HC 899081 - DECISAO
DECISÃO CLAUDENOR HENRIQUE MARINHO alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 0015048-70.2023.8.26.0041, em que foi mantido o indeferimento da extinção da punibilidade. Perquiriu a defesa, perante a Corte de origem, "a declaração da extinção...
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- Parties
- Paciente: CLAUDENOR HENRIQUE MARINHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Legal Topics
- Extinção Da Punibilidade, Falta Disciplinar Grave, Unificação De Penas, Limite Trintenário, Progressão De Regime
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Parties
CLAUDENOR HENRIQUE MARINHO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 se o lapso temporal para extinção da punibilidade se aperfeiçoou
- 2 aplicação do § 2º do art. 75 do Código Penal para unificação de reprimendas
- 3 efeito interruptivo de falta disciplinar grave sobre a contagem para concessão de benefícios
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1 paragraphs
DECISÃO CLAUDENOR HENRIQUE MARINHO alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 0015048-70.2023.8.26.0041, em que foi mantido o indeferimento da extinção da punibilidade. Perquiriu a defesa, perante a Corte de origem, "a declaração da extinção da punibilidade, ao argumento de que 1) ingressou no sistema prisional em 17.02.1991; 2) sua última infração disciplinar ocorreu em outubro de 2012, estando, portanto, reabilitado há aproximadamente 10 (dez) anos; 3) permanece encarcerado há mais de 30 (trinta) anos, em violação do artigo 75, caput, do Código Penal; 4) as somas de suas penas não observaram a regra de unificação do § 2º do mesmo dispositivo; 5) eventuais fugas suspendem a execução das penas privativas de liberdade, sem interrompê-la; 6) o princípio da dignidade da pessoa humana preconiza que a sanção corporal não pode ser cumprida ad aeternum (fls. 01/08)" (fls. 284-285). Na hipótese, apontou a Corte de origem que "o último dos delitos definitivamente imputados a Claudenor, referente à 9ª (nona) guia de execução (GR9 processo nº 7002354-20.2002.8.26.0482), foi por ele cometido em 18.01.2001 (fl. 13) no período entre a derradeira evasão registrada e a subsequente recaptura (fl. 15), portanto durante a execução das penas, ensejando nova unificação de reprimendas com desconsideração do quantum já cumprido, na forma do aludido § 2º do artigo 75 do Código Penal, e a consequente extensão do limite trintenário até 17.01.2031, na esteira da jurisprudência do C. STJ" (fl. 287), razão pela qual não teria se aperfeiçoado o lapso necessário à extinção da punibilidade. A esse respeito, é imperioso destacar que a Lei de Execução Penal estipula como um dos seus vetores o mérito do apenado, cuja avaliação realizar-se-á a partir do cumprimento de seus deveres (art. 39), da disciplina praticada dentro do estabelecimento prisional (art. 44) e, por óbvio, do comportamento observado quando em gozo dos benefícios previstos na aludida norma de regência, quais sejam, o trabalho externo (arts. 36 a 37), as saídas temporárias (arts. 122 a 125), o livramento condicional (art. 131), a progressão de regime (art. 112), a anistia e o indulto (arts. 187 a 193). Inserido nesse escopo, a configuração da falta de natureza grave enseja vários efeitos (LEP, art. 48, parágrafo único), entre eles: a possibilidade de colocação do sentenciado em regime disciplinar diferenciado (LEP, art. 56); a interrupção do lapso para a aquisição de outros instrumentos ressocializantes, como, por exemplo, a progressão para regime menos gravoso (LEP, art. 112); a regressão no caso do cumprimento da pena em regime diverso do fechado (LEP, art. 118), além da revogação em até 1/3 do tempo remido (LEP, art. 127). A temática já foi enfrentada pela Terceira Seção desta colenda Corte Nacional, que, ao julgar os EREsp n. 1.176.486/SP, sedimentou a orientação de que a prática de falta grave resulta em novo marco interruptivo para concessão de novos benefícios, exceto indulto, comutação e livramento condicional, consoante estampa a ementa abaixo transcrita: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. FALTA DISCIPLINAR GRAVE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS, ENTRE ELES A PROGRESSÃO DE REGIME, EXCETO LIVRAMENTO CONDICIONAL E COMUTAÇÃO DAS PENAS. PRECEDENTES DO STJ E STF. EMBARGOS PROVIDOS PARA ASSENTAR QUE A PRÁTICA DE FALTA GRAVE REPRESENTA MARCO INTERRUPTIVO PARA OBTENÇÃO DE PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL. 1. O cometimento de falta grave pelo sentenciado no curso da execução da pena, nos termos do art. 127 da Lei 7.210/84, implica a perda integral dos dias remidos pelo trabalho, além de nova fixação da data-base para concessão de benefícios, exceto livramento condicional e comutação da pena; se assim não fosse, ao custodiado em regime fechado que comete falta grave não se aplicaria sanção em decorrência dessa, o que seria um estímulo ao cometimento de infrações no decorrer da execução. 2. Referido entendimento não traduz ofensa aos princípios do direito adquirido, da coisa julgada, da individualização da pena ou da dignidade da pessoa humana. Precedentes do STF e do STJ. 3. Para reforçar esse posicionamento, foi editada a Súmula Vinculante 09/STF, segundo a qual o disposto no artigo 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo 58. 4. Entender de forma diversa, como bem asseverou o eminente Ministro CARLOS AYRES BRITTO, quando do julgamento do HC 85.141/SP, implicaria tornar despidas de sanção as hipóteses de faltas graves cometidas por sentenciados que já estivessem cumprindo a pena em regime fechado. De modo que não seria possível a regressão no regime (sabido que o fechado já é o mais severo) nem seria reiniciada a contagem do prazo de 1/6. Conduzindo ao absurdo de o condenado, imediatamente após sua recaptura, tornar a pleitear a progressão prisional com apoio em um suposto bom comportamento (DJU 12.05.2006). 5. Embargos providos para assentar que a prática de falta grave representa marco interruptivo para obtenção de progressão de regime prisional. (EREsp n. 1.176.486/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia, 3 S., DJe 1/6/2012). À vista do exposto, com fulcro no art. 34, XX, do RISTJ, denego o habeas corpus. Publique-se e intime-se. EMENTA