EAREsp 2194883 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque os embargos de divergência não são cabíveis quando o acórdão embargado não apreciou o mérito da controvérsia e porque a matéria demandaria reexame de fatos e provas (ó bice da Súmula 7/STJ), além de haver óbice pela Súmula 735/STF quanto a recurso especial contra decisões...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: EDSON DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (corte Especial)
- Outcome
- agravo interno a que se nega provimento (decisão unânime na Corte Especial)
- Legal Topics
- Embargos De Divergência, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 735/stf, Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Tutela Cautelar, Arresto De Bens, Reexame De Fatos E Provas
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Parties
EDSON DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (corte Especial)
Legal Issues
- 1 cabimento de embargos de divergência quando o acórdão embargado não julgou o mérito da controvérsia
- 2 incidência das Súmulas 7/STJ e 735/STF como óbices ao conhecimento do recurso especial
- 3 competência do STJ para apreciar suposta ofensa à Constituição
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque os embargos de divergência não são cabíveis quando o acórdão embargado não apreciou o mérito da controvérsia e porque a matéria demandaria reexame de fatos e provas (ó bice da Súmula 7/STJ), além de haver óbice pela Súmula 735/STF quanto a recurso especial contra decisões interlocutórias de tutela provisória; ademais, o STJ não pode apreciar suposta violação constitucional.
Court Disposition
agravo interno a que se nega provimento (decisão unânime na Corte Especial)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 15/08/2024 a 21/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Herman Benjamin, Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com a Sra. Ministra Relatora. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. EMENTA AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. APLICAÇÃO DE REGRAS TÉCNICAS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. 1. Não cabe, em embargos de divergência, reexaminar os pressupostos de conhecimento do recurso especial, para extrair conclusão diversa a respeito da incidência de óbices. 2. Nos termos do art. 105 da CF, o Superior Tribunal de Justiça não é competente para se manifestar sobre suposta violação de dispositivo constitucional, nem mesmo a título de prequestionamento, sob pena de invasão da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por EDSON DA SILVA em face de decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência opostos contra acórdão da Segunda Turma, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. BLOQUEIO DE ATIVOS FINANCEIROS. TUTELA DE URGÊNCIA. PODER GERAL DE CAUTELA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 7/STJ E 735/STF. 1. Trata-se de Agravo Interno contra decisão monocrática deste Relator que conheceu do Agravo para não conhecer do Recurso Especial, ante a incidência das Súmulas 7/STJ e 735/STF. 2. O STJ entende possível, excepcionalmente, o arresto de bens do devedor antes de sua citação na execução fiscal, desde que preenchidos os requisitos para o deferimento da tutela provisória fundada no poder geral de cautela do juiz, nos termos do art. 300 do CPC/2015. Precedentes. 3. No caso, o Colegiado originário, para a concessão da tutela cautelar de arresto requerida, reconheceu a existência de indícios da existência de grupo econômico de fato/familiar, bem como da confusão patrimonial entre as empresas e seus respectivos sócios, capazes de lesar credores, constatando a probabilidade do direito do agravado e o perigo de dano ao resultado útil do processo executivo. A Corte local registrou, ainda, que foi observado o contraditório diferido e que o valor bloqueado não constitui única reserva financeira da agravante. Considerando tais premissas fáticas, não há como se alterar o julgado sem o revolvimento de fatos e provas, inviável nesta instância extraordinária, em razão do óbice da Súmula 7/STJ. 4. Ademais, a impugnação da Súmula 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica por ele conferida e a apreciação jurídica que lhes deveria ter sido efetivamente atribuída. O Recurso daí proveniente deveria se esmerar não em simplesmente reiterar as razões do Recurso Especial ou os argumentos referentes ao mérito da controvérsia, mas em demonstrar efetivamente que a referida Súmula não se aplica ao caso concreto e que, portanto, seria desnecessário revolver o acervo fático-probatório dos autos para a análise da insurgência. Precedentes. 5. Acrescente-se que esta Corte Superior, em sintonia com o disposto na Súmula 735/STF, entende que, via de regra, não é cabível Recurso Especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, por não representar pronunciamento definitivo, mas provisório, a respeito do direito afirmado na demanda, sujeito a modificação a qualquer tempo (AgInt no AREsp 1.645.228/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 3.5.2022.) 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.194.883/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 28/6/2023.) Nas razões do agravo, a parte recorrente requer o afastamento da Súmula 7 do STJ e da Súmula 735 do STF. Alega que ainda que o agravo em recurso especial não tenha sido conhecido, esta Corte teria que deliberar quanto à suposta divergência dos entendimentos da Segunda e da Terceira Turmas. Aduz que o indeferimento liminar dos embargos de divergência ofende o princípio do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório, bem como o direito à propriedade e a segurança jurídica, previstos constitucionalmente. A parte agravada, regularmente intimada, não apresentou resposta à manifestação (e-STJ Fl.475). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. APLICAÇÃO DE REGRAS TÉCNICAS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. 1. Não cabe, em embargos de divergência, reexaminar os pressupostos de conhecimento do recurso especial, para extrair conclusão diversa a respeito da incidência de óbices. 2. Nos termos do art. 105 da CF, o Superior Tribunal de Justiça não é competente para se manifestar sobre suposta violação de dispositivo constitucional, nem mesmo a título de prequestionamento, sob pena de invasão da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Observo que os argumentos desenvolvidos pelo agravante não afastam a conclusão da decisão impugnada, razão pela qual o recurso não deve ser provido. A decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência está jurídica e tecnicamente correta (fls. 442/446, e-STJ): "O acórdão embargado manteve o não conhecimento do recurso especial com fundamento na Súmula 7/STJ e na Súmula 735/STF: "Os autos foram recebidos neste Gabinete em 20 de março de 2023. A irresignação não merece prosperar, pois não foram apresentados argumentos suficientes para a reforma da decisão agravada. O STJ entende possível, excepcionalmente, o arresto de bens do devedor antes de sua citação na execução fiscal, desde que preenchidos os requisitos para o deferimento da tutela provisória fundada no poder geral de cautela do juiz, nos termos do art. 300 do CPC/2015. Precedentes: REsp 1.184.765/PA, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC, DJe 3.12-.2010; e AgRg no REsp 1.492.786/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Seção, DJe 20.3.2015. No caso, o Colegiado originário, para a concessão da tutela cautelar de arresto requerida, reconheceu a existência de indícios da existência de grupo econômico de fato/familiar, bem como da confusão patrimonial entre as empresas e seus respectivos sóc*ios, capaz de lesar credores, constatando a probabilidade do direito do agravado e o perigo de dano ao resultado útil do processo executivo. A Corte local registrou, ainda, que foi observado o contraditório diferido e que o valor bloqueado não constitui única reserva financeira do agravante. (..) Considerando tais premissas fáticas, não há como se alterar o julgado sem o revolvimento de fatos e provas, inviável nesta instância extraordinária, em razão do óbice da Súmula 7/STJ. Ademais, a impugnação da Súmula 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica por ele conferida e a apreciação jurídica que lhes deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar não em simplesmente reiterar as razões do Recurso Especial ou os argumentos referentes ao mérito da controvérsia, mas em demonstrar efetivamente que a referida Súmula não se aplica ao caso concreto e que, portanto, seria desnecessário revolver o acervo fático-probatório dos autos para a análise da insurgência. (..) Acrescente-se que esta Corte Superior, em sintonia com o disposto na Súmula 735/STF, entende que, via de regra, não é cabível Recurso Especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, por não representar pronunciamento definitivo, mas provisório, a respeito do direito afirmado na demanda, sujeito a modificação a qualquer tempo. (AgInt no AREsp 1.645.228/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 3.5.2022.)" Ou seja: a controvérsia (concessão da tutela cautelar de arresto) não foi tratada no acórdão embargado. Esta Corte não apreciou a controvérsia de mérito. Por exigir reexame de matéria fática, bem como por tratar-se de (in)deferimento de liminar ou antecipação de tutela, o mérito do recurso especial não foi apreciado. Portanto, os embargos de divergência não são cabíveis. O art. 1.043, III, do CPC, prevê o cabimento de embargos de divergência, ainda que um dos acórdãos não tenha sido conhecido, mas desde que tenha apreciado a controvérsia. No caso em julgamento, o acórdão embargado não analisou o mérito recursal e, muito menos, a controvérsia alegada nos embargos de divergência. Não há, pois, nessa oportunidade, como se alterarem e reavaliarem os critérios de conhecimento do recurso: AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO JULGA O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA. CORRETA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 315/STJ. 1. Não têm cabimento os embargos de divergência quando o acórdão embargado não julga o mérito do recurso especial. Inteligência da Súmula n. 315/STJ (AgInt nos EDcl nos EDv nos EREsp 1615774/MG, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, DJe de 28/8/2020). 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl nos EDv nos EDcl no AREsp n. 2.203.366/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 8/5/2023, DJe de 10/5/2023) O próprio embargante reconhece que não houve análise do mérito: "primeiramente é importante deixar claro que tanto o Voto proferido pelo Eminente Ministro Herman Benjamin, tanto monocraticamente em Especial quanto o proferido perante o colegiado da Segunda Turma em sede de Agravo Interno, não enfrentou as questões de "direito" postas a dirimir, insistindo numa argumentação retórica e os óbices gerados a partir da interpretação da Súmula 7 do C.STJ. Ocorre Excelências, que a Súmula 7 C.STJ, considerada pela maior doutrina como um filtro recursal, não pode ser aplicada ao largo da verdadeira competência conferida pela Constituição a este Colendo Colegiado, qual seja a deliberação sobre as decisões dos Tribunais que violem lei federal ou lhe neguem vigência e a uniformização da jurisprudência nacional" O entendimento desta Corte, no entanto, é que "(..) não cabem embargos de divergência com a finalidade de discutir eventual equívoco quanto ao exame dos requisitos de admissibilidade de recurso especial, tais como aqueles referentes à deficiência de fundamentação, ausência de prequestionamento, ao reexame de provas, à necessidade de interpretação de cláusulas contratuais" (AgInt nos EAREsp n. 1.924.581/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Corte Especial, julgado em 13/6/2023, DJe de 16/6/2023). Ainda que assim não fosse, não há similitude fática-jurídica entre o acórdão embargado e o acórdão paradigma. O acórdão paradigma fixou a tese de que: "A multa diária prevista no § 4º do art. 461 do CPC, devida desde o dia em que configurado o descumprimento, quando fixada em antecipação de tutela, somente poderá ser objeto de execução provisória após a sua confirmação pela sentença de mérito e desde que o recurso eventualmente interposto não seja recebido com efeito suspensivo". Trata-se de situação específica que não se confunde com a matéria tratada no acórdão embargado: possibilidade de arresto de bens, em execuções fiscais, em sede de tutela antecipada. Ademais, esta Corte consolidou ser possível o arresto de bens do devedor, antes de sua citação na execução fiscal, desde que preenchidos os requisitos para o deferimento da tutela provisória, nos termos do art. 300 do CPC/2015 (REsp 1.184.765/PA, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC, DJe 3.12.2010; e AgRg no REsp 1.492.786/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Seção, DJe 20.3.2015). Desta forma, também incide o óbice da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". Em face do exposto, não conheço dos embargos de divergência." O Tribunal de origem concluiu que houve abuso da personalidade jurídica e confusão patrimonial. A partir disso, determinou a desconsideração da personalidade jurídica da empresa executada e o imediato levantamento do valor constrito. De fato, conforme destacado na decisão recorrida, para rever o entendimento do Tribunal de origem, seria imprescindível o reexame dos fatos e das provas, providência que esbarraria no óbice da Súmula 7 do STJ. Ademais, esta Corte já consolidou entendimento de que "(..) não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela" (AgInt nos EAREsp 1.517.299/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, CORTE ESPECIAL, julgado em 16/12/2020, DJe 18/12/2020), consoante a Súmula 735/STF. Portanto, o acórdão embargado não adentrou no mérito do recurso. O art. 1043, III, do CPC prevê o cabimento de embargos de divergência, ainda que um dos acórdãos não tenha sido conhecido, mas desde que tenha apreciado a controvérsia. No caso em julgamento, o acórdão embargado não analisou o mérito recursal e, muito menos, a controvérsia discutida nos embargos de divergência. Não há, pois, nessa oportunidade, como se alterarem e reavaliarem os critérios acerca do conhecimento do recurso, para passar a analisar o mérito recursal: AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO JULGA O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA. CORRETA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 315/STJ. 1. Não têm cabimento os embargos de divergência quando o acórdão embargado não julga o mérito do recurso especial. Inteligência da Súmula n. 315/STJ (AgInt nos EDcl nos EDv nos EREsp 1615774/MG, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, DJe de 28/8/2020). 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl nos EDv nos EDcl no AREsp n. 2.203.366/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 8/5/2023) Quanto aos artigos constitucionais que fundamentam o agravo interno, o STJ não é competente para manifestar-se sobre suposta violação de dispositivo constitucional, nem mesmo a título de prequestionamento: "a jurisprudência deste Tribunal Superior expõe que não cabe a apreciação de suposta ofensa a matéria constitucional, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de invasão da competência do Supremo Tribunal Federal" (AgInt no AREsp n. 2.278.203/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023). Portanto, não há que se falar no exercício do juízo de retratação. Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.