HC 1018559 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão, tendo o Tribunal apenas reforçado e detalhado os fundamentos da decisão de primeiro grau; ademais, não há flagrante ilegalidade apta a autorizar a concessão da ordem, sendo inadequado o habeas...
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- Parties
- Embargante: ROMÁRIO DA SILVA MORALE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 September 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Exame Criminológico, Progressão De Regime, Novatio Legis in Pejus, Embargos De Declaração, Omissão, Inovação De Fundamentos
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Parties
ROMÁRIO DA SILVA MORALE
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Contradição e erro material quanto à fundamentação do juízo de primeiro grau sobre exigência de exame criminológico
- 2 Omissão sobre vedação de inovação de fundamentos em habeas corpus
- 3 Aplicabilidade e retroatividade da Lei n. 14.843/2024 em face do art. 5º, XL, da CR/1988
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados por ausência de omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão, tendo o Tribunal apenas reforçado e detalhado os fundamentos da decisão de primeiro grau; ademais, não há flagrante ilegalidade apta a autorizar a concessão da ordem, sendo inadequado o habeas corpus para reexame fático-probatório, e aplicáveis entendimentos sobre a inconstitucionalidade da retroatividade da Lei n. 14.843/2024 e a possibilidade de exame criminológico motivado nos termos da Súmula n. 439 do STJ.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por ROMÁRIO DA SILVA MORALE, contra decisão de minha relatoria que não conheceu do habeas corpus (e-STJ, fls. 107/113). Nas razões, a defesa reafirma que o acórdão embargado incorreu em contradição e erro material ao afirmar que a decisão de primeiro grau teria fundamentado a necessidade do exame criminológico não apenas na gravidade em concreto dos crimes, mas também na existência de laudo criminológico anterior desfavorável, o que, segundo a defesa, não consta da decisão originária. Alega, ainda, omissão quanto à vedação de inovação de fundamentos em sede de habeas corpus, conforme jurisprudência desta Corte (e-STJ, fls. 117/120). Requer, assim, o acolhimento dos embargos de declaração para sanar as omissões, contradições e erro material apontados, reconhecendo-se que a decisão de primeiro grau foi lastreada apenas na gravidade abstrata do delito, sem qualquer referência a laudo anterior, e, com efeitos infringentes, cassar a determinação de submissão do paciente a exame criminológico, com a consequente progressão de regime (e-STJ, fls. 120). É o relatório. Decido. Os embargos não merecem ser acolhidos. Dispõe o Código de Processo Penal: "Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação, câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no prazo de dois dias contados da sua publicação, quando houver na sentença ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão." Inicialmente, cumpre ressaltar que os embargos de declaração, como recurso de correção, destinam-se a suprir omissão, contradição e ambiguidade ou obscuridade existente no julgado. Não se prestam, portanto, a sua revisão no caso de mero inconformismo da parte. Nesse sentido: " .. 3. Os embargos de declaração são recurso com fundamentação vinculada. Dessa forma, para seu cabimento, imprescindível a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme disciplina o art. 619 do Código de Processo Penal, o que não logrou fazer a embargante. Destarte, a mera irresignação com o entendimento apresentado na decisão, visando à reversão do julgado, não tem o condão de viabilizar a oposição dos aclaratórios. 4. Embargos declaratórios rejeitados." (EDcl no AgRg no AREsp 669.505/RN, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, DJe 25/8/2015.) No caso dos autos, à toda evidência, não se vislumbra omissão, conforme apontado pelo embargante. Para corroborar tal assertiva, vale transcrever parte da decisão embargada (e-STJ, fls. 108-113): " .. Quanto à exigência do exame criminológico com base na alteração trazida pela Lei n. 14.843/2024 no art. 112, § 1º, da LEP, esta Corte Superior adota posicionamento em consonância com o do Supremo Tribunal Federal (HC n. 240.770/MG, julgado em 28/5/2024 e publicado em 29/5/2024) no sentido de que a retroatividade da nova norma, ante o art. 5º, XL, da CR/1988, demonstra ser inconstitucional e, de acordo com o art. 2º do CP, ilegal. Dessa forma, " a exigência de realização de exame criminológico para toda e qualquer progressão de regime, nos termos da Lei n. 14/843/2024, constitui novatio legis in pejus, pois incrementa requisito, tornando mais difícil alcançar regimes prisionais menos gravosos à liberdade." (RHC n. 200.670/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024). Trago, ainda, as seguintes ementas de julgados recentes da Quinta e da Sexta Turmas do STJ: .. Feitas essas considerações, entendo que deve incidir ao caso a Súmula n. 439 desta Corte Superior - "admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada." No caso concreto, o Tribunal de origem confirmou a decisão do Juízo de primeiro grau, que exigiu a realização do exame criminológico, considerando, não apenas a gravidade em concreto dos crimes pelos quais o sentenciado foi condenado, como também a existência de laudo criminológico anterior com prognóstico desfavorável, o qual enseja dúvida quanto à autodisciplina necessária para incursão em estágio de resgate da sanção corporal mais abrandado. Com efeito, o exame criminológico fornecerá, com segurança, meios de avaliação do requisito subjetivo, especialmente quanto ao reconhecimento da responsabilidade e absorção da terapêutica penal. Seguem essa linha de raciocínio os seguintes precedentes: .. Cabe ressaltar, ainda, que o "atestado de boa conduta carcerária não assegura o livramento condicional ou a progressão de regime ao apenado que cumpriu o requisito temporal, pois o Juiz não é mero órgão chancelador de documentos administrativos e pode, com lastros em dados concretos, fundamentar sua dúvida quanto ao bom comportamento durante a execução da pena" (AgRg no HC n. 572.409/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 2/6/2020, DJe de 10/6/2020). Noutro giro, o remédio constitucional não é o mecanismo próprio para a análise de questões que exijam o exame do conjunto fático-probatório em razão da incabível dilação probatória que seria necessária. Nesse contexto, não verifico flagrante ilegalidade nas decisões das instâncias originárias, apta a ensejar a concessão da ordem, de ofício." Ao contrário, o que se percebe, nitidamente, é a mera pretensão da parte em fazer valer a sua tese recursal. Verifica-se que o Tribunal detalhou a situação do paciente com base nos dados fornecidos pela decisão de primeiro grau, a qual, inclusive, citou resolução específica e súmula vinculante do STF, tendo, assim, apenas reforçado os argumentos apresentados, inexistindo, no caso, qualquer flagrante ilegalidade. No mesmo sentido: "DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE DROGAS E PORTE ILEGAL DE ARMA. CONDENAÇÃO PELO CRIME PREVISTO NO ESTATUTO DE DESARMAMENTO LASTREADA EM PROVA COLHIDA SOB O MANTO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. VALIDADE DOS DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. VEDAÇÃO. AFASTAMENTO DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA PREVISTA NO ART. 33 §4º DA LEI 11.343/06. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. QUANTIDADE ELEVADA DE DROGAS. TRÁFICO INTERESTADUAL. BATEDORES. ELEMENTOS DO CASO CONCRETO A INDICAR ADESÃO DO AGRAVANTE ÀS ATIVIDADES DE GRUPO CRIMINOSO DEDICADO À TRAFICÂNCIA. INOVAÇÃO DOS MOTIVOS. NÃO OCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE REFORÇO ARGUMENTATIVO. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, no qual se pleiteava a absolvição pela prática do crime previsto no Estatuto do Desarmamento e a incidência a minorante prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006). II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se há elementos suficientes para a condenação pelo crime do art. 14 da Lei 10.826/03 ou se baseada apenas na confissão informal. 3. Outra questão em discussão é a motivação suficiente para o afastamento da minorante prevista no art. 33 da Lei 11.343/06. III. Razões de decidir 4. A condenação pelo crime previsto no Estatuto do Desarmamento foi apoiada em provas suficientes, incluindo depoimentos de policiais e apreensão de arma, munições e carregadores. 5. O afastamento da causa de diminuição de pena prevista no art. 33 §4º da Lei de Drogas está amparado por motivação idônea, que vai além da expressiva quantidade de drogas e do fato de se tratar de tráfico interestadual. 6. Possível ao Tribunal a especificação dos motivos no decisum, o que não configura inovação e não desborda dos limites da ação constitucional de habeas corpus, traduzindo-se em mero reforço argumentativo. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A condenação pelo crime previsto no Estatuto do Desarmamento foi apoiada em provas suficientes, incluindo depoimentos de policiais e apreensão de arma, munições e carregadores. 2. O afastamento da causa de diminuição de pena prevista no art. 33 §4º da Lei de Drogas está amparado por motivação idônea, que vai além da expressiva quantidade de drogas e do fato de se tratar de tráfico interestadual. 3. Possível ao Tribunal a especificação dos motivos no decisum, o que não configura inovação e não desborda dos limites da ação constitucional de habeas corpus, traduzindo-se em mero reforço argumentativo. Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.343/2006, e 33 §4º; Lei n. 10.826/2003, art. 14.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 875.769/ES, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 07.03.2017; STJ, HC 393.516/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 20.06.2017. (AgRg no HC n. 1.012.811/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 5/8/2025, DJEN de 14/8/2025, grifou-se.) Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Publique-se. Intime-se. EMENTA