REsp 1902824 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem fundamentadamente decidiu que a apuração unilateral em processo administrativo e a tentativa de executar valores nos autos do processo findo é procedimentalmente deficiente, não assegurando ampla defesa e contraditório, devendo-se instaurar ação...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Fazenda Nacional; Recorrido: EDICE RODRIGUES ALBUQUERQUE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido Do Recurso Especial
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Execução Para Cobrança De Valores Pagos a Maior, Precatório, Ampla Defesa E Contraditório, Instauração De Ação Autônoma, Súmulas 283 E 284/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Fazenda Nacional
Recorrente
EDICE RODRIGUES ALBUQUERQUE
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 necessidade de ação autônoma para cobrança de valores pagos a maior
- 2 possibilidade de inversão da execução nos autos findos vs. necessidade de processo autônomo
- 3 alegada violação do art. 1.022, II, do CPC
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem fundamentadamente decidiu que a apuração unilateral em processo administrativo e a tentativa de executar valores nos autos do processo findo é procedimentalmente deficiente, não assegurando ampla defesa e contraditório, devendo-se instaurar ação autônoma para constituir título executivo, e que os arts. 520 e 776 do CPC não afastam tal necessidade; não houve ofensa ao art. 1.022, II, do CPC, e aplica-se, por analogia, o entendimento das Súmulas 283 e 284 do STF.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assi m ementado (fl. 815): PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO PARA COBRANÇA DE VALORES PAGOS A MAIOR. PRECATÓRIO EXPEDIDO EM VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE DOS CÁLCULOS HOMOLOGADOS. DEFICIÊNCIA PROCEDIMENTAL. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE AÇÃO AUTÔNOMA. 1. Trata-se de agravo de instrumento interposto por EDICE RODRIGUES ALBUQUERQUE contra decisão do Juízo da 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, que julgou improcedente a impugnação, condenando a executada, ora agravante, em honorários sucumbenciais de 1% (um por cento) sobre o valor da condenação. 2. Após procedimento administrativo, foi apurado irregularidades no pagamento do precatório nº 17.602/CE, ocorrido em 27/10/1999, que foi expedido em valor superior ao apurado na conta homologada pelo Juízo da execução, que se deu em 16/08/1999. 3. A apuração unilateral, em processo administrativo, seguida da iniciativa de executar, nos autos do processo findo, tais valores, afigura-se descabida e precária, não oferecendo os meios processuais necessários para assegurar a observância dos princípios da ampla defesa e do contraditório, mostrando-se mais consentânea com tais princípios a instauração de processo autônomo, com vistas à constituição de título executivo apto a subsidiar a pretendida execução. Agravo de instrumento provido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados ante a inexistência dos vícios elencados no art. 1.022 do CPC (fls. 849/851). A parte recorrente aponta violação aos seguintes dispositivos de lei: (I) 1.022, II, do CPC, na medida em que houve negativa de prestação jurisdicional em relação à defesa de que a execução dos valores indevidos seja processada nos próprios autos; (II) 520 e 776 do CPC, afirmando que "é absolutamente possível a inversão da Execução nos presentes autos, não é necessária ação autônoma, todo o conjunto probatório do processo de cognição e de execução estão disponíveis" (fl. 863), sendo assegurados a ampla defesa e o contraditório. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se, inicialmente, não ter ocorrido ofensa ao art. 1.022, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. De seu turno, ao solucionar a controvérsia, o Órgão colegiado regional decidiu (fl. 804): Observa-se que a decisão agravada alude à instauração de um procedimento administrativo para se apurar uma falta ou falha na expedição do Requisitório (PRC 17.602/CE) que teria sido elaborado em valor deveras superior ao constante dos cálculos homologados judicialmente. Segundo o Magistrado de Primeiro Grau, os primeiros movimentos no sentido de apurar-se tais falhas se deram ainda no ano 2000, de maneira que lá se vão mais de 18 anos. Entretanto, a apuração unilateral, em processo administrativo, seguido da iniciativa de executar nos autos do processo findo tais valores se afigura descabida e precária, não oferecendo os meios processuais necessários para assegurar a observância dos princípios da ampla defesa e do contraditório, mostrando-se mais consentânea com tais princípios a instauração de processo autônomo, com vistas à constituição de título executivo apto à subsidiar a pretendida execução. Nesse contexto, observa-se que, com relação aos arts. 520 e 776 do CPC, os referidos dispositivos legais não contêm comando capaz de sustentar o argumento de que não seria necessário um processo autônomo para a execução dos valores decorrentes dos pagamentos a maior e, tampouco, infirmar o juízo formulado pelo acórdão recorrido quanto à precariedade do ato de se buscar constituir título executivo nos próprios autos do cumprimento de sentença. Dessa maneira, impõe-se ao caso concreto a incidência das Súmulas 283 e 284/STF. Por oportuno, destaca-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL OCORRIDO EM OCUPAÇÃO IRREGULAR EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS N. 283 E 284 DA SÚMULA DO STF. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. LEGITIMIDADE PASSIVA DA UNIÃO. I - Na origem, trata-se de ação civil pública em razão de dano ambiental ocorrido em ocupação irregular em área de preservação permanente. Na sentença os pedidos foram julgados procedentes em parte. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para para reduzir o valor da multa, vinculando a concessão do benefício de aluguel social ao preenchimento dos necessários requisitos. II - Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. III - A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." IV - Ademais, ainda que se pudesse eventualmente superar tal óbice, as pretensões também não alcançariam êxito, pois dependeria do revolvimento dos fatos alegados, o que é inviável nos termos da Súmula n 7/STJ. V - Por fim, sobre a apontada ofensa ao art. 6º, V e VI, da Lei n. 6.938/1981, sustentou a União a sua ilegitimidade passiva quanto à omissão no exercício do poder de polícia ambiental. Alegou, em síntese, que quem exerce a atividade regulatória e fiscalizatória em matéria de meio ambiente, em nível federal, é o Ibama, e, no caso do Estado-Membro de Sergipe, a EMURB. VI - No ponto, como referido, o Tribunal de origem apreciou a causa, mediante o fundamento suficiente acerca da legitimidade passiva da União, considerando que o caso trata de pretensão relativa ao cumprimento de competências administrativas comuns entre os entes políticos, nos termos do Texto Constitucional (art. 23). VII - Essas competências estão previstas na Constituição Federal e se referem à proteção ao meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas, bem como à promoção de programas para melhoria do saneamento básico. VIII - Assim, não há razão para afastar a competência da União para efetivar o dever de proteção ambiental determinado constitucionalmente. IX - Tais fundamentos são suficientes para manter o acórdão recorrido e atraem a incidência, por analogia, dos óbices contidos nos enunciados n. 283 e 284, ambos da Súmula do STF.X - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.930.299/SE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 23/3/2023.) ANTE O EXPOSTO, não conheço do recurso especial. Publique-se. EMENTA