AREsp 2730024 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial: a alegação de violação do art. 1.022 do NCPC foi genérica e insuficiente para exame no recurso especial (incidência, por analogia, da Súmula 284 do STF), e a pretensão de reconhecer falha na prestação do serviço exigiria revolvimento do conjunto...
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- Parties
- Agravante: MARCO ANTONIO GONÇALVES DE SOUSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido; majorados os honorários advocatícios
- Legal Topics
- Falha Na Prestação Do Serviço, Deficiência De Fundamentação, Reexame De Provas (súmula 7/stj), Honorários Advocatícios
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Parties
MARCO ANTONIO GONÇALVES DE SOUSA
Agravante
Procedural Posture
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1.022, II do NCPC (alegação de omissão em aclaratórios)
- 2 Violação do art. 30 do CDC (alegada falha na prestação do serviço e fortuito interno)
- 3 Aplicação, por analogia, da Súmula nº 284 do STF em face de alegação genérica
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial: a alegação de violação do art. 1.022 do NCPC foi genérica e insuficiente para exame no recurso especial (incidência, por analogia, da Súmula 284 do STF), e a pretensão de reconhecer falha na prestação do serviço exigiria revolvimento do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ; por fim, majoraram-se os honorários advocatícios nos termos do art. 85, §§ 2º e 11 do NCPC, com observância do art. 98, § 3º.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido; majorados os honorários advocatícios
Orders
- Não conhecer do recurso especial
- Conhecer do agravo
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MARCO ANTONIO GONÇALVES DE SOUSA (MARCO) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial. O inconformismo, no entanto, não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, alegou (1) violação do art. 1.022, II do NCPC sustentando que o Tribunal local não se manifestou sobre ponto invocado nos aclaratórios, o que permite a aplicação do art. 1.025 do CPC; e, (2) violação do art. 30 do CDC aduzindo falha na prestação do serviço que configuram fortuito interno. (1) Da fundamentação genérica Quanto a alegada violação do art. 1.022 do NCPC, de uma simples leitura do aresto impugnado observa-se que o agravante aduz genericamente a afronta ao citado artigo, sem especificar quais os vícios do aresto vergado e/ou sua relevância para a solução da controvérsia. Vale pontuar que, na via estreita do recurso especial, é exigível a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo inquinado como violado, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar o seu exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação de dispositivos infraconstitucionais tidos como contrariados ou a alegação genérica de ofensa a lei caracterizam deficiência de fundamentação, em conformidade com a Súmula nº 284 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Sobre o tema, vejam-se os precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INEXISTÊNCIA. DANO MORAL. AFASTAMENTO. REEXAME DO ACERVO FÁTICO E PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. APLICAÇÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA A DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. NÃO PROVIDO. 1. Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016 - Enunciado Administrativo n. 3 -, o regime de recurso será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. 2. O entendimento firmado pelo Tribunal de origem, à luz das provas dos autos, no sentido de que não houve falha na prestação de serviço por parte do agravado, bem como o afastamento de indenização por danos morais, não pode ser revisto em Recurso Especial, em face do óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. A jurisprudência desta Corte considera que, quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.454.768/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. 20/4/2020, DJe 24/4/2020 - sem destaque no original) AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA A DISPOSITIVOS ALEGADOS COMO VIOLADOS. SÚMULA 284 DO STF. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DIVIDENDOS VINCENDOS. VENCIMENTO DE CADA PRESTAÇÃO. PRECEDENTE ESPECÍFICO DA TERCEIRA TURMA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A alegação de violação ao art. 1.022 do CPC/2015 não se sustenta, uma vez que o Tribunal de origem examinou, de forma fundamentada, todas as questões submetidas à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que tenha decidido em sentido contrário à pretensão da recorrente. 2. A recorrente limitou-se a sustentar que houve a afronta aos dispositivos legais apontados, não tendo detalhado, de forma clara e precisa, de que maneira o acórdão recorrido os teria violado. Desse modo, impõe-se a incidência do entendimento jurisprudencial expresso no enunciado n. 284 da Súmula do STF. 3. No mais, a Terceira Turma possui entendimento no sentido de que, nos contratos de participação financeira firmados com empresas de telefonia, apesar de os juros de mora sobre dividendos devidos incidirem, em regra, a partir da citação, as parcelas devidas desde o período compreendido entre a data da citação e a do trânsito em julgado (denominadas vincendas) devem observar as datas dos respectivos vencimentos para que se inicie o cômputo dos juros de mora, pois é desse momento em diante que elas passam a ser exigíveis. Precedente. 4. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.845.735/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 30/3/2020, DJe 6/4/2020 - sem destaque no original). (2) Do revolvimento do arcabouço fático-probatório Em relação a alegada ofensa do art. 30 do CDC, no que concerne a falha na prestação do serviço, o Tribunal local julgou nos seguintes termos: Segundo o recorrente, a empresa ré/apelada garante que apresenta o processo mais rápido do mercado em sua oferta pública, que entende ser de 60 (sessenta) dias, uma vez que esse foi o prazo colhido junto a alguns corretores (indexadores 23959985 a 23960841). Assim, entende que houve falha na prestação dos serviços, pois a conclusão da venda do imóvel levou 5 (cinco) meses, razão pela qual busca indenização por danos materiais, na modalidade de danos emergentes e de lucros cessantes, e por danos morais. De início, pertinente registrar que a narrativa do autor/apelante de que, diante da assinatura do instrumento de compra e venda, rescindiu o contrato de aluguel em maio de 2021 vai de encontro às mensagens de e-mail de indexadores 23961178 e fl. 03 de índex 23959972, que demonstram a rescisão pelo locatário. De todo modo, em que pese a irresignação do recorrente com o lapso para a conclusão do negócio jurídico, não se extrai do conjunto probatório que o réu/apelado lhe garantiu o prazo de 60 (sessenta) dias. Na hipótese dos autos, o imóvel estava onerado por alienação fiduciária, com saldo devedor remanescente junto à instituição financeira, e o bem foi adquirido, novamente, através de financiamento bancário, peculiaridades que têm o condão de estender por mais tempo a finalização da compra. No instrumento particular de compromisso de compra e venda e nas regras que o integram é previsto que, após o pagamento do sinal e da entrada, o comprador tem 150 (cento e cinquenta) dias corridos como prazo limite para obtenção do financiamento bancário, o que restou cumprido, bem como que compete ao vendedor e o comprador as diligências junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Registre-se que das conversas que o autor/apelante teve com corretores, mormente a de índex 23959991, o prazo esperado de 60 (sessenta) é iniciado após a assinatura e reconhecimento de firma do contrato de compra e venda e a apresentação de todas as certidões. Quanto à alegação de fortuito interno, como salientado na sentença, "(..) não se identifica uma participação direta do réu em relação à negociação do contrato de financiamento firmado entre comprador e o banco, afastando-se a relação de causalidade, requisito imprescindível para que haja eventual dever de indenizar." Destarte, o que se extrai das diversas mensagens trocadas pelas partes aqui litigantes, e entre o recorrente e o comprador do imóvel, é que o autor/apelante estava em situação financeira delicada e não se atentou que, tendo sido o bem disponibilizado e reservado para venda, enquanto perdurassem os trâmites de praxe para finalização do contrato, arcaria com os custos do imóvel. Portanto, não demonstrada a falha na prestação dos serviços do réu/apelado, a pretensão indenizatória não merece ser acolhida (e-STJ, fls. 323/324 - sem destaque no original). Desse modo, para se chegar à conclusão diversa da que chegou o eg. Tribunal local, seria inevitável o revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente inviável na instância especial por incidir a Súmula nº 7 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ÓBITO POR DESCARGA ELÉTRICA. RESPONSABILIDADE CIVIL. CONFIGURADA. CULPA EXCLISIVA DA VÍTIMA. REVISÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, "a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e não usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. Essa responsabilidade objetiva baseia-se na teoria do risco administrativo, em relação à qual basta a prova da ação, do dano e de um nexo de causa e efeito entre ambos, sendo, porém, possível excluir a responsabilidade em caso de culpa exclusiva da vítima, de terceiro, ou, ainda, em caso fortuito ou força maior. (AgInt no REsp n. 1.793.661/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 3/9/2019, DJe de 19/9/2019.) 2. No caso dos autos, o Tribunal de origem expressamente consignou que o acidente foi causado por falhas na prestação do serviço e que a concessionária não se desincumbiu do ônus probatório quanto à alegada culpa exclusiva da vítima. 3. Modificar a conclusão a que chegou o Tribunal de origem requer, necessariamente, o reexame de fatos e provas, o que é vedado ao STJ, em recurso especial, por esbarrar no óbice da Súmula n. 7 do STJ. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.449.422/BA, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 28/8/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL (CPC/2015). OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZATÓRIA. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. PRAZO DE PERMANÊNCIA. IRREGULARIDADE. FALHA NA PRESTAÇÃO NO SERVIÇO. CONDUTA ILÍCITA. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. DANO MORAL. VALOR. SÚMULA N. 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO POR RECLAMAR CONSIDERAÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO FÁTICA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Rever a conclusão do Tribunal de origem - com o fim de afastar a conduta ilícita, caracterizada pela falha na prestação do serviço - demanda o reexame das provas produzidas no processo, o que é defeso na via eleita, nos termos do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça dispõe que a alteração do valor estabelecido pelas instâncias ordinárias, a título de compensação por danos morais, só é possível quando o referido montante tiver sido fixado em patamar irrisório ou excessivo. Na hipótese, verifica-se que a quantia não se afigura excessiva, tendo sido observados os postulados da proporcionalidade e da razoabilidade de acordo com as particularidades do caso vertente, o que torna inviável o recurso especial, nos termos do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 3. Esta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei, considerando que a Súmula n. 7/STJ é aplicável, também, aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional. 4. O mero não conhecimento ou a improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação à multa dos arts. 259, § 4º, do RISTJ e 1.021, § 4º, do CPC/2015, devendo ser analisado caso a caso. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.540.923/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. MAJORO os honorários advocatícios, anteriormente fixados em desfavor de MARCO em 5% sobre o valor da condenação, limitados a 20%, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, do NCPC, observada a suspensão da exigibilidade dos ônus sucumbencias, a teor do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Por fim, advirta-se que eventual recurso interposto contra este julgado estará sujeito às normas do NCPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º). Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. INDENIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO NCPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ILAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 284 DO STF, POR ANALOGIA. VIOLAÇÃO. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. PRETENSÃO DE REEXAME DA CAUSA. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7, DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.