REsp 1749666 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque, conforme jurisprudência repetitiva, expurgos inflacionários posteriores podem integrar a atualização do débito judicial salvo se o título exequendo os afastar expressamente; os juros de mora, em execuções individuais de sentença coletiva que envolvem responsabilidade...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ITAÚ UNIBANCO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Decisão Colegiada Pela Terceira Turma
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Expurgos Inflacionários, Caderneta De Poupança, Execução Individual De Sentença Coletiva, Correção Monetária, Índices Expurgados, Juros De Mora, Juros Remuneratórios, Prequestionamento, Súmula 211/stj
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Parties
ITAÚ UNIBANCO S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Decisão Colegiada Pela Terceira Turma
Legal Issues
- 1 inclusão de expurgos inflacionários posteriores na atualização do débito judicial
- 2 termo inicial dos juros de mora em execuções individuais de sentença coletiva
- 3 incidência de juros remuneratórios limitada ao mês do expurgo alegada pelo agravante
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque, conforme jurisprudência repetitiva, expurgos inflacionários posteriores podem integrar a atualização do débito judicial salvo se o título exequendo os afastar expressamente; os juros de mora, em execuções individuais de sentença coletiva que envolvem responsabilidade contratual, incidem a partir da citação na fase de conhecimento; e a alegação de que o título contemplou juros remuneratórios apenas no mês do expurgo não foi prequestionada pelo tribunal a quo, ficando obstada sua apreciação por força da Súmula 211/STJ.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por ITAÚ UNIBANCO S.A. contra a decisão monocrática que deu parcial provimento ao recurso especial apenas para determinar como termo final de incidência dos juros remuneratórios a data de encerramento da conta-poupança. Nas presentes razões, o agravante insiste em afirmar que: a) ainclusão dos expurgos inflacionários de outros planos econômicos ofende a coisa julgada, tendo em vista que o título executivo judicial os afastou expressamente; b)os juros de mora devem ser contados a partir da citação no procedimento individual, e c) a incidência dos juros remuneratórios está prevista no título judicial exequente apenas para o mês do expurgo. Ao final, requer o conhecimento e provimento do presente agravo interno. Devidamente intimada, a parte contrária deixou de apresentar impugnação (e-STJ fl. 883). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO BANCÁRIO. CADERNETA DE POUPANÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES EXPURGADOS. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. CITAÇÃO NA FASE DE CONHECIMENTO. JUROS REMUNERATÓRIOS. MÊS DO EXPURGO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 211/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973(Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Após a apuração do saldo existente em caderneta de poupança, é possível a aplicação dos expurgos inflacionários posteriores na atualização dodébito judicial, desde que não expressamente afastados pelo título judicial exequendo. 3. Em recurso submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que,nas execuções individuais de sentença coletiva, quando esta se fundar em responsabilidade contratual,os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da ação coletiva. 4.A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial impede o conhecimento do apelo nobre (Súmula nº 211/STJ). 5. Agravo interno não provido. VOTO O acórdão impugnado pelo recurso especial foi publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973(Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). A irresignação não merece prosperar. Quanto à inclusão dos índices referentes aos denominados expurgos inflacionários, estes refletem a inflação monetária no período, de modo que devem ser incluídos na execução, ainda que omitidos na fase de conhecimento, desde que não expressamente afastados pelo título judicial exequendo. A questão já foi decididapor esta Corteno julgamento de recurso especial repetitivo, submetido ao rito do art. 543-C do CPC/1973, estando o acórdão respectivo assim ementado: "DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANO VERÃO. EXECUÇÃO. INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS SUBSEQUENTES. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA PLENA. 1. Para efeitos do art. 543-C do CPC: "Na execução de sentença que reconhece o direito de poupadores aos expurgos inflacionários decorrentes do Plano Verão (janeiro de 1989), incidem os expurgos inflacionários posteriores a título de correção monetária plena do débito judicial, que terá como base de cálculo o saldo existente ao tempo do referido plano econômico, e não os valores de eventuais depósitos da época de cada plano subsequente." 2. Recurso especial não provido"(REsp 1.314.478/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/5/2015, DJe 9/6/2015 - grifou-se). Naquele julgamento, o Relator bem ressaltou a necessidade de "(..)diferenciar duas situações que parecem se baralhar com relativa frequência:(i) uma é a incidência de expurgos inflacionários resultantes de planos econômicos não previstos na sentença coletiva a valores eventualmente existentes em contas de poupança em momento posterior; (ii) outra é a incidência, no débito judicial resultante da sentença, de expurgos inflacionários decorrentes de planos econômicos posteriores ao período apreciado pela ação coletiva, a título de correção monetária plena da dívida consolidada". Assim, após a apuração do saldo existente, nos limites do que determina o título judicial exequendo, é possível a aplicação dos expurgos inflacionários posteriores na atualização desse débito judicial. No caso em apreço, ao contrário do que afirma o agravante, o título judicial exequendo não afastou a incidência dos índices expurgados posteriores ao Plano Verão na atualização da dívida, senão a "(..) diferença de remuneração oriunda da edição do Plano Collor" (e-STJ fl. 871 - grifou-se), hipóteses que não se confundem, como já salientado. No tocanteao termo inicial dos juros moratórios nas execuções individuais desentença coletiva, ficou definido pela Corte Especial, no julgamento dos REsps nºs 1.370.899/SP e 1.361.800/SP, submetidos ao rito dos repetitivos, que"Os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, sem que haja configuração da mora em momento anterior". A mesma questão também já foi decidida em inúmeros outros julgados, de modo que a pendência de apreciação dedeclaratórios em um dos referidos precedentes não altera a compreensão desta Corte Superior a respeito da matéria. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. 1. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. NECESSIDADE. REGULARIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO. CÁLCULOS ARITMÉTICOS. SUFICIÊNCIA ATESTADA PELO ACÓRDÃO A QUO. 2. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DA CITAÇÃO NA AÇÃO DE CONHECIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. 3.AGRAVO DESPROVIDO. (..) 2. A Segunda Seção do STJ, em recurso repetitivo, firmou a seguinte tese: "Os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, se que haja configuração da mora em momento anterior"(REsp 1.370.899/SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, Segunda Seção, julgado em 21/05/2014, DJe 14/10/2014). Acórdão recorrido em harmonia com a jurisprudência desta Corte. Aplicação da Súmula 83/STJ. 3. Agravo interno desprovido"(AgInt no AREsp 1.617.320/SC, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/6/2020, DJe 25/6/2020). "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE RECONSIDEROU DELIBERAÇÃO ANTERIOR E, DE PLANO, NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO.IRRESIGNAÇÃO DO AGRAVANTE. (..) 2. Esta Corte de Justiça fixou, em sede de recurso especial repetitivo, o entendimento de que "os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual"(REsp nº1.370.899/SP, Relator Ministro SIDNEI BENETI, CORTE ESPECIAL, DJe 14/10/2014). 3. As conclusões adotadas pelo órgão julgador estão em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, atraindo a aplicação da Súmula 83 do STJ. 4. Agravo interno desprovido"(AgInt no AgInt no AREsp 1.081.567/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 24/6/2019, DJe 28/6/2019). Anota-se, ademais, que a alegação de que o título judicial exequendo contemplou a incidência de juros remuneratórios somente no mês do expurgo não foidebatida no acórdão recorrido, a despeito dos embargos de declaração opostos na origem. Para que se configure o prequestionamento, é necessário que o tribunal de origem se pronuncie especificamente a respeito da matéria articulada pela parte, emitindo juízo de valor em relação aos dispositivos legais indicados e examinando a sua aplicação ou não ao caso concreto. Nessa circunstância, ausente o requisito do prequestionamento, incide o disposto na Súmula nº 211/STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo." Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU SEGUIMENTO AO RECLAMO ANTE A INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ E EM DECORRÊNCIA DA AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS PARADIGMAS E O ARESTO RECORRIDO. IRRESIGNAÇÃO DO AUTOR. 1. A jurisprudência desta Corte Superior admite amplamente a ocorrência do chamado "prequestionamento implícito". Trata-se daquelas situações em que o órgão julgador, não obstante não faça indicação numérica dos referidos artigos legais, aprecia e decide com amparo no seu conteúdo normativo. Precedentes. 2. Coisa diversa é o chamado "prequestionamento ficto", não admitido por este Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual se considera prequestionada a matéria que, apesar de não analisada pelo acórdão, foi objeto das razões dos embargos de declaração interpostos, ainda que eles sejam rejeitados sem qualquer exame da tese, bastando constar da petição dos referidos aclaratórios. Precedentes. 3. Não tendo havido o prequestionamento do tema posto em debate nas razões do recurso especial e não tendo sido apontada ofensa ao art. 535 do CPC, incidente o enunciado 211 da Súmula do STJ. Precedentes. (..) 5. Agravo regimental desprovido" (AgRg no REsp 1.170.330/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 3/2/2016). "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. PROTESTO DE TÍTULO. NULIDADE. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. NECESSÁRIO REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SÚMULA 284/STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O STJ não reconhece o prequestionamento pela simples interposição de embargos de declaração (Súmula 211). Persistindo a omissão, é necessária a interposição de recurso especial por afronta ao art. 535 do Código de Processo Civil, sob pena de perseverar o óbice da ausência de prequestionamento. (..) 5. Agravo regimental a que se nega provimento" (AgRg no AREsp 431.782/MA, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 6/5/2014, DJe 12/5/2014). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.