AREsp 2534331 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a recorrente não comprovou filiação ao sindicato autor da ação coletiva na data da propositura (2005), requisito necessário para ser beneficiária da coisa julgada coletiva conforme o precedente do STF (RE 612043), além de estar vinculada a...
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- Parties
- Agravante: ROSANGELA FREIRE COELHO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Execução Individual De Sentença Coletiva, Legitimidade Para Execução, Substituição Processual Por Sindicato, Coisa Julgada, Repercussão Geral
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Parties
ROSANGELA FREIRE COELHO DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 necessidade de comprovação de filiação ao sindicato autor da ação coletiva para que se beneficie da coisa julgada
- 2 ilegitimidade para execução por servidor vinculado a sindicato diverso daquele autor da ação coletiva
- 3 alegação de omissão do acórdão quanto à preclusão da legitimidade
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a recorrente não comprovou filiação ao sindicato autor da ação coletiva na data da propositura (2005), requisito necessário para ser beneficiária da coisa julgada coletiva conforme o precedente do STF (RE 612043), além de estar vinculada a sindicato diverso, o que afasta sua legitimidade para execução individual da sentença coletiva; não houve omissão no acórdão recorrido.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Declaratórios rejeitados.
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ROSANGELA FREIRE COELHO DA SILVA contra decisão que não admitiu recurso especial para desafiar acórdão assim ementado (e-STJ fls. 378/379): APELAÇÃO. DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA PROFERIDA EM AÇÃO ORDINÁRIA AJUIZADA PELO SINDICATO DOS TRABALHADORES NO SERVIÇO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO (SINTSEP). URV. ILEGITIMIDADE RECONHECIDA. PRECEDENTE DO STF NO RE 612043/RS NO QUAL DEFINIDA TESE DE NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE CONDIÇÃO DE FILIADO POR MEIO DE JUNTADA DE RELAÇÃO À INICIAL DO PROCESSO DE CONHECIMENTO. SENTENÇA MANTIDA. APELO CONHECIDO E DESPROVIDO. UNANIMIDADE. I. Execução individual de sentença proferida em ação coletiva promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado do Maranhão (SINTSEP). II. Precedente do Supremo Tribunal Federal no RE 612043/PR no qual fora fixada a seguinte tese jurídica: A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa dos interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o sejam em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes de relação juntada à inicial do processo de conhecimento. III. Não restam dúvidas que o sindicato, autor da ação coletiva, na qual foi proferida sentença que se busca execução, é uma associação civil, que atuou como substituta processual dos filiados, na forma do art. 5º, XXI e art. 8º, III, ambos da Constituição da República e nessa medida, conforme entendimento esposado no Recurso Extraordinário com repercussão geral demonstrada acima mencionado, necessária se faz a comprovação de que a apelante, para que possa se beneficiar da coisa julgada, demonstre sua filiação ao SINTSEP/MA. IV. Na singularidade do caso, a apelante integra carreira vinculada a outro sindicato, qual seja, o SINDSAUDE, ao passo que a ação coletiva, objeto de execução foi movida pelo SINTSEP/MA, que abrange todos os servidores públicos estaduais que não integram um sindicato específico, sendo esse o caso dos servidores da administração em geral, vez que não possuem um sindicato próprio, situação diversa a que ostenta a recorrente. V. Sentença mantida. VI. Apelo conhecido e desprovido. Unanimidade. Declaratórios rejeitados. No especial obstaculizado, a parte recorrente sustenta violação dos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, II, do CPC/2015, porque o aresto atacado foi omisso "SOBRE A PRECLUSÃO DA LEGITIMIDADE e DESNECESSIDADE DE FILIAÇÃO AO TEMPO DA AÇÃO COLETIVA, VEZ QUE A PARTE RECORRENTE JÁ TEVE SEU CRÉDITO INDIVIDUALIZADO E HOMOLOGADO EM LIQUIDAÇÃO, MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO PARA AFERIR A MATÉRIA, E NÃO SE TRATA DE AÇÃO PROPOSTA POR ASSOCIAÇÃO, MAS SINDICATO EM SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL, INDEPENDENTE DE FILIAÇÃO DO EXEQUENTE." Contrarrazões apresentadas. Passo a decidir. O bserva-se que a irresignação recursal não merece prosperar. Em relação à alegada ofensa ao art. 1.022, I, do CPC/2015, cumpre destacar que, ainda que o recorrente considere insubsistente ou incorreta a fundamentação utilizada pelo Tribunal nos julgamentos realizados, não há necessariamente ausência de manifestação, também não há como confundir o resultado desfavorável ao litigante com a falta de fundamentação, motivo pelo qual não se vislumbra violação do preceito apontado. Consoante entendimento desta Corte, o magistrado não está obrigado a responder a todas as alegações das partes, tampouco a rebater um a um todos os seus argumentos, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como ocorre na espécie. Nesse sentido: IPVA. NÃO CONFIGURADA VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 283 DO STF. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE VEÍCULO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO CREDOR FIDUCIÁRIO. CONTROVÉRSIA DIRIMIDA COM ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO DISTRITAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 280/STF. LEI LOCAL. ILEGITIMIDADE ATIVA DO DISTRITO FEDERAL. REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. MULTA DO ART. 1026 DO CPC/2015. 1. Inicialmente, em relação aos arts. 141 e 1022 do CPC, deve-se ressaltar que o acórdão recorrido não incorreu em omissão, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente. Vale destacar, ainda, que não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. .. (REsp 1.671.609/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 30/06/2017). Nesse contexto, mostra-se pertinente a transcrição do excerto do julgado exarado pelo Tribunal a quo, em que a questão foi expressamente resolvida. Confira-se (e-STJ fls. 383/385): Na singularidade do caso, a apelante integra carreira vinculada a outro sindicato, qual seja, o SINDSAUDEMA, ao passo que a ação coletiva, objeto de execução foi movida pelo SINTSEP/MA, que abrange todos os servidores públicos estaduais que não integram um sindicato específico, sendo esse o caso dos servidores da administração em geral, vez que não possuem um sindicato próprio, situação diversa a que ostentam a recorrente. Sobre a natureza jurídica do sindicato, princípio da unicidade sindical e funções sindicais, importante destacar os ensinamentos do Ministro do TST Maurício Godinho Delgado: .. Desse modo, cada categoria é representada por um sindicato específico e nessa medida, sendo a recorrente agente administrativa lotada na secretaria estadual de saúde não pode se beneficiar de sentença proferida em ação coletiva movida por entidade sindical diversa. .. Caberia assim, ao SINDSAUDEMA promover as providências judiciais necessária para obter em juízo decisão favorável a pretensão da recorrente, o que não ocorreu. Sobre a defesa dos interesses e direitos da categoria pelo sindicato o eminente constitucionalista José Afonso da Silva comenta o seguinte: .. De outro giro, no Recurso Extraordinário nº 612043/PR com reconhecimento de repercussão geral o Supremo Tribunal Federal discutiu-se a extensão dos efeitos de sentença prolatada em ação coletiva submetida ao rito ordinário, ajuizada por entidade associativa de caráter civil, tendo sido fixada a seguinte tese: A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa dos interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o sejam em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes de relação juntada à inicial do processo de conhecimento. (Grifei). Não restam dúvidas que o sindicato, autor da ação coletiva, na qual foi proferida sentença que se busca execução, é uma associação civil, que atuou como substituta processual dos filiados, na forma do art. 5º, XXI e art. 8º, III, ambos da Constituição da República e nessa medida, conforme entendimento esposado no Recurso Extraordinário com repercussão geral demonstrada acima mencionado. No entanto, na hipótese, a recorrente não demonstrou, para que pudesse se beneficiar da coisa julgada, sua filiação ao SINTSEP em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, ou seja, 2005 - data da distribuição da ação ordinária coletiva, devendo ser confirmada a falta da condição da execução, qual seja, a legitimidade. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA