REsp 2111033 - ACORDAO
Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC porque o Tribunal de origem apreciou a lide; as questões jurídicas apontadas não foram efetivamente apreciadas pelo tribunal a quo, faltando prequestionamento exigido para conhecimento do recurso especial (Súmula 211/STJ); e a multa prevista no art. 1.026, §2º, foi aplicada com...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Segunda Turma (sessão Virtual 14/05/2024 a 20/05/2024)
- Outcome
- Agravo Interno não provido
- Legal Topics
- Execução De Título Judicial Contra a Fazenda Pública, Preclusão, Prequestionamento, Aplicação Do Cpc/1973 Vs Cpc/2015, Multa Por Embargos De Declaração, Súmula 211/stj, Súmula 7/stj
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Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Segunda Turma (sessão Virtual 14/05/2024 a 20/05/2024)
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 1.022 do CPC
- 2 requisito do prequestionamento e Súmula 211/STJ
- 3 aplicação do CPC/1973 e preclusão pro judicato
Ratio Decidendi
Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC porque o Tribunal de origem apreciou a lide; as questões jurídicas apontadas não foram efetivamente apreciadas pelo tribunal a quo, faltando prequestionamento exigido para conhecimento do recurso especial (Súmula 211/STJ); e a multa prevista no art. 1.026, §2º, foi aplicada com base em prova dos autos, de modo que a revisão demandaria reexame factual, vedado pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o Agravo Interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo Interno não provido
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno
- Manter a decisão do Tribunal de origem pelos seus próprios fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 14/05/2024 a 20/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC NÃO CONFIGURADA. INSTITUTO DA PRECLUSÃO. APLICAÇÃO DO CPC/1973. MATÉRIAS NÃO PREQUESTIONADAS. SÚMULA 211/STJ. MULTA ART. 1.026, § 2º, DO CPC. SÚMULA 7/STJ. 1. Constata-se que não se configura a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 2. Quanto à matéria de mérito, observa-se que o Tribunal a quo não emitiu juízo de valor sobre as questões jurídicas levantadas em torno dos dispositivos legais supostamente violados. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 3. No que concerne à multa, o Tribunal a quo consignou ao julgar os Embargos de Declaração (fls. 135-139, e-STJ): "Portanto, considerando que a parte embargante opôs os presentes aclaratórios com intuito meramente protelatório, por mera irresignação com o julgamento contrário aos seus interesses e objetivando postergar o trânsito em julgado, é de se aplicar multa de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, conforme previsão do art. 1026, §2º, do CPC.". Verifica-se que a Corte local baseou seu entendimento nas provas carreadas aos autos. Assim, acolher a tese defendida pelos recorrentes somente é possível mediante a revisão do acervo fático-probatório da causa, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ. 4. Agravo Interno não provido.
RELATÓRIO Cuida-se de Agravo Interno contra decisão monocrática (fls. 246-249, e-STJ) que conheceu parcialmente do Recurso e negou-lhe provimento. A parte agravante alega, em suma (fls. 253-259, e-STJ): Comrelação ao óbice da Súmula n.º 07 do STJ, na verdade, o questionamento trazido à análise desta Corte Especial é eminentemente de direito: atese central levantada pela parte recorrente é quanto a necessária observância da parte final do art.14 do CPC/15 cumulado com o art. 1046, §1º do CPC/15 para fins de aplicação da sucumbência, notadamente em razão da existência de atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada (CPC 1973). (..) Tais pontos, (i) de existência de preclusão pro judicato quanto à decisão de recebimento e processamento do feito executivo e dos embargos pelo CPC/1973 e (ii) de observância da regra do art.1046, §1º, do CPC/2015, independe da (re) análise de provas, bastando apenas a aferição da cronologia /datas dos atos processuais realizados para a aplicação da norma processual competente. (..) Além disso, o conhecimento e julgamento do apelo especial quanto à (in) aplicabilidade da multa do art.1.026, §2º do Código de Processo Civil não passa pela análise do acervo fático-probatório. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC NÃO CONFIGURADA. INSTITUTO DA PRECLUSÃO. APLICAÇÃO DO CPC/1973. MATÉRIAS NÃO PREQUESTIONADAS. SÚMULA 211/STJ. MULTA ART. 1.026, § 2º, DO CPC. SÚMULA 7/STJ. 1. Constata-se que não se configura a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 2. Quanto à matéria de mérito, observa-se que o Tribunal a quo não emitiu juízo de valor sobre as questões jurídicas levantadas em torno dos dispositivos legais supostamente violados. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 3. No que concerne à multa, o Tribunal a quo consignou ao julgar os Embargos de Declaração (fls. 135-139, e-STJ): "Portanto, considerando que a parte embargante opôs os presentes aclaratórios com intuito meramente protelatório, por mera irresignação com o julgamento contrário aos seus interesses e objetivando postergar o trânsito em julgado, é de se aplicar multa de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, conforme previsão do art. 1026, §2º, do CPC.". Verifica-se que a Corte local baseou seu entendimento nas provas carreadas aos autos. Assim, acolher a tese defendida pelos recorrentes somente é possível mediante a revisão do acervo fático-probatório da causa, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ. 4. Agravo Interno não provido. VOTO Os autos foram recebidos neste Gabinete em 16.4.2024. Conforme consta na decisão agravada, constata-se que não se configura a ofensa ao art. 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 1.486.330/PR, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 24.2.2015; AgRg no AREsp 694.344/RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 2.6.2015; EDcl no AgRg nos EAREsp 436.467/SP, Rel. Min. João Otávio De Noronha, Corte Especial, DJe 27.5.2015. Dessarte, não se trata de omissão, contradição ou obscuridade, tampouco de correção de erro material, mas sim de inconformismo direto com o resultado do julgamento, que foi contrário aos interesses dos ora recorrentes. Ressalte-se que o mero descontentamento com o conteúdo da decisão não enseja Embargos Declaratórios, recurso que se presta tão somente a sanar os vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015, pertinentes à análise dos temas trazidos à tutela jurisdicional no momento processual oportuno. Ademais, para que o Recurso Especial possa ser examinado por esta Corte Superior, a matéria controvertida deverá ter sido apreciada ao menos implicitamente na origem. A obrigatoriedade do prequestionamento da questão a ser debatida e decidida no STJ é exigência do ordenamento jurídico. Além disso, para que as diretrizes previstas no art. 1.025 do CPC sejam aplicadas, é indispensável que o aresto recorrido contenha erro, omissão, contradição ou obscuridade - o que não é o caso dos presentes autos. Confiram-se: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONCESSÃO ESPECIAL DE USO PARA FINS DE MORADIA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DO DISPOSITIVO DE LEI INVOCADO. NÃO VERIFICAÇÃO POR ESTA CORTE DE ERRO, OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO VERGASTADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. OPOSIÇÃO AO EXERCÍCIO DA POSSE CONSTATADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.1. Cuida-se de ação ordinária ajuizada pela recorrente com o objetivo de concessão de uso especial de imóvel para moradia.2. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida.3. Quando a questão levantada não foi discutida pelo Tribunal de Origem e não foi verificada por esta Corte existência de erro, omissão, contradição ou obscuridade não cabe prequestionamento da matéria, nos termos do art. 1.025 do CPC, incidindo na espécie o enunciado da Súmula 211/STJ.3. Não configura contradição afirmar a falta de prequestionamento e afastar indicação de afronta ao art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, uma vez que é perfeitamente possível o julgado se encontrar devidamente fundamentado sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitos jurídicos desejados pela postulante, pois a tal não está obrigado.4. In casu , tendo o Tribunal de origem, soberano na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, apreciado a controvérsia acerca da inexistência de posse mansa e pacífica, a partir de argumentos de natureza eminentemente fática, não há como aferir eventual violação de dispositivo legal sem que se reexamine o conjunto probatório dos presentes autos, tarefa que, além de escapar da função constitucional deste Tribunal, encontra óbice na Súmula 7 do STJ, cuja incidência é induvidosa no caso sob exame. Agravo interno improvido.(AgInt no AR Esp 844.804/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 15/4/2016) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ART. 884 DO CÓDIGO CIVIL. VIOLAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ.1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede seu conhecimento, a teor da Súmula nº 211 do Superior Tribunal de Justiça.2. Se a questão levantada não foi discutida pelo tribunal de origem e não verificada, nesta Corte, a existência de erro, omissão, contradição ou obscuridade não há falar em prequestionamento ficto da matéria, nos termos do art. 1.025 do CPC/2015, incidindo na espécie a Súmula nº 211/STJ.3. Agravo interno não provido.(AgInt no AREsp 562.067/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 23/3/2017) Logo, quanto a matéria de mérito, observa-se que o Tribunal a quo não emitiu juízo de valor sobre as questões jurídicas levantadas em torno dos dispositivos legais supostamente violados. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. Por fim, no tocante à multa, o Tribunal a quo consignou, ao julgar os Embargos de Declaração (fls. 135-139, e-STJ): Ademais, há que ser afastada a tese de que opôs os presentes embargos de declaração apenas para fins de pré-questionamento e interposição de recursos a instâncias superiores, uma vez que tanto no acórdão do agravo de instrumento quanto no acórdão dos primeiros embargos de declaração ficou expressamente consignado que todos os dispositivos legais invocados pelas partes nas razões e contrarrazões estavam prequestionados. Portanto, considerando que a parte embargante opôs os presentes aclaratórios com intuito meramente protelatório, por mera irresignação com o julgamento contrário aos seus interesses e objetivando postergar o trânsito em julgado, é de se aplicar multa de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, conforme previsão do art. 1026, §2º, do CPC. Posto isso, ante a ausência de vícios no julgado, é de se rejeitar os embargos de declaração, mantendo-se a decisão colegiada pelos próprios fundamentos. Verifica-se que a Corte local baseou seu entendimento nas provas carreadas aos autos. Assim, acolher a tese defendida pelos recorrentes somente é possível mediante revisão do acervo fático-probatório da causa, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ. Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada, prof erida com fundamentos suficientes e em consonância com entendimento pacífico deste Tribunal, não há prover o Agravo Interno que contra ela se insurge. Diante do exposto, nego provimento ao Agravo Interno. É o Voto.