REsp 1858195 - DECISAO
O recurso foi conhecido em parte e provido somente quanto à necessidade de prévia liquidação da sentença coletiva, em razão de divergência com o entendimento consolidado na Segunda Seção (EREsp 1.705.018/DF) que exige liquidação para definir titularidade e montante, preservando ampla defesa; os demais fundamentos do...
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- Parties
- Recorrente: BANCO DO BRASIL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Conhecimento Em Parte E Provimento Parcial
- Outcome
- Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, parcialmente provido
- Legal Topics
- Execução Individual De Sentença Coletiva, Liquidação De Sentença, Juros Moratórios, Legitimidade Ativa, Competência Jurisdicional, Prescrição
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Parties
BANCO DO BRASIL S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Conhecimento Em Parte E Provimento Parcial
Legal Issues
- 1 necessidade de prévia liquidação da sentença coletiva
- 2 ilegitimidade ativa do exequente não associado ao IDEC
- 3 incompetência do juízo diverso do prolator da decisão
Ratio Decidendi
O recurso foi conhecido em parte e provido somente quanto à necessidade de prévia liquidação da sentença coletiva, em razão de divergência com o entendimento consolidado na Segunda Seção (EREsp 1.705.018/DF) que exige liquidação para definir titularidade e montante, preservando ampla defesa; os demais fundamentos do recorrente foram rejeitados por estarem conformes às teses firmadas em REsp 1.391.198/RS e REsp 1.361.800/SP.
Court Disposition
Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, parcialmente provido
Orders
- Determinar a realização de liquidação da sentença coletiva exequenda previamente à sua efetiva execução.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por BANCO DO BRASIL S.A., com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: AGRAVO INTERNO - Inocorrência da prescrição - Eficácia erga omnes da r. sentença proferida na ação coletiva -O credor pode promover o cumprimento do julgado no foro da comarca do seu domicílio - Desnecessidade da comprovação da associação do poupador ao IDEC - Legitimidade ativa configurada - Descabimento da suspensão da execução individual - Prescindibilidade da prévia liquidação do julgado - Aplicação da Tabela Prática do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para a correção monetária do débito - A utilização da referida Tabela acarreta, automaticamente, a incidência do percentual de 42,72% para janeiro e de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989 - Os juros da mora são devidos a partir da citação do Banco nos autos da ação civil pública - Recurso improvido. Em suas razões recursais, a parte recorrente alega violação dos arts. 2-A da Lei 9.494/1997; 240, 485, I e IV, 503, 509, § 2º, 525, V, do CPC/2015; 405 e 844 do CC; e 95 e 97 do CDC, defendendo o seguinte: a) ilegitimidade ativa da parte exequente, não associada ao Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) para ser abrangida pela eficácia da sentença coletiva; b) a incompetência do órgão jurisdicional distinto do prolator da decisão; c) a incidência de juros moratórios a partir da citação no cumprimento individual da sentença coletiva; d) o afastamento de juros remuneratórios não constantes dos limites determinados pelo título, conforme orientação da jurisprudência; e e) a necessidade de liquidação da sentença coletiva previamente à sua execução, a fim de ser demonstrada a titularidade e o montante do crédito. Contrarrazões apresentadas às fls. 390-395 (e-STJ). Determinado o reexame da questão da necessidade de prévia liquidação, o acórdão recorrido foi confirmado (e-STJ, fls. 401-407). É o relatório. Decido. Inicialmente, não é possível conhecer das alegações relativas aosjuros remuneratórios, por ausência de interesse, uma vez que o Tribunal de origem já consignou a adoção dos índices em conformidade com o título executivo, nos termos da pretensão recursal deduzida. No tocante às alegações sobre a ilegitimidade ativa da parte exequente, não associada ao IDEC, e incompetência do Juízo o recurso não pode ser provido. Isso porque, ao considerar a eficácia erga omnes da sentença coletiva, abrangendo todos os poupadores do Banco do Brasil beneficiários da decisão, independentemente da comprovação de filiação ao IDEC ou do seu domicílio, o acórdão recorrido está em conformidade com as teses fixadas no julgamento do recurso repetitivo REsp 1.391.198/RS (Temas 723 e 724), sobre a execução individual de sentença proferida pelo Juízo da 12ª Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília-DF na ação civil pública 1998.01.1.016798-9, proposta pelo IDEC contra o Banco do Brasil: 1. Para fins do art. 543-C do Código de Processo Civil: a) a sentença proferida pelo Juízo da 12ª Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília/DF, na ação civil coletiva n. 1998.01.1.016798-9, que condenou o Banco do Brasil ao pagamento de diferenças decorrentes de expurgos inflacionários sobre cadernetas de poupança ocorridos em janeiro de 1989 (Plano Verão), é aplicável, por força da coisa julgada, indistintamente a todos os detentores de caderneta de poupança do Banco do Brasil, independentemente de sua residência ou domicílio no Distrito Federal, reconhecendo-se ao beneficiário o direito de ajuizar o cumprimento individual da sentença coletiva no Juízo de seu domicílio ou no Distrito Federal; b) os poupadores ou seus sucessores detêm legitimidade ativa - também por força da coisa julgada -, independentemente de fazerem parte ou não dos quadros associativos do Idec, de ajuizarem o cumprimento individual da sentença coletiva proferida na Ação Civil Pública n. 1998.01.1.016798-9, pelo Juízo da 12ª Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília/DF. 2. Recurso especial não provido" (REsp 1.391.198/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/8/2014, DJe 2/9/2014) Quanto ao termo inicial dos juros moratórios, o recurso não pode ser provido, pelo fato de o acórdão recorrido estar em conformidade com a tese fixada no julgamento do recurso repetitivo REsp 1.361.800/SP, no sentido de que, nas execuções individuais de sentença coletiva, os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da ação civil pública: AÇÃO CIVIL PÚBLICA - CADERNETA DE POUPANÇA - PLANOS ECONÔMICOS - EXECUÇÃO - JUROS MORATÓRIOS A PARTIR DA DATA DA CITAÇÃO PARA A AÇÃO COLETIVA - VALIDADE - PRETENSÃO A CONTAGEM DESDE A DATA DE CADA CITAÇÃO PARA CADA EXECUÇÃO INDIVIDUAL - RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. 1.- Admite-se, no sistema de julgamento de Recursos Repetitivos (CPC, art. 543-C, e Resolução STJ 08/98), a definição de tese uniforme, para casos idênticos, da mesma natureza, estabelecendo as mesmas consequências jurídicas, como ocorre relativamente à data de início da fluência de juros moratórios incidentes sobre indenização por perdas em Cadernetas de Poupança, em decorrência de Planos Econômicos. 2.- A sentença de procedência da Ação Civil Pública de natureza condenatória, condenando o estabelecimento bancário depositário de Cadernetas de Poupança a indenizar perdas decorrentes de Planos Econômicos, estabelece os limites da obrigação, cujo cumprimento, relativamente a cada um dos titulares individuais das contas bancárias, visa tão-somente a adequar a condenação a idênticas situações jurídicas específicas, não interferindo, portando, na data de início da incidência de juros moratórios, que correm a partir da data da citação para a Ação Civil Pública. 3.- Dispositivos legais que visam à facilitação da defesa de direitos individuais homogêneos, propiciada pelos instrumentos de tutela coletiva, inclusive assegurando a execução individual de condenação em Ação Coletiva, não podem ser interpretados em prejuízo da realização material desses direitos e, ainda, em detrimento da própria finalidade da Ação Coletiva, que é prescindir do ajuizamento individual, e contra a confiança na efetividade da Ação Civil Pública, O que levaria ao incentivo à opção pelo ajuizamento individual e pela judicialização multitudinária, que é de rigor evitar. 3.- Para fins de julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia (CPC, art. 543-C, com a redação dada pela Lei 11.418, de 19.12.2006), declara-se consolidada a tese seguinte: "Os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, se que haja configuração da mora em momento anterior." 4.- Recurso Especial improvido." (REsp 1361800/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ Acórdão Ministro SIDNEI BENETI, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/05/2014, DJe 14/10/2014) Entretanto, acerca da necessidade de prévia liquidação da sentença coletiva, assiste razão à parte recorrente. A Segunda Seção desta Corte, por ocasião do julgamento do EREsp 1.705.018/DF, em 9/12/2020, acórdão pendente de publicação, pacificou o entendimento de que é necessária a fase de liquidação da sentença genérica oriunda de ação civil pública que condena a instituição bancária ao pagamento de expurgos inflacionários em caderneta de poupança, a fim de determinar o sujeito ativo da relação de direito material e o valor da prestação mediante a garantia da ampla defesa e do contraditório pleno à parte executada. Conforme essa posição, não é suficiente a impugnação ao cumprimento de sentença para o exercício do contraditório, tendo em vista a limitação à averiguação da legitimidade processual e do excesso de execução. No caso dos autos, o Tribunal de origem confirmou a desnecessidade da prévia liquidação da sentença, com fundamento na possibilidade de elaboração de simples cálculos aritméticos (e-STJ, fls. 344-345). Desse modo, constatada a divergência entre o acórdão recorrido e o entendimento jurisprudencial do STJ, é impositivo o provimento do recurso especial no tópico. Diante do exposto, conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe parcial provimento, a fim de determinar a realização de liquidação da sentença coletiva exequenda previamente à sua efetiva execução. Publique-se.