AREsp 1847377 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, quanto à alegação de cerceamento de fundamentação (arts. 489 e 1.022 do CPC), assentou-se que o acórdão de origem apresentou fundamentação suficiente e não incorreu em omissão; no mérito, o Tribunal de origem decidiu com base em entendimento constitucional consolidado pelo STF (Tema 69) e...
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- Parties
- Recorrente: União (Fazenda Nacional)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Interlocutória (conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Parcial)
- Outcome
- Conheço do Agravo; conheço parcialmente do Recurso Especial apenas quanto às alegações relativas aos arts. 489 e 1.022 do CPC, e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Exclusão Do ICMS Da Base De Cálculo Do Pis/cofins, Tema 69 Do STF, Admissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Das Decisões Judiciais
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Parties
União (Fazenda Nacional)
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Interlocutória (conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Parcial)
Legal Issues
- 1 se o ICMS destacado nas notas fiscais compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS
- 2 aplicação da tese do Tema 69 do STF aos períodos posteriores à Lei 12.973/2014
- 3 se o acórdão de origem incorreu em violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC por falta de fundamentação
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, quanto à alegação de cerceamento de fundamentação (arts. 489 e 1.022 do CPC), assentou-se que o acórdão de origem apresentou fundamentação suficiente e não incorreu em omissão; no mérito, o Tribunal de origem decidiu com base em entendimento constitucional consolidado pelo STF (Tema 69) e pela Arguição de Inconstitucionalidade relativa às alterações da Lei 12.973/2014, razão pela qual a matéria, de caráter eminentemente constitucional, é inviável de exame em Recurso Especial destinado à uniformização da legislação infraconstitucional, devendo o recurso ser negado no ponto conhecido.
Court Disposition
Conheço do Agravo; conheço parcialmente do Recurso Especial apenas quanto às alegações relativas aos arts. 489 e 1.022 do CPC, e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Conheço do Agravo em Recurso Especial.
- Conheço parcialmente do Recurso Especial apenas quanto à violação apontada aos arts. 489 e 1.022 do CPC, e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo em Recurso Especial contra decisão que não admitiu o Recurso Especialinterposto pela União (Fazenda Nacional), fundamentado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, visando à reforma do acórdão assim ementado (fl. 141, e-STJ): TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS. TEMA 69 DO STF. LEIS 9.718/1998 E 12.973/2014. 1. Nos termos do enunciado do Tema 69 - STF, o ICMS destacado nas notas fiscais não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS. 2. A tese jurídica advinda do julgamento do RE 574.706 aplica- se inclusive aos pagamentos efetuados sob a égide da Lei 12.973/2014 (TRF4, Arguição de Inconstitucionalidade n. 5051557-64.2015.404.0000). Os Embargos Declaratórios foram rejeitados. Nas razões recursais, a recorrente apontou ofensa ao art 1.022, II, parágrafo único, II, c/c o art. 489, § 1º, V, ambos do Código de Processo Civil; e, no mérito, ofensa aos arts. 13, § 1º, I, 19 e 20 da Lei Complementar 87/1996, 1º da Lei 10.637/2002, 1º da 10.833/2002, 2º da Lei 9.715/1998e 2º da Lei Complementar 70/1991. Afirma: Da exegese dos dispositivos legais supratranscritos, pode-se concluir que o ICMS que se deve excluir da base de cálculo do PIS e COFINS corresponde à parcela do ICMS a ser pago, isto é, à parcela do ICMS a recolher para a Fazenda Pública dos Estados ou do Distrito Federal, também chamado ICMS escritural, razão porque ao definir como critério para exclusão o ICMS destacado das notas fiscais, o v. acórdão regional violou os dispositivos legais supratranscritos (fl. 211, e-STJ). Foram apresentadas contrarrazões às fls. 231-242, e-STJ. Decisão de inadmissibilidade (fls. 260-262, e-STJ), o que ensejou o presente Agravo em Recurso Especial. Contraminuta às fls. 305-313, e-STJ. É o relatório. Decido Os autos foram recebidos nesse Gabinete em 9.8.2021. Em relação aos arts. 1.022, II, e parágrafo único, II, c/c 489, § 1º, V, ambos do CPC/2015, deve-se ressaltar que o acórdão de origem não incorreu em qualquer vício, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente. Vale ressaltar, ainda, que não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, REsp 1.666.265/MG, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 21.3.2018; REsp 1.667.456/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 18.12.2017; REsp 1.696.273/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19.12.2017. Verifico que, em verdade, a parte recorrente busca rediscutir os fundamentos em que se baseou o Tribunal de origem. Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos ou apreciar todos os dispositivos de lei invocados pelas partes quando, por outros meios que lhe sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.575.315/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10.6.2020; REsp 1.719.219/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23.5.2018; AgInt no REsp 1.757.501/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3.5.2019; AgInt no REsp 1.609.851/RR, Rel. MinistraRegina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 14.8.2018. In casu, o Tribunal decidiu consoante os seguintes fundamentos (fls. 136-138, e-STJ): Ao apreciar o Tema 69 da Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal assentou o entendimento no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". (..) Por outro lado, pendia de análise pela Corte Especial desta Corte o Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade n.º 5051557- 64.2015.404.0000, suscitado em face das alterações promovidas na legislação de regência do PIS/COFINS pela Lei n. 12.973/2014 (artigo 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, artigo 1º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 1º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003). No julgamento da mencionada Arguição de Inconstitucionalidade, realizado na sessão de 27-07-2018, prevaleceu o entendimento de que "ainda que as supervenientes mudanças legislativas, ocorridas com a conversão da Medida Provisória nº 627/2013 na Lei nº 12.973/2014, dando nova redação aos dispositivos legais questionados nos presentes autos (artigo 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, artigo 1º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 1º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003), não tenham integrado a pretensão recursal inicial, certo que tais mudanças foram levadas em conta em diversas passagens quando do julgamento da tese ocorrido em março de 2017, posterior, portanto, ao advento da lei nova". Portanto, em face do decidido pela Corte Especial e considerando o comando insculpido no art. 926 do CPC - segundo o qual os Tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente -, o entendimento assentado pelo STF no Tema 69 deve ser aplicado inclusive ao período posterior às alterações promovidas pela Lei n.º 12.973/2014. Assim, impõe-se autorizar a parte autora a excluir da base de cálculo do PIS/COFINS o ICMS destacado nas notas scais de saída das mercadorias do seu estabelecimento, a m de, ajustada a nova base de cálculo, apurar o valor do indébito. Nesse sentido, inclusive, foi a manifestação da Ministra Cármen Lúcia por ocasião do julgamento do RE nº 574.706: (..) Assim, o apelo da União deve ser improvido, no ponto. Com efeito, verifica-se que a controvérsia foi dirimida, pelo Tribunal de origem, sob enfoque eminentemente constitucional, competindo ao Supremo Tribunal Federal eventual reforma do acórdão recorrido, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da Constituição Federal. Dessa forma, é inviável o exame da insurgência, tal como posta, em Recurso Especial, que se restringe à uniformização da legislação infraconstitucional. Ilustrativamente: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. REAJUSTE DE VANTAGEM PESSOAL INCORPORADA JULGAMENTO EXTRA PETITA. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ESTRITAMENTE CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DO APELO NOBRE. 1. Não ocorre julgamento extra petita quando o juiz aplica o direito ao caso concreto com base em fundamentos diversos dos apresentados pela parte. Não há falar, assim, em violação dos arts. 128 e 460 do CPC/1973. 2. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia à luz de fundamento eminentemente constitucional (art. 37, XIII, da Constituição Federal), circunstância que torna inviável o exame da matéria em sede de recurso especial. 3. Agravo interno não provido. (STJ, AgInt no REsp 1.478.367/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 14/03/2018) Ante o exposto, conheço do Agravo, para conhecer parcialmente do Recurso Especial apenas quanto à violação apontada aos arts. 489 e 1.022 do CPC, e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.