AREsp 2606561 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a matéria suscitada (insuficiência de provas da autoria) exige reexame de fatos e provas, procedimento vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, sendo ainda que o Tribunal de origem fundamentou a condenação com elementos suficientes...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: EDER NASCIMENTO DA SILVA; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Estelionato (art. 171, § 3º Cp), Prova Da Autoria, Ônus Da Prova (art. 156 Cpp), Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
EDER NASCIMENTO DA SILVA
Agravante
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 insuficiência de provas acerca da autoria
- 2 alegada violação dos arts. 156 e 386, V do CPP
- 3 reexame de fatos e provas vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a matéria suscitada (insuficiência de provas da autoria) exige reexame de fatos e provas, procedimento vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, sendo ainda que o Tribunal de origem fundamentou a condenação com elementos suficientes (confirmação da titularidade da conta, saques e extratos apontando diversos cheques adulterados).
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO EDER NASCIMENTO DA SILVA agrava de decisão que inadmitiu o recurso especial, fundado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Criminal n. 5001200-55.2022.4.04.7204. O agravante foi condenado, pelo crime previsto no art. 171, § 3º, do Código Penal, à sanção de 1 ano e 4 meses de reclusão mais 39 dias-multa, em regime inicial aberto. A pena privativa de liberdade foi substituída por duas restritiva de direitos. Nas razões do recurso especial, a defesa alegou violação dos arts. 156 e 386, V, ambos do Código de Processo Penal. Pleiteou, em síntese, a absolvição por insuficiência da prova da autoria delitiva. Aduziu haver sido o réu condenado com base em indícios e suposições. O recurso foi inadmitido em juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal local, o que motivou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se, às fls. 314-320, pelo conhecimento do AREsp para negar provimento ao REsp. Decido. I. Não admissibilidade do recurso especial A Corte de origem assim se manifestou sobre a autoria e a materialidade delitiva (fl. 242): .. A materialidade, a autoria e o dolo do réu foram bem delimitados na sentença, de sorte que utilizo os fundamentos constantes do decisum a quo como razão de decidir, agregando a eles os que se seguem, porque tangentes a refutar as irresignações da defesa. No mérito, a tese recursal se limita à insuficiência de prova a comprovar a autoria de EDER NASCIMENTO DA SILVA na prática de estelionato contra a CEF. A versão pessoal de EDER para os fatos, apresentada de maneira similar tanto na delegacia, quanto em Juízo, é a de que emprestou sua conta bancária para uma terceira pessoa - inquilino de seu genitor - receber valores. Todavia, a narrativa não foi amparada por qualquer prova. Ademais, ao juiz, EDER identificou a pessoa somente por "José"; ao passo que ao delegado, disse não se lembrar do nome do inquilino. Não obstante a narrativa apresentada, o réu e sua defesa não trouxeram qualquer prova da existência desse suposto inquilino a quem EDER teria emprestado sua conta bancária para receber valores e, portanto, quem, alegadamente, seria responsável pelo depósito do cheque clonado. Veja-se que não consta nome completo ou mesmo contrato de aluguel. Ao que se extrai, em consequência, é a total ausência de elementos a comprovar a tese da defesa. Na outra mão, conforme se extrai dos interrogatórios, o réu confirmou ser o titular da conta-corrente do Banco Bradesco na qual foi depositado o cheque clonado. Bem como confirmou ter sacado os valores. Nesse contexto, ainda que se adira à tese defensiva de que o réu não teria ele próprio preenchido a cártula, considerando que a conta destino era de sua titularidade e inexistindo prova mínima de outro responsável, chega-se à conclusão de que foi o acusado quem de fato se beneficiou com a fraude. Ademais, como se observa dos documentos carreados aos autos e dos extratos fornecidos pelo banco Bradesco, no período de 5/12/2018 a 7/3/2019, outros quatro cheques foram depositados em sua conta bancária, todos devolvidos diante da constatação de fraude. Com efeito, nesse curto espaço de tempo, a existência de quatro cheques adulterados depositados na conta do réu depõe em seu desfavor. Ainda que fosse possível tergiversar sobre os fatos, é incumbência da defesa provar a verossimilhança nas suas alegações, o que não se verificou nos autos. Da mesma forma que incumbe à acusação provar a existência do fato e demonstrar sua autoria e o elemento subjetivo, é ônus da defesa, a teor do art. 156 do CPP, provar a verossimilhança das teses invocadas a seu favor. A técnica genérica de inexistência de culpabilidade não tem o condão de repelir a sentença condenatória. No caso, como dito alhures, a defesa e o réu não colacionaram nenhum elemento capaz de corroborar suas alegações, de sorte que a prova produzida nos autos não deixa dúvida apta a abalar a confirmação da autoria dolosa de EDER no crime de estelionato contra a Caixa. Com efeito, porque demonstrados a materialidade, a autoria e o dolo na tentativa de estelionato majorado, tem-se acertada a conclusão pela responsabilidade criminal de EDER NASCIMENTO DA SILVA. Conforme se observa, a Corte de origem asseverou a existência de provas suficientes para a condenação do agravante pela conduta imputada na denúncia e que a defesa não demonstrou nenhum indício de causa exculpatória. A análise da pretensão absolutória - baseada na insuficiência da prova da autoria delitiva - implicaria necessário reexame de fatos e provas, não permitido, em recurso especial, segundo entendimento da Súmula n. 7 do STJ. Ilustrativamente: .. 1. A pretensão absolutória, baseada em alegações de insuficiência da prova judicializada da autoria delitiva, implicaria a necessidade de reexame de fatos e de provas, procedimento vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. .. (AgRg no AREsp n. 2.467.045/SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 18/9/2024.) II. Dispositivo À vista do exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA