AREsp 2590257 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a alegação de violação do art. 1.022 do CPC foi feita de forma genérica, sem indicar os incisos supostamente infringidos, incidindo a Súmula 284/STF; além disso, a pretensão de redimensionar a distribuição dos ônus sucumbenciais exigiria reexame de fatos e provas, o que é...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: WELLINGTON SOARES GONCALVES; Agravada: GEORGIA DANILA FERNANDES D OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática: Conhecido Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (art. 932, Iii, Cpc)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Extinção De Condomínio, Alienação Judicial, Honorários De Sucumbência, Sucumbência Recíproca, Princípio Da Causalidade, Reexame De Fatos E Provas, Embargos De Declaração
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Parties
WELLINGTON SOARES GONCALVES
Agravante
GEORGIA DANILA FERNANDES D OLIVEIRA
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática: Conhecido Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (art. 932, Iii, Cpc)
Legal Issues
- 1 violação do art. 1.022 do CPC (alegação genérica)
- 2 distribuição dos honorários sucumbenciais e reconhecimento de sucumbência mínima/recíproca
- 3 necessidade de reexame de fatos e provas e aplicação da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a alegação de violação do art. 1.022 do CPC foi feita de forma genérica, sem indicar os incisos supostamente infringidos, incidindo a Súmula 284/STF; além disso, a pretensão de redimensionar a distribuição dos ônus sucumbenciais exigiria reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. Assim, conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial (art. 932, III, CPC), majorando-se os honorários em 1% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
Orders
- Não conheço do recurso especial (art. 932, III, CPC)
- Majoro os honorários fixados anteriormente ao agravante em 1% (art. 85, § 11, CPC)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial, interposto por WELLINGTON SOARES GONCALVES, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 14/12/2023. Concluso ao gabinete em: 10/5/2024. Ação: de extinção de condomínio, ajuizada por GEORGIA DANILA FERNANDES D OLIVEIRA em desfavor do agravante, em virtude de propriedade comum de bem imóvel. Sentença: julgou parcialmente procedentes os pedidos para decretar a extinção do condomínio entre as partes e a alienação judicial do bem imóvel objeto da lide, e julgou parcialmente procedente a reconvenção apresentada para condenar a reconvinda a ressarcir ao reconvinte à metade dos valores pagos a título de despesas condominiais extraordinárias incidentes sobre o imóvel comum. Acórdão: deu parcial provimento às apelações interpostas pelas partes agravante e agravada, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL. RECURSO ADESIVO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO CIVIL. AÇÃO DE EXTINÇÃO DE CONDOMÍNIO C/C ALIENAÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA E NÃO EQUIVALENTE. RECURSOS CONHECIDOS E PARCIALMENTE PROVIDOS. 1. A condenação ao pagamento das custas e honorários advocatícios rege-se, em regra, pelo princípio da sucumbência, sendo uma consequência imposta à parte vencida, pois sua resistência à pretensão autoral tornou necessária a propositura da ação; e, excepcionalmente, pelo princípio da causalidade. 2. O art. 85, § 2º, do CPC, estabelece uma ordem de precedência em relação à base de cálculo da verba honorária, ou seja, "sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa". 3. Todavia, conforme se extrai da norma processual, o arbitramento dos honorários sobre o valor atualizado da causa só tem lugar quando não for possível mensurar o proveito econômico. 4. In casu, a autora buscou obter um proveito econômico com a alienação do imóvel e com o pagamento da diferença do valor dos alugueres, em razão de um pretenso reajuste locatício. Portanto, impõe-se a fixação dos honorários advocatícios com base "no proveito econômico" perseguido (art. 85, § 2º, do CPC), sempre que possível defini-lo, como é o caso dos autos. 5. Demonstrada que a sucumbência foi ínfima, correspondente a apenas 1,17% (um inteiro e dezessete centésimos por cento) do proveito obtido com a procedência do pedido de alienação do imóvel pelo valor estabelecido na sentença, deve-se aplicar a norma prevista no parágrafo único do artigo 86 do CPC, segundo a qual, se "um litigante sucumbir em parte mínima do pedido, o outro responderá, por inteiro, pelas despesas e pelos honorários. 6. RECURSOS CONHECIDOS E PARCIALMENTE PROVIDOS. (e-STJ Fl. 299) Embargos de declaração: opostos pelo agravante, foram parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes. Recurso especial: alega violação dos arts. 82, § 2º, 85, § 2º, e 1.022 do CPC. Insurge-se, em síntese, contra a distribuição dos honorários sucumbenciais na espécie. Deduz que o único pedido integralmente acolhido da agravada foi o de extinção do condomínio, sobre o qual nunca houve resistência por parte do agravante, e que o seu pedido, formulado em reconvenção, foi igualmente acolhido. A par da negativa de prestação jurisdicional, sustenta a necessidade de esclarecimento acerca da natureza do pedido alternativo da agravada, se impróprio sucessivo ou impróprio alternativo, para fins de reconhecimento de sucumbência parcial. Aduz, ainda, a necessidade de análise do princípio da causalidade, considerando a finalidade da ação, bem como da atribuição de ônus sucumbenciais ao agravante em ação revisional, em vista da ausência de aperfeiçoamento da condição imposta ao pedido alternativo rejeitado. Consigna, por fim, que "a atribuição dos ônus sucumbenciais integralmente ao Recorrente se mostra providência completamente desarrazoada. É que, como dito, ela ofereceu R$ 430.000,00 para comprar a parte da Recorrida no imóvel; ela rejeita o valor, por entender que deveria receber mais. Ao final do processo, ela receberá R$ 426.000,00 e - ainda assim - o v. acórdão recorrido entendeu que ela se sagrou vencedora" (e-STJ Fl. 380). RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 1.022 do CPC Aplica-se, na hipótese, a Súmula 284/STF, uma vez que o agravante alega violação do art. 1.022 do CPC, mas não especifica os incisos que teriam sido contrariados. Isso porque a fundamentação do recurso especial é deficiente quando a alegação de violação do artigo 1.022 do CPC é feita de maneira abrangente, sem identificar quais incisos foram infringidos. Ademais, é importante salientar que a menção genérica ao artigo de lei supostamente violado sugere a interpretação de que a alegada violação se refere apenas ao seu caput, que serve meramente como introdução ao conjunto de normas estabelecidas nos seus incisos, parágrafos e alíneas. Nesse sentido: AgInt no AgInt no AREsp n. 2.260.168/DF, Terceira Turma, DJe de 6/12/2023 e AgInt no AREsp n. 2.158.801/RJ, Quarta Turma, DJe de 6/11/2023. - Do reexame de fatos e provas Ademais, não obstante a insurgência do agravante, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que tange à distribuição e redimensionamento proporcional da sucumbência, considerando, precipuamente, o proveito econômico obtido, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ. A corroborar: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE RÉ. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte, a sucumbência é atribuída à luz do princípio da causalidade, o qual impõe a quem deu causa à propositura da ação o dever de arcar com os honorários advocatícios, mesmo ocorrendo a superveniente perda do objeto. Precedentes. 2. Rever as conclusões alcançadas pelas instâncias originárias quanto ao princípio da causalidade e à distribuição dos ônus da sucumbenciais, exigiria reexame das provas contidas nos autos. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.356.698/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024, grifo nosso.) PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. INTERMEDIAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. LEGITIMIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL PARA REPRESENTAR A PESSOA JURÍDICA EM JUÍZO. COMISSÃO DE CORRETAGEM ACORDADA EM CONTRATO VERBAL. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO EXCLUSIVAMENTE POR TESTEMUNHA. SÚM. 83 DO STJ. REVISÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚM. 5 E 7 DO STJ. PEDIDOS CUMULATIVOS COM ACOLHIMENTO APENAS DO PEDIDO MENOS ABRANGENTE. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. SÚM. 83/STJ. REVISÃO DO DECAIMENTO DE CADA PARTE NO PEDIDO E DA DISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. SÚM. 7 DO STJ. INCOGNOSCIBILIDADE DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL DIANTE DOS ÓBICES SUMULARES INCIDENTES À INTERPOSIÇÃO PELA ALÍNEA "A" DO ART. 105, III, DA CF. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional nem vícios tão somente porque o acórdão recorrido, embora tenha enfrentado de modo fundamentado e claro as questões essenciais ao deslinde da controvérsia, profere decisão contrária à pretensão da parte recorrente. 2. A "empresa individual" é uma ficção que não pressupõe a existência de uma pessoa jurídica para exploração da atividade, pois é o próprio empresário (pessoa física) quem exerce o comércio em nome próprio e responde (com seus bens) pelas obrigações firmadas pela empresa individual. Súmula 83 do STJ. 3. Na intermediação de venda de imóvel e seus respectivos efeitos e obrigações, admite-se decisão judicial baseada exclusivamente em prova testemunhal. 4. A interpretação de cláusulas contratuais e a análise do conjunto fático-probatório dos autos não se coadunam com os fins do recurso especial. Súmulas 5 e 7 do STJ. 5. Quando houver na exordial formulação de pedidos cumulativos em ordem sucessiva, a improcedência do mais amplo, com o consequente acolhimento do menos abrangente, configurará sucumbência recíproca. 6. A redistribuição de honorários advocatícios para adequá-los à proporção em que cada parte foi sucumbente é providência inviável em recurso especial. Súmula 7 do STJ. 7. O revolvimento da distribuição dos ônus sucumbenciais para aferir o decaimento das partes nas instâncias de origem não é compatível com a via do recurso especial. Súmula 7 do STJ. 8. Não se conhece do recurso especial interposto pela alínea "c" do permissivo constitucional, quando a interposição pela alínea "a" tem seu conhecimento obstado por enunciados sumulares, pois, consequentemente, advirá o prejuízo da análise da divergência jurisprudencial. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.059.044/MG, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024, grifo nosso.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. CESSÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL. DANOS MATERIAIS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 356/STF. LUCROS CESSANTES NÃO CARACTERIZADOS. DANOS INDIRETOS E HIPOTÉTICOS. SÚMULA 83/STJ. DISTRIBUIÇÃO DA SUCUMBÊNCIA. INVIABILIDADE DE ALTERAÇÃO DAS CONCLUSÕES ALCANÇADAS NA INSTÂNCIA A QUO. SÚMULA 7. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não enseja a interposição de recurso especial matéria que não tenha sido debatida no acórdão recorrido e sobre a qual não tenham sido opostos embargos de declaração, a fim de suprir eventual omissão. Ausente o indispensável prequestionamento, aplicam-se, por analogia, as Súmulas 282 e 356 do STF. 2. Os lucros cessantes devem ser efetivamente comprovados, não se admitindo lucros presumidos ou hipotéticos. 3. A modificação do entendimento lançado no acórdão recorrido quanto à comprovação dos alegados lucros cessantes demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial. 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a aferição do percentual em que cada litigante foi vencedor ou vencido, ou a conclusão pela existência de sucumbência mínima ou recíproca das partes, é questão que não comporta exame em recurso especial, por demandar reexame de aspectos fáticos e probatórios. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.124.713/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 7/6/2023, grifo nosso.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ORDINÁRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INCONFORMISMO DA DEMANDADA. 1. A Segunda Seção desta Corte, no julgamento do EREsp 1280825/RJ, de relatoria da Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe 02/08/2018, deliberou que: "nas controvérsias relacionadas à responsabilidade contratual, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/02) que prevê dez anos de prazo prescricional". 1.1. Consoante iterativa jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, a contagem do prazo prescricional se inicia somente quando o titular do direito subjetivo violado obtém plena ciência da lesão e de toda a sua extensão, conforme o princípio da actio nata. Incidência da Súmula 83/STJ. 1.2. A reforma do v. acórdão recorrido, quanto à inexistência de inércia da parte agravada e de desídia dela na citação, exigiria a alteração das premissas fático-probatórias, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 2. Para reformar a conclusão do órgão julgador e acolher a pretensão recursal referente à exceção do contrato não cumprido e onerosidade excessiva, seria a incursão na seara probatória dos autos, inadmissível no apelo especial, por óbice das Súmulas 5 e 7/STJ. 3. A revisão do quantitativo em que autor e réu decaíram do pedido para fins de aferição de sucumbência recíproca ou mínima implica reexame elementos fáticos e probatórios dos autos, incidindo a Súmula 7 do STJ. 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, em se tratando de dívida líquida e com vencimento certo, a data do vencimento da obrigação será o termo inicial para incidência dos juros moratórios e da correção monetária. Aplicação da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.164.735/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 25/10/2023, grifo nosso.) Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente ao agravante (e-STJ Fl. 319) em 1%. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXTINÇÃO DE CONDOMÍNIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO INDICAÇÃO. SÚMULA 284/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Ação de extinção de condomínio. 2. A ausência de expressa indicação de obscuridade, omissão ou contradição nas razões recursais enseja o não conhecimento do recurso especial. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.