EAREsp 2478859 - DECISAO
Indeferem-se liminarmente os embargos de divergência por ausência do pressuposto de admissibilidade consistente na similitude fática entre os acórdãos confrontados e por o acórdão embargado não ter apreciado mérito passível de confronto abstrato, sendo vedado, via embargos de divergência, o reexame dos pressupostos...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: BANCO VOITER S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente os embargos de divergência.
- Legal Topics
- Embargos De Divergência, Ônus Sucumbenciais, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Do Recurso Especial, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7/stj, Súmula 315/stj
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Parties
BANCO VOITER S.A.
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Divergência / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Existência de dissídio jurisprudencial sobre distribuição dos ônus sucumbenciais em caso de extinção dos embargos de terceiro sem resolução do mérito
- 2 Admissibilidade dos embargos de divergência quando o acórdão embargado não aprecia o mérito do recurso especial
- 3 Obrigatoriedade de similitude fática e cotejo analítico para configuração do dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
Indeferem-se liminarmente os embargos de divergência por ausência do pressuposto de admissibilidade consistente na similitude fática entre os acórdãos confrontados e por o acórdão embargado não ter apreciado mérito passível de confronto abstrato, sendo vedado, via embargos de divergência, o reexame dos pressupostos de admissibilidade do recurso especial e dos fatos e provas; aplica-se a vedação prevista na Súmula 315/STJ e na Súmula 7/STJ, determinando-se, ainda, a majoração dos honorários advocatícios em 15% caso tenham sido fixados pelas instâncias de origem.
Court Disposition
Indefiro liminarmente os embargos de divergência.
Orders
- Indefiro liminarmente os embargos de divergência.
- Caso exista prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, majoração em desfavor da parte recorrente no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os efeitos de eventual concessão da...
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de embargos de divergência (fls. 1.284-1.310) interpostos por BANCO VOITER S.A. contra acórdão prolatado pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça assim ementado (fl. 1.272): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Embargos de terceiro. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 4. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. Agravo não provido. A parte embargante alega que haveria divergência relativamente ao que fora decidido pela Segunda Turma no julgamento do REsp n. 1.755.343/PR. Defende, assim, a existência de dissídio interpretativo em relação às regras de distribuição dos ônus sucumbenciais quando ocorre a extinção dos embargos de terceiro sem resolução do mérito. De acordo com a parte recorrente (fl. 1.293): O acórdão embargado houve por desprover Recurso Especial por entender que o acórdão do TJMT teria realizado devida análise acerca da distribuição dos ônus sucumbencial diante do julgamento sem resolução do mérito dos Embargos de Terceiro, em função da retomada da Ação de Execução que ensejou o ajuizamento dos Embargos de Terceiro, entendendo como acertada a condenação do Banco Voiter (polo passivo dos Embargos de Terceiro), apesar de se ter reconhecido como plenamente válida a Ação de Execução. Ao assim proceder, o acórdão embargado divergiu do acórdão paradigma da 2ª Turma no julgamento do Recurso Especial Nº 1.755.343 - PR (2018/0167871-2) (DOC. 02 - acórdão divergente e certidão de julgamento), de relatoria do Ilmo. Ministro Herman Benjamin, julgado em 16/08/2018, em relação à escorreita distribuição do ônus sucumbencial em caso de extinção de Embargos de Terceiro em resolução do mérito por perda superveniente de objeto a posteriori. Requer, em consequência, o provimento dos presentes embargos, com a reforma do acórdão embargado. É, no essencial, o relatório. Para que sejam cabíveis no Superior Tribunal de Justiça, os embargos de divergência exigem a presença de elementos fáticos semelhantes nos acórdãos confrontados, de modo a autorizar a comparação, em abstrato, das conclusões de mérito sobre questões conhecidas e decididas no recurso especial (art. 1.043, I e III, do Código de Processo Civil). No caso, especificamente no tocante à matéria impugnada no presente recurso uniformizador, não houve questão de mérito decidida pela Terceira Turma, seja de direito material ou de direito processual, contexto no qual a pretensão dos embargos de divergência resume-se a rediscutir a conclusão do acórdão embargado pela aplicação do óbice sedimentado na Súmula n. 7 do STJ, bem como os requisitos para a interposição do recurso especial com fundamento na alínea c do permissivo constitucional. Com efeito, o conteúdo de cada um dos acórdãos contrastados decorre das premissas e particularidades de cada recurso e decisão impugnada, inexistindo possibilidade de comparação abstrata entre o acórdão recorrido e outro no qual se reputou inexistente o óbice recursal. Assim, é inviável a obtenção de nova apreciação da questão por meio dos embargos de divergência, conforme pacífico entendimento deste Superior Tribunal (destaque próprio): AGRAVO INTERNO. DECISÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS 5 E 7 DA SÚMULA DO STJ. APLICAÇÃO DE REGRAS TÉCNICAS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. 1. Não cabe, em embargos de divergência, reexaminar os pressupostos de conhecimento do recurso especial, para extrair conclusão diversa a respeito da incidência das Súmulas 5 e 7/STJ. 2. Para a configuração da divergência, os acórdãos confrontados devem apresentar similitude de base fática capaz de ensejar decisões conflitantes a propósito da mesma questão jurídica, situação não verificada nos autos. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EREsp n. 1.835.585/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 22/11/2022, DJe de 25/11/2022.) A conclusão em comento, como se permitiu entrever, encontra-se sedimentada na Súmula n. 315 desta Corte Superior, segundo a qual: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." Nesse sentido (destaque próprio) : AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO APRECIOU A CONTROVÉRSIA DE MÉRITO. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 315/STJ. SIMILITUDE. AUSÊNCIA. 1. Não cabem embargos de divergência quando o acórdão embargado ou o paradigma sequer adentra no mérito do recurso especial, interpretando os pressupostos de admissibilidade dessa espécie recursal. Aplicação analógica da Súmula 315/STJ. 2. Tratando os acórdãos confrontados de questões essencialmente distintas, não há falar em dissídio jurisprudencial a ser sanado na via dos embargos de divergência. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EAREsp n. 2.056.572/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 13/12/2022, DJe de 16/12/2022.) AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO DE EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NA HIPÓTESE DE NÃO TER SIDO ANALISADO O MÉRITO DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA DE TESES JURÍDICAS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Nos termos dos arts. 1.043 do Código de Processo Civil e 266 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, os embargos de divergência são cabíveis contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia. 2. "O dissídio jurisprudencial deve ser demonstrado conforme preceituam os arts. 266, § 4º, do RISTJ e 1.043, § 4º, do CPC, mediante o cotejo analítico dos arestos, indicando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados" (AgRg nos EREsp 1.842.988/CE, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 9.6.2021). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EAREsp n. 1.743.577/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 21/6/2022, DJe de 28/6/2022.) Saliente-se que a única questão de mérito apreciada pelo acórdão embargado diz respeito à existência de vícios de fundamentação do acórdão proferido pela instância de origem, tendo sido afastada a suscitada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC. Todavia, também não é possível reexaminar esse tópico no âmbito dos embargos de divergência, pois se trata de juízo de valor que está diretamente relacionado com as particularidades do cada caso, inexistindo, em tal situação, confronto abstrato entre teses jurídicas. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ALEGAÇÃO DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL QUANTO AO DISPOSTO NO ART. 1022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Os julgados confrontados não destoam quanto ao fato de que todas as questões relevantes devem ser apreciadas pelo juízo. Todavia, a verificação de ocorrência ou não de omissão no julgado se dá conforme as peculiaridades da demanda, não ensejando, pois, dissenso pretoriano a ser dirimido em sede embargos de divergência. 2. Agravo interno não provido. (AgInt nos EAREsp n. 2.294.014/SC, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgado em 22/10/2024, DJe de 25/10/2024.) Falta aos presentes embargos de divergência, portanto, pressuposto de admissibilidade sem o qual não se pode conhecer desta via de impugnação, destinada apenas à uniformização da jurisprudência. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, III, do Código de Processo Civil, nos termos do disposto no art. 266-C do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente os embargos de divergência. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como os efeitos de eventual concessão da gratuidade da justiça. Em atenção ao princípio da cooperação (art. 6º do CPC), anoto que a interposição de agravo que venha a ser declarado manifestamente inadmissível ou improcedente poderá ensejar a aplicação de multa, nos termos do § 4º do art. 1.021 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA