HC 1032845 - DECISAO
Indeferiu-se liminarmente a petição porque o Tribunal a quo apresentou fundamentação concreta para a exigência do exame criminológico (reincidência, traços de agressividade, faltas disciplinares) e o laudo antigo não é aproveitável por ter sido realizado antes da unificação das penas; ademais, a alegação de excesso...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: DIEGO AUGUSTO DE LIMA FLORENCIO; Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Indeferimento Liminar Da Petição Inicial
- Outcome
- petição inicial indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Exame Criminológico, Progressão De Regime, Excesso De Prazo, Fundamentação Judicial, Supressão De Instância
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DIEGO AUGUSTO DE LIMA FLORENCIO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Indeferimento Liminar Da Petição Inicial
Legal Issues
- 1 legalidade da exigência de novo exame criminológico
- 2 excesso de prazo na execução penal
- 3 aproveitamento de exame anterior realizado antes da unificação das penas
Ratio Decidendi
Indeferiu-se liminarmente a petição porque o Tribunal a quo apresentou fundamentação concreta para a exigência do exame criminológico (reincidência, traços de agressividade, faltas disciplinares) e o laudo antigo não é aproveitável por ter sido realizado antes da unificação das penas; ademais, a alegação de excesso de prazo não foi debatida na instância originária, impedindo esta Corte de apreciá‑la sem supressão de instância.
Court Disposition
petição inicial indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente a petição inicial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de DIEGO AUGUSTO DE LIMA FLORENCIO contra o ato coator proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que não conheceu do HC n. 2206569-28.2025.8.26.0000, mantendo a decisão que determinou a realização de exame criminológico (Execução Penal n. 0010943-71.2018.8.26.0026, DEECRIM 10ª RAJ - Sorocaba/SP). Alega a defesa, em síntese, que a exigência de novo exame criminológico carece de fundamento jurídico, violando o art. 93, IX, da Constituição Federal, e que a manutenção do paciente no regime semiaberto configura constrangimento ilegal, em afronta ao princípio da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF) e à Súmula Vinculante n. 56 do STF (fls. 4/6). Pede: a) o reconhecimento do excesso de prazo desde julho de 2025 e da ilegalidade da exigência de novo exame criminológico; b) a determinação da progressão imediata ao regime aberto, com base no lapso já cumprido e no laudo de fevereiro de 2025; c) a vedação da exigência de novo exame criminológico sem fundamentação concreta e individualizada; e d) subsidiariamente, caso mantida a exigência de exame, que sua realização seja determinada no prazo máximo de 48 horas (fl. 8). É o relatório. A concessão da ordem de habeas corpus demanda demonstração, de plano, da ilegalidade, ônus que recai sobre o impetrante, a quem cumpre instruir o feito com a prova pré-constituída de suas alegações. Neste caso, verifico, de plano, a inviabilidade do presente writ. O Tribunal de origem afirmou que (fl. 14): .. Anota-se que, respeitados os limites da via eleita, não se vislumbra teratologia ou ilegalidade manifesta a ser sanada de ofício, sobretudo porque a r. decisão impugnada encontra-se suficiente fundamentada, esclarecendo o i. Magistrado que "a medida determinada constitui elemento de convicção imprescindível ao julgamento do pedido, uma vez que revela elementos atinentes à personalidade do paciente, notadamente porque se trata de reincidente em crime doloso, e as circunstâncias em que praticou o crime revelam traços de agressividade o que exige do Estado-juiz maior cautela para conceder a benesse reclamada" (fls. 1011). Tais circunstâncias, aliadas às faltas disciplinares cometidas pelo paciente (fls. 1028), demonstram ser necessária a avaliação aprofundada do mérito do sentenciado, por meio de exame criminológico, a fim de se aferir a presença do requisito subjetivo indispensável à concessão de benefício tão amplo e de diminuta vigilância estatal, que implicará no retorno imediato do paciente ao convívio social, não se olvidando que o exame anterior mencionado pela impetrante (realizado em fevereiro de 2025, fls. 809/818), não pode ser aproveitado para análise do pedido de progressão ao regime aberto, notadamente porque foi realizado anteriormente à unificação das penas, além do que não reflete a atual realidade psicossocial do paciente. .. Com efeito, do excerto transcrito, verifica-se que o Tribunal a quo fundamentou a necessidade do exame criminológico em elementos concretos da execução da reprimenda, afirmando que o paciente tem histórico de faltas graves e que o exame anterior foi realizado anteriormente à unificação das penas, não havendo, assim, ilegalidade a ser sanada por esta Corte. Nesse sentido: AgRg no HC n. 952.103/SC, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 26/3/2025, DJEN de 31/3/2025; e AgRg no HC n. 981.593/SP, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 20/3/2025, DJEN de 26/3/2025. Vale ressaltar que a alegação de excesso de prazo para a realização do exame não foi objeto de debate pelo Tribunal a quo, fato que impede a análise por esta Corte sob pena de supressão de instância. Ante o exposto, indefiro liminarmente a petição inicial. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. EXAME CRIMINOLÓGICO. HISTÓRICO PRISIONAL. FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. PRECEDENTES. EXCESSO DE PRAZO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Petição inicial indeferida liminarmente.