AREsp 2741138 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque as razões recursais estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (incidência da Súmula 284/STF) e eventual modificação demandaria reexame do conjunto fático-probatório, obstado pela Súmula 7/STJ; ademais, o Tribunal de origem reconheceu preclusão consumativa/coisa...
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- Parties
- Agravante: Cencosud Brasil Comercial S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Agravo No Stj, Não Provimento
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Exceção De Pré Executividade, Embargos À Execução, Preclusão Consumativa, Coisa Julgada, Honorários Advocatícios, Inovação Recursal, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf
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Parties
Cencosud Brasil Comercial S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Agravo No Stj, Não Provimento
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por razões dissociadas do acórdão recorrido
- 2 preclusão consumativa e coisa julgada sobre matéria debatida em exceção de pré-executividade
- 3 vedação ao reexame do contexto fático-probatório (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque as razões recursais estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (incidência da Súmula 284/STF) e eventual modificação demandaria reexame do conjunto fático-probatório, obstado pela Súmula 7/STJ; ademais, o Tribunal de origem reconheceu preclusão consumativa/coisa julgada sobre a matéria discutida na exceção de pré-executividade (arts. 505 e 507 do CPC).
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Cencosud Brasil Comercial S.A. contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, assim ementado (fl. 158): APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REITERAÇÃO DE ARGUMENTOS SUSCITADOS E REJEITADOS EM EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. COISA JULGADA. RECURSO IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA. 1. Uma vez rejeitada a exceção de pré- executividade por decisão já transitada em julgado, impossível às partes reacenderem discussões sobre matérias já apreciadas e, portanto, preclusas, conforme preconiza o artigo 507 do CPC. 2. Mesmo que a matéria fosse de ordem pública, o que autorizaria a análise em qualquer tempo e grau de jurisdição, não significa que possa ser rediscutida repetida e indefinidamente dentro da mesma relação processual, sob pena de grave imolação ao princípio da segurança jurídica. 3. Assim, tratando-se de mera repetição, escorreita a sentença que determinou a extinção dos embargos à execução. APELAÇÃO CÍVEL DESPROVIDA. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação ao art. 337, § 2º, do CPC, sustentando que "por não ser a "exceção de pré-executividade" uma "ação", não há a ocorrência da litispendência, tampouco há que se falar em coisa julgada. Razão pela qual, merece reforma o acórdão" (fl. 177). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O recurso não comporta conhecimento. É inadmissível o recurso especial que apresenta razões dissociadas do quadro fático e das premissas jurídicas expostos no acórdão recorrido. No caso, aduz o recorrente, em suma, que a via processual eleita para impugnar a execução teria o condão de afastar a ocorrência de litispendência e de coisa julgada devido à sua natureza diversa de uma ação. Contudo, o Tribunal a quo solucionou a controvérsia com esteio na ausência de recurso contra a decisão que rejeitou a ação de pré-executividade, "configurando, desta forma, a preclusão consumativa, o que impede o pronunciamento desta Corte Revisora sobre o tema, sob pena de infringência aos dispositivos legais contidos nos art. 505 e 507" (fls. 161/162). Assim, os argumentos postos no presente apelo não guardam pertinência com os fundamentos do aresto atacado, atraindo a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Nessa linha de raciocínio, citam-se os seguintes julgados: Agint no AREsp 1.571.937/PA, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/4/2020; Agint no AREsp 1.419.058/BA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 19/9/2019 e Agint no AREsp 1.004.149/SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 11/6/2018. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DECORRENTE DE PROCEDÊNCIA DE AÇÃO ANULATÓRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CRITÉRIO DE EQUIDADE. POSSIBILIDADE. IRRISORIEDADE. RAZÕES DISSOCIADAS. SÚMULA 284/STF. PROVIMENTO NEGADO. 1. Esta Corte Superior possui orientação firme no sentido da possibilidade de fixação da verba honorária, em atenção ao critério da equidade, quando a extinção da execução fiscal, sem resolução do mérito, decorrer de acolhimento de pedido deduzido em ação conexa em que se discutiu a validade do crédito exequendo. 2. A discussão acerca da irrisoriedade da verba sucumbencial, fixada abaixo de 1% do valor da causa, mostra-se dissociada do quadro fático apresentado no acórdão recorrido, de modo a atrair a incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 2.013.832/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024.) AGRAVO INTERNO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ART. 489 E 1.022 DO CPC. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS OMITIDOS NO TÍTULO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA EM EXECUÇÃO. SÚMULA 453/STJ. POSSIBILIDADE DE AJUIZAMENTO DE AÇÃO AUTÔNOMA. ART. 85, § 18, DO CPC. SÚMULA 453/STJ. 1. Não há ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem se manifesta de modo fundamentado acerca das questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, porquanto julgamento desfavorável ao interesse da parte não se confunde com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A manutenção de fundamento não atacado, apto a manter a conclusão do aresto impugnado, e a apresentação de razões dissociadas desse fundamento impõem o reconhecimento da incidência das Súmulas 283 e 284 do STF, por analogia. 3. Esta Corte possui entendimento sumulado de que "os honorários sucumbenciais, quando omitidos em decisão transitada em julgado, não podem ser cobrados em execução ou em ação própria" (Súmula 453/STJ). A expressão final do enunciado sumular ("ou em ação própria") ficou superada. Isso ocorre porque o art. 85, § 18, do CPC permite o ajuizamento de ação autônoma para definir e cobrar os honorários sucumbenciais omitidos em decisão já transitada em julgado. 4. Ademais, extrai-se do acórdão recorrido e das razões de Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal demanda reexame do contexto fático-probatório, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5. Fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Apelo pela alínea "a" do permissivo constitucional. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) Observa-se, ainda, que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem no sentido de que "todas as teses invocadas pela apelante no bojo dos embargos à execução, foram decididas em sede de exceção de pré-executividade" (fl. 162) demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados: AGRAVO INTERNO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. OMISSÃO DA BASE DE CÁLCULO NO TÍTULO EXECUTIVO. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA CAUSA. CRITÉRIO DE EQUIDADE. ART. 20, §§ 3º E 4º, DO CPC/1973. DEVIDA E TEMPESTIVA ARGUIÇÃO PELA EMBARGANTE. INEXIGIBILIDADE E EXCESSO DE EXECUÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. RATIFICAÇÃO DE VOTO. RATIFICAÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA DO MINISTRO FRANCISCO FALCÃO 1. Anoto, preliminarmente, que recebi os autos em redistribuição após o despacho da fl. 1.125, e-STJ, ocasião em que o Relator originalmente designado, eminente Ministro Francisco Falcão, declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo. 2. Em complemento ao Voto que anteriormente proferi, e para que não reste qualquer dúvida a respeito, RATIFICO, para todos os fins, a decisão monocrática ora recorrida, da lavra do Ministro Francisco Falcão. HISTÓRICO DO RECURSO 3. Trata-se de Agravo Interno interposto de decisão monocrática (fls. 1.058-1.065, e-STJ), proferida pelo em. Ministro Francisco Falcão, que conheceu do Agravo para não conhecer do Recurso Especial, ante a incidência do óbice da Súmula 7/STJ. Em suma, entendeu sua Excelência (fls. 1.058/1.065, e-STJ): "O Tribunal de origem, em sede de embargos infringentes, vinculou-se ao conjunto fático-probatório dos autos para negar provimento ao recurso e manter a execução dos honorários pelo valor de R$ 10.170,16, com base no valor atualizado da causa. O acórdão recorrido confirmou que não houve inovação recursal por parte da União, isso porque os embargos à execução impugnaram totalmente a execução ao se fundarem na inexigibilidade do título (..). A decisão atacada ainda demonstrou que o título executivo havia deixado de fixar a base de cálculo dos honorários advocatícios e que a sentença manifestamente pautou-se no artigo 20, §4º, do Código de Processo Civil de 1973 para fixar o percentual de 5% (..). Assim, a reanálise das alegações de inovação recursal, de extrapolação dos limites da coisa julgada e de aplicação do artigo 20, § 3º, do Código de Processo Civil de 1973 demanda inconteste revolvimento fático-probatório. Por consequência, o conhecimento de referida argumentação resta obstaculizada diante do verbete sumular 7 do Superior Tribunal de Justiça". 4. Redistribuídos os autos à minha Relatoria em virtude da já relatada suspeição do Ministro Francisco Falcão, neguei provimento ao Agravo Interno interposto pela parte, em apertadíssima síntese sustentando que "a Corte de origem, em detida análise dos fatos da causa originária (ação coletiva) e das peças processuais, concluiu pela ausência de expressa indicação da base de cálculo dos honorários sucumbenciais na sentença da ação de conhecimento, razão pela qual, em adequada interpretação do título executivo e dos dispositivos legais que disciplinavam a matéria à epoca (art. 20, § 4º, do CPC/1973), estabeleceu que os honorários advocatícios de 5% tinham como base de cálculo o valor atualizado da causa originária (R$ 203.403,26 em maio/2015) (fls. 678, e-STJ), o que foi feito a partir da correta aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (..) A prevalecer a interpretação pretendida pelo recorrente, isto é, de que os honorários foram fixados com base no art. 20, § 3º, do CPC/1973, estaria contrariado o próprio sentido do dispositivo sentencial, pois aplicada a alíquota de 5% sobre o valor da condenação na ação coletiva, os honorários devidos, em valores atualizados para março/2021 (IPCA-E - IBGE), alcançariam aproximados R$ 18.492.218,00, quantia que não parece moderada à luz da ressalva expressa do próprio título executivo (..) tal como consta na r. decisão agravada da lavra do Eminente Min. Francisco Falcão, compreende-se que modificar as conclusões do aresto confrontado (no tocante à inexistência de violação da coisa julgada e ao valor dos honorários advocatícios devidos) implica reexame da matéria fático-probatória, o que é obstado ao STJ, conforme determina sua Súmula 7". VOTO DO EMINENTE MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES 5. O em. Ministro Mauro Campbell Marques vota no sentido de prover o Agravo Interno e o Recurso Especial, para interpretar que a condenação em honorários se deu no percentual de 5% do valor da condenação na ação coletiva (R$ 243.384.916,87 em março/2021 - IPCA-E IBGE), que corresponde a atualizados R$ 18.492.218,00 (fls. 35/36, e-STJ - março/2021 - IPCA-E). 6. Inicialmente, considera sua Excelência ser "fato incontroverso a falta de clareza no título judicial acerca da base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais no âmbito da ação coletiva", sendo "imune de dúvidas o patamar estratosférico a ser alcançado pelos honorários se o valor da condenação na sentença coletiva for utilizada como base de cálculo". Pondera, também, que, embora a lei vigente ao tempo da sentença estabelecesse o parâmetro do valor da condenação, a jurisprudência do STJ admitia, a partir de critérios de equidade, o uso do valor da causa como base de cálculo para incidência dos honorários fixados contra a Fazenda Pública, citando precedentes (AgInt nos EDcl no REsp 1.518.276/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 27.5.2021; EREsp 637.905/RS Rel. Min. Eliana Calmon, Corte Especial, DJU de 21.8.2006). 7. Reconhece o eminente Ministro Mauro Campbell Marques, contudo, que ao estabelecer o valor da causa coletiva como base de cálculo dos honorários advocatícios, tal como autorizava o revogado art. 20, § 4º, do CPC/1973, teria a Corte Regional desconsiderado a ocorrência de preclusão sobre o tema, pois, na esteira do que advogam os recorrentes, a inicial dos Embargos à Execução ofertados pela Fazenda Nacional não impugnara a base de cálculo dos honorários, tendo tal tema sido arguido, apenas, em grau de Apelação da sentença dos embargos. O que, em seu sentir, não se admite e justifica o provimento do recurso. 8. Para encaminhar sua conclusão, faz aprofundada análise dos termos da inicial dos Embargos à Execução, da sentença proferida pelo magistrado de primeiro grau, bem como do recurso de Apelação ofertado pela Fazenda Nacional, conforme se destaca do seguinte trecho de seu Voto-Vista: "Ao se examinar os embargos à execução, que só tem 02 folhas (bem genéricas), vê-se que a União, desde o princípio, defende que o valor que deve pagar R$ 10.007.212,00 a título de advogados, mas por esses fundamentos: I - falta de elementos necessários à conferência dos valores a falta de comprovação do quanto é devido mês a mês a cada servidor; II - a falta de indicação dos advogados que receberão os honorários sucumbenciais; III - a falta de subsídios necessários à comprovação do valor devido a cada servidor mês a mês. Ou seja, em nenhum momento se discutiu a base de cálculo dos honorários advocatícios fixados na fase de conhecimento. A própria União, em apelação, admite que essas são as questões dos embargos à execução (e-STJ fl. 487): "A UNIÃO alegou inexigibilidade do título causa impeditiva da execução e excesso de execução, uma vez que os exequentes não trouxeram aos autos os elementos necessários à conferência dos valores postulados, não restando comprovados os valores pagos mês a mês devidos a cada servidor. Ademais, não há como verificar os valores constantes da certidão emitida pelo Departamento de Polícia Federal, por se tratar de mera indicação de somatórios, carecendo da discriminação mensal e individual dos valores. Por outro lado, a FENAPEF deixou de indicar o advogado que irá receber os honorários advocatícios pleiteados". Mesmo assim, a União - na apelação - suscitou a inexigibilidade do título pela ausência de base de cálculo da verba honorária com base no art. 741, II, III, V e VI, do CPC/1973. Frisa-se: não há uma só frase nos embargos à execução acerca da base de cálculo dos honorários fixados na sentença coletiva. Ora, a exigibilidade dos honorários advocatícios por falta de base de cálculo foi questão nova introduzida em apelação. Ou seja, tal como defendido pelo particular no recurso especial, "Até a prolação da sentença nos embargos à execução, em momento algum a União se insurgiu contra a base de cálculo da execução, somente o fazendo, frisa-se, apenas em seu recurso de apelação." (e-STJ fl. 923). Dessa forma, em que pese a fundamentação do Min. Herman Benjamin, reconheço a ocorrência de inovação recursal ainda em sede de apelação, razão pela qual não poderia o Tribunal de origem reformar a base de cálculo utilizada pelo recorrente nos cálculos dos honorários advocatícios, pois não são manifestamente contra o título executivo judicial. Essa compatibilidade se torna ainda mais evidente ao se observar os termos da sentença proferida nestes autos de embargos à execução, pois assim se manifestou o juiz federal Walner de Almeida Pinto: "Considerando que a execução trata de honorários advocatícios de sucumbência, calculados mediante aplicação de porcentagem sobre o total da condenação, não há necessidade de planilha contendo as diferenças devidas, mês a mês, pagas a cada servidor, como alega a Embargante"". IMPOSSIBILIDADE DE SE INFIRMAR, SEM REVISÃO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO, A DECISÃO DA ORIGEM PELA EFETIVA EXISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO QUANTO À BASE DE CÁLCULO DOS HONORÁRIOS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. SÚM. 7/STJ 9. Com todas as vênias do ponto de vista ora trazido ao colegiado pelo eminente Ministro Mauro Campbell, entendo que tamanha incursão sobre o acervo fático-probatório dos autos extravasa, e muito, os limites de cognoscibilidade da irresignação neste grau (Súmula 7/STJ), visto que, para infirmar as conclusões pela inexistência de preclusão sobre o tema, soberanamente pronunciada na origem, foi preciso se afastar dos dados indicados no acórdão e reanalisar os termos da inicial dos Embargos, da sentença e das razões da Apelação da Fazenda Nacional, o que me parece incompatível com os limites do Recurso Especial. 10. Ademais, a conclusão da Corte Regional, a quem competia mesmo deliberar sobre o tema, foi diametralmente oposta à do eminente Vistor. O acórdão afastou expressamente a propalada preclusão sobre a questão da inexigibilidade e do excesso de execução (inexistência de título), que conforme reconhecido na origem, foi objeto de devida arguição pela Fazenda Nacional nos Embargos ofertados, verbis (fl. 831, e-STJ): "Como bem salientado pelo Ministério Público Federal, os embargos à execução da União "são expressos no sentido da impugnação total à execução e estão amparados nos artigos 741, incisos II, V e VI, do Estatuto Processual Civil" (f. 738vº), ou seja, "inexigibilidade do título", "excesso de execução" e "qualquer causa impeditiva, modifícativa ou cxtintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença". E conclui a douta Procuradora Regional da República: "Como se percebe, os embargos à execução fizeram referência à inexigibilidade do título, argumento esse que, inclusive, foi contraditado pelo ora recorrente quando da apresentação de sua impugnação (fls. 14/21), quando se fez menção ao cômputo dos honorários tomando-se por base não o valor da causa, mas o valor da condenação imposta à Uniào Federal" (f. 738vº). Além disso, se a União pede, na inicial, sejam julgados procedentes os embargos "para afastar a integralidade da execução" (f. 03), e pede, na apelação, como transcrito nos próprios embargos infringentes, o julgamento de procedência dos "embargos, por inexigibilidade do título" (fs. 452 e 716), alegando expressamente a inexigibilidade por não ter sido indicada a base de cálculo e, por conseguinte, pela "inviabilidade de qualquer cálculo" (f. 450), parece tranqüilo que a redução parcial do valor da execução constitui, na verdade, pelas características da hipótese em julgamento, um minus em relação aos pedidos, pois o provimento integral da apelação encerraria a execução, e o seu desprovimento levaria aos cerca de dez milhões da execução originária. Mais: a verificação dos requisitos substanciais da obrigação consubstanciada no título executivo (certeza, liquidez c exigibilidade) é questão de ordem pública (artigos 580, 586 e 618, I, do CPC), apreciável de oficio, independentemente da propositura de embargos à execução, e, neste caso, houve efetivo contraditório sobre a base de cálculo dos honorários. Inexiste, portanto, ofensa aos artigos 2º, 128, 262,459 ou 460 do Código de Processo Civil" (grifei). 11. Em outros termos, e com as renovadas vênias à posição externada pelo eminente Ministro Mauro Campbell Marques, não se tem em seu Voto, propriamente, revaloração dos elementos fáticos indicados no acórdão. Avançou-se sobre o conjunto fático-probatório dos autos para se infirmar as conclusões da origem no sentido de que não houve inovação recursal por parte da União, porque os Embargos impugnaram totalmente a execução ao se fundarem na inexigibilidade do título e outros fundamentos. O que é vedado pela Súmula 7/STJ. INEXISTÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO TÍTULO EXECUTIVO. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. ARGUIÇÃO A QUALQUER TEMPO E INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO 12. Ainda que não fosse pela própria constatação fática retrotranscrita do acórdão recorrido - isso é, que inexistiu preclusão sobre a questão porque, na verdade, houve impugnação da execução de honorários em toda sua extensão e profundidade (inexigibilidade do título e excesso de execução) -, fato é que não parece acertada a conclusão do Ministro Mauro Campbell Marques, no sentido de que estaria vedada a incursão sobre o tema (da inexistência de base de cálculo dos honorários) pela Corte Regional. 13. Como sabido, a verificação dos requisitos substanciais da obrigação representada pelo título executivo (certeza, liquidez e exigibilidade) é questão de ordem pública (arts. 618, I, CPC/1973 e 803, I, do CPC/2015), sobre o que não se opera preclusão. Não se exige sequer provocação da parte para que o magistrado, no controle dos pressupostos processuais e condições da ação executiva, em qualquer tempo ou grau de jurisdição, possa se pronunciar a respeito. 14. No caso, a extensão do título executivo integra os requisitos de validade da própria execução (inexistência de título quanto à parcela indevidamente reclamada), de modo que, mesmo que não tivesse havido impugnação nos Embargos à Execução sobre a inexistência de base de cálculo dos honorários, isso poderia ser feito oportunamente, em grau de Apelação (arts. 303, II, do CPC/1973 e 342, II, do CPC/2015), ou mesmo por intermédio de exceção (objeção) de pré-executividade (executividade), seja qual for o nomen iuris que a manifestação da parte apresentada no processo tiver. Doutrina e precedente (REsp 621.710/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ de 22.5.2006, p. 180). 15. Conforme bem apontado pelo em. Ministro Mauro Campbell Marques em seu Voto-Vista, "a jurisprudência do STJ não admite a realização de inovação recursal, salvo quando a questão nova se tratar de fato novo ou matéria de ordem pública". Pois exatamente por essa última razão (matéria de ordem pública), mesmo que no caso não tivesse havido, nos Embargos à Execução, alegação da Fazenda Nacional sobre o vício na base de cálculo do título executivo, seria possível que a Corte Regional se pronunciasse sobre o tema de ofício ou através da arguição em Apelação (exceção de pré-executividade). Não houve, portanto, preclusão e, muito menos, inovação recursal processualmente condenável. 16. No mais, a demonstrar que o vício no título executivo é evidente, independendo seu reconhecimento de dilação probatória e, por isso, pode ser arguido a qualquer tempo, reavivo a afirmação constante do acórdão, no sentido de que: "(..) a sentença simplesmente não estabeleceu a base de cálculo dos honorários advocaticios, e nada foi julgado efetivamente quanto ao ponto e.. por isso, não se pode falar em coisa julgada, nem em violação aos artigos 463, 468, 471 ou 473 do CPC. Quase supérfluo lembrar que 5% de nada é nada. Neste caso incidiria, ao meu ver, por semelhança de razões (já que a mera fixação de alíquota sem a definição da base de cálculo corresponde à ausência de fixação de honorários), o enunciado nº 453 da Súmula da Jurisprudência Predominante do Superior Tribunal de Justiça ("Os honorários sucumbenciais, quando omitidos cm decisão transitada em julgado, não podem ser cobrados em execução ou em ação própria."), mas os lindes da divergência se restringem, como já foi visto, a 5% do valor da causa ou da condenação, sendo vedada, ademais, a reformatio in peius" (fl. 832, e-STJ). TÍTULO EXECUTIVO QUE FIXOU HONORÁRIOS COM BASE NO VALOR DA CAUSA. ART. 20, § 4º, CPC/1973. EXPRESSA REFERÊNCIA NA SENTENÇA DE QUE OS HONORÁRIOS ESTAVAM SENDO FIXADOS "DE FORMA MODERADA" 17. Resgato por fim, em obiter dictum, fundamentos que trouxe quando da prolação de meu Voto originário, no sentido da absoluta adequação do entendimento da origem acerca do tema em debate: "A interpretação pretendida pelo recorrente, de que os honorários foram fixados com base no valor da condenação (benefício econômico dos substituídos pela Federação Nacional dos Policias Federais), não pode prevalecer, eis que à época da sentença (30.07.1998) era vigente o art. 20, § 4º, do CPC/1973, que tinha a seguinte redação: Nas causas de pequeno valor, nas de valor inestimável, naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda Pública, e nas execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante apreciação equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior (..) Na medida em que o próprio título é expresso no sentido de que a fixação dos honorários estaria se dando de forma moderada em razão de a parte vencida ser a Fazenda Pública, razoável a exegese da Corte regional, a partir da mens do título executivo, de que a base de cálculo dos honorários era o valor da causa (art. 20, § 4º, do CPC/1973), e não o valor da condenação (art. 20, § 3º, do CPC/1973) (..) A prevalecer a interpretação pretendida pelo recorrente, isto é, de que os honorários foram fixados com base no art. 20, § 3º, do CPC/1973, estaria contrariada a própria essência do título executivo, pois aplicada a alíquota de 5% sobre o valor da condenação na ação coletiva, os honorários devidos, em valores atualizados para março/2021 (IPCA-E - IBGE), alcançariam aproximados R$ 18.492.218, 00, quantia que não parece módica à luz da ressalva expressa do próprio título executivo. Por outro lado, embora não se negue que a jurisprudência dessa Casa tem admitido, em caráter excepcional, a revisão de honorários fixados na origem quando desproporcionais, no caso presente tal entendimento sequer pode ser aplicado. O debate travado na origem não recaiu sobre os honorários fixados quando do julgamento dos Embargos à Execução, mas sim sobre a adequada interpretação do título executado transitado em julgado, o que obsta, nos termos do art. 467 do CPC/1973, qualquer revisão nesse grau". CONCLUSÃO 18. Por qualquer prisma que se analise a questão, seja na admissão do Recurso Especial (incidência da Súmula 7/STJ), seja no mérito (possibilidade de análise da base de cálculo dos honorários pelo Tribunal), não tem o recorrente razão. 19. Por isso, com respeitosas vênias dos que pensam de modo diverso, RATIFICO meu Voto no sentido de não prover o Agravo Interno, mantendo a decisão proferida pelo eminente Ministro Francisco Falcão e por mim ratificada neste ato. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.143.975/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/8/2022, DJe de 19/12/2022.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. MANEJO APÓS TRÂNSITO EM JULGADO DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE INCABÍVEL. MATÉRIA ANTERIORMENTE ALEGADA. COISA JULGADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. ÓBICE DA SÚMULA 7 DO STJ. 1. Tendo o Tribunal a quo, em análise do contexto fático-probatório dos autos, afirmado que a matéria invocada na exceção de pré-executividade foi albergada pelo manto da coisa julgada, quaisquer análises em sentido contrário que leve a modificação do julgado revela indispensável reapreciação do conjunto probatório existente no processo, o que é vedado em sede de recurso especial, em virtude do preceituado na Súmula n. 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial" 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 230.916/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 27/11/2012, DJe de 30/11/2012.) Nesse panorama, fica prejudicado o exame do apelo especial na parte em que suscita divergência jurisprudencial, pois o não conhecimento do recurso quanto às razões invocadas pela alínea a diz respeito aos mesmos dispositivos legais e tese jurídica atinentes ao dissídio. No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. SÚMULA N. 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ é assente no sentido de que a impugnação de capítulos autônomos da decisão recorrida apenas induz à preclusão das matérias não impugnadas. 2. Preliminarmente, a argumentação recursal não é suficiente ao acolhimento do especial com relação à negativa de prestação jurisdicional uma vez que a parte restou inerte acerca da relevância de cada uma das omissões apontadas ao resultado da demanda. Ausente a demonstração dos motivos pelos quais, caso enfrentadas, as omissões apontadas poderiam alterar a conclusão a que chegou a Corte local, incide, no ponto, o óbice da Súmula n. 284/STF. 3. No que diz respeito à divergência jurisprudencial, inviabilizado o exame da tese de impossibilidade de inovação e exigência dos documentos pela alínea "a" em virtude da incidência da Súmula n. 280/STF, resta também inviabilizado, pelo mesmo óbice, o exame da questão pela alínea "c". 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.548.042/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 1/7/2024.) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA