HC 641857 - DECISAO
Não conheço o habeas corpus porque as instâncias originárias, soberanas na valoração da prova, concluíram pela autoria e pela prática da falta disciplinar grave com base em confissão e provas materiais (fotografias e ocultação das substâncias), e a revisão dessa conclusão demandaria reexame fático-probatório...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 February 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço o habeas corpus
- Legal Topics
- Falta Disciplinar De Natureza Grave, Posse De Medicamentos Proibidos, Perda De Dias Remidos, Recontagem De Lapsos Para Progressão De Regime, Desclassificação De Falta Disciplinar, Absolvição Por Atipicidade, Confissão, Ocultação De Objetos Em Remessa (chocolates), Limites Do Habeas Corpus Quanto À Reavaliação Probatória
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Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de absolvição por suposta atuação exclusiva de terceiro
- 2 possibilidade de desclassificação da falta disciplinar
- 3 valoração da confissão e das provas (fotografias) pela instância de origem
Ratio Decidendi
Não conheço o habeas corpus porque as instâncias originárias, soberanas na valoração da prova, concluíram pela autoria e pela prática da falta disciplinar grave com base em confissão e provas materiais (fotografias e ocultação das substâncias), e a revisão dessa conclusão demandaria reexame fático-probatório incompatível com a via do habeas corpus; ademais, a tentativa é punida como consumada nos termos do artigo 49, parágrafo único, da Lei de Execução Penal.
Court Disposition
Não conheço o habeas corpus
Orders
- Não conheço o habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus em face de acórdão assim ementado (fl. 137): AGRAVO EM EXECUÇÃO - ALEGAÇÃO DEFENSIVA DE QUE O AGRAVANTE DEVE SER ABSOLVIDO DA IMPUTAÇÃO DE PRÁTICA DE FALTA DISCIPLINAR DE NATUREZA GRAVE, POR ATIPICIDADE DE CONDUTA. PLEITO SUPLETIVO DE DESCLASSIFICAÇÃO DA IMPUTAÇÃO PARA A FORMA DE INTENSIDADE MÉDIA. CASO EM QUE A CONDUTA ATRIBUÍDA AO AGRAVANTE, DE POSSE DE MEDICAMENTOS PROIBIDOS, ESTÁ PLENAMENTE DEMONSTRADA NOS AUTOS, E INCLUSIVE FOI CONFESSADA PELO CONDENADO. Recurso desprovido. Consta dos autos que o Juízo da Execução reconheceu a prática de falta disciplinar de natureza grave cometida pelo paciente, declarando a perda de um terço dos dias remidos, bem como a recontagem dos lapsos para a progressão de regime. Em síntese, a defesa argumenta que a conduta praticada por terceiro - no caso, enviar ao paciente, via SEDEX, comprimidos de uso proibido para disfunção erétil, escondidos em barras de chocolate - não pode alcançar a pessoa do preso. Aponta que o paciente jamais teve a posse dos medicamentos, sendo de rigor a absolvição. É o que requer, portanto. Habeas corpus sem pedido liminar. Prestadas informações às fls. 134-149. Parecer ministerial pelo não conhecimento ou denegação da ordem. É o relatório. DECIDO. Sobre o pleito absolutório, assim dispôs o acórdão: Conforme se verifica das palavras do próprio condenado, mediante ardil, consistente em se valer dos dados qualificativos de seu irmão, cadastrado como visitante, solicitou a um amigo que lhe enviasse os medicamentos proibidos, enquanto sua alegação quanto a desconhecer a proibição de portar tais substâncias não o isenta da responsabilidade pela prática da infração disciplinar, já que é advertido quanto às obrigações, deveres e proibições a serem obedecidas enquanto estiver no cárcere, existindo inclusive portaria descritiva sob , o assunto, afixada no estabelecimento prisional. Some-se a tal que os comprimidos estavam ocultos dentro de chocolates, conforme se verifica nas fotografias de fl. 23, o que bem dá conta da plena ciência do agravante quanto a serem proibidos, caso contrário, solicitaria a sua entrega pelas vias ordinárias. Diante desse cenário, não há como se acolher o pleito de absolvição, tampouco de desclassificação, estando patente a prática de falta disciplinar de natureza grave, como reconhecido na decisão monocrática, já que a tentativa de cometimento de falta disciplinar e punida corno se consumada fosse, nos termos do artigo 49, parágrafo único, da Lei de Execução Penal. Como é consabido, o procedimento do habeas corpus deve ter por objeto sanar ilegalidade verificada de plano. Tendo as instâncias de origem, soberanas na análise probatória, concluído pela autoria delitiva, "desconstituir o entendimento firmado pelas instâncias originárias demandaria amplo revolvimento da matéria fático-probatória, procedimento incompatível com a via estreita do habeas corpus". (HC 636.725/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 12/2/2021). Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.