HC 933200 - DECISAO
Por se tratar de impetração contra acórdão já transitado em julgado e diante da limitação da competência do STJ prevista no art. 105, I, 'e', da Constituição Federal, o habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal, razão pela qual não se conhece do writ; ademais, não se verificou teratologia ou...
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- Parties
- Paciente: ADARIL TIAGO AUGUSTO DA SILVA; Órgão Recorrido: TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (writ Manejado Como Substitutivo De Revisão Criminal)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Fixação De Regime Inicial, Substituição De Pena Privativa Por Restritiva De Direitos, Trânsito Em Julgado E Revisão Criminal, Competência Do STJ
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Parties
ADARIL TIAGO AUGUSTO DA SILVA
Paciente
TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (writ Manejado Como Substitutivo De Revisão Criminal)
Legal Issues
- 1 ilegalidade na negativa de fixação do regime menos gravoso
- 2 recusa de substituição da pena corporal por restritiva de direitos
- 3 competência do STJ para conhecer habeas corpus após trânsito em julgado
Ratio Decidendi
Por se tratar de impetração contra acórdão já transitado em julgado e diante da limitação da competência do STJ prevista no art. 105, I, 'e', da Constituição Federal, o habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal, razão pela qual não se conhece do writ; ademais, não se verificou teratologia ou coação ilegal apta a autorizar a ordem.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- não conheço do habeas corpus
- publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de ADARIL TIAGO AUGUSTO DA SILVA contra acórdão proferido pela TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, no julgamento da apelação criminal n. 1501611- 07.2021.8.26.0024. Consta dos autos que o paciente foi condenado, em primeira instância, à pena de 7 meses de reclusão, em regime semiaberto, bem como, à suspensão da habilitação para dirigir veículo automotor, ou proibição para obter a permissão, ou habilitação, em referência, caso não seja habilitado, por 2 meses e 10 dias, por infração ao artigo 303 da Lei nº 9.503/1997 (fls. 13-17). A defesa interpôs apelação perante o Tribunal de origem, que, por unanimidade, negou provimento ao apelo defensivo, consoante voto condutor do acórdão de fls. 18-22. O acórdão transitou em julgado. No presente writ, o impetrante aponta constrangimento ilegal na negativa de fixação do regime menos gravoso em favor do paciente, bem como na recusa de substituição da pena corporal por restritiva de direitos Requer, assim, a concessão da ordem para que seja alterado o início do cumprimento de sentença para o regime mais brando, regime inicial aberto, com fulcro no princípio da razoabilidade, proporcionalidade e individualização da pena, e sumula 719 STF, bem como substituído a pena privativa de liberdade por pena restritiva de direito, com fulcro no artigo 44, parágrafo 3º, do Código Penal. O pedido liminar foi indeferido às fls. 35-36. Informações prestadas às fls. 47-48. O Ministério Público Federal, às fls. 51-57, manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus. É o relatório. DECIDO. Cinge-se a controvérsia em torno da ilegalidade na negativa de fixação do regime menos gravoso e de substituição da pena corporal por restritiva de direitos. Com efeito, ocorrendo o trânsito em julgado de decisão condenatória nas instâncias de origem, não é dado à parte optar pela impetração de writ nesta instância superior, uma vez que a competência do Superior Tribunal de Justiça, prevista no artigo 105, I, "e", da Constituição Federal, restringe-se ao processamento e julgamento de revisões criminais de seus próprios julgados. Na hipótese em apreço, o presente writ foi impetrado contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado (consulta ao sítio do Tribunal a quo). Diante dessa situação, não deve ser conhecido o presente habeas corpus, porquanto fora manejado como substitutivo de revisão criminal. Anoto que não há, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, julgamento de mérito passível de revisão criminal em relação a essa condenação. Nessa linha: " .. como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido" .. " (HC 288.978/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 21/5/2018). " .. 4. Tratando-se de impetração que se destina a atacar acórdão proferido em sede de apelação criminal, já transitado em julgado, contra o qual seria cabível a interposição de revisão criminal, depara-se com flagrante utilização inadequada da via eleita, circunstância que impede o seu conhecimento. .. " (AgRg no HC n. 486.185/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 07/05/2019). " .. 3. É inviável o conhecimento do mandamus ora em exame, pois restou manejado como substitutivo de revisão criminal. Note-se que, "como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido" (HC 288.978/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Rel. p/ acórdão Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 15/3/2018, DJe 21/5/2018). 4. Nos termos do art. 105, inciso I, alínea "e", da Constituição da República, compete ao Superior Tribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". 5. Com o advento do trânsito em julgado da sentença condenatória, após o exame dos sucessivos recursos defensivos, compete à defesa, caso entenda cabível e se o desejar, ajuizar revisão criminal no Tribunal de Justiça, com vistas à revisão do julgado. .. " (AgRg no HC n. 751.787/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 20/4/2023). Cito, também, a orientação do Supremo Tribunal Federal: AgRg no HC n. 134.691/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe de 1º/8/2018; AgRg no HC n. 144.323/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 30/8/2017; e HC n. 199.284/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 16/8/2021. Demais a mais, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em respeito à segurança jurídica e a lealdade processual, tem se orientado no sentido de que mesmo as nulidades denominadas absolutas, ou qualquer outra falha ocorrida no acórdão impugnado, também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal" (AgRg no HC 690.070/PR, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe 25/10/2021). De todo modo, não verifico na decisão impugnado nenhuma teratologia ou coação ilegal que autorize a concessão da ordem nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intime-se. EMENTA