HC 926619 - ACORDAO
O agravo regimental foi desprovido porque traz pedidos reiterativos de questões já decididas no REsp n. 2.085.586/MG, impedindo o conhecimento; não se verificou ilegalidade manifesto na dosimetria, sendo válida a exasperação em 1/8 sobre o intervalo legal em razão das consequências do crime (veículo não recuperado e...
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- Parties
- Agravante: MARCUS VINICIUS VALERIO; Agravante: ILSON MOURA; Agravante: JOAO CARLOS DE ABREU SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Acórdão Julgamento Em Sessão Virtual Da Quinta Turma
- Outcome
- Agravo regimental desprovido (negado provimento)
- Legal Topics
- Extorsão Mediante Sequestro, Dosimetria Da Pena, Reconhecimento (art. 226 Do Cpp), Direito Ao Silêncio (arts. 185 E 186 Do Cpp), Art. 386 Do CPP (insuficiência De Provas), Regime Inicial De Cumprimento De Pena (art. 33, §2º, A, Do Cp), Reiteração De Pedidos
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Parties
MARCUS VINICIUS VALERIO
Agravante
ILSON MOURA
Agravante
JOAO CARLOS DE ABREU SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Acórdão Julgamento Em Sessão Virtual Da Quinta Turma
Legal Issues
- 1 alegada nulidade por reconhecimento realizado com violação ao art. 226 do CPP quanto ao réu João Carlos
- 2 alegada violação aos arts. 185 e 186 do CPP (direito ao silêncio)
- 3 alegada violação ao art. 386 do CPP (insuficiência de provas)
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi desprovido porque traz pedidos reiterativos de questões já decididas no REsp n. 2.085.586/MG, impedindo o conhecimento; não se verificou ilegalidade manifesto na dosimetria, sendo válida a exasperação em 1/8 sobre o intervalo legal em razão das consequências do crime (veículo não recuperado e incendiado), e o regime inicial fechado se mostra adequado ao quantum da pena (9 anos) nos termos do art.33, §2º, a, do CP.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido (negado provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental interposto por Marcus Vinicius Valerio, Ilson Moura e Joao Carlos de Abreu Silva
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus e o acórdão do Tribunal a quo quanto à condenação e dosimetria
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/04/2025 a 30/04/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. ANÁLISE DE PARTE DAS TESES EM RECURSO ESPECIAL. REITERAÇÃO DE PEDIDOS. DOSIMETRIA. ALEGAÇÃO DE DESPROPORCIONALIDADE NA FIXAÇÃO DA PENA-BASE. INOCORRÊNCIA. EXASPERAÇÃO EM 1/8 SOBRE O INTERVALO DAS PENAS MÍNIMA E MÁXIMA. FRAÇÃO RAZOÁVEL E PROPORCIONAL. CONSEQUÊNCIAS DO DELITO. VEÍCULO NÃO RECUPERADO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REGIME INICIAL DE ACORDO COM O QUANTUM DA PENA IMPOSTA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Quanto aos temas relativos à alegada violação ao art. 226 do CPP; violação aos arts. 185 e 186 do CPP; violação ao art. 226 do CPP; violação ao art. 386 do CPP, e dosimetria das penas impostas aos réus ILSON e MARCUS; verifica-se que o presente recurso em habeas corpus traz pedidos idênticos aos formulados no no REsp n. 2.085.586/MG, no qual esta Corte Superior de Justiça, por decisão proferida em 20/3/2024, conheceu em parte e desproveu o recurso. Assim, diante de inadmissível reiteração de pedidos, obstaculizado o conhecimento do writ nos pontos. 2. O refazimento da dosimetria da pena em habeas corpus tem caráter excepcional, somente sendo admitido quando se verificar de plano e sem a necessidade de incursão probatória, a existência de manifesta ilegalidade ou abuso de poder. 3. Quanto à fração de aumento da pena-base, no silêncio do legislador, a doutrina e a jurisprudência estabeleceram dois critérios de incremento por cada circunstância judicial valorada negativamente, sendo o primeiro de 1/6 (um sexto) da pena mínima estipulada e outro de 1/8 (um oitavo), a incidir sobre o intervalo de apenamento previsto no preceito secundário do tipo penal incriminador, ressalvadas as hipóteses em que haja fundamentação idônea e bastante que justifique aumento superior às frações acima mencionadas. 4. Na hipótese, observa-se que foi utilizado o critério de aumento de 1/8 sobre o intervalo entre as penas mínima e máxima do tipo penal em abstrato, em razão da análise desfavorável das consequências do crime, porque a vítima não recuperou seu veículo, já que os réus atearam fogo no bem. A referida fundamentação, bem como a fração de aumento imposta, não se mostram ilegais ou desproporcionais, e se tratam de parâmetros aceitos por esta Corte Superior, razão pela qual não há retoque a ser feito na dosimetria. 5. Diante do quantum da pena imposta aos agravantes - 9 anos de reclusão -, não há falar em ilegalidade da manutenção do regime fechado, fixado nos termos do art. 33, § 2º, a, do CP. 6. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por MARCUS VINICIUS VALERIO, ILSON MOURA e JOAO CARLOS DE ABREU SILVA, contra decisão de minha relatoria em que não conheci do habeas corpus (fls. 1.382/1.390). Os agravantes foram condenados em primeira instância à pena de 9 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do delito previsto no art. 159, caput, do Código Penal - CP, na forma do art. 29 do CP (extorsão mediante sequestro). Irresignada, a defesa dos réus interpôs apelação, que foi desprovida pelo Tribunal de origem. Foram opostos Embargos de Declaração, que foram rejeitados (fls. 1.313/1.322) e, na sequência, foi interposto Recurso Especial pelos réus, que foi parcialmente conhecido e desprovido, tendo o feito transitado em julgado. No presente agravo regimental, a defesa reitera que houve nulidade processual por considerar que a condenação se deu com base em reconhecimento ilegal, realizado com violação ao disposto no art. 226 do Código de Processo Penal - CPP quanto ao réu JOÃO CARLOS. Reafirma que o reconhecimento não foi repetido em Juízo e sequer foi reapresentado o vídeo à vítima, tratando-se de condenação baseada em provas produzidas durante o inquérito policial e nas palavras dos policiais. Sustenta que "João Carlos não foi orientado do seu direito ao silêncio, do seu direito de ser acompanhado por advogado e do direito de não produzir provas contra si mesmo" (fl. 1.402), e pondera que a matéria não foi analisada no REsp n. 2085586 - MG. Aduz, ainda, "no que tange a alegada violação do artigo 386 do CPP, o Recurso Especial não foi sequer conhecido. Do mesmo modo a dosimetria da pena. Procedida a análise, quando do julgamento do REsp, entendeu-se que a dosimetria estava de acordo com a jurisprudência do STJ e que, portanto, não seria cabível REsp" (fl. 1.403). Acerca da dosimetria, reitera que não foram apresentados elementos que justificassem a exasperação da pena-base, uma vez que, embora a vítima não tenha recuperado o veículo, esta recebeu o valor do bem da seguradora. Acrescenta que o agravante faz jus ao abrandamento do regime inicial. Requer a reconsideração da decisão agravada ou o julgamento pelo órgão colegiado a fim de que a ordem seja concedida nos termos requeridos inicialmente, nos termos da fundamentação. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. ANÁLISE DE PARTE DAS TESES EM RECURSO ESPECIAL. REITERAÇÃO DE PEDIDOS. DOSIMETRIA. ALEGAÇÃO DE DESPROPORCIONALIDADE NA FIXAÇÃO DA PENA-BASE. INOCORRÊNCIA. EXASPERAÇÃO EM 1/8 SOBRE O INTERVALO DAS PENAS MÍNIMA E MÁXIMA. FRAÇÃO RAZOÁVEL E PROPORCIONAL. CONSEQUÊNCIAS DO DELITO. VEÍCULO NÃO RECUPERADO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REGIME INICIAL DE ACORDO COM O QUANTUM DA PENA IMPOSTA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Quanto aos temas relativos à alegada violação ao art. 226 do CPP; violação aos arts. 185 e 186 do CPP; violação ao art. 226 do CPP; violação ao art. 386 do CPP, e dosimetria das penas impostas aos réus ILSON e MARCUS; verifica-se que o presente recurso em habeas corpus traz pedidos idênticos aos formulados no no REsp n. 2.085.586/MG, no qual esta Corte Superior de Justiça, por decisão proferida em 20/3/2024, conheceu em parte e desproveu o recurso. Assim, diante de inadmissível reiteração de pedidos, obstaculizado o conhecimento do writ nos pontos. 2. O refazimento da dosimetria da pena em habeas corpus tem caráter excepcional, somente sendo admitido quando se verificar de plano e sem a necessidade de incursão probatória, a existência de manifesta ilegalidade ou abuso de poder. 3. Quanto à fração de aumento da pena-base, no silêncio do legislador, a doutrina e a jurisprudência estabeleceram dois critérios de incremento por cada circunstância judicial valorada negativamente, sendo o primeiro de 1/6 (um sexto) da pena mínima estipulada e outro de 1/8 (um oitavo), a incidir sobre o intervalo de apenamento previsto no preceito secundário do tipo penal incriminador, ressalvadas as hipóteses em que haja fundamentação idônea e bastante que justifique aumento superior às frações acima mencionadas. 4. Na hipótese, observa-se que foi utilizado o critério de aumento de 1/8 sobre o intervalo entre as penas mínima e máxima do tipo penal em abstrato, em razão da análise desfavorável das consequências do crime, porque a vítima não recuperou seu veículo, já que os réus atearam fogo no bem. A referida fundamentação, bem como a fração de aumento imposta, não se mostram ilegais ou desproporcionais, e se tratam de parâmetros aceitos por esta Corte Superior, razão pela qual não há retoque a ser feito na dosimetria. 5. Diante do quantum da pena imposta aos agravantes - 9 anos de reclusão -, não há falar em ilegalidade da manutenção do regime fechado, fixado nos termos do art. 33, § 2º, a, do CP. 6. Agravo regimental desprovido. VOTO A decisão agravada deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Consoante já destacado, o presente mandamus, em alguns pontos, traz pedidos idênticos aos formulados no REsp n. 2.085.586/MG, que por decisão proferida em 20/3/2024, foi conhecido em parte e desprovido, nos seguintes pontos: a) alegada violação ao art. 226 do CPP quanto ao réu JOÃO CARLOS DE ABREU, in verbis: "Dos trechos acima transcritos, verifica-se que, embora o Tribunal local tenha afirmado que a observância do procedimento previsto no art. 226 do CPP seria meramente recomendatória, a condenação do recorrente também restou amparada em outros elementos de prova produzidos durante a persecução penal. Constata-se, nesta esteira, que, nos termos do acórdão recorrido, a autoria delitiva encontra-se suficientemente amparada em provas independentes do reconhecimento. Com efeito, o voto do revisor mencionou os relatórios de investigação, os depoimentos judiciais dos policiais, os registros de ligações telefônicas entre os acusados no dia dos fatos e poucos dias depois, as mensagens apagadas entre os réus na data do crime; todos esses elementos revelaram o envolvimento do ora recorrente na prática delitiva. Nesse contexto, a conclusão das instâncias ordinárias está em consonância com a orientação jurisprudencial desta Corte no sentido de que eventual inobservância do rito legal previsto no art. 226 do CPP não conduz necessariamente ao desfecho absolutório, se houver outras provas aptas a confirmar a autoria delitiva, como é a hipótese dos autos." b) alegada violação aos arts. 185 e 186 do CPP, bem como violação ao art. 226 do CPP quanto aos réus ILSON MOURA e MARCUS VINICIUS VALERIO, in verbis: "Em sequência, verifica-se ausência de interesse recursal quanto às teses de violação aos arts. 185 e 186 do CPP, bem como violação ao art. 226 do CPP. Isso porque tais questões dizem respeito exclusivamente ao corréu, que não é parte neste recurso especial (JOÃO CARLOS). Sequer se poderia dizer que a tese de violação ao direito ao silêncio teve alguma repercussão na esfera jurídica dos ora recorrentes, visto que o trecho indicado da sentença diz respeito apenas ao reconhecimento do corréu e não foram o interrogatório, tampouco o reconhecimento utilizados em desfavor daqueles" c) alegada violação ao art. 386 do CPP, in verbis: "Sobre a violação ao art. 386 do CPP, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS manteve a condenação dos recorrentes, nos seguintes termos do voto do relator: "Centra-se o apelo, inicialmente, em postular a absolvição dos apelantes em face da alegada insuficiência de provas. Sem razão, contudo. A materialidade do crime está evidenciada pelo boletim de ocorrência (doc.2), auto de apreensão (docs.4/5), relatórios circunstanciados de investigações (docs.2; 4; 5), tudo em conformidade com a prova oral colhida. De igual modo, a autoria está devidamente demostrada, não obstante as negativas dos recorrentes (docs.4; 5; 156 -Pje Mídias), que se mostram isoladas do restante dos elementos de convicção. Com efeito, em todas as oportunidades em que foi ouvido, o ofendido, narrou a dinâmica dos fatos, detalhando com precisão o modus operandi empregado pelos autores do crime. Quanto ao reconhecimento dos agentes, afirmou que viu as filmagens do acusado João Carlos, sendo que suas características físicas e voz são semelhantes às do criminoso que lhe abordou e rendeu. O Investigador de Polícia Civil Rodrigo da Silva Rocha ratificou o inteiro teor dos relatórios que apontaram a identificação dos autores e, em juízo (doc.113 -Pje mídias) disse: "(..) que é policial civil em Divino, removido em meados do ano passado; que participei das diligências; que logo após o Guilherme ter sido raptado, alguém passou na minha casa e comentou comigo; que fomos até a a casa do Guilherme e tinha bastante gente; que inclusive a Polícia Militar começou a rodar na região e foi juntando mais gente; que ele foi encontrado por volta das 03 horas da manhã do dia 06/09 (..) que o Guilherme foi localizado por pessoas na altura da antiga fazenda do Dario Vicente; que naquela noite um dos parentes da namorada dele, comentou que tinha um gol prata que passou várias vezes na frente da casa da namorada dele; que depois que o Guilherme apareceu neste local a gente concluiu que o crime tinha sido cometido por alguém que conhecia a rotina dele, em um espaço geográfico pequeno; que a gente fez contato com vários informantes na região e recebeu a informação de que um tal Hélio tinha emprestado uma pistola para um tal de Ilson no Taquaraçu; que Ilson ia usar essa arma para fazer uma fita; que Ilson e Hélio foram qualificados; que foram cumpridas prisões e busca e apreensão; que Helio explicou que não havia emprestado arma para Ilson cometer crime; que ele de fato tinha uma réplica de pistola e que havia vendido a prazo; que na data do crime essa arma estava com Ilson; que identificamos por câmeras que um veículo idêntico ao de Ilson tinha circulado em frente a casa da Marina, namorada do Guilherme; que Marcos Vinicius já havia sido mencionado como suspeito; que a gente coletou diversas imagens e uma delas aparecia ele passando em uma moto em frente ao carro do Guilherme; que foram apreendidos telefones celulares, da esposa do Ilson e do Marcos Vinicius; que no celular do Marcos Vinicius tinha todas as conversas e fomos corroborando as informações; que a gente recebeu informações de que o terceiro indivíduo, aquele que falava com a vítima, seria o João Carlos; que havia ligações dele no celular apreendido com Marcos Vinicius; que a vítima reconheceu a a réplica de arma, falou que era idêntica; que o manuseio é igual uma pistola normal, inclusive o barulho de travar e soltar a trava; que o Hélio disse que não teve nenhuma conversa com Ilson a respeito da finalidade da arma; que Ilson teria gostado da arma mas quando chegou o prazo e ele não pagou devolveu a arma (..) que as imagens do carro foram capturadas na noite do sequestro; que o trajeto era compatível com as imagens (..) que no caso de Marcos Vinicius a constatação foi feita pelo modelo da moto, compleição física e forma de andar de moto (..)". Nesse sentido, ainda, o policial civil Jardel Ferreira de Souza (doc.113 -Pje mídias) confirmou a semelhança do veículo VW/Gol visto rondando a residência da vítima com o automóvel do apelante Ilson. .. No que concerne ao automóvel que estava rondando a casa da namorada do ofendido momentos antes do delito, as testemunhas David Rufino Alves e Rita de Cássia da Silva Nascimento (docs.2 e 113 -Pje mídias) afirmaram que perceberam a movimentação suspeita deste veículo, o que foi corroborado a partir de imagens colhidas por câmeras de segurança localizadas naquela região. Registre-se, também, que, sob o crivo do contraditório, a testemunha Hélio dos Santos Lima confirmou que o Apelante Ilson demonstrou interesse na aquisição da réplica de arma de fogo que possuía e, ainda, desconfiou do uso do artefato ao saber do sequestro(docs.4 e 156 -Pje mídias). Ainda, a testemunha Renato Luiz de Souza (docs.5 e 156 -Pje mídias) confirmou ter emprestado aparelho celular a Ilson, no qual há registro da troca de mensagens com o acusado Marcus Vinícius. Ademais, após análise de ERB"s do aparelho celular do réu Marcus Vinicius, constatou-se a presença dele na região onde se desenvolveu o sequestro, o que corrobora as imagens de câmeras de monitoramento que registraram o veículo subtraído da vítima e a motocicleta de Marcus Vinícius durante a fuga do local do cativeiro. Desse modo, os depoimentos da vítima aliados às declarações das testemunhas e toda prova indiciária permitem concluir que os acusados foram os responsáveis pela extorsão mediante sequestro, confirmando os fatos e o modus operandi narrado na peça acusatória. .. " (fls. 1.075/1.078). Dessume-se, dos trechos acima transcritos, que o Tribunal a quo entendeu suficientemente comprovadas a autoria e a materialidade delitivas, com base nas declarações da vítima, nos depoimentos dos agentes policiais e de outras testemunhas, no registro de troca de mensagens entre os corréus, nas análises das imagens de câmaras de monitoramento e da localização geográfica do celular de um dos recorrentes, indicando que esteve no local dos fatos. Dessa forma, uma vez que as instâncias ordinárias, em sede própria de exame e reexame de fatos e provas, concluíram pela superação do standard probatório necessário à condenação dos recorrentes, inviável a inversão deste entendimento na via recursal eleita, visto que tal esbarraria no óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça - STJ." d) dosimetria das penas impostas aos réus ILSON e MARCUS, in verbis: "Sobre a dosimetria da pena, o Tribunal a quo assim se manifestou: "Analisando minuciosamente a sentença hostilizada, vejo que o d. sentenciante agiu de forma criteriosa, fundamentando com propriedade seu decreto e mensurando o quantum aplicado com estrita observância às disposições dos artigos 59 e 68 do Código Penal. Em verdade, a pena-base foi imposta acima do mínimo legal devido as condições reais que o delito foi praticado, sendo analisadas de maneira desfavorável aos réus as circunstancias judiciais da culpabilidade dos acusados e das consequências do crime, se mostrando idôneos os argumentos utilizados pelo magistrado de primeira instância. Cumpre salientar que a reprimenda foi exasperada em patamar razoável e proporcional, mostrando-se suficiente e necessária para atender as finalidades precípuas da sanção, quais sejam, prevenção e reprovação do delito. De igual modo, não merece prospera o pedido de abrandamento do regime prisional, em razão do quantum final de pena aplicado, nos termos do art. 33, §2º, a, do CP " (fl. 1.080). Já na sentença, restou assim consignado: " .. analisando as circunstâncias do art. 59 do Código Penal, ou seja, a culpabilidade do acusado, evidenciada pelo alto grau de reprovabilidade de sua conduta, aos seus antecedentes, sua conduta social e personalidade, à inexistência de motivos, às circunstâncias e consequências do crime, considerando que a vítima não recuperou o veículo subtraído, tendo em vista que os réus atearam fogo no carro, bem como ao comportamento das vítimas, fixo a pena base acima do mínimo legal, em 09 (nove) de reclusão. Inexistem circunstâncias agravantes ou atenuantes, nem causas de aumento ou diminuição de pena, pelo que torno a pena definitiva em 09 (nove) anos de reclusão". (fls. 904/905). Verifica-se que, no caso, não há qualquer desproporcionalidade ou ilegalidade a ser sanada na dosimetria das penas dos recorrentes. As instâncias ordinárias exasperaram a pena-base em 1 ano, o que equivale à fração de 1/8 sobre a pena mínima, em face das consequências negativas do crime. Isso porque a vítima não recuperou seu veículo, já que os recorrentes atearam fogo no bem." Em tal contexto, diante de inadmissível reiteração de pedidos já julgados, obstaculizado o conhecimento deste writ, quanto aos pontos. Nesse sentido: DIREITO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO. DOSIMETRIA. MERA REITERAÇÃO DE PEDIDO JÁ ANALISADO POR ESTA CORTE. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de recurso em habeas corpus, sob alegação de reiteração de pedido já formulado e decidido em instância superior. O agravante busca a redução da pena e o abrandamento do regime prisional inicial, com base em fundamentos já apresentados em recurso anterior. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em determinar se o agravo regimental pode ser provido diante da alegação de reiteração de pedido já decidido em recurso anterior. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O agravo regimental consiste em mera reiteração de pedido já formulado e decidido no AREsp n. 1.222.516/MG, com a mesma causa de pedir. 4. A decisão monocrática agravada está em conformidade com a jurisprudência das 5ª e 6ª Turmas do STJ, que inadmite a reiteração de pedidos já decididos. 5. Não há ilegalidade a ser sanada, uma vez que a decisão anterior foi fundamentada adequadamente, considerando a dedicação do recorrente a atividades criminosas e a quantidade de drogas apreendidas. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (EDcl no RHC n. 202.256/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 30/10/2024.) Noutro giro, quanto à dosimetria da pena imposta ao agravante JOÃO CARLOS, verifico que juízo singular ficou a pena-base nos seguintes termos: "Em relação ao réu João Carlos de Abreu Silva, analisando as circunstâncias do art. 59 do Código Penal, ou seja, a culpabilidade do acusado, evidenciada pelo alto grau de reprovabilidade de sua conduta, aos seus antecedentes, sua conduta social e personalidade, à inexistência de motivos, às circunstâncias e consequências do crime, considerando que a vítima não recuperou o veículo subtraído, tendo em vista que os réus atearam fogo no carro, bem como ao comportamento das vítimas, fixo a pena base acima do mínimo legal, em 09 (nove) de reclusão. Inexistem circunstâncias agravantes ou atenuantes, nem causas de aumento ou diminuição de pena, pelo que torno a pena definitiva em 09 (nove) anos de reclusão." (fl. 47) A Corte estadual, por sua vez, manteve a exasperação da reprimenda por considerar que: "Analisando minuciosamente a sentença hostilizada, vejo que o d. sentenciante agiu de forma criteriosa, fundamentando com propriedade seu decreto e mensurando o quantum aplicado com estrita observância às disposições dos artigos 59 e 68 do Código Penal. Em verdade, a pena-base foi imposta acima do mínimo legal devido as condições reais que o delito foi praticado, sendo analisadas de maneira desfavorável aos réus as circunstancias judiciais da culpabilidade dos acusados e das consequências do crime, se mostrando idôneos os argumentos utilizados pelo magistrado de primeira instância. Cumpre salientar que a reprimenda foi exasperada em patamar razoável e proporcional, mostrando-se suficiente e necessária para atender as finalidades precípuas da sanção, quais sejam, prevenção e reprovação do delito. " (fl. 60) A dosimetria da pena deve ser feita seguindo o critério trifásico descrito no art. 68, c/c o art. 59, ambos do Código Penal - CP, cabendo ao Magistrado aumentar a pena de forma sempre fundamentada e apenas quando identificar dados que extrapolem as circunstâncias elementares do tipo penal básico. Sendo assim, é certo que o refazimento da dosimetria da pena em habeas corpus tem caráter excepcional, somente sendo admitido quando se verificar de plano e sem a necessidade de incursão probatória, a existência de manifesta ilegalidade ou abuso de poder. Verifica-se que, no caso, não há qualquer desproporcionalidade ou ilegalidade a ser sanada na dosimetria da pena do agravante JOÃO CARLOS. As instâncias ordinárias exasperaram a pena-base em 1 ano, o que equivale à fração de 1/8 sobre a pena mínima, em face das consequências negativas do crime. Isso porque a vítima não recuperou seu veículo, já que os réus atearam fogo no bem, o que justifica a análise negativa do referido vetor. Acrescento que a alegação da defesa de que o veículo da vítima seria segurado, e que, por tal razão, o valor do bem teria sido restituído a ela, não foi debatida nos autos originários, não havendo qualquer comprovação nesse sentido. Acerca do tema debatido, transcrevo os seguintes precedentes: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. RECEPTAÇÃO. ADULTAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR. DOSIMETRIA. CULPABILIDADE E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. MOTIVAÇÃO CONCRETA DECLINADA. REGIME PRISIONAL MAIS SEVERO MANTIDO. PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. No tocante à culpabilidade, para fins de individualização da pena, tal vetorial deve ser compreendida como o juízo de reprovabilidade da conduta, ou seja, o menor ou maior grau de censura do comportamento do réu, não se tratando de verificação da ocorrência dos elementos da culpabilidade, para que se possa concluir pela prática ou não de delito. No caso, segundo narram os autos, as provas deixam claro que os agentes atuavam no âmbito de grupo criminoso especializado no recebimento e desmanche de veículos, incluindo a adulteração de sinais identificadores e comércio de peças e componentes de caminhões, o que permite a exasperação da pena a título de culpabilidade, tratando-se de motivação válida e que desborda ao ínsito ao tipo penal. 2. Em relação às consequências do crime, que devem ser entendidas como o resultado da ação do agente, a avaliação negativa de tal circunstância judicial mostra-se escorreita se o dano material ou moral causado ao bem jurídico tutelado se revelar superior ao inerente ao tipo penal. In casu, o prejuízo suportado pela vítima deve ser reconhecido como superior ao ínsito aos delitos contra o patrimônio, considerando se tratar de receptação e desmonte de trator e adulteração de sua placa, o que autoriza a exasperação da reprimenda a título de consequências do crime. 3. Mantida a fixação das penas primárias em patamares superiores ao piso legal, deve ser mantido, de igual modo, o regime prisional fechado, ainda que a reprimenda tenha sido estabelecida em 8 anos de reclusão e que o réu não seja reincidente, nos estritos termos dos arts. 33 e 68, ambos do CP. 4. Agravo desprovido. (AgRg no HC n. 863.705/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 18/12/2023.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO E CORRUPÇÃO DE MENORES. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA PARA ACRÉSCIMO DA PENA-BASE. CONCURSO FORMAL ENTRE OS DOIS CRIMES DE ROUBO E DE CORRUPÇÃO DE MENORES RECONHECIDO. PRECEDENTES. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de Leandro Alves Pereira, condenado a 7 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, no regime fechado, e ao pagamento de 15 dias-multa, pela prática de dois crimes de roubo majorado (art. 157, § 2º, II, CP) e corrupção de menores (art. 244-B, ECA), em concurso material (art. 69, CP). O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação em grau de apelação. A impetrante alega constrangimento ilegal na dosimetria da pena e pede a redução das penas-base, o reconhecimento do concurso formal entre os delitos de roubo e corrupção de menores e a fixação do regime semiaberto. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. Há três questões em discussão: (i) se a fundamentação utilizada para o aumento da pena-base é idônea; (ii) se o concurso formal entre os delitos de roubo e corrupção de menores deve ser reconhecido; (iii) se o regime inicial de cumprimento de pena deve ser alterado para o semiaberto. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. As penas-base sofreram acréscimo de 1/4 sobre o mínimo levando-se em consideração as circunstâncias e as consequências do crime e a personalidade do acusado. 5. Acerca das circunstâncias do crime, considerou-se a fuga dos agentes em alta velocidade, envolvendo helicóptero Águia da Polícia Militar na perseguição, sendo danificados outros veículos. 6. Quanto às consequências do delito, considerou-se o prejuízo material sofrido pela vítima, que teve perda total de seu veículo, que não era protegido por seguro, bem como os abalos psicológicos sofridos, estando a vítima "em tratamento psiquiátrico e fazendo uso de medicação controlada". 7. Por fim, considerou-se a personalidade desvirtuada e inclinada para infrações patrimoniais, haja vista que, enquanto adolescente, já tinha tido passagem por receptação. Desse modo, foram apresentados fundamentos idôneos para a exasperação da pena-base, de forma que inexistente o constrangimento ilegal. 8. Quanto ao concurso de crimes, a jurisprudência reconhece o concurso formal entre os delitos de roubo e corrupção de menores quando praticados em uma única ação, como no presente caso, devendo-se aplicar a regra do art. 70 do CP para o redimensionamento da pena. Precedentes desta Quinta Turma. 9. Apesar do redimensionamento da pena, as circunstâncias judiciais desfavoráveis justificam a manutenção do regime inicial fechado, conforme o art. 33, § 2º, b, do CP. IV. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. (HC n. 886.431/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 29/10/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO. CONSEQUÊNCIAS E CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. SUBTRAÇÃO DE VEÍCULO E GRAVE ABALO EMOCIONAL NA VÍTIMA. AUSÊNCIA DE NOVOS ARGUMENTOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A subtração de veículo automotor caracteriza impacto patrimonial que destoa do que comumente se observa nesse tipo de crime e autoriza a exasperação da pena-base. 2. O abalo emocional na vítima foi grave ao ponto de ter de trocar de emprego, com diminuição de renda, o que deve refletir na dosimetria da primeira fase. 3. Ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada que reconheceu a correta valoração negativa das circunstâncias e das consequências do crime. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.463.774/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 2/4/2024.) Por fim, diante do quantum da pena imposta aos agravantes - 9 anos de reclusão -, não há falar em ilegalidade da manutenção do regime fechado, fixado nos termos do art. 33, § 2º, a, do CP. Desse modo, ausentes novos argumentos a infirmar as razões da decisão monocrática, deve ser mantida a decisão agravada. Ante o exposto, voto no sentido negar provimento ao presente agravo regimental.