AREsp 2894663 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou suficientemente a rejeição do pedido de dano moral e esclareceu os pontos suscitados nos embargos; acolher o recurso exigiria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ, não se configurando omissão apta a...
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- Parties
- Agravante: CLAUDIO CESAR FERREIRA DE ALMEIDA; Rés: instituições financeiras rés
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Desprovimento Do Agravo
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Empréstimo Consignado, Dano Moral, Limitação De Descontos Em Folha, Reexame De Matéria Fático Probatória, Honorários Sucumbenciais
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Parties
CLAUDIO CESAR FERREIRA DE ALMEIDA
Agravante
instituições financeiras rés
Rés
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Desprovimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 regularidade dos descontos consignados e observância do limite de 30%
- 2 possibilidade de indenização por dano moral em face de descontos em folha
- 3 alegada omissão/obscuridade no acórdão e análise dos embargos de declaração
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou suficientemente a rejeição do pedido de dano moral e esclareceu os pontos suscitados nos embargos; acolher o recurso exigiria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ, não se configurando omissão apta a anular o acórdão recorrido.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto por CLAUDIO CESAR FERREIRA DE ALMEIDA, contra decisão que inadmitiu seu recurso especial. O apelo extremo, com amparo na alínea "a" do permissivo constitucional, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assim ementado (fls. 1110/1122, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZATÓRIA. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. PARCELAS DEBITADAS DO CONTRACHEQUE. LIMITAÇÃO DOS DESCONTOS EM 30%. CABIMENTO. PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. Sentença de procedência parcial dos pedidos. Insurge-se o banco apelante em face do julgado defendendo a legalidade do contrato firmado e a improcedência dos pedidos. Autor que requer o reconhecimento do direito à reparação por dano moral. Cinge-se a controvérsia em verificar se pode ou não ser limitado no percentual de 30% dos vencimentos do autor os descontos das parcelas de empréstimo consignados. No caso, o autor, exercendo o cargo de Técnico Administrativo II da UERJ, celebrou contratos de empréstimos com as instituições financeiras rés, cujas parcelas são descontadas diretamente em folha de pagamento. Da análise dos documentos de fls. 21/25 e do contracheque juntado a fls. 40/41, verifica-se que subtraindo os descontos obrigatórios do rendimento recebido, chega-se a quantia de R$ 6.481,40, resultando a margem de 30% no montante de R$ 1.944,42. Não obstante, os descontos alcançam um montante de R$ 2.527,66, superior ao percentual legalmente admitido. Desta feita, cabível a limitação de descontos pleiteada pela parte autora, porque mesmo que os descontos tenham sido objeto de livre estipulação pelos contratantes, não podem as instituições financeiras descontar parte substancial do salário do contratante por se tratar de verba necessária à sua sobrevivência. Sentença mantida. Recursos aos quais se nega provimento. Opostos embargos declaratórios, os quais foram rejeitados (fls. 1209-1212, e-STJ). No apelo extremo (fls. 1240/1255, e-STJ), o recorrente sustenta violação dos artigos 6º, V e VII; 14, caput; 39, V e 51, IV, todos do Código de Defesa do Consumidor; artigos 927 e 944, ambos do Código Civil; e artigos 489, §1º, IV c/c 1.022, II, todos do Código de Processo Civil. Aduz, em apertada síntese, a irregularidade dos descontos realizados, que ultrapassaram o limite permitido e comprometeram o mínimo existencial, além da negativa de indenização por danos morais, mesmo diante da falha na prestação do serviço e dos prejuízos causados ao agravante. Contrarrazões às fls. 1266/1269 e 1270/1277, e-STJ. A Corte local inadmitiu o reclamo (fls. 1280/1287, e-STJ), dando ensejo ao presente agravo em recurso especial (fls. 1296/1304, e-STJ). Contraminuta às fls. 1308/1314, e-STJ. É o relatório. Decido. O presente recurso não merece prosperar. 1. Quanto à apontada violação aos arts. 489, §1º, IV c/c 1.022, II, afirma o recorrente a ausência de exame das questões aduzidas nos embargos de declaração, não tendo abordado "de forma amplamente fundamentada as alegações do Embargante, ora Recorrente, mormente o dano moral sofrido pelo Autor, em razão dos descontos exorbitantes em sua conta" (fl. 1245, e-STJ). A Corte de origem deixou claro os motivos pelos quais rejeitou o a tese de ofensa aos direitos de personalidade do apelante (fls. 1118, e-STJ): Não assiste razão a parte autora quanto a tese de fazer jus a reparação por dano moral na hipótese. Com efeito, considerando que o apelante livremente efetuou as contratações dos empréstimos consignados apontados nos autos, tinha consciência potencial dos negócios que realizava ao contrair empréstimos consignados. Desta feita, embora desconfortável a situação narrada, não há que se falar em ofensa aos direitos de personalidade. Ressalte-se que o fato de o julgamento ser contrário aos interesses do recorrente não configura nenhum dos vícios do art. 489 do CPC/2015, tampouco há motivo para prover o recurso especial quanto à suposta contrariedade aos artigos 1.022 e 1.025 do CPC/2015, pois os pontos questionados nos embargos foram motivadamente respondidos no acórdão embargado, conforme acima demonstrado, não se ressentindo o aresto de falta de clareza, nem padecendo de obscuridade, erro material, lacuna ou contradição. O Tribunal de origem manifestou-se de forma clara sobre as questões e os pontos a respeito dos quais devia emitir pronunciamento. Nenhum aspecto relevante para a solução da controvérsia deixou de ser examinado. Não há falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional, senão em discordância do ora recorrente com o teor do julgamento. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. Assim, a apontada violação ao art. 1.022 do CPC/15 não se efetivou no caso dos autos, uma vez que não se vislumbra omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido capaz de tornar nula a decisão impugnada no especial, porquanto a Corte de origem apreciou a demanda de modo suficiente, havendo se pronunciado acerca de todas as questões relevantes. Nesse sentido: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DE VIDA. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DOENÇA PREEXISTENTE NÃO INFORMADA PELO SEGURADO. EXAMES PRÉVIOS NÃO EXIGIDOS PELA SEGURADORA. MÁ-FÉ DO SEGURADO AFASTADA PELO ACÓRDÃO. REVISÃO. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não procede a arguição de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, quando o Tribunal de Justiça se pronuncia, de forma motivada e suficiente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia. (..) 5. Agravo interno desprovido.(AgInt no AREsp 2583215 / MT, QUARTA TURMA, julgado em 16/09/2024, DJe 01/10/2024) PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.(1) PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OMISSÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE E COERENTE. HIGIDEZ DO DECISUM IMPUGNADO. (2) CRÉDITO CONDOMINIAL. VALOR DESTINADO À CONSERVAÇÃO DO BEM. NATUREZA EXTRACONCURSAL. PRECEDENTES. COMPETÊNCIA. ATOS EXPROPRIATÓRIOS. ANÁLISE À LUZ DA LEI N. 14.112/2020. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO INDIVIDUAL, EXCETO EM RELAÇÃO A BENS ESSENCIAIS DURANTE O STAY PERIOD. JULGADOS. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não procede a arguição de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do NCPC quando o Tribunal Estadual se pronuncia, de forma motivada. suficiente e coerente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia. (..) 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 2142790/RJ, Rel. Min. MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/10/2024, Dje 09/10/2024) 2. Como se vê, na hipótese sub judice, o órgão julgador, após a apreciação das circunstâncias fáticas e das provas dos autos, concluiu expressamente pela inocorrência da responsabilidade civil da instituição bancária, afastando o dever de indenizar por danos morais. Rever tal entendimento demandaria promover o reexame do arcabouço fático probatório dos autos, providência vedada na via eleita, a teor do óbice da Súmula 7/STJ. A propósito, confira-se, mutatis mutandis: RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA DE NEGÓCIO JURÍDICO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. COBRANÇA INDEVIDA POR FRAUDE DE CONTRATO DE CRÉDITO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA QUE NÃO AFASTA A NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE DANO PARA CONFIGURAR DEVER DE INDENIZAR. DANO MORAL E MATERIAL. INOCORRÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. PRESENÇA DE FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STJ. .. 6. Nesse contexto, revela-se evidente que para se acolher a pretensão recursal seria necessário afastar essas conclusões do Tribunal de origem acerca da não demonstração de ocorrência de dano moral e de dano material, o que somente seria possível com o reexame de provas, providência vedada em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 8. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.628.556/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 15/3/2021, DJe de 23/3/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA CONJUGADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. PESSOA ANALFABETA E IDOSA. CONTRATAÇÃO. VALIDADE. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. O entendimento firmado pelas instâncias ordinárias, no sentido de que a instituição financeira comprovou a validade do contrato de empréstimo firmado por pessoa analfabeta e idosa, demandaria o reexame de matéria fático-probatória, procedimento inviável em recurso especial, nos termos da Súmula nº 7/STJ. 3. A necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Precedente. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.990.879/PB, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022.) Incide, no ponto, o teor da Súmula 7/STJ. 3. Do exposto, com amparo no artigo 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do agravo para conhecer parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento. Por fim, não havendo fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias ordinárias, inaplicável a majoração prevista no art. 85, § 11, do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA