HC 970332 - DECISAO
Por ausência das peças processuais essenciais (notadamente o inteiro teor da decisão do juízo de primeira instância que declarou extinta a punibilidade), o habeas corpus estava deficientemente instruído, não atendendo ao ônus de prova pré-constituída do impetrante, razão pela qual a liminar foi indeferida e o writ...
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- Parties
- Impetrante: Defensoria Pública do Estado de São Paulo; Paciente: EDMILSON JOSE LOPES; Agravante: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Habeas Corpus Não Conhecido Por Instrução Deficiente
- Outcome
- Indeferida a liminar; habeas corpus não conhecido por instrução deficiente
- Legal Topics
- Extinção De Punibilidade, Regressão De Regime, Instrução Deficiente, Prova Pré Constituída
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Parties
Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Impetrante
EDMILSON JOSE LOPES
Paciente
Ministério Público
Agravante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida; Habeas Corpus Não Conhecido Por Instrução Deficiente
Legal Issues
- 1 instrução deficiente do habeas corpus por ausência de peças essenciais
- 2 necessidade de prova pré-constituída e incontroversa em habeas corpus
- 3 conflito entre extinção da punibilidade e pedido de regressão de regime
Ratio Decidendi
Por ausência das peças processuais essenciais (notadamente o inteiro teor da decisão do juízo de primeira instância que declarou extinta a punibilidade), o habeas corpus estava deficientemente instruído, não atendendo ao ônus de prova pré-constituída do impetrante, razão pela qual a liminar foi indeferida e o writ não foi conhecido.
Court Disposition
Indeferida a liminar; habeas corpus não conhecido por instrução deficiente
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus
- Intimem-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo em favor de EDMILSON JOSE LOPES, impugnando acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no julgamento Agravo em Execução Penal n. 0010656-60.2024.8.26.0071. Consta que o Juízo da Execução indeferiu pleito do Ministério Público de regressão de regime e declarou a extinção de punibilidade do paciente, conforme lê-se do relatório de e-STJ fls. 21/23. Inconformado, o Ministério Público interpôs agravo em execução, tendo o Tribunal dado provimento ao recurso para rever a decisão atacada, a fim de que o sentenciado cumpra a condição especial que lhe foi imposta na audiência de advertência do regime aberto. E se não o fizer, que se prossiga com a execução, examinando-se a possibilidade de regressão pelo inadimplemento de obrigação assumida (e-STJ fl. 31). Na presente impetração, a Defensoria sustenta que o Acórdão impôs constrangimento ilegal ao paciente, uma vez que o término de cumprimento da pena do Paciente ocorreu sem que houvesse qualquer notícia de que estaria descumprindo as condições impostas, bem como que não houve nenhuma intercorrência que desabonasse sua conduta durante todo o cumprimento de pena imposta (e-STJ fls. 4/5). Argumenta que: Mesmo que tenha verificado o descumprimento das condições do regime aberto, não houve oportuna e tempestiva intervenção, decorrendo, assim, o lapso temporal previsto para o cumprimento da pena privativa de liberdade, sendo necessária sua extinção (e-STJ fl. 6). Pede, assim, liminarmente e no mérito, a concessão da ordem para que seja extinta a punibilidade do paciente. É o relatório. Decido. Como se sabe, o rito do habeas corpus, em razão da necessária celeridade, pressupõe a apresentação de prova pré-constituída do direito alegado, sob pena de não conhecimento da ordem. No caso concreto, não foram juntadas cópias de peças processuais indispensáveis à compreensão da controvérsia, notadamente o inteiro teor da decisão do Juízo da primeira instância que julgou extinta a punibilidade do paciente. Diante desse contexto, impossível a exata compreensão da controvérsia sem as peças essenciais ao seu conhecimento. De se lembrar que incumbe ao impetrante o dever de demonstrar, de maneira inequívoca, por meio de documentos, a existência do constrangimento ilegal imposto ao paciente, situação que não ocorre na espécie, ensejando o não conhecimento do writ. Nesse sentido, confiram-se os precedentes desta Corte: EXECUÇÃO PENAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PROGRESSÃO DE REGIME. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. AUSÊNCIA DA DECISÃO DE DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO PELO JUÍZO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há previsão legal de pedido de reconsideração, motivo pelo qual, em homenagem ao princípio da fungibilidade, recebe-se a presente petição como agravo regimental. 2. Na hipótese, não foram juntadas cópias de peças processuais indispensáveis à compreensão da controvérsia, notadamente a decisão do Juízo da primeira instância que deferiu o pedido de progressão ao paciente. Caracterizada a deficiência de instrução. Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido. (PET no HC n. 941.704/SP, DE MINHA RELATORIA, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINARMENTE O RECURSO. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS E LAVAGEM DE CAPITAIS. PRISÃO PREVENTIVA. RECORRER EM LIBERDADE. FUNDAMENTAÇÃO. SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA. AUSÊNCIA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. APRECIAÇÃO DA MOTIVAÇÃO PARA NEGATIVA DE RECORRER EM LIBERDADE. INVIABILIDADE. 1. "Cabe apenas ao Julgador, verdadeiro destinatário das provas, a verificação de quais documentos entende como imprescindíveis para a análise das controvérsias suscitadas. Sendo, no caso, constatada a ausência de peças necessárias para a verificação do constrangimento alegado, correta a decisão que entendeu pela instrução deficitária do recurso ordinário em habeas corpus" (AgRg no RHC n. 100.336/RS, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 3/9/2019, DJe 16/9/2019). 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC 132.359/RJ, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 08/09/2020, DJe 14/09/2020) HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. IRREGULARIDADE DA PRISÃO EM FLAGRANTE. WRIT DEFICITARIAMENTE INSTRUÍDO. NÃO CONHECIMENTO. PRISÃO PREVENTIVA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA PELOS MESMOS FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. QUANTIDADE DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE APREENDIDA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. INSUFICIÊNCIA, NO CASO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. 1. O habeas corpus encontra-se deficitariamente instruído, não havendo como esclarecer, exatamente, em qual situação se deu a prisão em flagrante do Paciente, o que impede, no caso, a compreensão da controvérsia. Conforme o entendimento já consolidado nesta Corte, o procedimento do habeas corpus não permite a dilação probatória, exigindo prova pré-constituída das alegações, sendo ônus do impetrante trazê-la no momento da impetração. Precedentes. (..) 6. Habeas corpus parcialmente conhecido e, nessa extensão, denegada a ordem. (HC 479.238/MS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 15/10/2019, DJe 25/10/2019) No mesmo sentido, esta Corte assentou que, "em sede de habeas corpus, a prova deve ser pré-constituída e incontroversa, cabendo ao impetrante apresentar documentos suficientes à análise de eventual ilegalidade flagrante no ato atacado" (AgRg no HC n. 549.417/SC, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 10/12/2019, DJe 17/12/2019). Ante o exposto, com base no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Intimem-se. EMENTA