AREsp 2970111 - DECISAO
O agravo não prospera porque a pretensão de reformar o acórdão do Tribunal de origem exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ; ademais, o tribunal de origem concluiu que a agravante não comprovou fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do...
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- Parties
- Agravante: BRASILSEG COMPANHIA DE SEGUROS; Recorridas: RECORRIDAS/AUTORAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Exceção De Contrato Não Cumprido, Ônus Da Prova, Súmula 7/stj, Regulação De Sinistro, Danos Morais, Admissibilidade De Recurso Especial, Honorários Advocatícios
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Parties
BRASILSEG COMPANHIA DE SEGUROS
Agravante
RECORRIDAS/AUTORAS
Recorridas
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 obstáculo imposto pela Súmula n. 7 do STJ à reavaliação de fatos e provas
- 3 ônus da prova nos termos do art. 373, II, do CPC
Ratio Decidendi
O agravo não prospera porque a pretensão de reformar o acórdão do Tribunal de origem exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ; ademais, o tribunal de origem concluiu que a agravante não comprovou fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do recorrido, nos termos do art. 373, II, do CPC, razão pela qual manteve-se a decisão de inadmissibilidade do recurso especial e negou-se provimento ao agravo.
Court Disposition
Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da condenação.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por BRASILSEG COMPANHIA DE SEGUROS contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 571): APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO DE SEGURO DE VIDA. OCORRÊNCIA DE SINISTRO (FALECIMENTO). NEGATIVA DE PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO, SOB A ALEGAÇÃO DE NÃO ENTREGA DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DE AMBAS AS RÉS. RELAÇÃO DE CONSUMO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 2º E 3º DO CDC. AFASTADA A PRELIMINAR QUANTO À INVERSÃO INADEQUADA DO ÔNUS DA PROVA. NO CASO, OS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA SEGURADORA SEQUER ESTARIAM EM PODER DAS BENEFICIÁRIAS E TAMPOUCO CONTRIBUIRIAM PARA A ANÁLISE DO EVENTO MORTE. EMBORA SE ALEGUE EM DEFESA QUE O NÃO PAGAMENTO DECORREU DA INÉRCIA DAS AUTORAS AO NÃO APRESENTAR DOCUMENTOS ESSENCIAIS SOLICITADOS PELA SEGURADORA, É CERTO QUE O TEMPO DE TRAMITAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE REGULAÇÃO DO SINISTRO EM COTEJO COM AS INJUSTIFICADAS EXIGÊNCIAS FEITAS PELA PRÓPRIA SEGURADORA EQUIVALEM À VERDADEIRA RECUSA AO DIREITO QUE ASSISTE ÀS BENEFICIÁRIAS. RÉS QUE NÃO SE DESINCUMBIRAM DE COMPROVAR, NOS TERMOS DO ART. 373, II DO CPC, QUALQUER FATO MODIFICATIVO, IMPEDITIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO AUTORAL, TENDO A PARTE AUTORA COMPROVADO O DIREITO AO RECEBIMENTO DO CAPITAL SEGURADO, COM A JUNTADA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS, RESTANDO INJUSTIFICADA A RECUSA AO PAGAMENTO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS NA HIPÓTESE VERTENTE. INCIDÊNCIA DA TEORIA DO DESVIO PRODUTIVO DO CONSUMIDOR. VALOR FIXADO EM R$ 6.000,00 PARA CADA AUTORA QUE ATENDE AOS CRITÉRIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. DESPROVIMENTO DE AMBOS OS RECURSOS. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 618-621). No recurso especial, a parte recorrente alega violação dos arts. 476, 757 e 760 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que o acórdão recorrido desconsiderou a aplicação da exceção de contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus), uma vez que as recorridas não apresentaram os documentos necessários para a regulação do sinistro. Alega que a ausência de tais documentos inviabilizou a análise e o pagamento da indenização securitária, sendo legítima a suspensão da obrigação de pagamento pela seguradora. Argumenta que a recorrida não agiu com boa-fé contratual e não cumpriu com as obrigações que a ela cabia. Pleiteia a concessão do efeito suspensivo. Sem contrarrazões ao recurso especial (fl. 687). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 776-782), o que ensejou a interposição do presente agravo. Não apresentada contraminuta do agravo (fl. 803). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. Verifica-se que em relação à apontada ofensa aos arts. 476, 757 e 760 do Código Civil, o recurso especial não merece prosperar porquanto encontra óbice na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere: i) à conclusão de que as exigências feitas pela seguradora como a apresentação de guias de recolhimento do FGTS e de informações à previdência social (SEFIP) eram injustificadas, pois tais documentos não estavam em posse das beneficiárias e tampouco contribuíam para a análise do evento morte; bem como ii) ao entendimento de que o tempo de tramitação do procedimento de regulação do sinistro, aliado às exigências injustificadas feitas pela seguradora, configurou uma verdadeira recusa ao direito das beneficiárias ao pagamento do capital segurado, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado, em recurso especial, pela Súmula n. 7 do STJ. Ainda, afirmou o tribunal que as recorrentes não se desincumbiram do ônus de comprovar fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito autoral, conforme o artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil (CPC). No mesmo sentido, cito o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO DO AUTOR. COMPROVAÇÃO. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Nos termos do art. 373 do CPC, incumbe ao autor provar o fato constitutivo do seu direito e ao réu provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. "Todavia, os arts. 370 e 373, § 1º, do diploma processual facultam ao magistrado, no exercício dos poderes instrutórios que lhe competem, atribuir o ônus da prova de modo diverso entre os sujeitos do processo quando diante de situações peculiares, conforme a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova" (AgInt no AREsp n. 2.653.386/BA, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 21/10/2024). 2. Da leitura do acórdão recorrido, verifica-se que o Tribunal de origem entendeu que os recorrentes, ora agravantes, não se desincumbiram do ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do ora recorrido. 3. Rever o entendimento no sentido de que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do ora recorrido, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, a eventualmente ensejar novo juízo acerca dos fatos e das provas. Sendo assim, incide no caso a Súmula n. 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido. (AREsp n. 2.506.020/PR, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/6/2025, DJEN de 12/6/2025.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA