EREsp 1800092 - DECISAO
Os embargos de divergência são incognoscíveis e foram indeferidos liminarmente porque o acórdão embargado não enfrentou o mérito (aplicou o óbice da Súmula 7 do STJ), ao passo que o paradigma indicado apreciou o mérito; assim, não há idêntico grau de cognição nem similitude fático-processual necessária para...
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- Parties
- Embargante: JOSÉ DIONISIO DE BARROS CAVALCANTI NETO; Embargada: OI S.A. - em recuperação judicial
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 December 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Decisão Indeferimento Liminar
- Outcome
- embargos de divergência indeferidos liminarmente (não conhecidos)
- Legal Topics
- Embargos De Divergência, Honorários Contratuais, Súmula 7/stj, Princípio Da Congruência, Admissibilidade De Recurso Especial, Grau De Cognição
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Parties
JOSÉ DIONISIO DE BARROS CAVALCANTI NETO
Embargante
OI S.A. - em recuperação judicial
Embargada
Procedural Posture
Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Decisão Indeferimento Liminar
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de divergência quando o acórdão embargado não enfrentou o mérito
- 2 incidência do óbice da Súmula 7/STJ que impede reexame de prova
- 3 princípio da congruência quanto à reserva de honorários contratuais
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência são incognoscíveis e foram indeferidos liminarmente porque o acórdão embargado não enfrentou o mérito (aplicou o óbice da Súmula 7 do STJ), ao passo que o paradigma indicado apreciou o mérito; assim, não há idêntico grau de cognição nem similitude fático-processual necessária para configurar divergência jurisprudencial e justificar a apreciação dos embargos.
Court Disposition
embargos de divergência indeferidos liminarmente (não conhecidos)
Orders
- INDEFIRO LIMINARMENTE os embargos de divergência.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência opostos por JOSÉ DIONISIO DE BARROS CAVALCANTI NETO (JOSÉ DIONISIO), na demanda em que contende com OI S.A. - em recuperação judicial (OI), contra acórdão da Quarta Turma, da relatoria da Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, assim ementado: AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. COBRANÇA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS CONTRATUAIS. LIMITAÇÃO. POSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A limitação de retenção dos honorários contratuais não surte efeito liberatório sobre o devedor. Apenas visa a resguardar, notadamente em casos de hipossuficientes jurídicos, a possibilidade de revisão pelas vias legais. Busca evitar a chancela, pelo Poder Judiciário, de situações desproporcionais (R Esp n. 1.903.416/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2/2/2021, D Je de 13/4/2021). 2. A alteração do entendimento do acórdão recorrido esbarraria no óbice da Súmula 7/STJ, pois somente com o exame da prova é que se verificaria se a relação contratual existente entre o recorrente e seu cliente atende aos princípios da boa-fé contratual. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (e-STJ, fl. 535). O dissídio jurisprudencial submetido à análise da Segunda Seção diz respeito ao princípio da congruência, que impossibilita a reserva dos honorários contratuais em limite diverso do pactuado entre as partes. O embargante citou como paradigmas o acórdão da Terceira Turma prolatado no REsp nº 1.989.089/MT, DJe 28/04/2022 e o acórdão da Quinta Turma prolatado no AgRg no REsp nº 1.147.450/PR, 5ª Turma, DJe 03/05/2010 (e-STJ, fls. 552/589). A Corte Especial indeferiu liminarmente os embargos de divergência com relação ao paradigma da Quinta Turma, em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontrados (e-STJ, fls. 596/599). O embargante interpôs agravo interno, não provido pela Corte Especial (e-STJ, fls. 631/6356). O recurso foi a mim distribuído para a análise da divergência com relação ao paradigma da Terceira Turma. É o relatório. DECIDO. Os embargos de divergência não se revelam cognoscíveis. O dissídio jurisprudencial submetido à análise da Segunda Seção diz respeito ao princípio da congruência, que impossibilita a reserva dos honorários contratuais em limite diverso do pactuado entre as partes. Os embargos de divergência visam harmonizar precedentes conflitantes proferidos em Turmas distintas em julgamentos de recurso especial ou em agravo que tenham analisado o mérito do recurso inadmitido pelo Tribunal de origem. O art. 1.043, II, do CPC, estabelece que cabem embargos de divergência contra o acórdão que em recurso especial divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia. Na hipótese, o acórdão embargado da Quarta Turma entendeu incidir o óbice da Súmula nº 7 do STJ. Nesse sentido, a Quarta Turma do STJ entendeu que o acórdão estadual analisou a questão com base no conjunto fático-probatório e, diante do quadro fático delimitado, concluiu que somente com o exame da prova é que verificaria se a relação contratual existente entre o recorrente e seu cliente atende aos princípios da boa-fé contratual. Ademais, consignou que o critério utilizado para a limitação pode ser flexibilizado a qualquer tempo, mediante a apresentação de elementos fáticos aptos a justificar a alteração do entendimento do Tribunal de origem. Confira-se trecho do acórdão embargado: .. A argumentação do recorrente não é capaz de afastar o entendimento desta Corte. A limitação à reserva de honorários não depende da litigiosidade da matéria, já que é cognoscível de ofício. No caso, não há ofensa aos princípios da não surpresa e ao princípio da inércia da jurisdição (arts. 2ª, 10 e 492, todos do PC). Privilegia-se, em contrapartida, o poder geral de cautela (REsp 1155200/DF, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/2/2011, D Je 2/3/2011). Rever os fundamentos do Tribunal de origem, quanto às razões para a limitação da reserva de honorários, esbarraria no óbice da Súmula 7/STJ. Uma vez que o Tribunal de origem é livre para rever, a qualquer tempo, a limitação à reserva de honorários, cabe ao recorrente, na instância de origem, apresentar elementos fáticos aptos a justificar a alteração do entendimento. Incide, portanto, o óbice da Súmula 284/STF (e-STJ, fls. 544/545). Não se configura divergência entre julgados quando um deles adentra o mérito do recurso, apreciando a questão controvertida, ao passo que o outro não conhece do recurso especial, sem enfrentar a tese de mérito, em razão de óbice relacionado à admissibilidade recursal. Isto porque não há similitude fática quando o acórdão embargado trata da inadmissibilidade do recurso especial e o paradigma do mérito. É que, nos embargos de divergência, os acórdãos cotejados devem exibir idêntico grau de cognição. Embora o art. 1.043, III, do NCPC, estabeleça o cabimento de embargos de divergência, sendo os acórdãos confrontados um de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, dispõe expressamente que neste último deverá ter sido apreciada a controvérsia. No caso em exame, o acórdão embargado não adentrou no mérito da questão e manteve as conclusões do Tribunal de origem inalteradas, em virtude do óbice da Súmula nº 7 do STJ. Não há, pois, nessa oportunidade, como se alterar e reavaliar os critérios sobre o conhecimento do recurso para concluir, segundo pretende o embargante, que era o caso de dar provimento ao recurso especial. Conforme entendimento desta Corte Superior de Justiça, são incabíveis embargos de divergência quando o acórdão embargado não ultrapassou, de fato, o juízo de admissibilidade, e o julgado paradigma admitiu o recurso e enfrentou o mérito, inexistindo, por essa razão, a indispensável semelhança fático-processual entre os arestos confrontados. Confiram-se os precedentes: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO PARADIGMA QUE NÃO EXAMINOU O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA. DIVERGÊNCIA CIRCUNSCRITA À APLICAÇÃO DE REGRA TÉCNICA DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA DE TESES JURÍDICAS. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos do art. 1.043 do Código de Processo Civil, os embargos de divergência são cabíveis contra acórdão que, em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do Tribunal, sendo ambos os acórdãos, embargado ou paradigma, de mérito, ou quando, embora não conhecendo do recurso, tenham apreciado a controvérsia. 2. "O Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento no sentido de serem incabíveis embargos de divergência com o intuito de reapreciar a efetiva ocorrência dos óbices de admissibilidade do recurso especial" (AgInt nos EAREsp n. 1.225.660/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Corte Especial, julgado em 8/8/2023, DJe de 14/8/2023). 3. Na hipótese, a parte embargante pretende reverter o juízo de admissibilidade do recurso especial buscando a aplicação dos óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ no caso dos autos, de modo que incabíveis os presentes embargos. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EREsp nº 1.815.823/SP, relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Segunda Seção, j. 29/10/2024, DJe de 7/11/2024 - sem destaques no original) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. SOCIEDADE EDUCACIONAL. EXCLUSÃO DE SÓCIO. JUSTO MOTIVO. NÃO OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO. JUÍZO DE MÉRITO. ACÓRDÃO PARADIGMA. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA Nº 7. AUSÊNCIA DE IDÊNTICO GRAU DE COGNIÇÃO. INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. .. 4. Nos embargos de divergência os acórdãos cotejados devem exibir idêntico grau de cognição. Doutrina. 5. Conforme entendimento desta Corte Superior de Justiça, são incabíveis embargos de divergência quando o acórdão embargado admitiu o recurso e enfrentou o mérito, e o julgado paradigma não ultrapassou, de fato, o juízo de admissibilidade, inexistindo, por essa razão, a indispensável semelhança fático-processual entre os arestos confrontados. Precedentes. 6. Agravo interno não provido. (AgInt nos EREsp 1.280.051/MG, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, Segunda Seção, j. 13/12/2017, DJe 6/3/2018 - sem destaque no original) Desse modo, permanece hígido o entendimento da Corte Especial de que não cabe, em embargos de divergência, a análise de possível acerto ou desacerto do acórdão embargado, mas tão só a de eventual dissídio de teses jurídicas, a fim de uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional no âmbito do STJ (AgRg nos EREsp 840.567/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Corte Especial, j. 29/6/2010, DJe 13/8/2010). Nessas condições, nos termos do art. 266-C do RISTJ, INDEFIRO LIMINARMENTE os embargos de divergência. Por oportuno, previno as partes que a interposição de recurso contra essa decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação nas penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. ACÓRDÃO PARADIGMA. JUÍZO DE MÉRITO. AUSÊNCIA DE IDÊNTICO GRAU DE COGNIÇÃO. REGRA TÉCNICA. EMBARGOS REJEITADOS LIMINARMENTE.