AREsp 2531426 - DECISAO
Declarou-se o agravo prejudicado e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformação (ou mantido o acórdão local) face ao entendimento formado pelo Superior Tribunal de Justiça em recurso representativo da controvérsia, porquanto a Primeira Vice-Presidência do...
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- Parties
- Agravante: Claudia Maria de Figueiredo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Juízo De Admissibilidade
- Outcome
- Agravo prejudicado; autos devolvidos ao Tribunal de origem para realização do juízo de conformidade/ manutenção do acórdão local nos termos da sistemática dos recursos repetitivos.
- Legal Topics
- Exceção De Pré Executividade, Prescrição Intercorrente, Recursos Repetitivos, Admissibilidade De Recurso Especial, Responsabilidade De Sócios, Art. 543 C Do Cpc/73, Art. 1.030 Do Cpc/2015
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Parties
Claudia Maria de Figueiredo
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Juízo De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Viabilidade da exceção de pré-executividade quando há necessidade de dilação probatória
- 2 Aplicação da sistemática de recursos repetitivos (art. 543-C do CPC/73 e art. 1.030 do CPC/2015) e competência do tribunal de origem para o juízo de conformidade
- 3 Caracterização da prescrição intercorrente nos termos do art. 174 do CTN
Ratio Decidendi
Declarou-se o agravo prejudicado e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformação (ou mantido o acórdão local) face ao entendimento formado pelo Superior Tribunal de Justiça em recurso representativo da controvérsia, porquanto a Primeira Vice-Presidência do tribunal de origem inadmitiu o recurso especial sem observar o procedimento previsto no art. 543-C do CPC/73 e no art. 1.030 do CPC/2015, o que impede o exame de admissibilidade pelo STJ até que o juízo de conformidade seja efetivado.
Court Disposition
Agravo prejudicado; autos devolvidos ao Tribunal de origem para realização do juízo de conformidade/ manutenção do acórdão local nos termos da sistemática dos recursos repetitivos.
Orders
- Devolução dos autos ao Tribunal de origem, com baixa.
- Realização, no Tribunal de origem, do juízo de conformação ou manutenção do acórdão local frente ao decidido por este Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Claudia Maria de Figueiredo em face de decisão denegatória de admissibilidade a recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado (fl. 1.214): AGRAVO DE INSTRUMENTO -EXECUÇÃO FISCAL- EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE - DILAÇÃO PROBATÓRIA -NECESSIDADE - RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. A exceção de pré-executividade é modalidade excepcional de oposição do executado que visa fulminar, de plano, uma execução em razão de vício fundamental ocorrido no processo, passível de demonstração sem necessidade de dilação probatória, ou seja, para que seja conhecida, a exceção de pré-executividade deve ter flagrante a causa de nulidade da execução. O afastamento da presunção de liquidez de título executivo por meio de exceção de pré-executividade exige prova pré-constituída inequívoca que se ausente impõe a sua rejeição sem prejuízo da apreciação da questão em sede de embargos à execução. A parte recorrente aponta, além de divergência jurisprudencial, violação ao art. 174 do CTN. Sustenta, em síntese, que, "restando evidente que decorreram mais de 05 (cinco) anos entre o termo final do prazo de suspensão determinado pela Lei 6.830/1980 e o pedido de inclusão da recorrente no polo passivo da execução, bem como em relação à diligência de citação da pessoa jurídica e o redirecionamento do feito executivo contra a sócia coobrigada, se torna imperioso o reconhecimento da prescrição intercorrente, conforme previsto no art. 174 do CTN" (fl. 1.238). Além disso, alega que "a verificação da prescrição intercorrente não carece de qualquer dilação probatória, haja vista que a simples análise de marcos temporais demonstra que desde o termo final da suspensão baseada no art. 40 da Lei 6.830/1980 e até redirecionamento da execução contra a sócia recorrente, decorreram mais de 5 (cinco) anos, cabendo aplicação do disposto no art. 174 do CTN" (fl. 1.237); e que "a prescrição é considerada matéria de ordem pública e, como tal, pode ser arguida a qualquer tempo, inclusive de ofício pelo magistrado" (fl. 1.243). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Quanto à questão da inviabilidade da exceção de pré-executividade quando houver necessidade de dilação probatória, verifica-se que, ao tempo da prolação do juízo de admissibilidade do especial apelo (cf fls. 1.269/1.271), o Superior Tribunal de Justiça já havia afetado a julgamento pelo rito do art. 543-C do CPC/73 recurso representativo da controvérsia acerca do tema, a saber, REsp 1.104.900/ES - Tema 104. A propósito, a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543-C DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. INCLUSÃO DOS REPRESENTANTES DA PESSOA JURÍDICA, CUJOS NOMES CONSTAM DA CDA, NO PÓLO PASSIVO DA EXECUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE DEFESA. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A orientação da Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que, se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de atos "com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". 2. Por outro lado, é certo que, malgrado serem os embargos à execução o meio de defesa próprio da execução fiscal, a orientação desta Corte firmou-se no sentido de admitir a exceção de pré-executividade nas situações em que não se faz necessária dilação probatória ou em que as questões possam ser conhecidas de ofício pelo magistrado, como as condições da ação, os pressupostos processuais, a decadência, a prescrição, entre outras. 3. Contudo, no caso concreto, como bem observado pelas instâncias ordinárias, o exame da responsabilidade dos representantes da empresa executada requer dilação probatória, razão pela qual a matéria de defesa deve ser aduzida na via própria (embargos à execução), e não por meio do incidente em comento. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 - Presidência/STJ. (REsp 1.104.900/ES, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, julgado em 25/03/2009, DJe 01/04/2009) Mesmo na vigência do CPC/73, a aplicação da sistemática dos recursos especiais repetitivos deveria anteceder a análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo raro, incumbindo ao Presidente do Tribunal de origem, assim, proceder em relação aos recursos especiais que versarem sobre os temas já julgados sob o rito do art. 543-C do CPC/73: "Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: I - terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; II - serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça" (art. 543-C, § 7º, I e II, do CPC/73). Esse mesmo procedimento restou ratificado pelo novel diploma processual civil (cf art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015). Assim, haverá o juízo de admissibilidade do recurso especial somente nos casos em que, ultrapassada a fase relativa ao juízo de conformidade, o Tribunal a quo, em decisão colegiada, mantiver a decisão divergente daquela firmada no leading case (art. 543-C, § 8º, do CPC/73: "Na hipótese prevista no inciso II do § 7º deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, far-se-á o exame de admissibilidade do recurso especial"; cf ainda art. 1.030, V, c, do CPC/2015). Compete, pois, ao Tribunal a quo efetuar o juízo de conformidade (art. 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC/73; art. 1.030, I, b, CPC/2015) antes de analisar os pressupostos de prelibação do recurso especial. De fato, na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." Nessa linha de intelecção, foi editada a Resolução STJ n.º 17, de 4 de setembro de 2013, cujo art. 2º, II, expressamente dispõe: Art. 2º Verificada a subida de recursos fundados em controvérsia idêntica a controvérsia já submetida ao rito previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil, o presidente poderá: I - determinar a devolução ao tribunal de origem, para nele permanecerem sobrestados os casos em que não tiver havido julgamento do mérito do recurso recebido como representativo de controvérsia; II - determinar a devolução dos novos recursos ao tribunal de origem, para os efeitos dos incisos I e II do § 7º do art. 543-C do Código de Processo Civil, ressalvada a hipótese do § 8º do referido artigo, se já proferido julgamento do mérito do recurso representativo da controvérsia. No caso, a Primeira Vice-Presidência do Tribunal de origem inadmitiu, de pronto, o recurso especial, sem que antes fosse cumprido o rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015, isto é: ou negativa de seguimento do recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgado repetitivo; ou encaminhamento do processo ao órgão colegiado para eventual juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicado o recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao quanto decidido por este Superior Tribunal de justiça sobre o tema recursal, na sistemática dos recursos repetitivos. Publique-se. EMENTA