EREsp 1892848 - ACORDAO
Não há divergência pretoriana apta a justificar processamento dos embargos de divergência porque o acórdão paradigma, ao contrário do alegado, orienta no sentido de que o arrolamento de bens só se cancela se o crédito tributário for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração Nos Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Primeira Seção Decisão Colegiada (agravo Interno Improvido)
- Outcome
- Agravo Interno improvido
- Legal Topics
- Embargos De Divergência, Cancelamento Do Arrolamento De Bens, Aplicação De Multa Art. 1.021, § 4º Do Cpc/2015, Aplicabilidade Do Cpc/2015
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Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração Nos Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Primeira Seção Decisão Colegiada (agravo Interno Improvido)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do Código de Processo Civil de 2015 ao caso
- 2 Requisitos para comprovação de divergência pretoriana nos embargos de divergência
- 3 Possibilidade de cancelamento do arrolamento de bens em razão de redução do passivo/parcelamento do crédito tributário
Ratio Decidendi
Não há divergência pretoriana apta a justificar processamento dos embargos de divergência porque o acórdão paradigma, ao contrário do alegado, orienta no sentido de que o arrolamento de bens só se cancela se o crédito tributário for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou garantido nos termos da Lei 6.830/1980; o parcelamento do crédito, mera hipótese de suspensão da exigibilidade, não autoriza o cancelamento do arrolamento. Ademais, não se configura causa para aplicação da multa do art. 1.021, § 4º do CPC/2015, por faltar demonstração de manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso; por tais motivos, nega-se provimento ao Agravo Interno.
Court Disposition
Agravo Interno improvido
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno
- Afastar a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/04/2024 a 24/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Paulo Sérgio Domingues, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com a Sra. Ministra Relatora. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Gurgel de Faria. EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL . CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. CANCELAMENTO DO ARROLAMENTO SUMÁRIO QUANDO HÁ REDUÇÃO NO PASSIVO CO CONTRIBUINTE. PRETENSÃO NÃO ENCONTRADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Os Embargos de Divergência têm por finalidade a uniformização da jurisprudência desta Corte quanto à interpretação do direito em tese, sendo cabíveis quando se tratar de decisão proferida em sede de recurso especial cujo teor divirja do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal (art. 1.043, I e III do CPC/2015), devendo o dissenso ser comprovado na forma do art. 266, § 4º, do RISTJ. III - Para a comprovação do dissenso pretoriano, impõe-se que os acórdãos confrontados tenham apreciado matéria idêntica, à luz da mesma legislação federal, dando-lhes, porém, soluções distintas, devendo a divergência apontada ser atual, excluindo-se o debate acerca de questões superadas e pacificadas no âmbito do STJ. Precedentes. IV - O julgado apontado como o divergente não reconheceu a possibilidade de cancelamento do arrolamento quando há redução do passivo do contribuinte. Aliás, consta, expressamente, da ementa e da fundamentação do voto orientação em sentido oposto ao pretendido: o arrolamento de bens será cancelado nos casos em que o crédito tributário que lhe deu origem for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou garantido na forma do art. 6.830/1980. Depreende-se, portanto, que, à luz da Lei n. 9.532/1997, o parcelamento do crédito tributário, hipótese de suspensão de sua exigibilidade, por si só, não é hipótese que autorize o cancelamento do arrolamento. V - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VI - Agravo Interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de Agravo Interno interposto contra a decisão que não conheceu dos Embargos de Divergência, porquanto não comprovada a divergência, uma vez que o acórdão paradigma firmou-se em sentido oposto ao pretendido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 1.904/1.909e). Sustenta a Agravante, em síntese, que o REsp 1.236.077/RS é apto para oposição dos Embargos de Divergência. Afirma que "No v. acórdão paradigma, entendeu-se que "nos termos do art. 64, §§ 7º e 8º, da Lei n. 9.532/1997, o arrolamento de bens será cancelado nos casos em que o crédito tributário que lhe deu origem for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou garantido na forma do art. 6.830/1980". Veja-se que o v. acórdão paradigma permite, expressamente, o cancelamento do arrolamento quando o débito que lhe deu origem for cancelado (liquidado)" (fl. 1.917e). Defende que "v. acórdão paradigma tratou de situação idêntica à presente, no sentido de que houve "a redução de alguns encargos de mora, que acabam por reduzir o montante original do crédito tributário". Essa questão não foi tratada no AgInt no REsp nº 1.642.816 - SP, que se restringiu a apreciar alegação de que o arrolamento deveria ser cancelado em razão do crescimento do patrimônio do contribuinte, o que teria reduzido seu passivo a menos de 30% de patrimônio" (fl. 1.920). Por fim, requer o provimento do recurso, a fim de que seja reformada a decisão impugnada ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do colegiado. Transcorreu in albis o prazo para impugnação (certidão de fl. 1.930e). É o relatório. EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL . CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. CANCELAMENTO DO ARROLAMENTO SUMÁRIO QUANDO HÁ REDUÇÃO NO PASSIVO CO CONTRIBUINTE. PRETENSÃO NÃO ENCONTRADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Os Embargos de Divergência têm por finalidade a uniformização da jurisprudência desta Corte quanto à interpretação do direito em tese, sendo cabíveis quando se tratar de decisão proferida em sede de recurso especial cujo teor divirja do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal (art. 1.043, I e III do CPC/2015), devendo o dissenso ser comprovado na forma do art. 266, § 4º, do RISTJ. III - Para a comprovação do dissenso pretoriano, impõe-se que os acórdãos confrontados tenham apreciado matéria idêntica, à luz da mesma legislação federal, dando-lhes, porém, soluções distintas, devendo a divergência apontada ser atual, excluindo-se o debate acerca de questões superadas e pacificadas no âmbito do STJ. Precedentes. IV - O julgado apontado como o divergente não reconheceu a possibilidade de cancelamento do arrolamento quando há redução do passivo do contribuinte. Aliás, consta, expressamente, da ementa e da fundamentação do voto orientação em sentido oposto ao pretendido: o arrolamento de bens será cancelado nos casos em que o crédito tributário que lhe deu origem for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou garantido na forma do art. 6.830/1980. Depreende-se, portanto, que, à luz da Lei n. 9.532/1997, o parcelamento do crédito tributário, hipótese de suspensão de sua exigibilidade, por si só, não é hipótese que autorize o cancelamento do arrolamento. V - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VI - Agravo Interno improvido. VOTO Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Não assiste razão à Agravante. Anoto que os Embargos de Divergência têm por finalidade a uniformização da jurisprudência desta Corte quanto à interpretação do direito em tese, sendo cabíveis quando se tratar de decisão proferida em sede de recurso especial cujo teor divirja do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal (art. 1.043, I e III do CPC/2015), devendo o dissenso ser comprovado na forma do art. 266, § 4º, do RISTJ. Com efeito, para a comprovação do dissenso pretoriano, impõe-se que os acórdãos confrontados tenham apreciado matéria idêntica, à luz da mesma legislação federal, dando-lhes, porém, soluções distintas, devendo a divergência apontada ser atual, excluindo-se o debate acerca de questões superadas e pacificadas no âmbito do STJ. (e. g. EREsp 1.490.961/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, DJe de 23/03/2018; AgInt nos EREsp 1.586.158/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 19/03/2020. (AgInt nos EDcl nos EREsp n. 1.915.749/SC, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, julgado em 16/11/2022, DJe de 22/11/2022). No caso dos autos, observo que o precedente apontado como paradigma não possui o alcance pretendido. Consta, expressamente, da ementa e da fundamentação do voto, orientação em sentido oposto ao pretendido, confira-se: .. 4. Nos termos do art. 64, §§ 7º e 8º, da Lei n. 9.532/1997, o arrolamento de bens será cancelado nos casos em que o crédito tributário que lhe deu origem for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou garantido na forma do art. 6.830/1980. Depreende-se, portanto, que, à luz da Lei n. 9.532/1997, o parcelamento do crédito tributário, hipótese de suspensão de sua exigibilidade, por si só, não é hipótese que autorize o cancelamento do arrolamento. .. Como se nota das disposições do art. 64 da Lei n. 9.532/1997, a autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens, quando o valor dos créditos tributários da responsabilidade do devedor for superior a 30% de seu patrimônio conhecido, sendo que esse procedimento só é exigido da referida autoridade quando o crédito tributário for superior a R$ 500.000,00. E sua finalidade é expressa: criar rol de bens do devedor cujo montante seja de valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. Pelo que consta do acórdão recorrido, à época em que apurado o montante dos créditos tributários (2001), estava caracterizada a hipótese para arrolamento dos bens do devedor, ora recorrente. Deve-se observar que, nos termos do art. 64, §§ 7º e 8º, da Lei n. 9.532/1997, o arrolamento de bens será cancelado nos casos em que o crédito tributário que lhe deu origem for liquidado antes da inscrição em dívida ativa ou, se após esta, for liquidado ou garantido na forma do art. 6.830/1980. Vale anotar que a Lei n. 6.830/1980, em seu art. 9º, estabelece as seguintes hipóteses de garantia: (i) depósito em dinheiro, (ii) oferecer fiança bancária; (iii) nomeação de bens próprios à penhora; e (iv) nomeação de bens de terceiros à penhora. Depreende-se que, à luz da Lei n. 9.532/1997, o parcelamento do crédito tributário, hipótese de suspensão de sua exigibilidade, por si só, não é hipótese que autorize o cancelamento do arrolamento. Desse modo, diferentemente do alegado, o julgado apontado como divergente não reconheceu a possibilidade de cancelamento do arrolamento quando há redução do passivo do contribuinte, deixando de subsistir os requisitos para manutenção do arrolamento. Assim, em que pesem as alegações trazidas, os argumentos apresentados são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada. No que se refere à aplicação do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, a orientação desta Corte é no sentido de que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a imposição da multa, não se tratando de simples decorrência lógica do não provimento do recurso em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. Nessa linha: Corte Especial, AgInt nos EAREsp n. 1.043.437/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, j. 13.10.2021; e 1ª S., AgInt nos EREsp n. 1.311.383/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, j. 14.09.2016. Apesar do improvimento do recurso, não restou configurada a manifesta inadmissibilidade, razão pela qual afasto a apontada multa. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso.