AREsp 2978329 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque a pretensão de reconhecer a validade da cláusula resolutiva e a legalidade da extinção do plano exigiria reexame do conjunto fático-probatório e interpretação de cláusulas contratuais, providências vedadas em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, não havendo novos...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: EVIDENCE PREVIDÊNCIA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2026
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Da Terceira Turma (sessão Virtual, 24/02/2026 a 02/03/2026)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Extinção Unilateral De Plano De Previdência Privada, Abusividade Contratual, Cláusula Resolutiva, Onerosidade Excessiva, Súmula 5 Do STJ, Súmula 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
EVIDENCE PREVIDÊNCIA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Da Terceira Turma (sessão Virtual, 24/02/2026 a 02/03/2026)
Legal Issues
- 1 Se a extinção unilateral de plano de previdência privada com base em cláusula resolutiva e alegação de onerosidade excessiva e fato imprevisível pode ser considerada válida à luz das Súmulas n. 5 e 7 do STJ
- 2 Se a análise da validade da cláusula resolutiva implicaria reexame de fatos e provas e interpretação de cláusulas contratuais vedados em recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque a pretensão de reconhecer a validade da cláusula resolutiva e a legalidade da extinção do plano exigiria reexame do conjunto fático-probatório e interpretação de cláusulas contratuais, providências vedadas em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, não havendo novos elementos capazes de alterar o entendimento do decisum recorrido.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Agravo interno improvido
- Negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/02/2026 a 02/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro, Daniela Teixeira e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA Direito Civil. Agravo Interno no agravo em recurso especial. Previdência Privada. Extinção unilateral de plano de previdência privada. Abusividade contratual. Súmulas 5 e 7 do STJ. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nesta extensão, negar-lhe provimento, aplicando os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ. 2. O Tribunal de origem concluiu pela abusividade da extinção unilateral do plano de previdência privada, promovida pela entidade de previdência, após análise dos fatos, provas e cláusulas do regulamento do plano. 3. A agravante sustenta que a extinção do plano de previdência foi lícita, amparada em cláusula resolutiva expressa, e que a alteração do cenário econômico configurou onerosidade excessiva, não sendo necessário interpretar o regulamento do plano. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a extinção unilateral do plano de previdência privada, com base em cláusula resolutiva e alegação de onerosidade excessiva e fato imprevisível, pode ser considerada válida, à luz das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. III. Razões de decidir 5. A análise da validade da cláusula resolutiva e da extinção do contrato, com base em alegações de onerosidade excessiva e fato imprevisível, demandaria o reexame de fatos e provas, bem como a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em sede de recurso especial, conforme as Súmulas 5 e 7 do STJ. 6. O Tribunal de origem concluiu pela abusividade da extinção unilateral do plano de previdência privada, considerando que os fatores econômicos alegados pela entidade previdenciária não eram imprevisíveis e que houve inércia da entidade em adotar medidas de reequilíbrio contratual ao longo do tempo, causando prejuízo ao participante. 7. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a revisão das conclusões das instâncias ordinárias sobre abusividade de cláusulas contratuais, quando baseada na análise de fatos e provas, não é possível na via do recurso especial. IV. Dispositivo Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por EVIDENCE PREVIDÊNCIA S.A. contra decisão monocrática de minha relatoria que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nesta extensão, negar-lhe provimento. Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL assim ementado (fl. 519): APELAÇÃO CÍVEL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. EVIDENCE PREVIDÊNCIA S/A. PLANO FGB. DESEQUILÍBRIO CONTRATUAL. EXTINÇÃO DO PLANO. Os fatores econômicos suscitados pela entidade previdenciária, como a inflação e a redução da taxa de juros, e aumento da expectativa de vida dos participantes do plano não constituíram, ao longo da execução continuada do contrato previdenciário, eventos imprevisíveis. Ao contrário, a própria demandada refere que, desde 2010, a remuneração dos investimentos sofreu drástica redução em virtude da igualmente acentuada redução da taxa de juros praticados pelo mercado financeiro. Não obstante isso, deixou de promover a modificação equitativa das condições do contrato, consoante autorizava o art. 479 do CC. Desse modo, permitiu que, quando da fruição do benefício pelo participante, eventos de há muito conhecidos, reduzissem a reserva ao ponto de justificar a extinção do contrato, em evidente prejuízo ao participante. Circunstância que evidencia a abusividade contratual e impede a entidade previdenciária de extinguir o contrato com base em previsão regulamentar. Sentença de procedência confirmada. Honorários recursais devidos. APELAÇÃO DESPROVIDA. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls.590). A agravante alega, nas razões do agravo interno, que a decisão monocrática merece reforma, pois sustenta que houve negativa de prestação jurisdicional pelo Tribunal de origem e que a análise de mérito do recurso especial não encontra óbice nas Súmulas n. 5 e 7/STJ. Aduz, ainda, que a extinção do plano de previdência foi lícita, pois amparada em cláusula resolutiva expressa, e que a alteração do cenário econômico configurou onerosidade excessiva, não se tratando de mero risco da atividade. Sustenta, outrossim, que ao contrário do que a decisão ora agravada entende, não é necessário "interpretar o Regulamento do Plano de Previdência", sobretudo porque o próprio acórdão recorrido reconheceu que o regulamento previa condição resolutiva. O agravado, instado a se manifestar, deixou de apresentar contraminuta (fls. 755). É, no essencial, o relatório. EMENTA Direito Civil. Agravo Interno no agravo em recurso especial. Previdência Privada. Extinção unilateral de plano de previdência privada. Abusividade contratual. Súmulas 5 e 7 do STJ. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nesta extensão, negar-lhe provimento, aplicando os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ. 2. O Tribunal de origem concluiu pela abusividade da extinção unilateral do plano de previdência privada, promovida pela entidade de previdência, após análise dos fatos, provas e cláusulas do regulamento do plano. 3. A agravante sustenta que a extinção do plano de previdência foi lícita, amparada em cláusula resolutiva expressa, e que a alteração do cenário econômico configurou onerosidade excessiva, não sendo necessário interpretar o regulamento do plano. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a extinção unilateral do plano de previdência privada, com base em cláusula resolutiva e alegação de onerosidade excessiva e fato imprevisível, pode ser considerada válida, à luz das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. III. Razões de decidir 5. A análise da validade da cláusula resolutiva e da extinção do contrato, com base em alegações de onerosidade excessiva e fato imprevisível, demandaria o reexame de fatos e provas, bem como a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em sede de recurso especial, conforme as Súmulas 5 e 7 do STJ. 6. O Tribunal de origem concluiu pela abusividade da extinção unilateral do plano de previdência privada, considerando que os fatores econômicos alegados pela entidade previdenciária não eram imprevisíveis e que houve inércia da entidade em adotar medidas de reequilíbrio contratual ao longo do tempo, causando prejuízo ao participante. 7. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a revisão das conclusões das instâncias ordinárias sobre abusividade de cláusulas contratuais, quando baseada na análise de fatos e provas, não é possível na via do recurso especial. IV. Dispositivo Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): O agravo interno não merece prosperar. Cinge-se a controvérsia em analisar a correção da decisão monocrática que aplicou as Súmulas n. 5 e 7 do STJ para não conhecer do recurso especial no que tange à alegada legalidade da extinção unilateral do plano de previdência privada. Consoante aludido na decisão agravada, o Tribunal de origem, após detida análise dos fatos, das provas e das cláusulas do regulamento do plano, concluiu pela abusividade da resolução contratual promovida pela entidade de previdência. O acórdão recorrido foi claro ao assentar que a situação de desequilíbrio decorreu de "fatores econômicos de há muito conhecidos" e da "inércia" da própria entidade, que não adotou medidas de reequilíbrio contratual ao longo do tempo, em flagrante prejuízo ao participante. Nesse contexto, a pretensão da agravante de ver reconhecida a validade da cláusula resolutiva e a legalidade da extinção do contrato, sob os argumentos de onerosidade excessiva e fato imprevisível, implicaria, necessariamente, o reexame de todo o arcabouço fático-probatório e a reinterpretação das cláusulas do regulamento do plano. Tal procedimento é vedado em sede de recurso especial, por força dos óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a revisão das conclusões das instâncias ordinárias a respeito da abusividade de cláusulas contratuais, quando baseada na análise de fatos e provas, não é possível na via do recurso especial. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO ORDINÁRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. INSURGÊNCIA RECURSAL DA DEMANDANTE. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. A jurisprudência desta Corte Superior entende não implicar em cerceamento de defesa o indeferimento de dilação probatória, notadamente quando as provas já produzidas são suficientes para a resolução da lide. Precedentes. 2.1. Rever o entendimento do Tribunal local acerca da suficiência das provas produzidas demandaria o reexame do contexto fático e probatório dos autos, providência que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 3. Para afastar as conclusões do acórdão recorrido acerca da onerosidade excessiva e da previsibilidade do evento, como pretende a insurgente, seria necessária a análise de disposições contratuais relacionadas à previdência privada dos autores, além de matéria de fato emanada dos autos, o que esbarra no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.334.065/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 31/8/2023.) Assim, apesar do esforço argumentativo, entendo que a ausência de qualquer novo subsídio trazido pela agravante, capaz de alterar os fundamentos da decisão ora agravada, faz subsistir incólume o entendimento nela firmado. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.