HC 984886 - DECISAO
Não se verifica ilegalidade manifesta no acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: houve fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto, fundada em maus antecedentes, reincidência e valoração negativa de circunstância judicial (envolvimento em acidente), compatíveis com a jurisprudência do...
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- Parties
- Paciente: MAICON LUIS RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Embriaguez Ao Volante, Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Reincidência, Substituição De Pena Por Penas Restritivas De Direitos, Habilitação Para Dirigir, Súmula 269 Do STJ
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Parties
MAICON LUIS RODRIGUES
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 legalidade da fixação do regime semiaberto como regime inicial
- 2 aplicabilidade da Súmula 269 do STJ a recondenados
- 3 possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos
Ratio Decidendi
Não se verifica ilegalidade manifesta no acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: houve fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto, fundada em maus antecedentes, reincidência e valoração negativa de circunstância judicial (envolvimento em acidente), compatíveis com a jurisprudência do STJ, razão por que o Habeas Corpus não merece ser conhecido liminarmente.
Court Disposition
Indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MAICON LUIS RODRIGUES em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL. DELITO DE TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. Tratando-se de réu portador de maus antecedentes e reincidente, deve ser mantido o regime inicial semiaberto, nos termos do art. 33, §2º, alínea "c", do Código Penal. Ausentes os requisitos do art. 44 do CP, e sendo a medida socialmente não recomendável, não há que se falar em substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos. APELO MINISTERIAL PROVIDO E DESPROVIDO O APELO DEFENSIVO. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 07 (sete) meses de detenção e multa, no regime semiaberto, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor pelo prazo de 03 (três) meses, pela prática do delito previsto no artigo 306, § 1º, I, da Lei n. 9.503/1997. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, diante da ausência de fundamentação idônea para fixação de regime semiaberto para o início de cumprimento da pena, tendo em vista que a reincidência, por si só, não obsta a fixação do regime aberto, considerando-se o quantum da pena. Aduz que a jurisprudência, por meio do enunciado da Súmula 269 do STJ, se consolidou no sentido de que, mesmo em se tratando de condenado reincidente é permitido ao julgador fixar o regime inicial mais benéfico, quando a pena não supera os 04 (quatro) anos de reclusão, para o condenado reincidente, excepcionando o disposto no art. 33, § 2º, "c", do CP. Alega, ainda, que não há elementos concretos que demonstrem que a conduta do paciente extrapola aquelas inerentes ao próprio tipo penal e que o paciente preenche os requisitos para a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o aberto e a substituição da reprimenda privativa de liberdade por restritiva de direitos. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: No entanto, a conduta do apelante não se amolda na hipótese citada, pois ele é portador de maus antecedentes e reincidente, inclusive, se envolveu em um acidente, sendo adequado para que seja efetiva a reprimenda adotada, diante da finalidade preventiva da pena, a adoção do regime semiaberto (fl. 16). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime fechado, mesmo sendo a pena inferior a 4 anos pois, além da reincidência, houve a valoração negativa de circunstância judicial. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA