AREsp 2067484 - ACORDAO
Não foram identificados vícios (omissão, obscuridade, contradição ou erro material) na decisão embargada nos termos do art. 1.022 do CPC; a jurisprudência desta Corte consolida o dever de cobertura de fármacos antineoplásicos registrados na Anvisa, e os embargos visavam apenas o reexame da matéria já decidida, razão...
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- Parties
- Embargante: UNIMED PETROPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Embargos De Declaração Rejeitados
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
- Legal Topics
- Fornecimento De Medicamento Antineoplásico, Rol Da ANS, Prequestionamento, Embargos De Declaração, Medicamento Off Label, Cobertura Contratual
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Parties
UNIMED PETROPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Embargos De Declaração Rejeitados
Legal Issues
- 1 cabimento dos embargos de declaração (art. 1.022 do CPC)
- 2 dever de cobertura de fármacos antineoplásicos por operadoras de planos de saúde
- 3 irrelevância da natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS para medicamentos antineoplásicos
Ratio Decidendi
Não foram identificados vícios (omissão, obscuridade, contradição ou erro material) na decisão embargada nos termos do art. 1.022 do CPC; a jurisprudência desta Corte consolida o dever de cobertura de fármacos antineoplásicos registrados na Anvisa, e os embargos visavam apenas o reexame da matéria já decidida, razão pela qual foram rejeitados.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade.
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração.
- Advertir o embargante de que próximos embargos sobre o mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios e poderão ser punidos com multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, CPC).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 17/09/2024 a 23/09/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTE STJ. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração destinam-se a corrigir erro material, esclarecer obscuridade, eliminar contradição ou suprir omissão existente na decisão embargada. 2. A jurisprudência desta Corte Superior, consolidou-se no sentido de que, em se tratando do fornecimento de medicamento antineoplásico, é obrigatório o dever de cob ertura. Precedentes. 3. A parte embargante não se conforma com a decisão embargada e, ainda neste momento, pleiteia novo julgamento da demanda. Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de embargos de declaração opostos por UNIMED PETROPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO contra acórdão proferido pela Terceira Turma deste Superior Tribunal de Justiça, no agravo interno no agravo em recurso especial, que, por unanimidade, negou provimento recurso interno nos seguintes termos (fl. 1. 389): AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANOS DE SAÚDE. TRATAMENTO DE CÂNCER. NATUREZA TAXATIVA OU EXEMPLIFICATIVA DO ROL DA ANS. IRRELEVÂNCIA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211/STJ. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO ANTINEOPLÁSICO. OBRIGAÇÃO. INDICAÇÃO MÉDICA. RECUSA. ABUSIVIDADE. SÚMULA N. 83/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. As operadoras de plano de saúde têm o dever de cobrir fármacos para tratamento contra o câncer, sendo irrelevante analisar a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS. 2. O prequestionamento é exigência inafastável contida na própria previsão constitucional, impondo-se como um dos principais pressupostos ao conhecimento do recurso especial - Súmulas n. 211/STJ. Também não é o caso de se considerar a ocorrência do prequestionamento ficto. 3. É abusiva a recusa da operadora do plano de saúde de custear tratamento indicado por médico assistente quando comprovada a necessidade do paciente. 4. A decisão agravada está em consonância com o entendimento dominante deste STJ, ratifico como fundamento a Súmula n. 83/STJ. Agravo interno não provido. O embargante alega que a tese jurídica empregada no julgamento do recurso de agravo interno teria contrariado a próp ria jurisprudência recente desta Corte Superior, cujo entendimento seria no sentido de que, para tratamentos continuados anteriores à edição da Lei n. 14.454/22, o custeio de procedimentos não incluídos no rol da ANS somente seria obrigatório caso a negativa de cobertura tivesse ocorrido a partir da entrada em vigor da referida Lei. Requer a reforma da decisão embargada. A embargada não apresentou impugnação (fl. 1.415). É, no essencial, o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTE STJ. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração destinam-se a corrigir erro material, esclarecer obscuridade, eliminar contradição ou suprir omissão existente na decisão embargada. 2. A jurisprudência desta Corte Superior, consolidou-se no sentido de que, em se tratando do fornecimento de medicamento antineoplásico, é obrigatório o dever de cob ertura. Precedentes. 3. A parte embargante não se conforma com a decisão embargada e, ainda neste momento, pleiteia novo julgamento da demanda. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Nos termos do art. 1.022 do CPC, os embargos de declaração destinam-se a corrigir erro material, esclarecer obscuridade, eliminar contradição ou suprir omissão existente na decisão embargada. No caso em exame, inexistem vícios no julgado. O medicamento Nintedanibe/Ofev 150mg, é classificado como antineoplásico registrado na ANVISA sob o n. 146820105, em 26/10/2015, sendo indicado para o tratamento e retardo da progressão da fibrose pulmonar idiopática (FPI). A jurisprudência desta Corte Superior, consolidou-se no sentido de que, em se tratando do fornecimento de medicamento antineoplásico, é obrigatório o dever de cobertura. Nesse sentido, cito: 4. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a operadora de plano de saúde deve ofertar fármaco antineoplásico oral registrado na Anvisa, ainda que se trate de medicamento off-label. .. 8. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.098.737/PB, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 5/6/2024.) 1. As operadoras de planos de saúde podem limitar as doenças a serem cobertas pelo contrato, mas não podem limitar os tipos de procedimentos a serem prescritos para o tratamento da enfermidade. 2. É abusiva a recusa da operadora do plano de saúde de custear medicamento com registro na Anvisa e prescrito pelo médico assistente do paciente, ainda que se trate de fármaco off label. 3. As operadoras de plano de saúde têm o dever de cobrir fármacos para tratamento contra o câncer, sendo irrelevante analisar a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.195.403/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 15/5/2024.) 5. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a operadora de plano de saúde deve ofertar fármaco antineoplásico oral registrado na Anvisa, ainda que se trate de medicamento off-label. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.083.955/PB, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 20/12/2023.) Observa-se, portanto, que na verdade, a parte embargante não se conforma com a decisão embargada e, ainda neste momento, pleiteia novo julgamento da demanda. Todavia, os embargos de declaração não são a via adequada para se buscar o rejulgamento da causa. A propósito, cito: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PRETENSÃO DE PARCELAMENTO DO DÉBITO EXEQUENDO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS ENSEJADORES À OPOSIÇÃO DOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS REJEITADOS 1. Nos termos do que dispõe o art. 1.022 do CPC/2015, os embargos de declaração são cabíveis apenas quando amparados em suposta omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada, não se caracterizando via própria ao rejulgamento da causa. 2. Na hipótese, o acórdão embargado encontra-se suficientemente fundamentado, em relação à aplicabilidade dos arts. 805 e 916, § 7º, do CPC, seja em relação à alínea a do permissivo constitucional seja em relação à alínea c. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp n. 1.891.577/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/9/2022.) No mesmo sentido, cito: EDcl no AgInt no AREsp n. 1.896.238/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/3/2022; EDcl no AgInt no AREsp n. 1.880.896/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 26/5/2022. A pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no julgado embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, é incabível na via eleita. Portanto, é evidente que os presentes embargos são incabíveis, pois veiculam pretensão exclusivamente infringente do julgado, sem o propósito específico de sanar obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração e, de pronto, advirto ao embargante sobre a reiteração deste expediente, sob pena de pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos versando sobre o mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil). É como penso. É como voto.