AREsp 2429888 - DECISAO
O Tribunal não conheceu do recurso especial porque o Tribunal a quo comprovou, por ofício da SEFAZ (ID nº 35589745), o pagamento de títulos da executada, configurando perda do objeto da execução fiscal nos termos do art. 156, I, do CTN; além disso, a pretensão implicaria reexame de matéria fático-probatória (vedado...
Source-derived case information.
- Parties
- Exequente: Município; Executada: Guiomar Ramos Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 February 2024
- Procedural Posture
- Execução Fiscal / Recurso Especial (agravo) Julgamento No STJ
- Outcome
- Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Extinção Da Execução Fiscal, Perda Do Objeto Por Pagamento, Prequestionamento, Vedação Ao Reexame De Provas (súmula 7), Divergência Jurisprudencial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Município
Exequente
Guiomar Ramos Santos
Executada
Procedural Posture
Execução Fiscal / Recurso Especial (agravo) Julgamento No STJ
Legal Issues
- 1 Perda do objeto da execução fiscal por pagamento (art. 156, I, CTN)
- 2 Impossibilidade de reexame fático-probatório em recurso especial (Súmula 7 do STJ)
- 3 Inadmissibilidade do recurso especial por ausência de prequestionamento
Ratio Decidendi
O Tribunal não conheceu do recurso especial porque o Tribunal a quo comprovou, por ofício da SEFAZ (ID nº 35589745), o pagamento de títulos da executada, configurando perda do objeto da execução fiscal nos termos do art. 156, I, do CTN; além disso, a pretensão implicaria reexame de matéria fático-probatória (vedado pela Súmula 7), faltou prequestionamento das normas apontadas e não foi demonstrada divergência jurisprudencial nos termos exigidos.
Court Disposition
Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Determino a majoração dos honorários advocatícios, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites previstos nos §§ 2º e 3º e eventual gratuidade judiciária.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem trata-se de execução fiscal. Na sentença julgou-se extinto o feito. No Tribunal a quo a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.865,19 (um mil, oitocentos e sessenta e cinco reais e dezenove centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA, contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO. COMPULSANDO OS AUTOS FOI POSSÍVEL EVIDENCIAR O FATO DE QUE O MUNICÍPIO JUNTOU AOS AUTOS OFÍCIO EXPEDIDO PELA SEFAZ (ID Nº 35589745), INFORMANDO O PAGAMENTO DA DÍVIDA DE ALGUNS TÍTULOS, DENTRE ELES, O DA EXECUTADA. ASSIM, EM ATENÇÃO AO DISPOSTO NO ART. 156, INCISO I, DO CTN, OCORREU A PERDA DO OBJETO DA PRESENTE EXECUÇÃO FISCAL, DEVENDO A AÇÃO SER EXTINTA, NOS EXATOS TERMOS FIXADOS PELA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Compulsando os autos foi possível evidenciar o fato de que o Município juntou aos autos ofício expedido pela SEFAZ (ID nº 35589745), informando o pagamento da dívida de alguns títulos, dentre eles, o da executada. Note que o status da informação relativa à dívida da parte Guiomar Ramos Santos encontra-se sinalizada com o status PAGO (assim como um outro contribuinte), já os demais ostentam a informação de devedor. Assim, em atenção ao disposto no art. 156, inciso I, do CTN, ocorreu a perda do objeto da presente execução fiscal, devendo a ação ser extinta, nos exatos termos fixados pela instância originária. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 827, 85, §§ 1º, 2º, 10, do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA