AREsp 2661433 - DECISAO
Conheceu-se do agravo regimental por preenchimento dos requisitos formais e por impugnação do fundamento da decisão agravada; o Tribunal manteve que existiam elementos idôneos de prova (depoimentos, imagens e Termo de Constatação de Sinais de Alteração Psicomotora) suficientes para a condenação pelos arts. 305 e 306...
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- Parties
- Agravante/recorrente: LINDOMAR GOMES CURADO; Manifestante: Ministério Público Federal; Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Distrito Federal e Territórios
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Agravo Conhecido; Recurso Especial Conhecido Parcialmente E Negado Provimento
- Outcome
- Agravo regimental conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
- Legal Topics
- Embriaguez Ao Volante, Afastamento Do Local Do Acidente, Prova Testemunhal, Teste Do Etilômetro, Dosimetria Da Pena, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj
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Parties
LINDOMAR GOMES CURADO
Agravante/recorrente
Ministério Público Federal
Manifestante
Tribunal de Justiça do Estado do Distrito Federal e Territórios
Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido
Procedural Posture
Agravo Regimental / Agravo Conhecido; Recurso Especial Conhecido Parcialmente E Negado Provimento
Legal Issues
- 1 admissibilidade do agravo regimental contra decisão monocrática que não conheceu do recurso
- 2 possibilidade de condenação por embriaguez sem prova do aparelho etilômetro
- 3 vedação ao reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo regimental por preenchimento dos requisitos formais e por impugnação do fundamento da decisão agravada; o Tribunal manteve que existiam elementos idôneos de prova (depoimentos, imagens e Termo de Constatação de Sinais de Alteração Psicomotora) suficientes para a condenação pelos arts. 305 e 306 do CTB, de modo que a pretensão de absolvição demandaria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ. Ademais, a ausência de identificação do aparelho etilômetro recusado não impede a condenação quando a alteração psicomotora é comprovada por outros meios. Quanto à dosimetria, o aumento da pena-base adotado pelo Tribunal de origem pautou-se em critério...
Court Disposition
Agravo regimental conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
Orders
- Reconsiderada a decisão de e-STJ fls. 503/504; conheço do agravo regimental; conheço parcialmente do recurso especial e, nessa parte, nego-lhe provimento.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo regimental interposto por LINDOMAR GOMES CURADO, contra decisão monocrática da lavra da Ministra Presidente MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, que não conheceu do recurso, em razão da incidência da Súmula n. 182/STJ (e-STJ fls. 503/504). Em seu agravo regimental (e-STJ fls. 514/522), a parte recorrente alega que impugnou todos os fundamentos da decisão agravada. Manifestação do Ministério Público Federal, às e-STJ fls. 536/537, pelo não conhecimento do agravo regimental. Verifica-se que os argumentos aduzidos nas razões de agravo regimental revelam-se plausíveis, o que impõe a reconsideração da decisão agravada. Trata-se de agravo interposto em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Distrito Federal e Territórios, cuja ementa é a seguinte (e-STJ fls. 393/394): APELAÇÃO CRIMINAL. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE E AFASTAMENTO DO LOCAL DO ACIDENTE. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. TERMO DE CONSTATAÇÃO DE SINAIS DE EMBRIAGUEZ, PROVA TESTEMUNHAL E FOTOS. CONDENAÇÃO DEVIDA. DOSIMETRIA. PRIMEIRA FASE. CRITÉRIO DE 1/8 DA DIFERENÇA ENTRE AS PENAS MÍNIMA E MÁXIMA PARA CADA CIRCUNSTÂNCIA DESFAVORÁVEL. PROPORCIONALIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA PENA. CIRCUNSTÂNCIAS DESFAVORÁVEIS. REINCIDÊNCIA EM CRIME DOLOSO. MEDIDA NÃO SOCIALMENTE RECOMENDÁVEL. 1. Com o advento da Lei nº 12.760/2012, a realização de teste etílico ou de exame sanguíneo passaram a configurar medidas prescindíveis para a verificação da alteração da capacidade psicomotora, que pode ser comprovada por diversos meios de prova, inclusive testemunhal. 2. Verificada a materialidade e a autoria do crime de embriaguez ao volante e de afastamento do local do acidente pelos firmes e harmônicos depoimentos judiciais das testemunhas, tudo em cotejo com as declarações prestadas perante a autoridade policial, com as imagens registradas e com o Termo de Constatação de Sinais de Alteração Psicomotora, incabível a absolvição por ausência de provas. 3. Conforme a jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça e desta egrégia Corte, é razoável a aplicação, na primeira fase da dosimetria da pena, do critério de 1/8 da diferença entre a pena mínima e máxima para cada circunstância judicial desfavorável ao réu, e, na segunda fase, da fração de 1/6 da pena-base para cada agravante/atenuante. Observados tais parâmetros, não há que se falar em desproporcionalidade na reprimenda. 4. Tratando-se de réu com condenações anteriores por tentativa de homicídio qualificado e posse irregular de arma de fogo de uso permitido, configurando maus antecedentes e reincidência, em compasso com a valoração negativa da conduta social e das circunstâncias, incabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, nos termos do art. 44, II, e III, do Código Penal. 5. Apelação conhecida e não provida. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 428/443), alega a parte recorrente violação dos artigos 305 e 306 do CTB e do artigo 386, inciso VII, do CP. Sustenta: (i) a absolvição por ausência de prova concreta para a condenação; (ii) que a exasperação da pena-base seja aplicada no patamar de 1/6. É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso não merece acolhida. De início, o Tribunal a quo, em decisão devidamente motivada, entendeu que, do caderno instrutório, emergiram elementos suficientemente idôneos de prova, colhidos nas fases inquisitorial e judicial, aptos a manter a condenação do acusado pelos crimes dos artigos 305 e 306 do CTB (e-STJ fls. 396/400). Assim, rever os fundamentos utilizados pela Corte de origem, para concluir pela absolvição, por ausência de prova concreta para a condenação, como requer a defesa, importa revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial, segundo óbice da Súmula n. 7/STJ. No ponto, salienta-se que a mera ausência do apontamento da marca, modelo e número de série do aparelho etilômetro recusado não é óbice à condenação criminal caso comprovada a alteração da capacidade psicomotora por outro meio de prova. Nessa linha, conforme o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, "a partir do advento da L ei 12.760/2012, que alterou a redação do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro, entende-se ser despicienda a submissão do acusado a teste de etilômetro, sendo admitida a comprovação da embriaguez por vídeo, testemunhos ou outros meios de prova admitidos em direito, observado o direito à contraprova" (AgRg no AREsp n. 2.189.576/RO, relator Ministro Jesuíno Rissato, Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 20/6/2023, DJe de 23/6/2023) (AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.397.267/DF, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/2/2024, DJe de 4/3/2024.) No tocante à fixação da reprimenda inicial acima do mínimo legal, cumpre registrar que a dosimetria da pena está inserida no âmbito de discricionariedade do julgador, estando atrelada às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas dos agentes, elementos que somente podem ser revistos por esta Corte em situações excepcionais, quando malferida alguma regra de direito. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é no sentido de que a pena-base não pode ser fixada acima do mínimo legal com fundamento em elementos constitutivos do crime ou com base em referências vagas, genéricas, desprovidas de fundamentação objetiva para justificar a sua exasperação. Precedentes: HC n. 272.126/MG, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 8/3/2016, DJe 17/3/2016; REsp n. 1.383.921/RN, Relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 16/6/2015, DJe 25/6/2015; HC n. 297.450/RS, Relator Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 21/10/2014, DJe 29/10/2014. Salienta-se que a ponderação das circunstâncias judiciais não constitui mera operação aritmética, em que se atribuem pesos absolutos a cada uma delas, mas sim exercício de discricionariedade, devendo o julgador pautar-se pelo princípio da proporcionalidade e, também, pelo elementar senso de justiça. Assim, não há falar em um critério matemático impositivo estabelecido pela jurisprudência desta Corte, mas, sim, em um controle de legalidade do critério eleito pela instância ordinária, de modo a averiguar se a pena-base foi estabelecida mediante o uso de fundamentação idônea e concreta (discricionariedade vinculada) (AgRg no HC n. 603.620/MS, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, DJe 9/10/2020). Considerando o silêncio do legislador, a doutrina e a jurisprudência passaram a reconhecer como critérios ideais para individualização da reprimenda-base o aumento na fração de 1/8 por cada circunstância judicial negativamente valorada, a incidir sobre o intervalo de pena abstratamente estabelecido no preceito secundário do tipo penal incriminador, ou de 1/6, a incidir sobre a pena mínima (AgRg no HC n. 800.983/SP, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 22/5/2023.). Precedentes: AgRg no AREsp n. 2.507.940/SP, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024; AgRg no REsp n. 2.046.402/RS, Relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 6/3/2024; AgRg no AREsp n. 1.884.732/DF, Relator Ministro MESSOD AZULAY NETO, Quinta Turma, julgado em 27/2/2024, DJe de 1/3/2024; AgRg no AREsp n. 2.086.383/SP, Relator Ministro JESUÍNO RISSATO (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 20/2/2024, DJe de 28/2/2024; AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.299.988/PA, Relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Sexta Turma, julgado em 21/11/2023, DJe de 24/11/2023. Diante disso, a exasperação superior às referidas frações, para cada circunstância, deve apresentar fundamentação adequada e específica, a qual indique as razões concretas pelas quais a conduta do agente extrapolaria a gravidade inerente ao teor da circunstância judicial. No ponto, ressalta-se que o réu não tem direito subjetivo à utilização das referidas frações, não sendo tais parâmetros obrigatórios, porque o que se exige das instâncias ordinárias é a fundamentação adequada e a proporcionalidade na exasperação da pena. No presente caso, a Corte de origem utilizou para a exasperação da reprimenda inicial o aumento de 1/8 sobre o intervalo entre os limites mínimo e máximo abstratamente cominados no tipo legal, para cada circunstância judicial negativa, não podendo se falar, assim, em desproporcionalidade ou ofensa a razoabilidade, estando de acordo com um dos critérios acolhidos pela jurisprudência desta Corte Superior de Justiça. Ante o exposto, reconsidero a decisão de e-STJ fls. 503/504 e, com fundamento no art. 932, inciso III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", parte final do RISTJ, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento. Intimem-se. EMENTA