HC 791961 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a decisão absolutória transitou em julgado e não foi impugnada tempestivamente pelo Ministério Público; em virtude da preclusão temporal e dos princípios da coisa julgada e da segurança jurídica, tornou-se devida a extensão da absolvição ao corréu nos termos do art....
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- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Paciente: TAINA SOUZA SANTOS; Corréu: LEONARDO DA SILVA OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Pela Quinta Turma Em Sessão Virtual (28/08/2025 a 03/09/2025); Agravo Regimental Desprovido
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; negar provimento ao recurso do Ministério Público Federal.
- Legal Topics
- Extensão Da Absolvição, Coisa Julgada, Preclusão Temporal, Nulidades Processuais, Segurança Jurídica
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Agravante
TAINA SOUZA SANTOS
Paciente
LEONARDO DA SILVA OLIVEIRA
Corréu
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Pela Quinta Turma Em Sessão Virtual (28/08/2025 a 03/09/2025); Agravo Regimental Desprovido
Legal Issues
- 1 Possibilidade de rediscussão de decisão absolutória transitada em julgado
- 2 Preclusão temporal da manifestação do Ministério Público sobre decisão absolutória
- 3 Aplicação do art. 580 do CPP para extensão da absolvição ao corréu
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a decisão absolutória transitou em julgado e não foi impugnada tempestivamente pelo Ministério Público; em virtude da preclusão temporal e dos princípios da coisa julgada e da segurança jurídica, tornou-se devida a extensão da absolvição ao corréu nos termos do art. 580 do CPP, impedindo a desconstituição do trânsito em julgado para restabelecer condenações.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; negar provimento ao recurso do Ministério Público Federal.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal.
- Manter a extensão dos efeitos da decisão absolutória ao corréu LEONARDO DA SILVA OLIVEIRA (extensão deferida em 25/06/2025).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/08/2025 a 03/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO PEDIDO DE EXTENSÃO NO HABEAS CORPUS. DECISÃO ABSOLUTÓRIA TRANSITADA EM JULGADO. EXTENSÃO DA ABSOLVIÇÃO AO CORRÉU DEVIDA. PLEITO DE AFASTAMENTO DA ABSOLVIÇÃO E DA EXTENSÃO AO CORRÉU. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA E SEGURANÇA JURÍDICA. PRECLUSÃO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra decisão que estendeu os efeitos da decisão que absolveu o paciente ao corréu, visando ao afastamento da absolvição e, por consequência, da extensão. A absolvição transitou em julgado em 21/11/2024, tendo sido a extensão deferida em 25/6/2025. A insurgência ministerial foi apresentada apenas em 30/6/2025, em face da extensão do benefício ao corréu. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se é possível rediscutir decisão já transitada em julgado, que reconheceu nulidade processual e absolveu o paciente, estendendo os benefícios ao corréu ora agravante, quando ausente manifestação tempestiva do Ministério Público quanto à decisão absolutória. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Verificada a preclusão temporal, dado que a decisão absolutória não foi impugnada oportunamente pelo órgão ministerial, transitando em julgado. 4. A jurisprudência do STJ reconhece que, mesmo nulidades absolutas no processo penal, quando não arguidas no momento processual adequado, sujeitam-se à preclusão. 5. Prevalência dos princípios da lealdade processual e da segurança jurídica, que vedam a reabertura de discussão após a consolidação da coisa julgada. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra decisão de minha lavra, que deferiu ao corréu LEONARDO DA SILVA OLIVEIRA a extensão dos efeitos da decisão da então relatora, Ministra Daniela Teixeira, que absolveu a paciente TAINA SOUZA SANTOS, ora interessada, nos autos da mesma ação penal, nos termos do art. 580 do CPP . O Parquet argumenta, em síntese, que "a condenação não está amparada exclusivamente no reconhecimento fotográfico realizado pela vítima, mas também nas provas orais e no reconhecimento pessoal em juízo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa" (fl. 424). Busca a reconsideração ou a remessa do feito ao colegiado, de modo a se restabelecer as condenações. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO PEDIDO DE EXTENSÃO NO HABEAS CORPUS. DECISÃO ABSOLUTÓRIA TRANSITADA EM JULGADO. EXTENSÃO DA ABSOLVIÇÃO AO CORRÉU DEVIDA. PLEITO DE AFASTAMENTO DA ABSOLVIÇÃO E DA EXTENSÃO AO CORRÉU. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA E SEGURANÇA JURÍDICA. PRECLUSÃO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra decisão que estendeu os efeitos da decisão que absolveu o paciente ao corréu, visando ao afastamento da absolvição e, por consequência, da extensão. A absolvição transitou em julgado em 21/11/2024, tendo sido a extensão deferida em 25/6/2025. A insurgência ministerial foi apresentada apenas em 30/6/2025, em face da extensão do benefício ao corréu. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se é possível rediscutir decisão já transitada em julgado, que reconheceu nulidade processual e absolveu o paciente, estendendo os benefícios ao corréu ora agravante, quando ausente manifestação tempestiva do Ministério Público quanto à decisão absolutória. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. Verificada a preclusão temporal, dado que a decisão absolutória não foi impugnada oportunamente pelo órgão ministerial, transitando em julgado. 4. A jurisprudência do STJ reconhece que, mesmo nulidades absolutas no processo penal, quando não arguidas no momento processual adequado, sujeitam-se à preclusão. 5. Prevalência dos princípios da lealdade processual e da segurança jurídica, que vedam a reabertura de discussão após a consolidação da coisa julgada. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. VOTO Compulsando os autos, verifica-se que a decisão anterior que absolveu a paciente TAINA SOUZA SANTOS transitou em julgado em 21/11/2024 (certidão de trânsito à fl. 242). Posteriormente, formulado pedido de extensão ao corréu, ora agravado, pela Defensoria Pública, foram-lhe estendidos os efeitos da absolvição, em 25/6/2025, tendo o MP interposto o presente agravo regimental em 30/6/2025. Nesse contexto, ainda que relevantes os argumentos deduzidos pelo órgão acusatório, a decisão absolutória, proferida pela então relatora, Ministra Daniela Teixeira, não foi objeto de recurso no momento oportuno, transitando em julgado. Assim, uma vez que o reconhecimento da nulidade não foi impugnado oportunamente, mister a extensão ao corréu, nos termos do art. 580 do CPP. Isso porque já se operou, na espécie, a preclusão temporal, levando-se em conta os princípios da coisa julgada e da segurança jurídica. Com efeito, "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça evoluiu para considerar que, no processo penal mesmo as nulidades absolutas exigem prejuízo e estão sujeitas à preclusão" (AgRg no HC n. 916.022/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 11/6/2025, DJEN de 16/6/2025), impossibilitando-se a desconstituição do trânsito em julgado para restabelecer as condenações. A propósito, mutatis mutandis: A GRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PEQUENA QUANTIDADE DE DROGA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. DESCLASSIFICAÇÃO. MATÉRIA ALEGADA MAIS DE OITO ANOS APÓS O JULGAMENTO DO ACORDÃO QUE RESOLVEU A APELAÇÃO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. INÉRCIA DA DEFESA. TESE NÃO SUSCITADA OPORTUNAMENTE. PRECLUSÃO TEMPORAL SUI GENERIS. PREVALÊNCIA DA SEGURANÇA JURÍDICA E AFIRMAÇÃO DA EFICÁCIA PRECLUSIVA DA COISA JULGADA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Verifica-se, na espécie, preclusão da matéria, em virtude de terem transcorridos mais de 8 anos entre a impetração do mandamus e o julgamento do recurso de apelação em que teria ocorrido a suposta ilegalidade. Precedentes das Quinta e Sexta Turmas do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. 2. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em respeito à segurança jurídica e à lealdade processual, tem se orientado no sentido de que as nulidades, bem como qualquer outra falha ocorrida no julgamento do acórdão atacado, devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 997.582/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 24/6/2025, DJEN de 3/7/2025). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.