terceiro. Condenada à reparação dos danos causados, busca a compensação do prejuízo em desfavor da ré (montadora), sob a alegação de defeito do veículo, num primeiro momento porque engatou marcha à frente em vez de ré e, após constatada pelo juiz a sua confissão nos autos de inquérito policial quanto ao equívoco ao engatar a marcha, alega no recurso que o problema é do pedal do freio, que a levou a prender o pé, fazendo com que acelerasse em vez de frear. As alegações, além de inverossímeis, estão desprovidas de prova, razão da improcedência do pedido de responsabilização civil deduzido contra a montadora. 3. RECURSO CONHECIDO e DESPROVIDO. Sentença mantida íntegra. No recurso especial, a parte aponta violação aos seguintes dispositivos do Código de Processo Civil: a) artigo 1.022, inciso II, sustentando que a turma julgadora, mesmo instada a fazê-lo, por intermédio dos embargos de declaração, não sanou os víciosapontados, ficando caracterizada a deficiência na prestação jurisdicional; b) artigos 345, inciso IV, 348, 369 e 373, inciso I, asseverando que, ao constatar a inocorrência dos efeitos da revelia, deveria ter sido oportunizada a produção de provas. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial." Interposto agravo interno, foi julgado pela Quarta Turma,conforme a seguinte ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 2. No caso concreto, a análise das razões apresentadas pelos recorrentes quanto ao alegado cerceamento de defesa demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado em sede de recurso especial. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Interpostos embargos de divergência, foram liminarmente indeferidos. Interposto agravo interno, foi julgado pela Corte Especial, conforme a seguinte ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MATERIAL E MORAL. VEÍCULO.DEFEITO DE FABRICAÇÃO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA LIMINARMENTE INDEFERIDOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATUALIDADE DO DISSÍDIO. I - Na origem, trata-se de ação objetivando, em síntese, reparação por danos moral e material decorrente da responsabilidade civil da montadora de veículo findada em vício de fabricação. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Nos termos do art. 1.043 do Código de Processo Civil e do art. 266 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, os embargos de divergência são cabíveis contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia. III - Outrossim, não é admissível o recurso de embargos de divergência, quando o acórdão recorrido não tenha apreciado o mérito ou a controvérsia. Nesse sentido: Agint nos EREsp n. 1500624/MG. Relator Ministro Francsico Falcão, Primeira Seção, DJe de 1/4/2019. IV - Ademais, os embargos de divergência têm como escopo a uniformização interna da jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual, para que sejam admitidos, é necessária a demonstração, dentre outros requisitos, da atualidade da divergência jurisprudencial entre os seus órgãos fracionários.A propósito: AgInt nos ERESP n. 1.569.739/AL, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 25/10/2018. V - Ademais, efetivamente a parte embargante nãologrou comprovar a existência do dissídio atual entre os órgãos fracionários do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que o acórdão Resp n. 199.970/DF, indicado como paradigma, foi proferido em 14/6/1999. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos ERESP n. 120375/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe de 16/4/2019 e AgInt nos EREsp n.155769/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 21/11/2018. VI - Agravo interno improvido. Opostos embargos de declaração. Sustenta a parte embargante, em síntese, que há omissão, contradição e erro material no julgado, conforme o (s) seguinte (s) excerto (s) articulado (s) no recurso: .. Contradição: o acórdão contém proposições inconciliáveis entre si 1 : o item II da ementa admite ser possível o cabimento do recurso deembargos de divergência contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão fracionário do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia. Já o item III da ementa dispõe que não é admissível o recurso de embargos de divergência, quando o acórdão recorrido (embargado) não tenha apreciado o mérito ou a controvérsia. Desse modo, o julgado, por sua ementa (e também a própria fundamentação do acórdão, consoante se infere de fls. e-STJ Fl.815) adota fundamentação contraditória, ora admitindo o cabimento do recurso de embargos de divergência em face deacórdão que não conhece do recurso mas tenha apreciado a controvérsia, ora admitindo somente em face de acórdão que tenha apreciado o mérito da demanda. .. Omissão: os itens IV e V da ementa (e também o próprio acórdão conforme se infere de fls. e-STJ Fl.816 e seguintes) dispõe acerca da necessidade da atualidade da divergência jurisprudencial entre os seus órgãos fracionários. Aduz que o embargante indicou como paradigma acórdão do ano de 1999, que não se revela atual. Entretanto, tal entendimento diverge do posicionamento do relator no julgamento do recurso de embargos de divergência em agravo em recurso especial nº 548827 - MG (2014/0173778-0) no qual se lê que somente é necessária a demonstração da atualidade da divergência quando houver mudança na jurisprudência do Tribunal. Se não houve mudança na jurisprudência do STJ o embargante não necessita demonstrar a atualidade do julgamento senão vejamos: .. ERRO MATERIAL: porque a Corte afirma no acórdão que " Interposto agravo interno, foi julgado pela Segunda Turma, conforme a seguinte ementa do acórdão"(fls. e- STJ Fl. 815). Entretanto, o órgão julgador que manteve a decisão que não conheceu do recurso especial foi a Quarta Turma e não a segunda Turma conforme se depreende da certidão de fls. e -STJ Fl.740/741. .. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MATERIAL E MORAL. VEÍCULO. DEFEITO DE FABRICAÇÃO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA LIMINARMENTE INDEFERIDOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATUALIDADE DO DISSÍDIO.CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. I - Na origem, trata-se de ação objetivando, em síntese, reparação por danos moral e material, decorrentes da responsabilidade civil da montadora de veículo findada em vício de fabricação. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Inicialmente se percebeque o acórdão recorrido foi bastante claro ao estabelecer que os embargos de divergência são cabíveis contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia, não havendo, portanto, que falar em contradição no julgado. III - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS n. 51.806/ES, relatorMinistro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp n. 1.532.943/MT, relatorMinistro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. IV - Ademais, o acórdão embargado também evidenciou que a admissão dos embargos de divergência demanda comprovação de atualidade da divergência jurisprudencial, deixando igualmente claro que a parte recorrente não demonstrou tal atualidade. Com efeito, depreende-se, dos argumentos recursais, que a tese defendida pelo embargante nem sequer corresponde à tese dos acórdão paradigmas suscitados nos embargos de declaração, incidindo, neste ponto, o disposto na Súmula n. 284/STF. V - De fato, nota-se que, in casu, sob o argumento de existência de omissão, pretende a parte recorrente, por vias transversas, seja feita a análise do mérito do recurso especial, o qual foi inadmitido por força da Súmula n. 7/STJ. VI - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. VII - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. VIII - Por fim, de fato há erro material quanto à indicação da Turma na qual foi julgado o primeiro agravo interno, que se corrige de ofício para declarar que o agravo interno provido foi julgado pela Quarta Turma, todavia, frise-se queeventuais erros materiais da decisão, constantes no seu relatório ou em trechos que não fazem parte da fundamentação, em nada alteram o julgado, uma vez que não importam nenhum prejuízo à parte. IX - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Inicialmente se percebeque o acórdão recorrido foi bastante claro ao estabelecer que os embargos de divergência são cabíveis contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia, não havendo, portanto,que falar em contradição no julgado. A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS n. 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp n. 1.532.943/MT, relatorMinistro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. Ademais, o acórdão embargado também evidenciou que a admissão dos embargos de divergência demandacomprovação de atualidade dadivergência jurisprudencial, deixando igualmente claro que a parte recorrente não demonstrou tal atualidade. Com efeito,depreende-se, dos argumentos recursais, que a tese defendida pelo embargante nem sequer corresponde à tese dos acórdão paradigmas suscitados nos embargos de declaração, incidindo, neste ponto, o disposto na Súmula n. 284/STF. De fato, nota-se que,in casu, sob o argumento de existência de omissão, pretende a parte recorrente, por vias transversas,seja feita a análise do mérito do recurso especial, o qualfoi inadmitido por força da Súmula n. 7/STJ. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS n. 21.315/DF, relatoraMinistra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp n. 166.402/PE, relatorMinistro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl n. 8.826/RJ, relatorMinistro João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Por fim, de fato há erro material quanto à indicação da Turma na qual foi julgado o primeiroagravo interno, que se corrige deofício para declarar que o agravo interno provido foi julgado pela Quarta Turma, todavia,frise-sequeeventuais errosmateriais da decisão, constantes no seu relatório ou em trechos quenão fazem parte da fundamentação, em nada alteram o julgado, uma vezque não importam nenhum prejuízo à parte. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.