REsp 2183363 - ACORDAO
A exigência introduzida pela Lei n. 14.843/2024 de realização de exame criminológico para progressão de regime constitui novatio legis in pejus, incrementando requisitos para obtenção de regimes menos gravosos; por força do art. 5º, XL da CF/1988 e do art. 2º do Código Penal, tal norma não pode ser aplicada...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Recurso Especial / Julgado Pela Sexta Turma Em Sessão Virtual (27/02/2025 a 05/03/2025)
- Outcome
- Agrav o regimental desprovido; negado provimento ao recurso
- Legal Topics
- Exame Criminológico, Retroatividade, Lei Penal Mais Gravosa, Progressão De Regime, Novatio Legis in Pejus
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Recurso Especial / Julgado Pela Sexta Turma Em Sessão Virtual (27/02/2025 a 05/03/2025)
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa da Lei n. 14.843/2024
- 2 Exigência de exame criminológico para progressão de regime
- 3 Princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa
Ratio Decidendi
A exigência introduzida pela Lei n. 14.843/2024 de realização de exame criminológico para progressão de regime constitui novatio legis in pejus, incrementando requisitos para obtenção de regimes menos gravosos; por força do art. 5º, XL da CF/1988 e do art. 2º do Código Penal, tal norma não pode ser aplicada retroativamente às condenações anteriores à sua vigência, razão pela qual o agravo regimental foi desprovido.
Court Disposition
Agrav o regimental desprovido; negado provimento ao recurso
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão agravada
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 27/02/2025 a 05/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. EXAME CRIMINOLÓGICO. RETROATIVIDADE DE LEI PENAL MAIS GRAVOSA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A exigência de exame criminológico para progressão de regime, conforme a Lei n. 14.843/2024, constitui novatio legis in pejus, não podendo ser aplicada retroativamente, em respeito ao princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa. 2. No caso concreto, todas as condenações do recorrido são anteriores à Lei n. 14.843/2024, não sendo aplicável a exigência de exame criminológico de forma retroativa. 3. Agravo desprovido. Tese de julgamento: "1. A exigência de exame criminológico introduzida pela Lei n. 14.843/2024 não pode ser aplicada retroativamente a condenações anteriores à sua vigência" Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XL; Código Penal, art. 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, RHC 200.670/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/8/ 2024.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental em recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra decisão em que neguei provimento ao recurso e que foi assim relatada: Trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça daquele Estado. Depreende-se dos autos que o recorrido obteve progressão de regime (e-STJ fl. 50). O Tribunal de origem negou provimento ao recurso ministerial que pleiteava a regressão de regime e o condicionamento da progressão à realização prévia de exame criminológico (e-STJ fls. 49/54). Daí o presente recurso especial, no qual alega o Parquet ser retroativa a aplicação da obrigatoriedade de realização de exame criminológico a condenações prévias à Lei n. 14 843/2024 (e-STJ fl. 75). Requer, por fim, sejam determinadas a regressão de regime e a realização de exame criminológico (e-STJ fl. 93). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo provimento do recurso (e-STJ fls. 115/120). É o relatório. No pr esente agravo, alega o Parquet ser de aplicação imediata a novação legal que determina a realização de exame criminológico para a progressão de regime (e-STJ fl. 134). Requer, por fim, a reconsideração da decisão ou o seu enfrentamento pelo colegiado (e-STJ fl. 135). É o relatório. EMENTA DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. EXAME CRIMINOLÓGICO. RETROATIVIDADE DE LEI PENAL MAIS GRAVOSA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A exigência de exame criminológico para progressão de regime, conforme a Lei n. 14.843/2024, constitui novatio legis in pejus, não podendo ser aplicada retroativamente, em respeito ao princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa. 2. No caso concreto, todas as condenações do recorrido são anteriores à Lei n. 14.843/2024, não sendo aplicável a exigência de exame criminológico de forma retroativa. 3. Agravo desprovido. Tese de julgamento: "1. A exigência de exame criminológico introduzida pela Lei n. 14.843/2024 não pode ser aplicada retroativamente a condenações anteriores à sua vigência" Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XL; Código Penal, art. 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, RHC 200.670/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/8/ 2024. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): A irresignação não merece prosperar, devendo ser mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos. Retroatividade da exigência de exame criminológico A Sexta turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não se aplica a obrigação de exame criminológico a condenações anteriores à publicação da Lei n. 11.843/2024. Confira-se: RECURSO EM HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO DE REGIME. EXAME CRIMINOLÓGICO. LEI N. 14.843/ 2024. NOVATIO LEGIS IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. CASOS COMETIDOS SOB ÉGIDE DA LEI ANTERIOR. PRECEDENTES. 1. A exigência de realização de exame criminológico para toda e qualquer progressão de regime, nos termos da Lei n. 14/843/2024, constitui novatio legis in pejus, pois incrementa requisito, tornando mais difícil alcançar regimes prisionais menos gravosos à liberdade. 2. A retroatividade dessa norma se mostra inconstitucional, diante do art. 5º, XL, da Constituição Federal, e ilegal, nos termos do art. 2º do Código Penal. 3. No caso, todas as condenações do paciente são anteriores à Lei n. 14.843/2024, não sendo aplicável a disposição legal em comento de forma retroativa. 4. Recurso em habeas corpus provido para afastar a aplicação do § 1º do art. 112 da Lei de Execução Penal, com redação dada pela Lei n. 14.843/2024, determinando o retorno dos autos ao Juízo da execução para que prossiga na análise do pedido de progressão de regime. (RHC n. 200.670/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024.) Diante de todo o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator