AREsp 1920418 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se por não conhecer do recurso especial porque a revisão da conclusão das instâncias ordinárias exigiria reexame de matéria fático-probatória e produção de provas, o que é vedado no recurso especial em razão da Súmula 7 do STJ; ademais, a possibilidade de substituição da CDA para...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FLÁVIO CELSO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER recurso especial (art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ)
- Legal Topics
- Exceção De Pré Executividade, Substituição Ou Emenda Da CDA, Presunção De Legalidade Da CDA, Dilação Probatória, Inadmissibilidade De Reexame De Matéria Fática (súmula 7)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FLÁVIO CELSO DA SILVA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento da exceção de pré-executividade em execução fiscal
- 2 possibilidade de emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA)
- 3 se a substituição da CDA na hipótese constitui erro material/formal ou novo lançamento
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se por não conhecer do recurso especial porque a revisão da conclusão das instâncias ordinárias exigiria reexame de matéria fático-probatória e produção de provas, o que é vedado no recurso especial em razão da Súmula 7 do STJ; ademais, a possibilidade de substituição da CDA para correção de erro material ou formal decorre do art. 2º, § 8º da Lei 6.830/80 e da Súmula 392, circunstâncias que demandam análise fática que não cabe ao STJ no recurso especial.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER recurso especial (art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ)
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto por FLÁVIO CELSO DA SILVA, fundadonas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA.EMENDA OU SUBSTITUIÇÃO DA CDA. POSSIBILIDADE. 1. O cabimento da exceção de pré-executividade em execução fiscal é questão pacífica consolidada na Súmula 393 do STJ. 2. A regra permissiva de emenda ou substituição do título executivo, prevista no art. 2º, § 8º, da Lei 6.830/80, constitui prerrogativa da Fazenda Pública na cobrança judicial de seus créditos. 3. A Súmula 392 do Superior Tribunal de Justiça dispõe: A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução. 4. Agravo de instrumento improvido. O recorrente, apontando violação doart. 2º, § 8º, da LEF e do art. 203 do CTN, bem como divergência jurisprudencial, sustenta,em resumo, que "a exceção de pré-executividade apresentada pelo Executado deve ser acolhida e a execução fiscal extinta, com a consequente extinção do crédito tributário, ora excutido, e baixa dos gravames juntos aos órgãos de proteção ao crédito, condenando, finalmente, a Recorrida ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, esse último em 20% (vinte) sobre o valor da causa, devidamente atualizado" (e-STJ fl. 216). Contrarrazões apresentadas (e-STJ fls. 246/249). O Tribunal de origem não admitiu o apelo raro, decisão agravada e contraminutada. Passo a decidir. De início, cumpre observar que o apelo especial se origina de agravo de instrumento interposto contra decisão que rejeitou a exceção de pré-executividade ao fundamento de que os fatos alegados pelo executado constituem matéria de mérito e demandam a produção de prova para a sua elucidação. OJuízo considerou que "em uma análise superficial não é possível verificar se houve erro material ou novo lançamento" (e-STJ fl. 15). O Tribunala quoassim decidiu a questão (e-STJ fls. 171/174): O cabimento da exceção de pré-executividade em execução fiscal é questão pacífica consolidada na Súmula 393 do Superior Tribunal de Justiça, :in verbis A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória. A regra permissiva de emenda ou substituição do título executivo, prevista no art. 2º, § 8º, da Lei 6.830/80, constitui prerrogativa da Fazenda Pública na cobrança judicial de seus créditos. Com efeito, a Súmula 392 do Superior Tribunal de Justiça dispõe: A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução. .. Ante o exposto, nego provimento ao agravo de instrumento. É como voto. Pois bem, cumpre observar que os dispositivos considerados violados pelo ora recorrente não possuem comando normativo para alterar o que foi decidido pela instânciaa quo, o que atrai, portanto, o óbice de conhecimento previsto na Súmula 284 do STF, por analogia. No mais, do que se vê, a argumentação da ora recorrente é no sentido de que aCDA não poderia ter sido substituída porque não se trata, na hipótese, de mero erro material, mas simde novo lançamento e, por isso, a exceção de pré-executividadedeveria ter sido acolhida. Contudo, arevisão da conclusão a que chegou as instâncias ordinárias no sentido de ser incabível a exceção de pré-executividade na hipótese ora tratadapressupõe reexame de matéria fática, o que é inviável no âmbito do recurso especial, consoante o veto contido na Súmula 7 do STJ. A propósito, transcrevo as seguintes ementas, mutatis mutandis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. MATÉRIAS SUSCITADAS PELA PARTE FORAM INDEFERIDAS PELA INSTÂNCIA ORDINÁRIA ANTE A NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. ALÍNEA "C" PREJUDICADA. 1. No julgamento dos Aclaratórios pela Corte local ficou expressamente consignado que "No entanto, o acórdão não discutiu a matéria fática apresentada pelo embargante justamente em razão da impossibilidade de tal análise em sede de objeção de pré- executividade. Veja-se:" (fl. 586, e-STJ). Sendo assim, a matéria foi enfrentada. 2. A decisão monocrática julgou que não se configurou a alegada ofensa ao art. 489 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 3. O órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram.Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Precedentes: AgInt nos EDcl no AREsp 1.290.119/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 30.8.2019; AgInt no REsp 1.675.749/RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 23.8.2019; REsp 1.817.010/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 20.8.2019; AgInt no AREsp 1.227.864/RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 20.11.2018. 4. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial 1.110.925/SP, sob o rito do art. 543-C do CPC, proclamou ser cabível a Exceção de Pré-Executividade para discutir questões de ordem pública, na Execução Fiscal, ou seja, os pressupostos processuais, as condições da ação, os vícios objetivos do título executivo atinentes à certeza, liquidez e exigibilidade, desde que não demandem dilação probatória (REsp 1.110.925/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJe de 4/5/2009). 5. Tal orientação foi posteriormente consolidada com a edição da Súmula 393 do STJ, segundo a qual "a exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória". 6. O acórdão recorrido, ao interpretar as provas produzidas, entendeu que "no caso concreto, considerando que a matéria arguida demanda instrução processual, observância ao contraditório e, eventualmente, produção de provas; e que não há nos autos elementos capazes de afastar a presunção de legalidade e legitimidade do ato administrativo ou a certeza e liquidez da CDA, inviável a análise da insurgência por meio da objeção de pré- executividade" (fl. 569, e-STJ, grifos acrescidos), o que impossibilita a análise da matéria alegada por meio da Exceção de Pré-Executividade. 7. Assim, rever a compreensão do acórdão recorrido exige incursão no contexto fático-probatório dos autos, o que é vedado em Recurso Especial, conforme Súmula 7 desta Corte: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja Recurso Especial". 8. A aplicação da referida súmula impede o exame de dissídio jurisprudencial, na medida em que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática do caso concreto, com base na qual deu solução à causa a Corte de origem. 9. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1708973/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/2021, DJe 01/03/2021) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.OCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO FICTO. ART. 1.025 DO CPC/2015. NON REFORMATIO IN PEJUS. OBSERVÂNCIA. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC" (Enunciado Administrativo n. 3). 2. O acolhimento do prequestionamento ficto de que trata o art. 1.025 do CPC/2015 exige do recorrente a indicação de violação do disposto no art. 1.022 do mesmo diploma, "para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei" (AgInt no AREsp 1067275/RS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 03/10/2017, DJe 13/10/2017), providência atendida, in casu. 3. Hipótese em que, apesar de não ter havido recurso voluntário do ente fazendário, deve ser mantido o acórdão proferido na origem, visto que apenas fez referência à extensão da responsabilidade apurada pelo Tribunal regional nos autos da Ação Cautelar n. 005927-84.2013.4.04.7200, o que afasta suposta violação do princípio do non reformatio in pejus. 4. O Tribunal de origem, apesar de reconhecer expressamente o entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE 574.706 pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, consignou não ser possível a aplicação da tese ao caso dos autos, visto que não há neles elementos que demonstrem a efetiva inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, apuração que demanda dilação probatória, incompatível com a natureza da exceção de pré-executividade, sendo certo que a revisão dessa premissa demandaria a incursão na seara fático-probatória, providência obstada pela Súmula 7 do STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1885901/SC, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 09/03/2021) Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER recurso especial (art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ). Publique-se. Intimem-se.