AREsp 2549508 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem analisou adequadamente as provas demonstrando ocupação da faixa de domínio a menos de 15 metros do eixo ferroviário, a fim de exigir a desocupação/desfazimento da edificação; qualquer alteração exigiria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n.7...
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- Parties
- Autor: ALL/RUMO MALHA SUL S.A; Réu: EVERTON COSTA DOTTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2024
- Procedural Posture
- Ação De Reintegração De Posse / Recurso Especial Interposto Julgamento No STJ
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Faixa De Domínio Ferroviária, Esbulho Possessório, Desfazimento De Edificação, Honorários Advocatícios, Prequestionamento, Reexame Fático Probatório
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Parties
ALL/RUMO MALHA SUL S.A
Autor
EVERTON COSTA DOTTO
Réu
Procedural Posture
Ação De Reintegração De Posse / Recurso Especial Interposto Julgamento No STJ
Legal Issues
- 1 possibilidade de edificação na faixa de domínio de ferrovia
- 2 verificação de esbulho possessório e necessidade de desocupação/desfazimento de edificação
- 3 inadmissibilidade de reexame fático-probatório em recurso especial (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem analisou adequadamente as provas demonstrando ocupação da faixa de domínio a menos de 15 metros do eixo ferroviário, a fim de exigir a desocupação/desfazimento da edificação; qualquer alteração exigiria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n.7 da Súmula do STJ; ademais, ausente o prequestionamento e não demonstrada divergência jurisprudencial nos moldes legais, não há conhecimento do recurso; determinou-se ainda majoração de honorários em 1% sobre o já fixado, nos termos do art.85, §11 do CPC/2015.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de reintegração de posse ajuizada por ALL/RUMO MALHA SUL S.A contra EVERTON COSTA DOTTO. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada, para limitar o conteúdo decisório à faixa de domínio, de 15 (quinze) metros. O valor da causa foi fixado em R$ 20.000,00 (Vinte mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. APELAÇAO CÍVEL. AÇAO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. FAIXA DOMÍNIO DE FERROVIA. ESBULHO POSSESSÓRIO. DESFAZIMENTO DE EDIFICAÇÃO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Pela dicção dos dispositivos acima transcritos, percebe-se que não é possível edificar na faixa de domínio de 15 metros de cada lado de uma ferrovia, a menos que sejam estipuladas outras dimensões nas normas e regulamentos técnicos vigentes, ou definidas no projeto de desapropriação ou de implantação da respectiva ferrovia. A documentação acostada aos autos comprova a ocupação de faixa de domínio da ferrovia (relatório produzido pelos fiscais da GERSEPA - Gerenciamento de Serviços Patrimoniais Ltda., fotografias, croqui esquemático da empresa Urbaniza, mapa fornecido pela extinta RFFSA e boletim de ocorrência - OUT23, FOTO24, OUT25 e OUT26 do evento 1 e OUT2 do evento 167, todos dos autos originários), não tendo sido infirmadas a contento as medições realizadas administrativamente. Assim, constatado que a construção em questão foi erigida a menos de 15 (quinze) metros do eixo da linha férrea (lado direito), a construção e a ocupação levadas a efeito pela parte ré desrespeitaram os limites da faixa de domínio. .. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (art. 9º, §2º do Decreto 2.089/1963) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA