HC 895957 - ACORDAO
Mantém-se a decisão agravada por entender que não incide foro por prerrogativa de função, pois os crimes em apuração não se relacionam com o exercício do mandato eletivo do investigado (referem-se à sua atividade empresária como presidente do Grupo SADA), e porque o juízo de origem pode examinar sua própria...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CLÁUDIO HENRIQUE GONÇALVES DE CASTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Colegiada Recurso Julgado E Negado Pela Sexta Turma Do STJ (julgamento Virtual)
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Foro Por Prerrogativa De Função, Kompetenz Kompetenz, Formação De Cartel, Organização Criminosa, Crimes Alheios À Função Pública, Operação Ciconia
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Parties
CLÁUDIO HENRIQUE GONÇALVES DE CASTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Colegiada Recurso Julgado E Negado Pela Sexta Turma Do STJ (julgamento Virtual)
Legal Issues
- 1 Incidência do foro por prerrogativa de função
- 2 Competência para processar e julgar quando investigado ocupa cargo eletivo
- 3 Aplicação do princípio da kompetenz-kompetenz
Ratio Decidendi
Mantém-se a decisão agravada por entender que não incide foro por prerrogativa de função, pois os crimes em apuração não se relacionam com o exercício do mandato eletivo do investigado (referem-se à sua atividade empresária como presidente do Grupo SADA), e porque o juízo de origem pode examinar sua própria competência nos termos do princípio da kompetenz-kompetenz; além disso, para alterar os fatos consignados seria necessária dilação probatória, o que é incompatível com a via eleita.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Nego provimento ao agravo regimental
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 23/04/2024 a 29/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro, Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT) e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FORMAÇÃO DE CARTEL. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. OPERAÇÃO CICONIA. COMPETÊNCIA. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. CRIMES ALHEIOS À FUNÇÃO PÚBLICA. PRINCÍPIO DA KOMPETENZ-KOMPETENZ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O órgão jurisdicional a quem o feito foi distribuído poderá aferir sua própria competência para processar e julgar o caso, em atenção ao princípio da kompetenz-kompetenz. 2. O foro por prerrogativa de função se restringe aos casos em que o crime for praticado durante o exercício do cargo ou função e em razão destes. Precedentes. 3. No caso em exame, não há foro por prerrogativa de função, pois, embora um prefeito figure como investigado na operação policial, os crimes em apuração não se relacionam com o cargo eletivo que ocupa. Deveras, o agente público é investigado pela atividade empresária que realiza, uma vez que é presidente do Grupo SADA, uma das empresas apontadas como integrantes de um cartel de cegonheiros. Não há como infirmar os fatos consignados no acórdão, pois, para tanto, seria imprescindível dilação probatória, providência incompatível com a via eleita. 4. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: CLÁUDIO HENRIQUE GONÇALVES DE CASTRO interpõe agravo regimental contra a decisão de fls. 1.226-1.249, em que deneguei in limine o habeas corpus impetrado em seu favor, porquanto o acórdão impugnado estava em consonância com a jurisprudência do STJ. A defesa reafirma que, na operação policial que investigou o ora agravante, "já a primeira diligência realizada pela D. DPF/SP tinha por alvo o Sr. Vittorio Medioli, que é Prefeito do Município de Betim, Minas Gerais, há mais de sete anos, possuindo, ao menos em tese, prerrogativa de foro perante o E. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais" (fl. 1.228). Sustenta que "o fato de os crimes em apuração se relacionarem, ou não, com o cargo eletivo ocupado pelo coinvestigado é absolutamente irrelevante para fins de se conceder, ou denegar, a ordem pleiteada pela defesa do Agravante" (fl. 1.235). Alega que "a questão trazida a julgamento no bojo do habeas corpus é anterior, e diz respeito à necessidade de se reconhecer que há apenas uma jurisdição competente para dizer, a partir do momento em que surge na investigação uma autoridade com potencial prerrogativa de foro, se os requisitos jurisprudenciais estão ou não presentes no caso dos autos" (fl. 1.235), qual seja, o Tribunal estadual. Pleiteia, portanto, a reconsideração da decisão anteriormente proferida ou a submissão do recurso à turma julgadora. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FORMAÇÃO DE CARTEL. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. OPERAÇÃO CICONIA. COMPETÊNCIA. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. CRIMES ALHEIOS À FUNÇÃO PÚBLICA. PRINCÍPIO DA KOMPETENZ-KOMPETENZ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O órgão jurisdicional a quem o feito foi distribuído poderá aferir sua própria competência para processar e julgar o caso, em atenção ao princípio da kompetenz-kompetenz. 2. O foro por prerrogativa de função se restringe aos casos em que o crime for praticado durante o exercício do cargo ou função e em razão destes. Precedentes. 3. No caso em exame, não há foro por prerrogativa de função, pois, embora um prefeito figure como investigado na operação policial, os crimes em apuração não se relacionam com o cargo eletivo que ocupa. Deveras, o agente público é investigado pela atividade empresária que realiza, uma vez que é presidente do Grupo SADA, uma das empresas apontadas como integrantes de um cartel de cegonheiros. Não há como infirmar os fatos consignados no acórdão, pois, para tanto, seria imprescindível dilação probatória, providência incompatível com a via eleita. 4. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): A despeito do esforço da defesa, os argumentos apresentados são insuficientes para infirmar a decisão agravada, cuja conclusão mantenho. O agravante é investigado no bojo da "Operação Ciconia", voltada a apurar supostas formação de cartel, associaçã o criminosa e organização criminosa no âmbito dos serviços de transporte rodoviário de veículos zero-quilômetro. Acerca da alegada existência de foro por prerrogativa de função, o Tribunal de origem se manifestou nestes termos (fls. 25-26, grifei): Constata-se que o inquérito policial nº 1030984- 72.2021.8.26.0564 (Operação Ciconia), em trâmite perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, foi instaurado para apurar os delitos previstos no (i) artigo 4º da Lei nº 8.137/90, (ii) artigo 288 do Código Penal e (iii) artigo 2º, caput, da Lei nº 12.850/13. Isto tudo no contexto de investigação sobre a "a existência de associação criminosa voltada ao domínio de mercado do transporte de veículos novos no país, com abuso do poder económico (art. 4º, da Lei n. 8137/90 e 288, "caput", do CP), fato conhecido como cartel dos cegonheiros" (portaria, documento nº 03). Tem-se, assim, que a investigação se vincula à pessoa de Vittorio Medioli (atual Prefeito do Munício de Betim) em razão da atividade empresária, sendo o investigado apontado como "Presidente do Grupo Sada". Pois bem, salienta-se que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Questão de Ordem na Ação Penal nº 937/37, restringiu o foro por prerrogativa de função, firmando o entendimento de que referida garantia constitucional se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. Além disso, decidiu que após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar aquele que ocupava, qualquer seja o motivo. .. Assim, se o fato criminoso supostamente cometido por detentor de mandato eletivo de Prefeito Municipal não se relacionar ao exercício do mandato, a competência para o julgamento não é do Tribunal de Justiça, mas sim do juízo de primeira instância e em atenção às disposições do Título V do Livro I do Código de Processo Penal. Isto porque o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. .. Destarte, por se constatar que os fatos em investigação não se relacionam com o mandato eletivo de Prefeito Municipal, mas sim, em tese, com a atividade empresária realizada pelo agente político, não se verifica a alegada usurpação da competência deste Tribunal de Justiça. Tal como consignei na decisão monocrática, as conclusões da Corte estadual estão em consonância com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, segundo a qual "o foro por prerrogativa de função restringe-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas" (AP n. 937 QO, Tribunal Pleno, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe de 10/12/2018, destaquei). A partir das premissas fáticas assentadas pelo Tribunal de origem, embora um prefeito figure como investigado na operação policial, os crimes em apuração não se relacionam com o cargo eletivo que ocupa. Deveras, o agente público é investigado pela atividade empresária que realiza, uma vez que é presidente do Grupo SADA, uma das empresas apontadas como integrantes de um cartel de cegonheiros. Não há como infirmar os fatos consignados no acórdão, pois, para tanto, seria imprescindível dilação probatória, providência incompatível com a via eleita. Nesse sentido: .. 2. O privilégio de foro tem sido objeto de discussão e as hipóteses estão sendo reduzidas, com clara tendência à extinção. O Supremo Tribunal Federal, seguindo essa tendência, tem adotado uma abordagem restritiva e, por ocasião do julgamento da Questão de Ordem na Ação Penal n. 937/RJ, firmou entendimento no sentido de somente admitir o foro por prerrogativa de função apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. 3. A prerrogativa de foro é outorgada ratione muneris a determinadas autoridades em razão da natureza de certos cargos ou ofícios titularizados por aquele que sofre persecução penal. Originalmente pensado como uma necessidade de assegurar a independência de órgãos e garantir o livre exercício de cargos constitucionalmente relevantes, esse foro atualmente, dada a evolução do pensamento social, provocada por situações inexistentes no passado, impõe a necessidade de que normas constitucionais que o estabelecem sejam interpretadas de forma restritiva. Assim, deve-se conferir ao texto do art. 105, I, "a", da CF a interpretação de que as hipóteses de foro por prerrogativa de função no STJ restringem-se aos casos de crime praticado em razão e durante o exercício de cargo ou função. (QO na APn n. 857/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, relator para acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Corte Especial, julgado em 20/6/2018, DJe de 28/2/2019.) 4. Recurso ordinário em habeas corpus não provido. (RHC n. 168.508/ES, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/5/2023, DJe de 29/5/2023, grifei) Não comporta acolhimento a alegação defensiva de que, "desde o momento de instauração os processos em questão deveriam ter sido remetidos ao E. TJ/MG, único juízo competente para processar e julgar, por crimes comuns, prefeitos municipais" (fl. 1.241). Deveras, é entendimento desta Corte Superior que o órgão jurisdicional a quem o feito foi distribuído poderá aferir sua própria competência para processar e julgar o caso, em atenção ao princípio da kompetenz-kompetenz. Veja-se: "em observância ao princípio da kompetenz-kompetenz, o Juízo de 1º grau possui competência para, em observância às diretrizes legais e jurisprudenciais, aferir sua própria competência, nos termos do que ocorreu na hipótese dos autos, uma vez que os fatos foram praticados antes do exercício do cargo de Prefeito e não guardam relação com este" (HC n. 510.584/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 10/12/2019, DJe de 19/12/2019). Menciono, ainda, ilustrativamente: PROCESSUAL PENAL. AGRAVOS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. INTERPRETAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. POSSIBILIDADE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ANALISAR SUA PRÓPRIA COMPETÊNCIA. REGRA DA KOMPETENZ-KOMPETENZ. LIMITAÇÃO DO FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DO ART. 105, I, "A" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRINCÍPIO REPUBLICANO. GOVERNADOR DE ESTADO. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA APENAS AOS CASOS DE DELITOS PRATICADOS EM RAZÃO E NO EXERCÍCIO DO CARGO. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO SIMÉTRICA DO ART. 102, I, "B" E "C", EM RELAÇÃO AO ART. 105, I, "A", CF. ALINHAMENTO AO ENTENDIMENTO ADOTADO PELO EXCELSO PRETÓRIO. MESMA RATIO DECIDENDI. UBI EADEM RATIO, IBI EADEM LEGIS DISPOSITIO (ONDE EXISTE A MESMA RAZÃO FUNDAMENTAL, PREVALECE A MESMA REGRA DE DIREITO). AGRAVOS REGIMENTAIS A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O fato de a regra de competência estar prevista em texto constitucional não pode representar óbice à análise, por esta Corte de Justiça, de sua própria competência, sob pena de se inviabilizar, nos casos como o dos autos, o exercício deste poder-dever básico de todo órgão julgador, impedindo o imprescindível exame deste importante pressuposto de admissibilidade do provimento jurisdicional. 2. Todo e qualquer magistrado deve aplicar o direito, de acordo com a incidência das normas jurídicas, sempre tendo em conta as regras e os princípios previstos na Constituição da República, sem o que restaria inviabilizada a própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico. 3. O foro especial no âmbito penal é prerrogativa destinada a assegurar a independência e o livre exercício de determinados cargos e funções de especial importância, isto é, não se trata de privilégio pessoal. O princípio republicano é condição essencial de existência do Estado de Direito, razão pela qual o republicanismo caminha, pari passu, com a supressão dos privilégios, devendo ser afastadas da interpretação constitucional os princípios e regras contrários ao elemento axiológico da igualdade. 4. O art. 105, I, "a", CF consubstancia exceção à regra geral de competência, de modo que, partindo-se do pressuposto de que a Constituição é una, sem regras contraditórias, deve ser realizada a interpretação restritiva das exceções, com base na análise sistemática e teleológica da norma. 5. Desse modo, ao art. 105, I, "a", da Constituição Federal, deve ser conferida interpretação de forma a atender o princípio republicano, do qual é corolário a vedação de privilégios de qualquer espécie, com ênfase na interpretação restritiva das exceções, segundo a qual o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. 6. Somente com uma interpretação simétrica dos arts. 102, I, "b" e "c" e 105, I, "a", da Lei Fundamental, conferindo a mesma solução jurídica a casos análogos, será possível afirmar que esta Corte Superior proferiu decisão consistente e aceitável racionalmente, duas condições indispensáveis à tarefa de julgar, para que se realize a função socialmente integradora da ordem jurídica e a pretensão de legitimidade do direito. 7. As mesmas razões fundamentais - a mesma ratio decidendi - que levaram o Excelso Pretório, ao interpretar o art. 102, I, "b" e "c", da CF, a restringir as hipóteses de foro por prerrogativa de função são, todas elas, aplicáveis ao caso em apreço, justificando, dessa forma, que seja atribuído ao art. 105, I, "a", da Lei Fundamental, interpretação simétrica àquela conferia pelo Supremo Tribunal Federal às suas competências originárias. 8. Assim, é de se conferir ao enunciado normativo do art. 105, I, "a", da CF, o mesmo sentido e alcance atribuído pelo Supremo Tribunal Federal ao art. 102, I, "b" e "c", restringindo-se, desse modo, as hipóteses de foro por prerrogativa de função perante o STJ àquelas em que o crime for praticado em razão e durante o exercício do cargo ou função - no caso concreto, o de Governador de Estado -, porquanto "onde existe a mesma razão fundamental, prevalece a mesma regra de direito". 9. Destarte, reconhecida a incompetência do Superior Tribunal de Justiça, determina-se a remessa dos autos a uma das Varas Criminais da Capital do Estado da Paraíba, e posterior prosseguimento da presente ação penal perante o juízo competente. 10. Agravos regimentais a que se nega provimento. (AgRg na APn n. 866/DF, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 20/6/2018, DJe de 3/8/2018, destaquei) Nesse mesmo sentido: De acordo com a regra da Kompetenz-kompetenz, todo juízo tem competência para julgar a sua própria competência. O juiz é, sempre, o juiz da sua competência. Assim, todo órgão jurisdicional tem sempre uma competência mínima (podemos chamá-la de atômica): a competência para o controle da própria competência. Por mais incompetente que seja o órgão jurisdicional, ele sempre terá competência para decidir se é ou não competente. (DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil. v. I. 19. ed. rev. ampl. e atual. Salvador: JusPodivm, 2017, p. 224) A competência é um pressuposto processual subjetivo relativo ao juiz. O juiz é o primeiro a julgar sua própria competência. Todo órgão judiciário é juiz da própria competência (kompetenz-kompetenz). (BADARÓ, Gustavo Henrique Righi Ivahy. Processo Penal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 148) Portanto, ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada. A propósito: "É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos" (AgRg no HC n. 749.888/RS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), 5ª T., DJe 26/8/2022). À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.