HC 1066340 - DECISAO
Comprovado o óbito do impetrante em 15/07/2025, aplica-se o art. 107, inciso I, do Código Penal, extinguindo-se a punibilidade por morte do agente; por se tratar de matéria de ordem pública, a extinção deve ser declarada de ofício, tornando prejudicado o habeas corpus.
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- Parties
- Paciente: C A D S; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 May 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Declara extinta a punibilidade do impetrante em decorrência da morte do agente e julga prejudicado o habeas corpus.
- Legal Topics
- Extinção Da Punibilidade, Prisão Domiciliar Humanitária, Habeas Corpus, Morte Do Agente
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Parties
C A D S
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 concessão de prisão domiciliar humanitária por idade e quadro grave de saúde
- 2 possibilidade de flexibilização do requisito do regime prisional com base no princípio da igualdade material
- 3 efeitos da morte do agente sobre a punibilidade e sobre o habeas corpus
Ratio Decidendi
Comprovado o óbito do impetrante em 15/07/2025, aplica-se o art. 107, inciso I, do Código Penal, extinguindo-se a punibilidade por morte do agente; por se tratar de matéria de ordem pública, a extinção deve ser declarada de ofício, tornando prejudicado o habeas corpus.
Court Disposition
Declara extinta a punibilidade do impetrante em decorrência da morte do agente e julga prejudicado o habeas corpus.
Orders
- Declara extinta a punibilidade do impetrante, em decorrência da morte do agente, com fundamento no art. 107, inciso I, do Código Penal.
- Julga prejudicado o habeas corpus.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de C A D S, no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Consta nos autos que o paciente foi condenado a 16 (dezesseis) anos de reclusão, pela prática do crime capitulado no art. 217-A do Código Penal. Em suas razões, afirma o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, pois a idade e o quadro grave de saúde autorizam a concessão de prisão domiciliar humanitária, notadamente diante do cumprimento de mais de dezesseis por cento da pena. Diz que o regime de cumprimento da pena não pode impedir o deferimento da prisão domiciliar, sustentando a possibilidade de flexibilização do requisito legal impeditivo, com base no princípio de igualdade material. Requer, liminarmente e no mérito, o deferimento da prisão domiciliar humanitária. Sucessivamente, requer a realização de perícia médica externa. É o relatório. Decido. Considerando a consulta à CRC-JUD (Central de Informações do Registro Civil), onde se verificou o assentamento do óbito do impetrante, conforme Certidão de Óbito juntada à fl. 64, declaro extinta a punibilidade do agente, e por conseguinte, houve a perda superveniente do objeto deste writ. O artigo 107, inciso I, do Código Penal Brasileiro dispõe textualmente que a punibilidade se extingue pela morte do agente. Trata-se de consectário lógico do princípio da personalidade da pena, insculpido no artigo 5.º, inciso XLV, da Constituição Federal, segundo o qual "nenhuma pena passará da pessoa do condenado". Com o evento morte, desaparece o sujeito passivo da relação processual penal e o objeto da pretensão executória do Estado, tornando-se impossível a aplicação ou a execução de qualquer sanção penal. O Estado-Juiz perde, automaticamente, a legitimidade para prosseguir na persecução penal ou na execução da pena, devendo o Poder Judiciário, tão logo comprovado o óbito, declarar extinta a punibilidade, fazendo cessar todos os efeitos penais da condenação, quer principais, quer secundários. Ressalte-se que a declaração da extinção da punibilidade em decorrência da morte do agente é matéria de ordem pública, que pode e deve ser conhecida de ofício pelo magistrado, em qualquer grau de jurisdição, prejudicando a análise do mérito de eventuais recursos pendentes. Considerando que o óbito ocorreu em 15/07/2025, resta prejudicada a análise da insurgência do presente writ, diante da perda superveniente do objeto. A morte do recorrente encerra a relação processual penal, impedindo qualquer pronunciamento jurisdicional ulterior. Ante o exposto, com fundamento no art. 107, inciso I, do Código Penal, declaro extinta a punibilidade do impetrante, em decorrência da morte do agente, e julgo prejudicado o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA