HC 852266 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque o processo está em regular tramitação, o paciente foi pronunciado (instrução encerrada ou pronto para julgamento), eventual demora decorre de atuação da defesa e já há designação de sessão plenária; assim, aplicam-se as Súmulas 21 e 52 do STJ, afastando a ocorrência de excesso de...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ELICILDO DA SILVA DE SOUZA; Impetrado: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 February 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Excesso De Prazo Na Formação Da Culpa, Prisão Preventiva, Tribunal Do Júri, Súmulas 21 E 52 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ELICILDO DA SILVA DE SOUZA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA
Impetrado
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 excesso de prazo na formação da culpa
- 2 aplicação das Súmulas 21 e 52 do STJ
- 3 manutenção da prisão preventiva
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque o processo está em regular tramitação, o paciente foi pronunciado (instrução encerrada ou pronto para julgamento), eventual demora decorre de atuação da defesa e já há designação de sessão plenária; assim, aplicam-se as Súmulas 21 e 52 do STJ, afastando a ocorrência de excesso de prazo que justifique o relaxamento da prisão cautelar.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido
Orders
- Liminar indeferida (fl. 28)
- Não conheço o habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de ELICILDO DA SILVA DE SOUZA, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA - HC 9001494-22.2023.8.23.0000. O paciente encontra-se preso desde 22/2/2021 em razão da suposta prática do delito de homicídio. A defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, nos termos do acórdão de fls. 20-25 (e-STJ) A defesa aduz, em suma, excesso de prazo na formação da culpa, ao argumento de que está preso desde 22/2/2021, sem perspectiva de julgamento. A liminar foi indeferida à fl. 28 (e-STJ). Prestadas as informações (e-STJ, fls. 40-490), o Ministério Público Federal opina pela prejudicialidade do mandamus (e-STJ, fls. 497-498). É o relatório. Decido. Segundo orientação pacificada nos Tribunais Superiores, a análise do excesso de prazo na instrução criminal será feita à luz do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser consideradas as particularidades do caso concreto, a atuação das partes e a forma de condução do feito pelo Estado-juiz. Dessa forma, a mera extrapolação dos prazos processuais legalmente previstos não acarreta automaticamente o relaxamento da segregação cautelar do acusado (RHC 58.140/GO, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 17/9/2015, DJe 30/9/2015; RHC 58.854/MS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 22/9/2015, DJe 30/9/2015). O Tribunal estadual assim se manifestou acerca do excesso alegado: "No presente caso, em que pese à razoável demora alegada pelo Impetrante, verifica-se que não existe desídia por parte do Judiciário, pois, como bem esclareceu o Impetrante o Paciente foi pronunciado no dia 20 de junho de 2022, tendo a defesa técnica interposto Recurso em Sentido Estrito, o qual foi julgado em 27/06/2023. Assim, verifica-se que o processo vem se desenvolvendo de forma regular. Quanto à alegação de que até a presente data não há designação para o julgamento pelo Egrégio Tribunal Popular do Júri, ao analisar os autos principais, constata-se que a Defesa para fins do art. 422 do CPP (evento 182.1, mov. de primeiro grau), sem qualquer manifestação. No evento 200.1 foi concedido, mais uma vez, o prazo de 5 dias para manifestação. Logo, se excesso de prazo existe, está sendo ocasionado pela própria defesa do Paciente. Aliás, sobre o alegado excesso de prazo, cabe destacar que a jurisprudência pátria tem firmado entendimento no sentido de que o prazo para o término da instrução criminal não é absoluto, podendo o Magistrado excedê-lo, com base no princípio da razoabilidade" (e-STJ, fl. 21). Sob tal contexto, embora o recorrente esteja cautelarmente segregado há rês anos, verifica-se que o processo observa trâmite regular, considerando-se sobretudo o próprio procedimento diferenciado dos processos do Júri. Da análise dos autos, observa-se que incidem os enunciados das Súmulas 21 e 52 do STJ: "Pronunciado o réu, fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo da instrução" e "Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo", não havendo razões para superá-las. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO, ROUBO MAJORADO, DESOBEDIÊNCIA E CORRUPÇÃO DE MENORES. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. NÃO OCORRÊNCIA. JÚRI MARCADO. SÚMULAS N. 21, 52 E 64/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Agravante pronunciado em 23/01/2020, pela suposta prática dos crimes previstos no art. 121, § 2.º, inciso VII, na forma do art. 14, inciso II, art. 157, § 2.º, inciso II, art. 157, § 2.º-A, inciso I, c.c. o art. 71 e art. 330, todos do Código Penal, e art. 244-B da Lei n. 8.069/1990, tendo o Juiz Presidente do Tribunal do Júri determinado a inclusão do feito em pauta para julgamento plenário, após apreciar diversas diligências requeridas pela Defesa, que justificam o atraso na submissão do Réu ao Tribunal do Júri. 2. Estando o feito pronto para julgamento plenário e por ter a Defesa contribuído com o atraso, tenho por afastado o excesso de prazo na formação da culpa consoante a inteligência dos Verbetes Sumulares n. 21, 52 e 64 do Superior Tribunal de Justiça. 3. Friso que a prisão preventiva ainda não se revela desproporcional, considerando que o Acusado cumpre pena em outra condenação, bem como as penas em abstrato atribuídas aos crimes imputados na decisão de pronúncia. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC 155.616/CE, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 23/11/2021, DJe 01/12/2021) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO MONOCRÁTICA. HOMICÍDIO. EXCESSO DE PRAZO. PREJUDICIALIDADE. INSTRUÇÃO CRIMINAL ENCERRADA E AGRAVANTE PRONUNCIADO. SITUAÇÃO DE PANDEMIA. REITERAÇÃO DELITIVA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS NRS. 21 E 52 DO STJ. AUSÊNCIA DE DESÍDIA OU INÉRCIA DO PODER JUDICIÁRIO. TRAMITAÇÃO REGULAR DO PROCESSO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A defesa se insurge contra a decisão monocrática desta relatoria que afastou a existência de excesso de prazo na instrução criminal, e recomendou a reanálise da necessidade da prisão e celeridade no julgamento do processo perante o Conselho de Sentença. 2. No particular, o agravante está preso preventivamente e foi pronunciado pela suposta prática do crime de homicídio, ocasião em que sua segregação cautelar foi mantida. 3. Excesso de prazo. Prejudicialidade e inocorrência de desídia. Embora o paciente esteja preso desde janeiro/2018, ele já foi pronunciado e a instrução criminal está encerrada. Trata-se de causa complexa, que envolve prática de crime grave (homicídio). Afere-se que o processo tramitou regularmente, inclusive com a interposição de recurso em sentido estrito, pela defesa, contra a sentença de pronúncia, proferida em 11/3/2019. O recurso em sentido estrito foi julgado em setembro/2019, os autos físicos retornaram à origem em 3/8/2020, e estão aguardando, apenas, a designação de data para realização do julgamento perante o Conselho de Sentença. A calamitosa situação de pandemia pelo Covid-19 protai o andamento da ação penal ante a dificuldade na marcação de atos presenciais - houve necessidade de suspensão dos expedientes forenses, inclusive no Tribunal de Justiça local, onde os autos físicos se encontravam, e é imperioso evitar aglomerações de pessoas, para reduzir a propagação do vírus. Não se verifica a existência de desídia do Poder Público na condução do processo, com a demonstração de procedimento omissivo do magistrado ou da acusação. 4. Ademais, a reiteração do recorrente na prática delitiva impõe a manutenção da sua prisão cautelar. Constam das decisões proferidas pelas instâncias ordinárias, que o recorrente já foi pronunciado por outro homicídio, praticado contra o próprio genitor, e responde a outra ação penal, por ameaça perpetrada em desfavor de sua genitora. 5. Nesse contexto, incidem os enunciados nrs. 21 e 52 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente: "Pronunciado o réu, fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução" e "Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo". 6. Agravo regimental conhecido e não provido. (AgRg no RHC 150.375/BA, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 24/08/2021, DJe 30/08/2021) Ademais, consoante informações prestadas pelo juízo processante a sessão plenária já foi marcada. Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA