CC 221022 - DECISAO
Declara-se competente o Juízo da 5ª Vara Cível de Curitiba porque a ação foi proposta no foro correspondente à sede da instituição financeira ré, o que é uma das opções permitidas ao consumidor autor nas relações consumeristas; o declínio de ofício à comarca de Sousa violou a Súmula n. 33 do STJ, que veda a...
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- Parties
- Autora: MARIA DE FATIMA PEREIRA DA SILVA; Réu: PARANÁ BANCO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão
- Outcome
- Conhecido o conflito e declarado competente o JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE CURITIBA (PR).
- Legal Topics
- Foro Do Domicílio Do Consumidor, Competência Absoluta Vs Relativa, Declínio De Competência, Nulidade De Contrato De Empréstimo/portabilidade E Refinanciamento, Danos Materiais E Morais
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Parties
MARIA DE FATIMA PEREIRA DA SILVA
Autora
PARANÁ BANCO S.A.
Réu
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão
Legal Issues
- 1 Se a competência territorial em relações consumeristas é absoluta e pode ser declarada de ofício
- 2 Se a escolha do foro pelo consumidor foi aleatória ou justificável
- 3 Se o foro da sede do réu é opção válida para o consumidor autor
Ratio Decidendi
Declara-se competente o Juízo da 5ª Vara Cível de Curitiba porque a ação foi proposta no foro correspondente à sede da instituição financeira ré, o que é uma das opções permitidas ao consumidor autor nas relações consumeristas; o declínio de ofício à comarca de Sousa violou a Súmula n. 33 do STJ, que veda a declaração ex officio de incompetência relativa.
Court Disposition
Conhecido o conflito e declarado competente o JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE CURITIBA (PR).
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência entre o JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA MISTA DE SOUSA (PB) e o JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE CURITIBA (PR) para definir o órgão competente para processar e julgar a ação de nulidade de empréstimo sobre portabilidade/refinanciamento cumulada com danos materiais e morais ajuizada por MARIA DE FATIMA PEREIRA DA SILVA em desfavor de PARANÁ BANCO S.A., objetivando a declaração de nulidade de contratos, a restituição em dobro do aumento da dívida e indenização por danos morais. O JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE CURITIBA (PR), no qual a ação foi proposta, declarou-se incompetente de ofício ao afirmar ser absoluta a competência do foro do domicílio do consumidor e determinou a remessa dos autos à comarca de Sousa (PB). O JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA MISTA DE SOUSA (PB) suscitou o presente conflito de competência ao fundamento de que a competência territorial é relativa (arts. 64 e 65 do CPC) e não pode ser reconhecida de ofício (Súmula n. 33 do STJ) e de que a escolha do foro do domicílio do consumidor (art. 101, I, do CDC) constitui faculdade, podendo o consumidor litigar no foro da sede do réu (art. 46 do CPC). O Ministério Público Federal absteve-se de apreciar o conflito por entender desnecessária sua intervenção (fls. 137-140 ). É o relatório. Decido. Inicialmente, conheço do conflito, porquanto envolve Juízos vinculados a Tribunais diversos, nos termos do art. 105, I, d, da Constituição Federal. No mérito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou compreensão segundo a qual a competência territorial, em se tratando de relação consumerista, é absoluta. Nessa linha, cabe ao consumidor, sendo autor, optar pelo foro que melhor se adéque à produção de sua defesa: foro de seu domicílio, do réu, do local de cumprimento da obrigação ou o foro de eleição contratual, caso exista. É, entretanto, inadmissível a escolha aleatória de foro, sem justificativa plausível e pormenorizadamente demonstrada. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. PRECLUSÃO. DANOS AMBIENTAIS. COMPETÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTO SUFICIENTE PARA SUA MANUTENÇÃO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULAS N. 283 E 284 DO STF. CONSONÂNCIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Não impugnados os fundamentos de (i) ausência de violação ao art. 489, § 1º, VI, do CPC e (ii) aplicação da Súmula n. 284 do STF no que se refere à divergência jurisprudencial. 2.1. Quanto à competência, o especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido suficiente para mantê-lo não deve ser admitido, a teor das Súmulas n. 283 e 284 do STF, aplicadas por analogia. 2.2. "A competência territorial, em se tratando de relação consumerista, é absoluta. Se a autoria do feito pertence ao consumidor, cabe a ele ajuizar a demanda no local em que melhor possa deduzir sua defesa, escolhendo entre seu foro de domicílio, no de domicílio do réu, no do local de cumprimento da obrigação, ou no foro de eleição contratual, caso exista. Inadmissível, todavia, a escolha aleatória de foro sem justificativa plausível e pormenorizadamente demonstrada. Precedentes" (AgRg no AREsp 391.555/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 14/4/2015, DJe 20/4/2015). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.337.653/SE, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 16/5/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS DECORRENTES DE DANO AMBIENTAL. COMPETÊNCIA. ALEATORIEDADE NA ESCOLHA. VEDAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que é vedada a escolha aleatória de foro que não seja nem o do domicílio do consumidor, nem o do réu, tampouco o de eleição ou mesmo o do local de cumprimento da obrigação, incidindo, dessa forma, a Súmula n. 83/STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.635.867/SE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 18/9/2024.) CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INDENIZATÓRIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. ESCOLHA ALEATÓRIA DE FORO. INVIABILIDADE. SÚMULA 83 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não se verifica a alegada negativa de prestação jurisdicional, na medida em que a eg. Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a questão que lhe foi submetida, não sendo possível confundir julgamento desfavorável, como no caso, com negativa de prestação jurisdicional ou ausência de fundamentação. 2. "A competência territorial, em se tratando de relação consumerista, é absoluta. Se a autoria do feito pertence ao consumidor, cabe a ele ajuizar a demanda no local em que melhor possa deduzir sua defesa, escolhendo entre seu foro de domicílio, no de domicílio do réu, no do local de cumprimento da obrigação, ou no foro de eleição contratual, caso exista. Inadmissível, todavia, a escolha aleatória de foro sem justificativa plausível e pormenorizadamente demonstrada. Precedentes" (AgRg no AREsp 391.555/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 14/4/2015, DJe de 20/4/2015). Incidência da Súmula 83 do STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.374.840/SE, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 27/6/2024.) Em complemento, a Súmula n. 33 do STJ dispõe o seguinte: "A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício". Além disso, as decisões monocráticas no CC n. 206.885/DF (relator Ministro Humberto Martins, DJe 7/10/2024) e no CC n. 208.354/PB (relatora Ministra Nancy Andrighi, DJe de 25/9/2024) reiteram a impossibilidade de afastamento ex officio da competência territorial relativa. No caso concreto, a escolha do consumidor não se mostra aleatória. A demanda foi proposta em Curitiba (PR), foro que corresponde o local onde a instituição financeira demandada tem sede, conforme qualificação na petição inicial (fl. 4) , havendo, portanto, justificativa plausível e aderente aos critérios alternativos de competência consumerista. Logo, a declinação de ofício, com desmembramento e remessa à comarca de Sousa (PB), afronta a orientação da Súmula n. 33 do STJ . Ante o exposto, conheço do conflito para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE CURITIBA (PR), o suscitado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA