HC 1008266 - DECISAO
Os autos do inquérito foram devolvidos ao Ministério Público para formalização da denúncia em 16/6/2025, o que supera a alegação de excesso de prazo; além disso, o habeas corpus tem por escopo proteger a liberdade de locomoção e não é meio adequado para impugnar exclusivamente medidas assecuratórias relativas a...
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- Parties
- Paciente: DANIEL DA SILVA MACHADO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Excesso De Prazo Na Investigação, Constrição Patrimonial, Habeas Corpus, Perda Superveniente Do Objeto
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
DANIEL DA SILVA MACHADO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 excesso de prazo na conclusão do inquérito policial
- 2 adequação do habeas corpus para impugnar medidas assecuratórias
- 3 efeito do oferecimento da denúncia sobre a prevenção do habeas corpus
Ratio Decidendi
Os autos do inquérito foram devolvidos ao Ministério Público para formalização da denúncia em 16/6/2025, o que supera a alegação de excesso de prazo; além disso, o habeas corpus tem por escopo proteger a liberdade de locomoção e não é meio adequado para impugnar exclusivamente medidas assecuratórias relativas a bens, razão pela qual não se conhece do habeas corpus.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Indeferida a liminar
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO DANIEL DA SILVA MACHADO alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que conheceu parcialmente do Habeas Corpus n. 2155962-11.2025.8.26.0000 e denegou-o. Consta dos autos que o paciente teve os bens imóveis sequestrados no âmbito de inquérito policial que apura a suposta prática do crime de lavagem de capitais. A defesa alega, em síntese, que há excesso de prazo para conclusão do inquérito policial e, nesse contexto, a manutenção da constrição patrimonial configura inequívoco constrangimento ilegal. Requer, assim, a concessão da ordem para que sejam determinados o trancamento da investigação policial e a imediata liberação do imóvel rural descrito na petição inicial. Indeferida a liminar (fls. 1.165-1.166), o Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento da impetração (fls. 1.188-1.192). Decido. De acordo com as informações prestadas pelo Juízo de primeiro grau (fls. 1.173-1.182), em 16/6/2025 os autos do inquérito foram devolvidos ao Ministério Público para formalização da denúncia. Assim, como a impetração cinge-se a questionar o alegado excesso de prazo derivado de apontado atraso na conclusão da investigação policial, o oferecimento da peça acusatória torna superada eventual ilegalidade. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. PRISÃO PREVENTIVA. RISCO CONCRETO DE REITERAÇÃO DELITIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. TESE DE EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL. DENÚNCIA OFERECIDA. PEDIDO PREJUDICADO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Hipótese em que o Juízo de primeiro grau, ao converter a prisão em flagrante em preventiva, destacou que o ora Agravante, além de reincidente, ostenta péssimos antecedentes, o que, nos termos da jurisprudência desta Corte, justifica a segregação cautelar para a garantia da ordem pública. Precedentes. 2. Oferecida a denúncia, fica superada a discussão quanto a suposto excesso de prazo para conclusão do inquérito policial. Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 185.393/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023, destaquei.) Assim, em consonância com essa orientação jurisprudencial, impõe-se reconhecer a perda superveniente do objeto desta ação constitucional, nesse particular. Com relação ao pedido de liberação do bem imóvel cautelarmente constrito, observo que a matéria não foi apreciada pelo Tribunal de origem por considerar que se tratava de reiteração de tese anteriormente examinada e rejeitada, inclusive com respaldo deste Superior Tribunal. Logo, o pretendido pronunciamento desta Corte acerca do tema representaria indesejável supressão de instância. De todo modo, anoto que não é possível a utilização de habeas corpus - que se destina à proteção da liberdade humana - para impugnar, de modo exclusivo, a legalidade ou não da manutenção de medidas assecuratórias que não têm relação alguma com a liberdade de locomoção. Repita-se, a liberdade não é ameaçada, no caso, nem sequer indiretamente. Nesse sentido é a jurisprudência desta Corte, da qual destaco o aresto abaixo: Quanto ao pedido de restituição de bens apreendidos, o exame da questão refoge do alcance do habeas corpus, cujo escopo é a proteção do direito de locomoção diante de ameaça ou lesão decorrente de ato ilegal ou praticado com abuso de poder, sendo incabível sua impetração visando direito de natureza diversa da liberdade ambulatorial (AgRg no HC n. 405.543/SC, Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 28/11/2017)" (RHC n. 118.502/MT, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 4/6/2020). E ainda: "Não cabe a concessão de habeas corpus para restituição de bens apreendidos porque o writ visa proteger o direito de liberdade de locomoção. Precedentes" (AgRg no AREsp n. 1082970/GO, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 8/10/2018); "Quanto ao pedido de restituição de bens apreendidos, o exame da questão refoge do alcance do habeas corpus, cujo escopo é a proteção do direito de locomoção diante de ameaça ou lesão decorrente de ato ilegal ou praticado com abuso de poder, sendo incabível sua impetração visando direito de natureza diversa da liberdade ambulatorial" (AgRg no HC n. 405.543/SC, Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 28/11/2017; RHC 118.502/MT, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 26/5/2020, DJe 4/6/2020)" (AgRg no HC n. 645,133/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, DJe 8/3/2021). À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA