REsp 2209046 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento porque o acórdão recorrido havia enfrentado fundamentada e expressamente as questões de cálculo e de foro (afastando omissão do art. 1022 do CPC), a impugnação relativa aos cálculos demandaria reexame de fatos e provas vedado em...
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- Parties
- Autor: INSTITUTO NACIONAL DOS INVESTIDORES EM CADERNETA DE POUPANÇA E PREVIDÊNCIA (INCPP); Recorrente: BANCO DO BRASIL S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 June 2025
- Procedural Posture
- Cumprimento De Sentença / Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido
- Legal Topics
- Expurgos Inflacionários, Competência Territorial, Cumprimento De Sentença, Reexame De Fatos E Provas, Dissídio Jurisprudencial, Negativa De Prestação Jurisdicional
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DOS INVESTIDORES EM CADERNETA DE POUPANÇA E PREVIDÊNCIA (INCPP)
Autor
BANCO DO BRASIL S/A
Recorrente
Procedural Posture
Cumprimento De Sentença / Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1022 do CPC (negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Possibilidade de reexame de cálculos e inclusão de juros remuneratórios em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 Existência de dissídio jurisprudencial e exigência de cotejo analítico
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento porque o acórdão recorrido havia enfrentado fundamentada e expressamente as questões de cálculo e de foro (afastando omissão do art. 1022 do CPC), a impugnação relativa aos cálculos demandaria reexame de fatos e provas vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ), e não foi demonstrado dissídio jurisprudencial por falta de cotejo analítico, inviabilizando o reconhecimento do conflito jurisprudencial.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido
Orders
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Deixo de majorar os honorários de sucumbência recursal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se recurso especial interposto por BANCO DO BRASIL S/A, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Recurso especial interposto em: 19/7/2024. Concluso ao gabinete em: 26/5/2025. Ação: cumprimento de sentença, ajuizada por INSTITUTO NACIONAL DOS INVESTIDORES EM CADERNETA DE POUPANÇA E PREVIDÊNCIA (INCPP) em face do BANCO DO BRASIL S/A. Decisão Juízo de 1º Grau: homologou os cálculos do perito judicial, rejeitando as impugnações apresentadas pelo BANCO DO BRASIL S/A, e determinou o pagamento do valor de R$ 695.374,04. Acórdão: negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelo Banco do Brasil S/A, mantendo a decisão agravada, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. TITULARES DE CADERNETA DE POUPANÇA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TESE DE INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL COM BASE NO RESP Nº 1.866.440/AL. NÃO ACOLHIMENTO. PRECEDENTE SEM FORÇA VINCULANTE. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS OUTROS PRECEDENTES QUE RECONHECEM A COMPETÊNCIA DA 4ª VARA CÍVEL DE MACEIÓ PARA JULGAR OS FEITOS ENVOLVENDO EXPURGOS AJUIZADOS POR BENEFICIÁRIOS POR MEIO DE SEU SUBSTITUTO PROCESSUAL. PRECEDENTES DO STJ: CC 176331/DF, CC 175088/DF, CC 176957/DF, CC 183230/DF, CC 176377/DF, CC174716/DF E CC174826/DF. COMPOSIÇÃO DO VALOR DA EXECUÇÃO. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO. MATÉRIA DECIDIDA EM ANTERIOR AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (e-STJ fls. 83-91). Embargos de declaração: opostos pelo Banco do Brasil S/A, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação aos arts. 98, §2º, II, do CDC, 64, §1º e 1.022, I, II e III do CPC, além de dissídio jurisprudencial. Sustenta que os poupadores representados pelo INCPP não possuem domicílio na comarca de Maceió/AL, evidenciando a aleatoriedade na escolha do foro. Argumenta que a execução coletiva deveria ser proposta no foro da ação condenatória ou no domicílio dos beneficiários. Alega que houve erro nos cálculos, com inclusão indevida de juros remuneratórios, contrariando decisão anterior que afastou tais juros. Requer o conhecimento e provimento do recurso especial para reformar a decisão recorrida e reconhecer a incompetência do foro de Maceió para processar a execução coletiva (e-STJ fls. 157-169). Juízo de admissibilidade: TJ/AL admitiu o recurso. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da negativa de prestação jurisdicional por violação do art. 1022 do CPC - Súmula 568/STJ É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1022 do CPC quando o Tribunal de Origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt no REsp 1.726.592/MT, Terceira Turma, DJe de 31/08/2020; e AgInt no AREsp 1.518.178/MG, Quarta Turma, DJe de 16/03/2020. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente acerca dos cálculos realizados pelo perito e do foro de julgamento (e-STJ fls. 86-91), de maneira que os embargos de declaração opostos pela recorrente, de fato, não comportavam acolhimento. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1022 do CPC, incidindo, quanto ao ponto a Súmula 568/STJ. - Do reexame de fatos e provas - Súmula 7/STJ Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere aos cálculos e a inclusão de juros remuneratórios, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. - Da divergência jurisprudencial - ausência de cotejo analítico Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1029, §1º do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. Forte nessas razões, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Deixo de majorar os honorários de sucumbência recursal, visto que não foram arbitrados na instância de origem. Previno a parte que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1021, § 4º, e 1026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. TITULARES DE CADERNETA DE POUPANÇA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1022 DO CPC. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA 568/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. AUSÊNCIA. 1. Cumprimento de sentença. 2. Ausentes os vícios do art. 1022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. Incidência da Súmula 568/STJ. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. Incidência da Súmula 7/STJ. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, não provido.