AREsp 3034079 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal de origem analisou a controvérsia de forma clara e fundamentada; a matéria de fundo demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula n.7/STJ; faltou prequestionamento das teses suscitadas, nos termos da Súmula n.211/STJ; e o dissídio jurisprudencial não foi...
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- Parties
- Impetrante/agravante: Céu Azul Alimentos Ltda.; Autoridade Coatora/recorrida: Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (acórdão Negando Provimento)
- Outcome
- Agravo interno improvido; manutenção da decisão recorrida e não conhecimento do recurso especial.
- Legal Topics
- Extinção Do Crédito Tributário, Compensação De Ofício, Corrreção Monetária (taxa Selic), Prequestionamento, Reexame Fático Probatório, Dissídio Jurisprudencial, Súmulas/stj
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Parties
Céu Azul Alimentos Ltda.
Impetrante/agravante
Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em São Paulo
Autoridade Coatora/recorrida
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (acórdão Negando Provimento)
Legal Issues
- 1 possibilidade de compensação de ofício contra créditos com exigibilidade suspensa
- 2 incidência da Taxa SELIC na atualização dos créditos de ressarcimento
- 3 omissão/omissão sob o art. 1.022 CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal de origem analisou a controvérsia de forma clara e fundamentada; a matéria de fundo demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula n.7/STJ; faltou prequestionamento das teses suscitadas, nos termos da Súmula n.211/STJ; e o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado nos moldes legais, de modo que o recurso especial não pôde ser conhecido.
Court Disposition
Agravo interno improvido; manutenção da decisão recorrida e não conhecimento do recurso especial.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão do Tribunal de origem (não conhecimento do recurso especial)
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teodoro Silva Santos. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO CLARA E FUNDAMENTADA DO TRIBUNAL A QUO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de mandado de segurança contra ato do Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em São Paulo, pleiteando a compensação de ofício. Na sentença, concedeu-se parcialmente a segurança, determinando a abstenção da compensação de ofício quanto aos créditos com exigibilidade suspensa decorrente de parcelamento tributário. No Tribunal a quo, a remessa oficial foi improvida, e a apelação foi parcialmente provida para reformar a sentença e determinar o depósito dos valores referentes aos pedidos de ressarcimento já deferidos. Nesta Corte, o agravo foi conhecido, relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, mas não se conheceu do recurso especial. II - O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia e concluiu que não há violação do art. 1.022 CPC/2015 do (antigo art. 535 CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015, apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. III - A prescrição trazida pelo art. 489 CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o julgador deve analisar apenas os argumentos capazes de alterar a decisão questionada. (EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi, Desembargadora convocada TRF 3ª Região, Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, Dje 15/6/2016). IV - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ. V - Relativamente às demais alegações de violação (arts. 1.025, 1039, 1.040, 11, 3º, 8º, 927, III, IV, do CPC; e 884 do CC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. VII - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se, ainda, que a incidência do Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VIII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. IX - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou mandado de segurança (restituição/compensação tributária). Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada. O valor da causa foi fixado em R$ 2.627.528,53 (dois milhões, seiscentos e vinte e sete mil, quinhentos e vinte e oito reais e cinquenta e três centavos). O recurso especial foi interposto no Tribunal Regional Federal da 3ª Região contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: TRIBUTÁRIO. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DEFERIDO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. MORA NÃO VERIFICADA. AGRAVO PREJUDICADO. REEXAME DESPROVIDO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. - Agravo interposto contra a decisão que recebeu o recurso em somente no efeito devolutivo prejudicado, à vista do julgamento do presente recurso de apelação. A questão relativa à compensação de ofício foi analisada pelo o Superior- Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 1213082 (Tema 484), ao entendimento de que o procedimento somente é ilegal se a dívida do contribuinte estiver com sua exigibilidade suspensa, na forma do artigo 151 do Código Tributário Nacional. - O Supremo Tribunal Federal reafirmou esse entendimento, em sede de repercussão geral, de que é inconstitucional, por afronta ao art. 146, III, b, da CF, a expressão "ou parcelados sem garantia", constante do parágrafo único do art. 73 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.844/13, na medida em que retira os efeitos da suspensão da (Tema 874). exigibilidade do crédito tributário prevista no CTN - Relativamente à fixação do termo inicial da incidência da correção monetária no ressarcimento dos créditos tributários escriturais, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 1.768.060/SC (Tema 1003), representativo da controvérsia, firmou o entendimento de que a atualização do crédito somente é devida após o decurso do prazo de 360 para a análise do pedido administrativo pelo fisco. - Reconhecido o direito ao creditamento, cabe à Receita Federal o creditamento do montante, bem como dos acréscimos e encargos legais, se devidos, conforme disposto no artigo 98 da IN RFB n.º 2.055/2021, afastada, portanto, a aplicação do artigo 100 da CF. - Agravo prejudicado. Remessa oficial desprovida e apelação parcialmente provida. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: 10. O acórdão integrativo proferido foi omisso quanto ao pedido de incidência da Taxa Selic no montante do crédito a ser ressarcido, supostamente em razão de tal pleito configurar inovação recursal. .. 13. Referido acórdão não esteve devidamente fundamentado, caracterizando-se omissão quanto à tese arguida pela embargante, ora Agravante de que os atos do fisco que obstaram o aproveitamento do crédito pleiteado dão razão à incidência da correção monetária. O que, conforme já salientado acima, é entendimento vinculante fixado por este d. tribunal, fixado pela Súmula 411/STJ3. .. 19. Com a devida vênia, a aplicação da Súmula 07/STJ é incompatível com a matéria de fundo, tendo em vista que, ante o reconhecimento da retenção ilegal pelo tribunal a quo, a aplicação da Taxa Selic é matéria estritamente de direito. .. 24. Vê-se, portanto, que o pedido feito pela Agravante em nada se confunde com análise de provas, sendo, unicamente, uma questão de aplicação do precedente, haja vista que este E. STJ assentou, claramente, a incidência de correção monetária de créditos de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima pelo FISCO. .. 28. Ademais, frise-se que o item "V" do pré-questionamento constante nos embargos de declaração opostos em face do acórdão da Turma de origem, listaram a jurisprudência desta casa, no Recurso Especial Repetitivo nº 1.492.221/PR e dos Embargos de Divergência nº 1.461.607/SC. .. 32. Novamente incorreu em erro a decisão agravada, alegando que inexiste, no recurso especial, o cotejo analítico demonstrando diferença de tratamento entre os acórdãos. Não somente foi apresentada análise, como, para facilitar a leitura, apresentou-se quadro comparativo entre os julgados (fls. e-STJ nº 359/360). Segue: .. 32. Novamente incorreu em erro a decisão agravada, alegando que inexiste, no recurso especial, o cotejo analítico demonstrando diferença de tratamento entre os acórdãos. Não somente foi apresentada análise, como, para facilitar a leitura, apresentou-se quadro comparativo entre os julgados (fls. e-STJ nº 359/360). Segue: É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO CLARA E FUNDAMENTADA DO TRIBUNAL A QUO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de mandado de segurança contra ato do Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em São Paulo, pleiteando a compensação de ofício. Na sentença, concedeu-se parcialmente a segurança, determinando a abstenção da compensação de ofício quanto aos créditos com exigibilidade suspensa decorrente de parcelamento tributário. No Tribunal a quo, a remessa oficial foi improvida, e a apelação foi parcialmente provida para reformar a sentença e determinar o depósito dos valores referentes aos pedidos de ressarcimento já deferidos. Nesta Corte, o agravo foi conhecido, relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, mas não se conheceu do recurso especial. II - O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia e concluiu que não há violação do art. 1.022 CPC/2015 do (antigo art. 535 CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015, apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. III - A prescrição trazida pelo art. 489 CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o julgador deve analisar apenas os argumentos capazes de alterar a decisão questionada. (EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi, Desembargadora convocada TRF 3ª Região, Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, Dje 15/6/2016). IV - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ. V - Relativamente às demais alegações de violação (arts. 1.025, 1039, 1.040, 11, 3º, 8º, 927, III, IV, do CPC; e 884 do CC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. VII - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se, ainda, que a incidência do Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VIII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. IX - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Mandado de segurança impetrado por contra ato Céu Azul Alimentos Ltda. praticado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em São Paulo/SP, com vista à determinação de depósito dos valores já homologados em processos administrativos de ressarcimento, com a aplicação da taxa SELIC na atualização dos créditos reconhecidos, desde o 361º dia dos protocolos dos pedidos até o seu efetivo pagamento, bem como o afastamento da compensação de ofício. (..) A questão relativa à compensação de ofício foi analisada pelo o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 1213082 (Tema 484), ao entendimento de que o procedimento somente é ilegal se a dívida do contribuinte estiver com sua exigibilidade suspensa, na forma do artigo 151 do Código Tributário Nacional, (..) não obstante a Lei nº 12.844/2013, publicada após o julgamento do recurso paradigma pelo STJ, tenha alterado o artigo 73 da Lei n.º 9.430/96 para permitir a realização da compensação de ofício, a regra do artigo 151, inciso IV, do CTN sobre a dos débitos incluídos em programa de parcelamento permanece suspensão da exigibilidade hígida sem fazer qualquer distinção sobre a necessidade de garantia ou não para o benefício fiscal, comando que somente poderia ser alterado por lei complementar (artigo 146, inciso III, alínea "b", da CF), de modo que resta impossibilitada a realização da compensação pretendida pelo ente público. Nesse sentido é o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (..) Relativamente à fixação do termo inicial da incidência da correção monetária no ressarcimento dos créditos tributários escriturais, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 1.768.060/SC (Tema 1003), representativo da controvérsia, firmou o entendimento de que a atualização do crédito somente é devida o após decurso do prazo de 360 para a análise do pedido administrativo pelo fisco (..) De acordo com os documentos apresentados nos autos, os pedidos de ressarcimento foram apresentados pela impetrante em julho de 2018, março e abril de 2021 (Id 254871400 e 254871401) e os créditos reconhecidos em período inferior àquele estabelecido para a incidência da correção monetária, razão pela qual não merece provimento o pedido de aplicação da taxa SELIC (..) Por sua vez, reconhecido o direito ao creditamento, cabe à Receita Federal o creditamento do montante, bem como dos acréscimos e encargos legais, se devidos, conforme disposto no artigo 98 da IN RFB n.º 2.055/2021, afastada, portanto, a aplicação do artigo 100 da CF. (..) Ante o exposto, declaro prejudicado o agravo, nego provimento à remessa oficial e dou parcial provimento à apelação para reformar a sentença e determinar o depósito dos valores referentes aos pedidos de ressarcimento já deferidos no prazo de 15 dias. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 1.025, 1039, 1.040, 11, 3º, 8º, 927, III, IV, do CPC; e 884 do CC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se, ainda, que a incidência do Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.