AREsp 2925405 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo em parte e, nessa extensão, negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a decisão, inexistindo negativa de prestação jurisdicional, e porque a tese do agravante (erro de cálculo/iliquidez) demanda dilação probatória, o que torna necessária a produção de prova e...
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- Parties
- Agravante: OSANAN BOTELHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento) / Julgamento Colegiado (conhecimento Parcial E Negativa De Provimento)
- Outcome
- Agravo conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento (unânime).
- Legal Topics
- Exceção De Pré Executividade, Negativa De Prestação Jurisdicional, Erro De Cálculo, Dilação Probatória, Súmula Nº 7/stj
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Parties
OSANAN BOTELHO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento) / Julgamento Colegiado (conhecimento Parcial E Negativa De Provimento)
Legal Issues
- 1 Negativa de prestação jurisdicional (omissão/omissão arguida nos termos do art. 489 e art. 1.022 do CPC)
- 2 Nulidade da execução por iliquidez e regularidade da planilha de débito (art. 28, §2º, Lei 10.931/2004)
- 3 Cabimento da exceção de pré-executividade diante de alegado erro de cálculo que demandaria dilação probatória
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e, nessa extensão, negou-se provimento porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a decisão, inexistindo negativa de prestação jurisdicional, e porque a tese do agravante (erro de cálculo/iliquidez) demanda dilação probatória, o que torna necessária a produção de prova e impediria o exame no recurso especial em razão do óbice da Súmula nº 7/STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento (unânime).
Orders
- Conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do artigo 85, § 11, do CPC, por não terem sido arbitrados na origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 02/09/2025 a 08/09/2025, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy Andrighi e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ERRO DE CÁLCULO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. NECESSIDADE. REVISÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. A revisão do entendimento firmado pelas instâncias ordinárias, de que a tese alegada pela ora recorrente é incompatível com exceção de pré-executividade por envolver erro de cálculo que demanda dilação probatória, demandaria o reexame de fatos e de provas dos autos, o que é inviável no recurso especial pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. 3. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por OSANAN BOTELHO contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assim ementado: "Agravo de Instrumento - Execução - Cédula de Crédito - Exceção de Pré-Executividade - Requisitos - Matéria de Ordem Pública - Erro de Cálculo - Necessidade de Dilação Probatória. 1. A exceção de pré-executividade constitui meio de defesa do executado no qual devem ser suscitadas questões de ordem pública, cognoscíveis de ofício e que não demandem dilação probatória. 2. Se as teses alegadas pelo executado demandam dilação probatória, deve ser mantida a decisão interlocutória que rejeitou a exceção de pré-executividade." (e-STJ fl. 288). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 342/347). No recurso especial, a parte recorrente alega violação dos seguintes dispositivos com as respectivas teses: (1) artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, aduzindo que teria havido negativa de prestação jurisdicional porque o Tribunal de origem foi omisso ao deixar de apreciar o pedido de declaração de nulidade da execução por iliquidez e (2) artigos 485, §3º, 803, parágrafo único, do CPC e art. 28, §2º, da Lei 10.931/2004, defendendo que a execução é nula pela sua iliquidez. Afirma que "a questão se limita à verificação da regularidade da planilha de débito que instrui a execução: se ela cumpre ou não com os requisitos do art. 28, §2º, da Lei 10.931/04, sendo completamente prescindível a dilação probatória" (e-STJ fl. 361). Sem as contrarrazões (e-STJ fl. 290), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ERRO DE CÁLCULO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. NECESSIDADE. REVISÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. A revisão do entendimento firmado pelas instâncias ordinárias, de que a tese alegada pela ora recorrente é incompatível com exceção de pré-executividade por envolver erro de cálculo que demanda dilação probatória, demandaria o reexame de fatos e de provas dos autos, o que é inviável no recurso especial pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. 3. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. VOTO Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. No tocante às omissões apontadas, o Tribunal de origem ao decidir os embargos de declaração, concluiu que "o acórdão decidiu de forma e expressa pelo não cabimento da exceção de pré-executividade, uma vez que a tese alegada demandava dilação probatória, na medida em que envolvia a quantificação do valor executado, nos seguintes termos" (e-STJ fl. 344). Nesse contexto, no que diz respeito à alegada negativa de prestação jurisdicional - violação do artigo 1.02 2 do CPC -, agiu corretamente o tribunal de origem ao rejeitar os embargos declaratórios por inexistir omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado, ficando patente, em verdade, o intuito infringente da irresignação, que objetivava a reforma do julgado por via inadequada. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE PARCELAS PREVIDENCIÁRIAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENCERRAMENTO DO PLANO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Ação de devolução de parcelas previdenciárias. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC/15, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, inexiste a violação do art. 489 do CPC/15. 4. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. A incidência das Súmulas 5 e 7/STJ prejudicam a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.183.495/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022. - grifou-se) Registra-se que, mesmo à luz do art. 489 do CPC, o órgão julgador não estaria obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes, mas apenas a respeito daqueles capazes de, em tese, de algum modo, infirmar a conclusão adotada pelo órgão julgador (inciso IV). A motivação contrária ao interesse da parte, ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo julgador, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios. No caso, a Corte local entendeu ser incabível a interposição de exceção de pré-executividade, nos seguintes termos: "(..) No caso dos autos, a agravante opôs exceção de pré-executividade baseando-se, em resumo, na tese de que o demonstrativo do débito apresentado é insuficiente para instrução da ação de execução. Ou seja, não se alega que o demonstrativo foi juntado, mas sim que não foram prestadas todas as informações necessárias para cálculo do valor executado. Como se verifica, a tese alegada pela agravante demanda dilação probatória, pois envolve a quantificação do valor executado, sendo certo que o agravado instruiu a execução com memória de cálculo na qual consta o valor original do débito, acrescido de correção monetária e juros de mora (fl. 17, ordem 13). Registre-se que apesar de os requisitos dos títulos de crédito constituírem matéria de ordem pública, a alegação do agravante envolve erro nos cálculos apresentados, exigindo-se a produção de provas, o que impede a análise neste momento processual. Nesse cenário, deve ser mantida a decisão interlocutória que rejeitou a exceção de pré-executividade, cabendo ao agravante veicular sua defesa por meio do procedimento adequado. (..)" (e-STJ fl. 292). Com efeito, a revisão do entendimento firmado pelas instâncias ordinárias, de que a tese alegada pela ora recorrente é incompatível com exceção de pré-executividade por envolver erro de cálculo que demanda dilação probatória, demandaria o reexame de fatos e de provas dos autos, o que é inviável no recurso especial pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. No mesmo sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO APELO NOBRE. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AGRAVANTE. 1. A exceção de pré-executividade é cabível quando atendidos simultaneamente dois requisitos, um de ordem material e outro de ordem formal, quais sejam: (a) é indispensável que a matéria invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz; e (b) é necessário que a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. 2. No caso, o Tribunal de Justiça, com base no acervo fático-probatório, concluiu que a alegação de excesso de execução demandaria dilação probatória, incompatível com a exceção de pré-executividade. Alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria revolvimento de matéria fática-probatória, inviável em recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp n. 2.831.742/MT, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 16/6/2025, DJEN de 24/6/2025.) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AFRONTA À SÚMULA. INVIABILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 518 DO STJ. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. NÃO CABIMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83 DO STJ. INCAPACIDADE E LESÃO (VÍCIOS DE CONSENTIMENTO). NÃO COMPROVAÇÃO. REFORMA DO JULGADO. REANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE, MAS, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO. 1. É inviável o exame de violação de súmula, nos termos da Súmula n. 518 do STJ, haja vista não se tratar de dispositivo de lei federal referido no permissivo constitucional. 2. O STJ adota o posicionamento de que a exceção de pré-executividade somente é cabível quando não houver necessidade de dilação probatória. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 3. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 4. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial, mas, nessa extensão, negar-lhe provimento." (AREsp n. 2.835.863/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 5/5/2025, DJEN de 8/5/2025.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do artigo 85, § 11, do CPC, tendo em vista que não foram arbitrados na origem. É o voto.