REsp 2159046 - DECISAO
Dado que ficou incontroverso nos autos que a alienação do bem ocorreu após o efetivo redirecionamento da execução fiscal (com a citação do sócio), aplica-se a presunção absoluta de fraude à execução em favor da Fazenda Nacional, razão pela qual o recurso especial foi provido para reconhecer a fraude à execução e...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL; Recorrido: RETAIL PARK PALHOÇA; Recorrido (sócio Redirecionado): Amaury Demetri; Recorrido (sócio Redirecionado): Carlos Alberto Demetri
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial (decisão De Provimento)
- Outcome
- recurso especial provido
- Legal Topics
- Fraude À Execução, Redirecionamento Da Execução Fiscal, Embargos De Terceiro, Penhora, Presunção De Fraude
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
RETAIL PARK PALHOÇA
Recorrido
Amaury Demetri
Recorrido (sócio Redirecionado)
Carlos Alberto Demetri
Recorrido (sócio Redirecionado)
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial (decisão De Provimento)
Legal Issues
- 1 momento a partir do qual se presume, de forma absoluta, a fraude à execução fiscal em caso de redirecionamento
- 2 aplicabilidade do art.185 do CTN em hipóteses de redirecionamento
- 3 relevância da certidão positiva com efeitos de negativa para aferição da boa-fé do adquirente
Ratio Decidendi
Dado que ficou incontroverso nos autos que a alienação do bem ocorreu após o efetivo redirecionamento da execução fiscal (com a citação do sócio), aplica-se a presunção absoluta de fraude à execução em favor da Fazenda Nacional, razão pela qual o recurso especial foi provido para reconhecer a fraude à execução e restabelecer a penhora realizada na primeira instância.
Court Disposition
recurso especial provido
Orders
- Reconhecer a fraude à execução
- Restabelecer a penhora realizada na primeira instância
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, para desafiar acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado (e-STJ fls. 1.368): PROCESSUAL CIVIL. QUESTÃO DE ORDEM. JULGAMENTO, ERRO NO RESULTADO, RETIFICAÇÃO. Questão de ordem solvida para retificação do acórdão lavrado, com modificação da ementa e do resultado de julgamento, com retificação da ata de julgamento. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE TERCEIRO. FRAUDE À EXECUÇÃO. REDIRECIONAMENTO. A fraude do negócio jurídico somente pode vir a ser declarada segundo as regras gerais de Direito Civil. Em outras palavras, aplica-se ao caso concreto a Súmula 375 do STJ, segundo a qual o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. No caso é possível inferir a partir dos documentos que instruíram a inicial que inexistia penhora pendente sobre o imóvel à época da negociação, a qual se deu de forma superveniente e ensejou os presentes embargos, bem como que a compra e venda se deu diante da expressa apresentação de certidão positiva com efeitos de negativa, documento dotado de fé pública e que indica a inexistência de créditos tributários exigíveis em face dos alienantes naquele dado momento. Não é possível exigir dos adquirentes maior diligência do que a obtenção de tal certidão fornecida pela própria Administração Pública. Apelação provida nos termos do voto do Desembargador Federal Leando Paulsen. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 1.405/1.408). Em seu recurso especial (e-STJ fls. 1.414/1.449), a parte indica a violação dos arts. 489, § 1º, I, V e VI, e 1.022, I e II, do CPC/2015, do art. 185 do CTN e do art. 108 do Código Civil. Aduz, preliminarmente, que o acórdão recorrido padeceria de omissão, bem como estaria desfundamentado. No mérito, argumenta que a fraude à execução fiscal estaria devidamente comprovada, uma vez que a alienação em tela fora realizada quando já deferido o redirecionamento da execução em desfavor do sócio alienante da pessoa jurídica originalmente executada. Contrarrazões às e-STJ fls. 1.466/1.515. Recurso especial admitido (e-STJ fls. 1.518/1.519). Passo a decidir. A irresignação merece prosperar. A controvérsia recursal reside em fixar o momento a partir do qual a fraude à execução fiscal seria presumida de forma absoluta (independentemente de má-fé), em relação a sócio incluído no polo passivo da execução fiscal originária por meio de redirecionamento. Pois bem. O Tribunal de origem entendeu o seguinte (e-STJ fl. 1.291): A negociação imobiliária em debate foi engendrada em 15/03/2018 entre a empresa RETAIL PARK PALHOÇA (compradora) e as pessoas físicas de Amaury Demetri e Carlos Alberto Demetri (vendedores). Destaque-se que os referidos alienantes não figuravam originariamente no polo passivo da Execução Fiscal subjacente e que deu ensejo à penhora impugnada através destes embargos de terceiro. Tais indivíduos foram alvo do redirecionamento da cobrança somente em 09/10/2017, razão pela qual não incide na espécie o instituto da fraude à dívida ativa regulada pelo art. 185 do CTN. Faço tal afirmação, pois, à época da negociação do imóvel, sequer existia dívida inscrita em nome de Amaury e Carlos, mas tão somente decisão judicial determinando o redirecionamento do Executivo Fiscal. Estabelecidas tais premissas, a resultante jurídica é que a possível fraude do negócio jurídico somente pode vir a ser declarada segundo as regras gerais de direito civil. Em outras palavras, aplica-se ao caso concreto a Súmula 375 do STJ, segundo a qual o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. In casu, como é possível inferir a partir dos documentos que instruíram a inicial, inexistia penhora pendente sobre o imóvel à época da negociação, a qual se deu de forma superveniente e ensejou os presentes embargos. De outro lado, no que toca ao requisito da boa-fé, verifica-se que a compra e venda se deu diante da expressa apresentação de certidão positiva com efeitos de negativa, documento dotado de fé pública e que indica a inexistência de créditos tributários exigíveis em face dos alienantes naquele dado momento. Não é possível exigir dos adquirentes maior diligência do que a obtenção de tal certidão fornecida pela própria Administração Pública. Aliás, este Tribunal já teve a oportunidade de se debruçar sobre caso idêntico e assim decidiu: (..) Ante o exposto, com a vênia do relator, voto por dar provimento ao apelo para declarar insubsistente a penhora que recaiu sobre o imóvel sub judice. Ocorre que esse entendimento está em desacordo com a jurisprudência deste STJ, firmada no sentido de que a presunção (absoluta) de fraude à execução fiscal dá-se no momento em que ocorrida a citação do sócio para ingressar no polo passivo da demanda executiva, mediante redirecionamento. Veja-se : TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. NOME DO SÓCIO QUE NÃO CONSTA NA CDA. ALIENAÇÃO DOS BENS APÓS A CITAÇÃO. FRAUDE À EXECUÇÃO. ART. 185 DO CTN. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, no caso, o Código de Processo Civil de 2015. II - Esta Corte adota o posicionamento segundo o qual, na hipótese de redirecionamento da execução fiscal, nos casos em que o nome do sócio não consta da CDA, somente se configura fraude à execução, nos termos do art. 185 do CTN, se a alienação dos bens do sócio ocorrer após o seu ingresso na lide, o qual se perfaz com a sua citação (efetivo redirecionamento). III - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo Interno desprovido. (AgInt no REsp 1.926.717/MG, Rel. MINISTRA REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2021, DJe de 21/06/2021). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. SÓCIO DA DEVEDORA. FATO POSTERIOR AO DEFERIMENTO DO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. FRAUDE À EXECUÇÃO. OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial 1.141.990/PR, submetido ao rito do art. 543-C do CPC/1973, firmou o entendimento de que "a alienação efetivada antes da entrada em vigor da LC n.º 118/2005 (09.06.2005) presumia-se em fraude à execução se o negócio jurídico sucedesse a citação válida do devedor; posteriormente à 09.06.2005, consideram-se fraudulentas as alienações efetuadas pelo devedor fiscal após a inscrição do crédito tributário na dívida ativa". Assentou-se, na oportunidade, que "a simples alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, pelo sujeito passivo por quantia inscrita em dívida ativa, sem a reserva de meios para quitação do débito, gera presunção absoluta (jure et de jure) de fraude à execução (lei especial que se sobrepõe ao regime do direito processual civil)". 2. Segundo a jurisprudência desta Corte, na hipótese de redirecionamento da execução fiscal, a fraude à execução se configura quando demonstrado que a alienação do bem pertencente ao sócio da empresa devedora ocorreu após o efetivo redirecionamento. Precedentes. 3. No caso concreto, segundo consta do acórdão recorrido, o redirecionamento do feito executivo foi determinado em 23/6/2003, com citação realizada em 15/9/2003, enquanto que a alienação do bem imóvel se deu em 9/5/2008, o que evidencia a ocorrência de fraude à execução. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.863.529/RS, Rel. MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe de 25/02/2021). No caso, sendo incontroverso nos autos que a alienação do bem em comento consumou-se após o efetivo redirecionamento da execução fiscal (com a citação do sócio), é caso de reconhecer-se a ocorrência da fraude executiva. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial, a fim de reconhecer a fraude à execução e, bem assim, restabelecer a penhora realizada na primeira instância. Publique-se. Intimem-se. EMENTA