HC 1038343 - DECISAO
Não se conhece do habeas corpus porque não se demonstrou flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado: o processo envolve fatos graves e complexos, pluralidade de réus e aditamentos à denúncia que justificam a dilação do prazo; não há indícios de desídia do juízo; a instrução estava em andamento e com nova...
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- Parties
- Paciente: MARLON CARDOSO LORENA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 December 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecimento Do Habeas Corpus (decisão De Mérito/nível Superior)
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Excesso De Prazo Na Formação Da Culpa, Prisão Preventiva, Audiência De Custódia, Tribunal Do Júri, Aditamento À Denúncia, Organização Criminosa, Súmula 52/stj
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Parties
MARLON CARDOSO LORENA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecimento Do Habeas Corpus (decisão De Mérito/nível Superior)
Legal Issues
- 1 excesso de prazo na formação da culpa
- 2 cabimento de habeas corpus como substitutivo de recurso
- 3 decretação de prisão preventiva antes da audiência de custódia
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus porque não se demonstrou flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado: o processo envolve fatos graves e complexos, pluralidade de réus e aditamentos à denúncia que justificam a dilação do prazo; não há indícios de desídia do juízo; a instrução estava em andamento e com nova audiência realizada/agenda prevista, de modo que não se configurou excesso de prazo apto a ensejar relaxamento da prisão preventiva.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Recomenda-se ao Juízo de Direito da 1ª Vara Judicial da Comarca de Guaporé-RS que reexamine a necessidade da segregação cautelar, tendo em vista o tempo decorrido e o disposto na Lei 13.964/19, e que promova celeridade.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de MARLON CARDOSO LORENA, em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (HC 5207186-24.2025.8.21.7000). Colhe-se dos autos que o paciente teve a prisão preventiva decretada, pela suposta prática dos crimes de tentativa de homicídio qualificado (duas vezes), tráfico de drogas, posse irregular de arma de fogo e associação criminosa. A defesa impetrou prévio writ perante o Tribunal de origem, que denegou a ordem, nos termos da seguinte ementa: "HABEAS CORPUS. DUAS TE NTATIVAS DE HOMICÍDIO QUALIFICADO, TRÁFICO DE DROGAS COM EMPREGO DE ARMA DE FOGO E FORMAÇÃO DE QUADRILHA. EXCESSO DE PRAZO EM RAZÃO DE DOIS ADITAMENTOS À DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. PROCESSO COMPLEXO, COM MULTIPLICIDADE DE RÉUS E DEFESAS, A JUSTIFICAR MAIOR DILAÇÃO DO PRAZO PROCESSUAL. DECRETO DE PRISÃO PREVENTIVA DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO, APONTANDO FATOS CONCRETOS QUE JUSTIFICAM A SEGREGAÇÃO CAUTELAR. OS FATOS SÃO GRAVES - DUPLA TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO, TRÁFICO DE ENTORPECENTES COM EMPREGO DE ARMA DE FOGO E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA - HAVENDO INDÍCIOS DE VINCULAÇÃO DO PACIENTE COM FACÇÃO CRIMINOSA. PROCESSO QUE TEVE DENÚNCIA REGULARMENTE OFERECIDA E RECEBIDA, COM DOIS ADITAMENTOS POSTERIORES PARA INCLUSÃO DE NOVOS RÉUS, QUE NÃO JUSTIFICA O ALEGADO EXCESSO DE PRAZO. O FEITO TEM TRÂMITE REGULAR, TRATANDO-SE DE PROCESSO DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI, O QUE NORMALMENTE ENSEJA MAIOR DEMORA NA INSTRUÇÃO PROCESSUAL. EXCESSO DE PRAZO NÃO CONFIGURADO. PRISÃO MANTIDA." (e-STJ, fl. 19). Nesta Corte, a defesa sustenta, em síntese, a existência de excesso de prazo na formação da culpa, destacando a sequência de aditamentos e o cancelamento da audiência de instrução. Afirma que "não é proporcional que o Ministério Público possa promover aditamentos constantes sem que haja justificativa para tal e que o Juízo postergue o início da instrução processual quando o paciente se encontra segregado" (e-STJ, fl. 4). Pondera também que a prisão preventiva foi decretada antes mesmo da audiência de custódia. Requer a concessão da ordem, liminarmente e no mérito, para reconhecer a ilegalidade e o excesso de prazo, determinando a imediata soltura do paciente e o trancamento do julgamento em curso (e-STJ, fl. 5). O pedido liminar foi indeferido às fls. 51-52 (e-STJ). Prestadas as informações (e-STJ, fls. 58-60), o Ministério Público Federal manifesta-se pela denegação da ordem (e-STJ, fls. 64-69). A defesa peticionou às fls. 72-81 (e-STJ), postulando a reconsideração do pedido liminar. É o relatório. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. Inicialmente, estando o writ pronto para o julgamento de mérito, prejudicado o pedido de reconsideração formulado às fls. 72-81 (e-STJ). No tocante ao aventado excesso de prazo na formação da culpa, consoante orientação pacificada nos Tribunais Superiores, a análise do excesso de prazo na instrução criminal será feita à luz do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser considerada as particularidades do caso concreto, a atuação das partes e a forma de condução do feito pelo Estado-juiz. Dessa forma, a mera extrapolação dos prazos processuais legalmente previstos não acarreta automaticamente o relaxamento da segregação cautelar do acusado (RHC 58.140/GO, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 17/9/2015, DJe 30/9/2015; RHC 58.854/MS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 22/9/2015, DJe 30/9/2015). A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL. CONTRA DECISÃO QUE INDEFERE PEDIDO LIMINAR FORMULADO EM HABEAS CORPUS. NÃO CABIMENTO. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. Nos termos da orientação sedimentada por esta Corte Superior, é incabível agravo regimental contra decisão que, fundamentadamente, concede ou rejeita pedido de liminar em habeas corpus. 2. Os prazos processuais não são peremptórios. O constrangimento ilegal por excesso de prazo não resulta de um critério aritmético. Há de ser realizada pelo julgador uma aferição do caso concreto, de acordo com as suas peculiaridades, em atenção aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 3. Mas não é só, no caso, consta das informações prestadas que "os autos de recurso em sentido estrito foram conclusos ao gabinete do relator, desembargador Jorge Leal em 29/9/2022, com previsão para julgamento para o mês de março/2023. 4. Agravo regimental não conhecido." (AgRg no HC n. 801.776/RO, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 19/4/2023, grifou-se). "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. DECISÃO MANTIDA. INTEGRAR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E LAVAGEM DE CAPITAIS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR. INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CABIMENTO. PRISÃO PREVENTIVA. ALEGADO EXCESSO DE PRAZO. PROCESSO COM REGULAR TRAMITAÇÃO. PLURALIDADE DE RÉUS. PEDIDOS DE RELAXAMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA AVALIADOS RECENTEMENTE. ART. 316, PARAGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. AUTOS CONCLUSOS PARA JULGAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 52 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AUSÊNCIA DE DESÍDIA DO MAGISTRADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A tese relacionada à ausência de fundamentação da custódia cautelar não foi aventada nas razões do habeas corpus, as quais se limitaram na questão acerca do excesso de prazo na formação da culpa, conforme se pode inferir do constante às fls. 3/16 dos autos, configurando-se hipótese de inovação recursal, o que impede a análise em sede de agravo regimental. 2. Constitui entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça - STJ que somente configura constrangimento ilegal por excesso de prazo na formação da culpa, apto a ensejar o relaxamento da prisão cautelar, a mora que decorra de ofensa ao princípio da razoabilidade, consubstanciada em desídia do Poder Judiciário ou da acusação, jamais sendo aferível apenas a partir da mera soma aritmética dos prazos processuais. Na hipótese, não há falar em prolongamento irrazoável do andamento processual, pois o processo tem seguido regular tramitação. Verifica-se que o agravante foi preso preventivamente em 16/4/2021 e denunciado em 11/6/2021, juntamente com 7 acusados, por ter supostamente praticado os delitos de organização criminosa e lavagem de capitais, praticado por meio de organização criminosa reiteradas vezes. Nota-se que se trata de delito complexo, com pluralidade de réus e crimes. Em consulta ao site do TJDFT, consta que em 31/8/2022 foram juntados aos autos as FAPs dos réus, e, em 10/10/2022, foram juntados Relatórios CIME referentes à monitoração eletrônica dos réus Gildomarques Marinho da Silva, Wellington de Queiroz da Silva e Saulo Trindade de Almeida. Em 16/12/2022 o corréu Gildomarques Marinho da Silva solicitou que fosse flexibilizado o período de recolhimento domiciliar, bem como a permissão de deslocamento aos sábados, sendo o pedido deferido pelo Magistrado a quo. Destaca-se que a última reavaliação da prisão preventiva do agravante foi em 8/2/2023, atendendo o prazo nonagesimal previsto no parágrafo único do art. 316 do CPP, momento que os autos foram conclusos para sentença. Dessa forma, estando, portanto, encerrada a instrução processual, atrai-se ao caso a incidência da Súmula n. 52 deste Superior Tribunal de Justiça, que prevê: "Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo". 3. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 793.651/DF, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 19/4/2023, grifou-se). Extrai-se das informações prestadas pelo Juízo processante, datadas de 02/10/2025: "Atendendo ao pedido de informações no âmbito do Habeas Corpus nº 1038343 - RS (2025/0370935-2), em que figura como paciente MARLON CARDOSO LORENA e este Juízo como autoridade coatora, informo a Vossa Excelência que não há outros fatos ou informações relevantes além daquelas que já constam nos autos eletrônicos do processo (50018519120258210053), especialmente na decisão do processo 5001261- 17.2025.8.21.0053/RS, evento 31, DESPADEC1, que decretou a prisão, bem como na decisão do evento 291, DESPADEC1, última a reavaliar a necessidade e atualidade dos fundamentos da segregação cautelar do paciente. Acrescento, não obstante, que após essa última decisão foi realizada audiência de instrução em 24/09/2025, oportunidade em que foram ouvidas as vítimas, bem como parte das testemunhas. O processo encontra-se, atualmente, aguardando a realização de nova solenidade, agendada para o dia 27/10/2025, destinada à continuidade da oitiva das testemunhas restantes e, ao final, ao interrogatório dos réus. Aponto, ainda, que não se verifica excesso de prazo na prisão, considerando a complexidade do processo, iniciado há menos de seis meses e envolvendo cinco réus, não se podendo atribuir o prolongamento da instrução processual ao Juízo, havendo, ademais, previsão de encerramento iminente da fase instrutória e subsequente prolação de sentença. Ainda, é preciso ponderar o tempo de tramitação processual com a realidade da presente Unidade Jurisdicional - uma "Vara Judicial", que acumula, além de toda a jurisdição criminal e cível, as atribuições do Juizado Especial Cível e da Fazenda Pública, do Tribunal do Júri e da Vara de Execuções Criminais (VEC) da Comarca, com competência, portanto, para toda ordem de matéria, muitas prioritárias (como os processos criminais, inclusive do tribunal do júri, medicamentos, internações e outras demandas de saúde, alimentos, idosos), com mais de 11 mil processos - dentre eles, cerca de 850 criminais, com 126 de réus presos. Tudo isso, sobre a responsabilidade de um único magistrado e, com a formatação atual estabelecida pelo TJRS, composta por apenas 3 servidores efetivos e 1 assessor, além do quadro temporário de estagiários. Assim, concretamente, não se pode concluir pela morosidade na tramitação do processo." (e-STJ, fls. 58-59). O Tribunal de origem assim se pronunciou acerca do alegado excesso de prazo : " .. Os fatos são graves - dupla tentativa de homicídio qualificado, tráfico de entorpecentes, posse irregular de arma de fogo e associação criminosa - havendo indícios de vinculação do paciente com a facção criminosa "Os Manos" (processo 5001261-17.2025.8.21.0053/RS, evento 1, OUT1). O processo teve denúncia regularmente oferecida e recebida. Posteriormente, foram apresentados dois aditamentos, com a inclusão de novos réus, o que justifica a dilação do prazo processual. O feito segue seu curso regular e, embora a audiência tenha sido cancelada, por força da inclusão de novos acusados, será oportunamente redesignada, após a citação dos denunciados, incluindo Guilherme e Andrei. Cumpre destacar que, apesar das dificuldades inerentes a uma Vara Judicial do interior do Estado, o Juízo designou audiência para o dia 15/10/2025, a qual precisou ser cancelada, em razão da necessidade de citação de corréu, em razão de aditamento à denúncia. Por conseguinte, não verifico a ocorrência de excesso de prazo, visto que o feito tem trâmite regular, se tratando de processo complexo, de competência do Tribunal do Júri, o que, por si, já enseja maior prazo de instrução, não se podendo olvidar, ainda, que o feito possui multiplicidade de fatos, réus e defesas e que, não obstante, está constantemente sendo impulsionado pelo juízo a quo. A jurisprudência dos Tribunais Superiores é firme no sentido de que o constrangimento ilegal por excesso de prazo só se configura, quando a demora processual é injustificada e decorrente de desídia do Estado-juiz, o que não se verifica, no caso em análise2. Por fim, os aditamentos à denúncia, embora tenham ocasionado o adiamento do início da instrução, decorrem do regular exercício da titularidade da ação penal, por parte do Ministério Público, não caracterizando, por si sós, constrangimento ilegal por excesso de prazo. Ainda, os aditamentos promovidos pelo Parquet decorreram de novas informações, surgidas após o oferecimento inicial da denúncia. Logo, por ora, afasto a alegação de excesso de prazo." (e-STJ, fls. 7-8). Nesse contexto, verifica-se que o processo observa trâmite regular, considerando-se sobretudo o próprio procedimento diferenciado dos processos do Júri, a complexidade do feito que investiga delitos graves, em contexto de organização criminosa, que envolve pluralidade de réus, com necessidade de aditamentos à denúncia. Ademais, em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal de origem, nos autos da Ação Penal n. 5001851-91.2025.8.21.0053, observa-se que foi realizada audiência de instrução no dia 27/10/2025. Dessa forma, não se identifica, por ora, manifesto constrangimento ilegal imposto ao réu passível de ser reparado por este Superior Tribunal, em razão do suposto excesso de prazo na formação da culpa, na medida em que não se verifica desídia do Poder Judiciário. Sobre o tema, os seguintes precedentes: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. HOMICIDIO QUALIFICADO. FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA. MODUS OPERANDI. CONTUMÁCIA DELITIVA. EXCESSO DE PRAZO. RAZOABILIDADE. ALEGAÇÃO DE SER PAI DE CRIANÇAS MENORES DE 12 ANOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE. NEGOU INEXISTÊNCIA DE NOVOS ARGUMENTOS APTOS A DESCONSTITUIR A DECISÃO IMPUGNADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - O agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada por seus próprios fundamentos. II - No caso em tela, tenho que a decisão que manteve a prisão preventiva do agravante está suficientemente fundamentada, com a indicação da existência nos autos de circunstâncias ensejadoras da custódia cautelar, notadamente pela periculosidade do agravante que supostamente teria sido partícipe do crime de homicídio qualificado - fl. 1176. Também consta dos autos que agravante responde a outras ações penais, inclusive de naturezas similares, o que demonstra sua dedicação a atividades criminosas sendo apontado, ainda, como líder da facção criminosa "Comando Vermelho" - fls. 1.177. III - Quanto a argumentação acerca da ausência de provas de autoria delitiva, verifica-se que o Tribunal de origem não se manifestou sobre a matéria sob a alegação de impossibilidade da análise pela via eleita, circunstância que impede qualquer manifestação desta Corte Superior de Justiça sobre o tópico, sob pena de se configurar a prestação jurisdicional em indevida supressão de instância. IV - No que tange a alegação de excesso de prazo, em consulta ao sitio do Tribunal de origem (www.tjce.jus.br), verifiquei que o Juízo a quo, em despacho proferido, em 25/07/2023, manteve a prisão do agravante e determinou que se aguardasse laudo pericial para logo após apresentação dos memoriais. E, diferente do alegado pela defesa, a prisão vem sendo reanalisada com frequência, inclusive, foi reanalisada em 17/10/2023, quando foi mantida a segregação cautelar por permanecerem hígidos os pressupostos da prisão preventiva. Ademais, o feito demonstra complexidade em razão da pluralidade de testemunhas e de réus, representados por diferentes representantes jurídicos. Portanto, não vislumbro qualquer desídia do poder judiciário. V - Quanto a alegação de ser pai de crianças menores, o Tribunal a quo fundamentou a negativa da concessão da prisão domiciliar em razão de não ter sido demonstrado pelo agravante ser pai das crianças, uma vez que seu nome não consta das certidões de nascimento, tampouco que seja o único responsável pelos cuidados dos filhos- fl. 1.088. Da mesma forma, não foi demonstrado nestes presentes autos sua imprescindibilidade. Agravo regimental desprovido." (AgRg no RHC n. 183.855/CE, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 15/12/2023, grifou-se). "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO CONSUMADO. PRISÃO PREVENTIVA CALCADA EM ELEMENTOS IDÔNEOS. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 312 DO CPP. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. PERICULUM LIBERTATIS EVIDENCIADO PELO MODUS OPERANDI DA CONDUTA. REITERAÇÃO DELITIVA. RISCO EXISTENTE. COMETIMENTO DO SUPOSTO CRIME QUANDO DO CUMPRIMENTO DE PENA ANTERIORMENTE IMPOSTA. TESTEMUNHAS. FUNDADO RECEIO DIANTE DE EVENTUAL LIBERDADE DO AGRAVANTE. NECESSIDADE DE SE RESGUARDAR A INSTRUÇÃO CRIMINAL. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. INEXISTÊNCIA. FEITO COMPLEXO. PLURALIDADE DE RÉUS (QUATRO). ADVOGADOS DIFERENTES. DIVERSIDADE DE DILIGÊNCIAS REQUERIDAS. PANDEMIA DA COVID-19. PRAZOS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. DESÍDIA DO PODER JUDICIÁRIO. AUSÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. .. 4. Não há, até o presente momento, ilegalidade apta a ser sanada por esta Corte Superior quanto ao alegado excesso de prazo, pois a ação penal originária dos processos do Tribunal do Júri demanda, inevitavelmente, uma maior delonga dos atos processuais. Com efeito, a ação penal vem tramitando regularmente, diante de sua complexidade, pois se trata de feito que visa apurar conduta criminosa cometida com pluralidade de réus (quatro) e mediante advogados e situações processuais diferentes, devendo-se destacar ainda o volume e a diversidade de diligências requeridas pelas partes. Precedentes. 5. Em decorrência de medidas preventivas decorrentes da situação excepcional da pandemia da covid-19, houve a suspensão dos prazos processuais e o cancelamento da realização de sessões e audiências presenciais, por motivo de força maior. Desse modo, ainda que o acusado esteja preso cautelarmente desde antes do decreto prisional de que tratam estes autos, havido em 1º/11/2018, não se identifica, por ora, manifesto constrangimento ilegal passível de ser reparado por este Superior Tribunal, em razão do suposto excesso de prazo, na medida em que não se verifica desídia do Poder Judiciário. 6. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC 666.324/SE, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 07/12/2021, DJe 13/12/2021, grifou-se). "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E TORTURA. EXCESSO DE PRAZO. NÃO OCORRÊNCIA. PRISÃO PREVENTIVA. SUPOSTO INTEGRANTE DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. MODUS OPERANDI. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. MEDIDAS CAUTELARES MENOS GRAVOSAS. INSUFICIÊNCIA. RECOMENDAÇÃO 62/CNJ. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. O constrangimento ilegal por excesso de prazo só pode ser reconhecido quando a demora for injustificável, o que não se perfaz na hipótese, em que a complexidade do feito, evidenciada na pluralidade de réus (sete denunciados), patrocinados por diferentes defensores, bem como na pluralidade de crimes (organização criminosa, tráfico de drogas e tortura), afasta a idéia de paralisação ou demora indevida na formação da culpa. 2. Apresentada fundamentação válida para a prisão cautelar, evidenciada no fato de o acusado supostamente integrar organização criminosa (Comando Vermelho), bem como na gravidade concreta da conduta, em face ao modus operandi e à motivação do crime - aparentemente, os representados integram a organização criminosa Comando Vermelho e buscam substituir a própria ordem pública estatal pela ordem da OrCrim aplicando-se tortura/castigo como forma de punir aqueles que comercializam drogas sem autorização, além do fato de que o ora recorrente também teria participado da suposta emboscada e rendido à vitima com uma arma de fogo - não há falar em ilegalidade. 3. Havendo a indicação de fundamentos concretos para justificar a custódia cautelar, não se revela cabível a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão, visto que insuficientes para resguardar a ordem pública. 4. A alegação de aplicabilidade da Recomendação 62 do CNJ não foi objeto de análise do acórdão impugnado, não podendo ser conhecida por esta Corte Superior, sob pena de supressão de instância. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no RHC 142.736/MT, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEXTA TURMA, julgado em 17/08/2021, DJe 20/08/2021, grifou-se). No mais, quanto à alegação de que a prisão preventiva foi decretada antes da audiência de custódia, observa-se que o Tribunal de origem não analisou o pleito, no julgamento do writ originário. Dessa forma, sua apreciação direta por esta Corte Superior fica obstada, sob pena de se incorrer em indevida supressão de instância. Ilustrativamente, esse é o entendimento das Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte de Justiça: "AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA RETROATIVA. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL LOCAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DESPROVIMENTO DO RECURSO. 1. Nos termos da jurisprudência vigente neste Superior Tribunal, a ausência de apreciação da matéria pelas instâncias ordinárias impede qualquer manifestação deste Sodalício, sob pena de se configurar a prestação jurisdicional em indevida supressão de instância. Precedentes. 2. Mantém-se a decisão singular pela qual se indeferiu liminarmente o habeas corpus. 3. Em que pese a prescrição seja matéria de ordem pública, na hipótese, não é possível o seu reconhecimento, porquanto ausentes nos autos elementos suficientes a atestar eventuais marcos interruptivos. 4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 767.497/RJ, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 13/12/2022, DJe de 16/12/2022, grifou-se). "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA. MODUS OPERANDI. AMEAÇAS A TESTEMUNHAS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MEDIDAS CAUTELARES DIVERAS DA PRISÃO. IMPOSSIBILIDADE. CONTEMPORANEIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EXAME DA CONTROVÉRSIA PER SALTUM. IMPOSSIBILIDADE. VEDADA A CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. .. 3. A matéria relativa à falta de contemporaneidade não foi examinada pelo Tribunal a quo. Tal circunstância obsta a apreciação da questão por esta Corte Superior, sob pena de se incorrer em indevida supressão de instância. 4. "Não se pode confundir a possibilidade de concessão de ofício da ordem, isto é, sem prévia provocação por parte do interessado, com a concessão per saltum, que se verifica quando a matéria não foi sequer submetida à análise do Tribunal a quo e, por isso, é vedada pela jurisprudência pacífica desta Corte." (AgRg no HC n. 765.034/BA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 27/9/2022, DJe de 3/10/2022.) 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no HC n. 757.164/PR, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 15/12/2022, grifou-se). Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Recomenda-se, entretanto, de ofício, ao Juízo de Direito da 1ª Vara Judicial da Comarca de Guaporé-RS, que reexamine a necessidade da segregação cautelar, tendo em vista o tempo decorrido e o disposto na Lei 13.964/19. Preconiza-se, igualmente, celeridade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA