AREsp 2548386 - DECISAO
Conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial, por inadequação da via recursal: o Tribunal de origem exerceu juízo de conformidade ao aplicar tese repetitiva do STJ ao caso concreto, o que torna inviável a interposição de recurso especial para rediscussão da matéria, conforme art. 1.042 do CPC/2015 e...
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- Parties
- Agravante: ANTÔNIO ROBERTO SCHEFER e OUTROS; Agravada: FAZENDA PÚBLICA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Execução De Sentença Contra a Fazenda Pública, Diferenças Vencimentais De Servidor Público, Correção Monetária E Juros, Sistema De Recursos Repetitivos, Aplicação Do Tema 905, Taxa SELIC, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
ANTÔNIO ROBERTO SCHEFER e OUTROS
Agravante
FAZENDA PÚBLICA
Agravada
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial contra acórdão que aplica precedentes repetitivos
- 2 incidência da taxa SELIC para remuneração do capital e compensação da mora após EC 113/2021
- 3 controvérsia sobre se a SELIC reflete perdas inflacionárias e pode ensejar enriquecimento ilícito do ente público
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial, por inadequação da via recursal: o Tribunal de origem exerceu juízo de conformidade ao aplicar tese repetitiva do STJ ao caso concreto, o que torna inviável a interposição de recurso especial para rediscussão da matéria, conforme art. 1.042 do CPC/2015 e precedentes desta Corte.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que inadmitiu o recurso especial no qual ANTÔNIO ROBERTO SCHEFER e OUTROS se insurgiram, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal (CF), contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (fl. 723): ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. SERVIDOR PÚBLICO. DIFERENÇAS VENCIMENTAIS. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. 1. Por se tratar de diferenças vencimentais devidas a servidor público, aplica-se os critérios previstos no item 3.1.1 do Tema 905 do STJ, que, em relação às condenações referentes a servidores públicos, como é o caso dos autos, assim estabeleceu: "As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E." 2. A partir da vigência da Emenda Constitucional nº 113/2021, deve ser utilizado o índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para os fins de remuneração do capital e de compensação da mora. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 757/760). Nas razões de seu recurso especial, a parte ora agravante aponta violação dos arts. 884 e 885 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que: "a taxa SELIC não deve ser aplicada para correção monetária e compensação de mora do crédito em face da Fazenda Pública discutido na origem e as respectivas requisições de pagamento, uma vez que referido critério não é capaz de refletir as perdas inflacionárias, o que implica em enriquecimento ilícito por parte do poder público" (fl. 780). A parte ora agravada apresentou as contrarrazões (fls. 806/814). O Tribunal de origem não admitiu o recurso especial em razão de ser incabível a interposição de recurso especial ou extraordinário contra o julgamento que aplica a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos (fls. 830/832). É o relatório. O recurso especial não merece conhecimento. Observo que a insurgência foi apresentada já em juízo de conformação da manifestação da Corte de origem sobre a controvérsia, à luz de julgados de natureza repetitiva do Superior Tribunal de Justiça. Esse novo acórdão, que apenas aplica a tese repetitiva ao caso concreto, não é oponível por recurso especial, revelando a inadequação da via eleita na espécie. A propósito, cito precedentes: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE REPETITIVA FIRMADA POR ESTA CORTE (TEMA 515). REDISCUSSÃO. NÃO CABIMENTO. 1. O Tribunal de origem, ao exercer o juízo de conformidade e aplicar a tese repetitiva ao caso concreto, o faz em caráter definitivo, de modo que se torna inviável a interposição de qualquer outro recurso com o fim de rediscussão da matéria, sob pena de ineficácia do instituto implantado pela Lei n. 11.672/2008. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.185.610/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 23/4/2019, DJe de 25/4/2019.) ADMINISTRATIVO. PENSÃO POR MORTE. FILHA SOLTEIRA MAIOR DE 21 ANOS E NÃO OCUPANTE DE CARGO PÚBLICO PERMANENTE. DIREITO AO BENEFÍCIO. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. REQUISITO NÃO PREVISTO EM LEI. PARTE DO RECURSO ESPECIAL NÃO ADMITIDA NA ORIGEM PORQUE AS MATÉRIAS FORAM JULGADAS SEGUNDO O RITO DO ART. 543-C DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF. REQUISITO NÃO PREVISTO NA LEI N. 3.373/1958. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRECEDENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83 DO STJ. .. . III - Preliminarmente, cumpre destacar que a decisão recorrida foi publicada em data posterior a 17 de março de 2016, sendo plenamente aplicável, segundo o Enunciado Administrativo n. 3 do Plenário do STJ, o art. 1.042 do Código de Processo Civil de 2015, que estabelece não ser cabível a interposição de agravo contra a decisão que não admite o recurso especial, quando a matéria, nele discutida, tiver sido decidida pelo Tribunal de origem em conformidade com precedente firmado por esta Corte sob o rito do art. 1.036 do CPC/2015 (art. 543-C do CPC/73). IV - Desse modo, não se afigura possível a apresentação de qualquer outro recurso a esta Corte Superior contra tal decisão, porque incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador da sistemática dos recursos representativos de controvérsia, instituída pela Lei n. 11.672/2008. Nesse sentido: AREsp 959.991/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 16/8/2016, DJe 26/8/2016. .. . IX - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.746.355/CE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 31/5/2021, DJe de 2/6/2021.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA