HC 944354 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça não conhece do habeas corpus porque as teses de mérito não foram apreciadas pelo colegiado estadual; conhecer implicaria habeas corpus per saltum e supressão de instância, violando o duplo grau de jurisdição e ausentando ato imputável à autoridade indicada como coatora.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: MOACIR LOPES DE FARIA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento Pelo STJ
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Excesso De Prazo Para Formação Da Culpa, Apreensão De Bens, Habeas Corpus Per Saltum, Duplo Grau De Jurisdição
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MOACIR LOPES DE FARIA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 excesso de prazo para formação da culpa no inquérito policial (3 anos e 6 meses)
- 2 restituição de semirreboques apreendidos
- 3 alegação de atipicidade por retroação do art. 311 do CP após lei 14.562/2023
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça não conhece do habeas corpus porque as teses de mérito não foram apreciadas pelo colegiado estadual; conhecer implicaria habeas corpus per saltum e supressão de instância, violando o duplo grau de jurisdição e ausentando ato imputável à autoridade indicada como coatora.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Liminar indeferida
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de MOACIR LOPES DE FARIA no qual se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (HC n. 1.0000.23.195234-2/000). Depreende-se dos autos que foi instaurado inquérito policial para apurar a prática pelo paciente do suposto crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor, descrito no art. 311 do Código Penal, razão pela qual foram apreendidos alguns semirreboques de sua propriedade. Impetrado habeas corpus na origem, da ordem não se conheceu. Recebeu o acórdão esta ementa (e-STJ fl. 11): HABEAS CORPUS - REITERAÇÃO DE IMPETRAÇÃO ANTERIOR - NÃO CONHECIMENTO. 1. Em se tratando de mera reiteração de pedido anterior já enfrentado à exaustão por ocasião de seu julgamento, não se conhece do habeas corpus(Súmula n.º 54 do TJMG). 2. Writ não conhecido. Neste writ, a defesa alega excesso de prazo para a formação da culpa, já que o inquérito policial perdura por 3 anos e 6 meses, sem apresentar nenhuma conclusão. Ressalta não haver "COMPLEXIDADE MORMENTE OS SEMIRREBOQUES JÁ TEREM SIDO OBJETO DE PERÍCIA ANTERIORMENTE, além da investigação ser dirigida única e tão somente em desfavor do paciente, que tem endereço fixo e trabalho lícito" (e-STJ fl. 5). Pontua que, "mesmo que se admita alguma adulteração, se trata de conduta atípica, eis que anterior a alteração promovida no artigo 311 do CP pela lei 14.562/2023, sendo vedado retroagir uma norma em prejuízo do réu (artigo 5º, XL da CRFB/88)", e-STJ fl. 5. Destaca que o paciente é idoso e necessita dos semirreboques como complemento da renda de sua aposentadoria. No entanto, encontra-se impedido de trabalhar, haja vista que o inquérito policial instaurado em seu desfavor não chegou ao fim. Por fim, sustenta ausência de prestação jurisdicional, uma vez que "o TJMG não conheceu do habeas corpus, por dizer se tratar do mesmo fato discutido no habeas corpus n.º 1.0000.21.262172-6/000", porém, "no referido habeas corpus pleiteou-se a atipicidade da conduta diante da ausência de previsão legal, ao passo que neste habeas corpus a matéria diz respeito ao excesso de prazo para formação da culpa" (e-STJ fl. 8). Diante disso, requer (e-STJ fls. 9/10): Liminarmente. A restituição dos semirreboques: placa QXE 8J03, Pará de Minas/MG, chassi: 94BA135344V005151, RENAVAM: 01216759917, marca/modelo SR/FACCHINI SRF CA, ano/modelo 2004/2004, cor branca, categoria aluguel, e;placa QXE 8J05, Pará de Minas/MG, chassi: 94BA135344V005152, RENAVAM: 01216767359, marca/modelo SR/FACCHINI SRF CA, ano/modelo 2004/2004, cor branca, categoria aluguel. Mérito. O trancamento do inquérito policial em razão do excesso de prazo para formação da culpa. Considerando que o TJMG não analisou a matéria de mérito objeto do presente habeas corpus, requer: O retorno dos autos ao TJMG para que análise o mérito do habeas corpus. A concessão da ordem ex offício por este STJ. Liminar indeferida (e-STJ fls. 163/165). Informações prestadas (e-STJ fls. 170/193 e 199/219). O Ministério Público Federal manifestou-se "pelo não conhecimento do writ, mas com recomendação, para que sejam concluídas as diligências pendentes no IPL em análise, com a maior brevidade possível" (e-STJ fl. 227). É o relatório. Decido. No caso, as teses ora apresentadas não foram apreciadas pelo colegiado estadual. Assim, o Superior Tribunal de Justiça não pode delas conhecer, sob pena de configuração do chamado habeas corpus per saltum, a ensejar verdadeira supressão de instância e violação aos princípios do duplo grau de jurisdição e do devido processo legal substancial. Adequado à espécie, nessa perspectiva, o ensinamento de Renato Brasileiro que, ao apreciar a matéria, destacou a inviabilidade do "pedido de julgamento de habeas corpus per saltum, ou seja, do julgamento do remédio heroico pelas instâncias superiores sem prévia provocação das instâncias inferiores acerca do constrangimento ilegal à liberdade de locomoção, sob pena de verdadeira supressão de instância e consequente violação do princípio do duplo grau de jurisdição" (LIMA, Renato Brasileiro. Manual de processo penal: volume único - 4. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016, p. 2.470). Diante desse cenário, ante a falta de manifestação do colegiado local, evidente a incompetência desta Casa para o processamento e julgamento deste remédio constitucional, porquanto ausente ato a ser imputado à autoridade apontada como coatora. Ao ensejo: PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. SENTENÇA CONDENATÓRIA. NEGATIVA DO DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. REITERAÇÃO DELITIVA, E NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA. ILEGALIDADE. NÃO CONFIGURADA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA PARTE, IMPROVIDO. 1. Matéria não apreciada pelo Tribunal a quo, também não pode ser objeto de análise nesta Superior Corte, sob pena de indevida supressão de instância. .. 3. Recurso em habeas corpus parcialmente conhecido, e, nesta parte, improvido. (RHC n. 68.025/MG, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 17/5/2016, DJe 25/5/2016, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. PRISÃO PREVENTIVA. REVOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. SUBSTITUIÇÃO POR MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. NÃO CABIMENTO. APREENSÃO DE EXPRESSIVA QUANTIDADE DE DROGAS. MODUS OPERANDI. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. CONVERSÃO DO FLAGRANTE EM PREVENTIVA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 6. O exame pelo Superior Tribunal de Justiça de matéria que não foi apreciada pelas instâncias ordinárias enseja indevida supressão de instância, com explícita violação da competência originária para o julgamento de habeas corpus (art. 105, I, c, da Constituição Federal). 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 745.943/SE, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022, grifei.) Ante todo o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA