AREsp 1777737 - DECISAO
O agravo foi negado provimento por falta de prequestionamento quanto ao art. 489, §1º, VI, do CPC/15 e por não ter o agravante demonstrado a alegada omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/15; ademais, o tribunal de origem decidiu em consonância com a jurisprudência do STJ no sentido de que, havendo cláusula...
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- Parties
- Agravante; Fiador: GIUSEPPE AURICCHIO; Exequente; Locador: Quirino de Oliveira Lima; Exequente; Locadora: Marilena de Lima; Executado; Locatário: Leandro Martins de Souza
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo (artigo 1.042, Cpc/15) / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Admissibilidade
- Outcome
- Nega-se provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Fiança Locatícia, Prorrogação Do Contrato De Locação, Responsabilidade Do Fiador, Prequestionamento, Súmulas Do STJ
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Parties
GIUSEPPE AURICCHIO
Agravante; Fiador
Quirino de Oliveira Lima
Exequente; Locador
Marilena de Lima
Exequente; Locadora
Leandro Martins de Souza
Executado; Locatário
Procedural Posture
Agravo (artigo 1.042, Cpc/15) / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento do art. 489, §1º, VI, do CPC/15
- 2 responsabilidade do fiador por débitos posteriores à prorrogação do contrato quando houver cláusula expressa de fiança 'até a entrega das chaves'
- 3 se a fiança pode ser interpretada extensivamente ou exige anuência do fiador para prorrogação
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento por falta de prequestionamento quanto ao art. 489, §1º, VI, do CPC/15 e por não ter o agravante demonstrado a alegada omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/15; ademais, o tribunal de origem decidiu em consonância com a jurisprudência do STJ no sentido de que, havendo cláusula contratual expressa de fiança 'até a entrega das chaves', o fiador responde pelos débitos posteriores à prorrogação do contrato, não tendo o fiador procedido à notificação resilitória para exonerar‑se.
Court Disposition
Nega-se provimento ao agravo.
Orders
- Nega-se provimento ao agravo.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (artigo 1.042, CPC/15), interposto por GIUSEPPE AURICCHIO, em face de decisão que não admitiu recurso especial. O apelo nobre (art. 105, III, alíneas "a" e "c", CF) desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 66, e-STJ): Execução. Locação. Prorrogação do contrato por tempo indeterminado. Responsabilidade do fiador pela dívida locatícia até entrega das chaves, nos termos do art. 39, da Lei nº 8.245/91.Recurso desprovido. Embargos de declaração rejeitados (fls. 1675/1679, e-STJ). Nas razões do recurso especial (fls.73/115, e-STJ), o agravante aponta ofensa ao 489, §1º, VI, do CPC/15, pugnando pelo reconhecimento da nulidade do acórdão, por ausência de fundamentação com relação à distinção entre as jurisprudências citadas e o caso dos autos. Aponta, ainda, além de dissídio jurisprudencial, violação aos artigos 46 e 56 da Lei 8.245/91 e 819 do CC, afirmando que a fiança não pode ser interpretada de forma extensiva, logo, como fiador, não tem responsabilidade pelos débitos referentes ao período de prorrogação do qual não anuiu. Sem contrarrazões. Em juízo de admissibilidade, o Tribunal de origem negou seguimento ao reclamo (fls. 136/138, e-STJ), dando ensejo ao presente agravo (fls. 141/172, e-STJ), por meio do qual o agravante pretende a reforma da decisão impugnada e o processamento do apelo. Contraminuta às fls. 176/182, e-STJ. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. De início, verifica-se que o Tribunal de origem não se manifestou sobre o comando normativo inserto no artigo 489, §1º, VI, do CPC/15, o que configura ausência de prequestionamento. Ademais, cabe registrar, que nas razões de recurso especial, o agravante deixou de apontar ofensa ao artigo 1.022 do CPC/15, a fim de que esta Corte pudesse averiguar a existência de eventual omissão no julgado com relação aos temas propostos. Na hipótese, portanto, incide o teor das Súmulas 211 do STJ, a saber: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo." Destaca-se o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. .. QUESTÕES NÃO DISCUTIDAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AFERIÇÃO DA TEMPESTIVIDADE DOS EMBARGOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. O conteúdo normativo de todas as normas apontadas como violadas não foi debatido pelo Tribunal de origem, carecendo, no ponto, do imprescindível requisito do prequestionamento, entendido como o indispensável exame da questão pela decisão atacada, apto a viabilizar a pretensão recursal. Dessa forma, mesmo tendo sido opostos embargos de declaração, estes não tiveram o condão de suprir o devido prequestionamento, razão pela qual deveria a parte, no recurso especial, ter suscitado a violação ao art. 535, II, do Código de Processo Civil, demonstrando de forma objetiva a imprescindibilidade da manifestação sobre a matéria impugnada e em que consistiria o vício apontado. Inafastável, nesse particular, a Súmula n. 211 desta Corte. .. 3. Agravo improvido. (AgRg nos EDcl no AREsp 740.572/MS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 19/05/2016) Cabe registrar, que esta Corte admite o prequestionamento implícito/ficto dos dispositivos tidos por violados, desde que a tese debatida no apelo nobre seja expressamente discutida no Tribunal de origem, o que não ocorreu na hipótese. Precedentes: PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. ATO ILÍCITO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 211 DO STJ E 282 DO STF. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. NÃO OCORRÊNCIA. .. 2. É inadmissível o recurso especial se o dispositivo legal apontado como violado não fez parte do juízo firmado no acórdão recorrido e se o Tribunal a quo não emitiu juízo de valor sobre a tese defendida pela parte. Incidência das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF. 3. Há prequestionamento implícito dos dispositivos legais quando o acórdão recorrido emite juízo de valor fundamentado acerca da matéria por eles regida. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 332.087/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/08/2016, DJe 25/08/2016) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. AÇÃO DE COBRANÇA. SEGURO DE VIDA. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PERCENTUAL. ART. 20 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. OPOSIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SEM MANIFESTAÇÃO DO TRIBUNAL A QUO. SÚMULA Nº 211 DO STJ. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Esta Corte admite o prequestionamento implícito dos artigos tidos por violados, mas desde que a tese debatida no apelo nobre seja expressamente discutida no Tribunal de origem. 3. Ausência de alegação de violação do art. 535 do CPC/73 a fim de que esta Corte pudesse averiguar a existência de possível omissão no julgado quanto ao tema. .. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 748.582/RS, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 13/05/2016) Inafastável, portanto, o teor da Súmula 211 do STJ. 2. Outrossim, discute-se no recurso a responsabilidade do fiador pelos débitos referentes ao período de prorrogação do contrato do qual não anuiu. No ponto, constou do acórdão recorrido (fls. 67/69, e-STJ): Quirino de Oliveira Lima e Marilena de Lima ajuizaram execução de contrato de locação contra Leandro Martins de Souza, locatário, e Giuseppe Auricchio, fiador, pleiteando o recebimento dos aluguéis e encargos vencidos entre novembro de 2016 e janeiro de 2017.GiuseppeAuricchioapresentouembargos alegando que sua obrigação se limita ao período inicial de vigência do contrato, de 14/02/2003 a 15/02/2005. Diz que a locação foi prorrogada por prazo indeterminado sem sua anuência, o que afasta sua responsabilidade. .. Não fosse suficiente a expressa disposição do contrato (Cláusula Décima Terceira fls. 38 dos autos da execução), a lei especial da locação afasta qualquer dúvida sobre o termo final da fiança: "até a efetiva desocupação do imóvel". Tampouco se pretende estender a fiança para além do prazo para a qual foi concedida. O contrato de locação por prazo determinado é prorrogado pela simples permanência do locatário na posse, sem oposição do locador, e atendidos os deveres dele decorrentes. O prazo fixado na locação não se presta a marcar o termo final do contrato, antes se reveste da utilidade de assegurar às partes que não será antes rompido, gerando direitos condicionados a sua duração. .. De resto, da análise do contrato não se extrai a exoneração do fiador no caso de prorrogação, antes expressa assunção da obrigação até efetiva entrega das chaves do imóvel. Na hipótese, a assinatura do fiador autoriza concluir a ciência do conteúdo da avença e, por conseguinte, a vigência do contrato por prazo indeterminado, assumindo solidariamente as obrigações referentes à locação. Com efeito, verifica-se que o acórdão recorrido está em sintonia com a jurisprudência do STJ, que se firmou no sentido de que, prorrogado o contrato de locação, e havendo cláusula expressa de responsabilidade do fiador até a entrega das chaves, responderá o garantidor pelas obrigações posteriores, nos termos do art. 39 da Lei 8.245/91, salvo se exonerar-se da fiança na mediante notificação resilitória, o que não ocorreu no presente caso. Precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO QUE DEIXA DE IMPUGNAR ESPECIFICAMENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO ORA AGRAVADA. INOBSERVÂNCIA DO ART. 1.021, §1º, DO CPC E INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. Inexistindo impugnação específica, como seria de rigor, aos fundamentos da decisão ora agravada, essa circunstância obsta, por si só, a pretensão recursal, pois, à falta de contrariedade, permanecem incólumes os motivos expendidos pela decisão recorrida. Desse modo, no presente caso, resta caracterizada a inobservância ao disposto no art. 1.021, §1º, do CPC e a incidência da Súmula nº 182/STJ. Não há afronta ao art. 535 do CPC/73 quando o Tribunal de origem manifesta-se suficientemente sobre a questão controvertida, apenas adotando fundamento diverso daquele perquirido pela parte. 2. Com o julgamento dos EREsp 566.633/CE, ficou pacificado no âmbito do STJ a admissão da prorrogação da fiança nos contratos locatícios prorrogados por prazo indeterminado, contanto que expressamente prevista no contrato (v.g., a previsão de que a fiança subsistirá "até a entrega das chaves"). 3. Todavia, a jurisprudência consolidada apreciou demandas à luz da redação primitiva do artigo 39 da Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91). Com a nova redação conferida pela Lei nº 12.112/09, para contratos de fiança firmados a partir de sua vigência, salvo disposição contratual em contrário, a garantia, em caso de prorrogação legal do contrato de locação por prazo indeterminado, também prorroga-se automaticamente (ope legis), resguardando-se, durante esse prazo, a faculdade de o fiador de exonerar-se da obrigação mediante notificação resilitória. 4. No caso, o contrato foi firmado 5/FEV/2008, sendo anterior à vigência da Lei nº 12.112/09, de modo que a prorrogação do contrato de locação só poderia implicar a prorrogação da fiança no caso de expressa pactuação a respeito no contrato acessório, o que existia. Súmula nº 83/STJ. 2. Agravo interno não conhecido. (AgInt nos EDcl no REsp 1559105/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 22/11/2017) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO DE LOCAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA DE ALUGUÉIS. RESPONSABILIDADE DO FIADOR. FIANÇA PRESTADA POR SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA LOCATÁRIA. RETIRADA DE SÓCIO. EXONERAÇÃO AUTOMÁTICA DA OBRIGAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. ARTS. 39 DA LEI 8.245/91 E 835 DO CC/2002. AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL. INTERPRETAÇÃO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. NOTIFICAÇÃO DO LOCADOR. INEXISTÊNCIA. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que, prorrogado o contrato de locação, e havendo cláusula expressa de responsabilidade do fiador até a entrega das chaves, responderá o garantidor pelas obrigações posteriores, nos termos do art. 39 da Lei 8.245/91, salvo se exonerar-se da fiança na forma do art. 835 do CC/2002. 2. A retirada de sócio do quadro societário da empresa locatária não importa na exoneração automática da fiança por ele prestada, sendo necessária a notificação do locador (CC/2002, art. 835 do CC/2002). Precedentes. 3. No caso, a alegação do recorrente de que, por força do contrato de locação, a exoneração da fiança prestada pelo sócio retirante seria automática e independeria da notificação do locador foi expressamente afastada pelo Tribunal de origem após o exame das cláusulas contratuais. Nesse contexto, a modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria a interpretação de cláusulas contratuais, assim como o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ). 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1324561/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 18/06/2019, DJe 28/06/2019) Logo, o Tribunal de origem julgou nos moldes da jurisprudência desta Corte, incidindo, portanto, o enunciado 83 da Súmula do STJ. 3. Do exposto, nega-se provimento ao agravo. Publique-se. Intimem-se.