AREsp 2665182 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência na fundamentação das razões recursais (Súmula 284/STF) e porque a pretensão exigiria reexame do acervo fático-probatório (Súmula 7/STJ); manteve-se, nos termos do acórdão recorrido, a conclusão de culpa exclusiva da autora que...
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- Parties
- Agravante/recorrente: SANDRA DIMER MESQUITA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Falha Na Prestação De Serviços, Estelionato Via Instagram, Culpa Exclusiva Da Vítima, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
SANDRA DIMER MESQUITA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação do art. 14 do CDC e responsabilidade do fornecedor por falha de segurança
- 2 Determinação de culpa exclusiva da vítima como causa excludente da responsabilidade do fornecedor (art. 14, §3º, II, CDC)
- 3 Admissibilidade do recurso especial face ao óbice da Súmula 284/STF (fundamentação deficiente)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência na fundamentação das razões recursais (Súmula 284/STF) e porque a pretensão exigiria reexame do acervo fático-probatório (Súmula 7/STJ); manteve-se, nos termos do acórdão recorrido, a conclusão de culpa exclusiva da autora que exclui a responsabilidade do fornecedor, e majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por SANDRA DIMER MESQUITA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÃO AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS - GOLPE DO INSTAGRAM - ESTELIONATÁRIO QUE SE UTILIZOU DE CONTA DE USUÁRIO PARA ANUNCIAR INVESTIMENTO COM RETOMO OBTIDO SOBRE VALORES RETIDOS PELO BANCO CENTRAL FRAUDE NACIONALMENTE CONHECIDA AUTORA QUE EFETUOU PAGAMENTO A TERCEIRO ESTELIONATÁRIO AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA FORNECEDORA - CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA - IMPROCEDÊNCIA _ RECURSO IMPROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte alega violação do art. 14 do CDC, no que concerne ao reconhecimento da responsabilidade civil da recorrida, tendo em vista a falha na prestação do serviço, consistente na ausência de segurança em relação à conta bancária do recorrente, trazendo a seguinte argumentação: Vê-se a falha na prestação de serviço quanto à segurança e a quebra da boa-fé, pois a RECORRENTE creditava estar se comunicando com pessoa conhecida (fato incontroverso). Diferente do argumentado pelo v. acórdão, a responsabilidade não se dá por mera propaganda enganosa ou falta de entrega do produto, mas sim pela falha de segurança que permitiu a invasão da conta por pessoa que visava cometer fraude, fato também incontroverso. Assim, correta a aplicação da responsabilização da empresa pelos danos materiais sofridos, com fundamento no artigo 14, do Código de Defesa do Consumidor (fls. 125). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Diante do exposto, tem-se a culpa exclusiva da autora, causa excludente da responsabilidade do fornecedor (art. 14, § 3º, II, do CDC). Forçoso, portanto, o reconhecimento da improcedência dos pedidos (fls. 120). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA