REsp 2215672 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que, com a redação dada pela Lei Complementar nº 118/2005 ao art.185 do CTN, a alienação efetuada após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa presume-se absolutamente fraudulenta, aplicação que alcança também as alienações sucessivas; assim, o acórdão do Tribunal...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL; Embargante/apelada: ALESSANDRA SORIO RIBEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (provimento Parcial)
- Outcome
- Recurso especial provido em parte.
- Legal Topics
- Fraude À Execução, Alienações Sucessivas, Presunção Absoluta, Boa Fé Do Adquirente, Inscrição Em Dívida Ativa, Consilium Fraudis, Preclusão E Ofensa a Arts. 489 E 1.022 Cpc/2015
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
ALESSANDRA SORIO RIBEIRO
Embargante/apelada
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça (provimento Parcial)
Legal Issues
- 1 Caracterização da fraude à execução em alienações realizadas após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa
- 2 Aplicabilidade da presunção absoluta do art. 185 do CTN em caso de alienações sucessivas
- 3 Relevância da boa-fé do terceiro adquirente e do consilium fraudis
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que, com a redação dada pela Lei Complementar nº 118/2005 ao art.185 do CTN, a alienação efetuada após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa presume-se absolutamente fraudulenta, aplicação que alcança também as alienações sucessivas; assim, o acórdão do Tribunal Regional Federal, ao afastar a fraude em razão da alegada diligência e boa-fé do adquirente sem verificar a exceção do parágrafo único, contrariou a jurisprudência desta Corte, motivo pelo qual o recurso especial foi parcialmente provido para restabelecer a sentença que reconheceu a fraude à execução.
Court Disposition
Recurso especial provido em parte.
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial para restabelecer os termos da sentença que reconheceu a fraude à execução.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FAZENDA NACIONAL com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (e-STJ, fl. 378): ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE TERCEIRO. IMÓVEL. FRAUDE À EXECUÇÃO FISCAL NÃO CONFIGURADA. ALIENAÇÕES SUCESSIVAS QUE EXIGEM PROVA DE CONSILIUM FRAUDIS. I - Na espécie, conforme consta da documentação acostada aos autos, o imóvel em tela foi vendido em 07.12.2005 por MARIA DE FÁTIMA GUIMARÃES DE ANDRADE e seu marido KHALED NAWAF ARAGI (este executado na execução fiscal principal a este feito) a VICTOR MANUEL MERINO CARMONA, que em 11.07.2006 vendeu esse bem a GEOVANA MILENKA APONTE LIZARAZU, que, por sua vez, em 20.12.2006 o alienou à ora apelante, ALESSANDRA SORIO RIBEIRO, ora embargante/apelada. II - Ante a especificidade do caso concreto, entende-se que se cuida de questão jurídica não abordada pelo REsp 1.141.990/PR, representativo de controvérsia, no qual a cadeia negocial restringiu-se à transação entabulada entre o devedor do crédito fiscal e o então terceiro embargante. III - Precedente desta E. Quarta Turma. IV - Precedente do C. STJ no sentido da impossibilidade da extensão automática da ineficácia da primeira alienação às transações subsequentes, bem como de que o adquirente do bem somente tem o dever de perquirir acerca da existência de processos em nome da parte alienante e não de antigos proprietários desse bem. V - Assim, não há como se entender que a apelante não foi diligente, uma vez que não lhe competia, conforme consta da ementa acima transcrita, perquirir acerca da existência de processos em nome de antigos proprietários dos imóveis, mas somente de quem lhe alienou o imóvel. VI - Desse modo, não tendo a apelada comprovado o em consilium fraudis relação à apelante, não há como se reconhecer a fraude à execução no caso em tela, devendo ser provido o recurso de apelação da embargante, com a inversão do ônus de sucumbência. VII - Recurso de apelação da embargante provido. Opostos embargos de declaração, estes foram rejeitados (e-STJ, fls. 418-421). Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 424-439), a parte recorrente aponta violação dos arts. 185 do CTN e 1.022, I e II, do CPC/2015. Sustenta, em caráter preliminar, negativa de prestação jurisdicional. No mérito, alega que o acórdão recorrido contrariou entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça ao afastar a presunção absoluta de fraude à execução fiscal, prevista no art. 185 do CTN, mesmo diante de alienações sucessivas realizadas após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa. Afirma que a boa-fé do terceiro adquirente é irrelevante nesses casos e que a fraude inicial contamina toda a cadeia de alienações. Juízo positivo de admissibilidade do recurso especial (e-STJ, fls. 442-446). Brevemente relatado, decido. De início, cumpre registrar que a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo colegiado de origem, que sobre ela emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à reivindicação da recorrente, tratando-se, na verdade, de pretensão de novo julgamento da matéria, conforme se observa do trecho transcrito a seguir (e-STJ, fls. 353-361 - sem destaques no original): Anteriormente à afetação da matéria como representativa da controvérsia, filiava-me ao entendimento da jurisprudência no sentido de que somente se poderia falar em fraude à execução quando tivesse havido anteriormente citação do alienante, além de existir registro do gravame no respectivo órgão (DETRAN ou Cartório de Registro de Imóveis), para que a indisponibilidade do bem gerasse efeitos de eficácia erga omnes, salvo se evidenciada a má-fé dos particulares (consilium fraudis). No julgamento do recurso repetitivo, submetido à sistemática do artigo 543-C, § 1º, do Código de Processo Civil de 1973, REsp nº 1.141.990/PR, o C. Superior Tribunal de Justiça propôs uma tese firmada em duas premissas: a) o momento em que se entende por verificada a fraude à execução fiscal, à luz da nova redação do artigo 185 do Código Tributário Nacional, dada pela Lei Complementar nº 118/05, que entrou em vigor em 09.06.2005 (artigo 4º); e b) se o teor da Súmula nº 375 do C. STJ ("o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do , incide sobre as matérias tributárias. A redação original do artigo 185 do CTN, assim dispunha: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em fase de execução. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados pelo devedor bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida em fase de execução." Com o advento da Lei Complementar nº 118/05, a redação passou a ser a seguinte, in verbis: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita." Desse modo, presumia-se em fraude à execução, no caso de alienação efetivada antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/05 (09.06.2005), se o negócio jurídico sucedesse à citação válida do devedor; posteriormente a 09.06.2005, consideram-se fraudulentas as alienações efetuadas pelo devedor fiscal após a inscrição do crédito tributário na dívida ativa (encerrando presunção jus et de jure), sem a reserva de meios para quitação do débito. Em relação à aplicação da Súmula nº 375 do C. Superior Tribunal de Justiça, o julgamento considerou que os precedentes que levaram à sua edição, não se basearam em processos tributários. Logo, não haveria impedimento em determinar-se a fraude à execução independentemente de registro de penhora no que toca aos créditos tributários, dispensando-se, nesse caso, o "consilium fraudis". Assim, o juízo escorreito passou a ser o de que o registro da penhora não pode ser exigência à caracterização da fraude no âmbito tributário, na medida em que, com o advento da Lei Complementar nº 118/05, antecipa-se a presunção de fraude para o momento da inscrição em dívida ativa. Confira-se a ementa do mencionado recurso repetitivo, apreciado pela Primeira Seção do C. STJ, da Relatoria do Ministro Luiz Fux: (..) Portanto, em conclusão, tem-se que a alienação engendrada até 08.06.2005 exige que tenha havido prévia citação no processo judicial para caracterizar a fraude de execução; se o ato translativo foi praticado a partir de 09.06.2005, data de início da vigência da Lei Complementar n.º 118/2005, basta a efetivação da inscrição em dívida ativa para a configuração da figura da fraude. Nesse sentido, colaciono julgados recentes da mencionada Corte Superior: (..) No caso, a Execução Fiscal nº 0003033-26.1999.8.26.0198 foi ajuizada pela União Federal, inicialmente, em face de PACIC PAVIMENTADORA E ARTEFATOS DE CIMENTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. e, posteriormente, foi incluída a sócia MARIA ISABEL PRESTES PEREIRA no polo passivo. Referida sócia foi citada, por edital, em 26.05.2010. Por sua vez, consta dos autos que o imóvel de Matrícula nº 15.175 do 1º Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Sorocaba - Estado de São Paulo, em seu R.6, em razão do falecimento de Paulo Plínio Prestes, foi partilhado à viúva-meeira - Yolanda da Rosa Prestes - e aos herdeiros-filhos - Paulo Sérgio Prestes (casado com Nilza Rolim Prestes), Maria Isabel Prestes Pereira (casada com José Pereira) e Aylson Prestes, conforme Formal de Partilha expedido em 17.09.2003, cabendo a cada herdeiro-filho a cota de 1/6 desse bem (ID 269424962, p. 7). Consta desse registro, também, que, com o falecimento de Aylson Prestes, sua cota passou para a Sra. Yolanda da Rosa Prestes e, com o falecimento desta, coube a Maria Isabel Prestes Pereira a parte ideal equivalente a 4/6 do imóvel em tela (mesmo ID, p. 8). Posteriormente, a executada se tornou proprietária da totalidade desse imóvel e, pela Escritura lavrada no 1º Tabelião de Notas da Comarca de Sorocaba/SP, em 15.02.2011 Maria Isabel Prestes Pereira e seu marido, José Pereira, transmitiram o imóvel dessa matrícula em dação em pagamento a SHINJI TANENO, casado com Vera Lúcia Palombo Taneno (mesmo ID, p. 10). Outrossim, por Escritura de Venda e Compra, lavrada no 4º Tabelião de Notas de Sorocaba, em 21.03.2013, SHINJI TANENO e sua mulher VERA LUCIA PALOMBO TANENO venderam o imóvel em questão a ROSANA APARECIDA PUPO DE CASTRO, constando que os vendedores apresentaram certidão de propriedade e negativa de ônus e alienações, expedidas pelo 1º Oficial de Registro de Imóveis local, tendo os vendedores, ainda, apresentado as seguintes certidões em seus nomes: Certidões Negativas de Protesto; Certidão Negativa de Distribuições Cíveis - Fórum de Sorocaba/SP; Certidões Conjuntas Negativas de Débitos relativos aos tributos federais e à Dívida Ativa da União; Certidões Negativas Trabalhistas. Ante a especificidade do caso concreto, entende-se que se cuida de questão jurídica não abordada pelo REsp 1.141.990/PR, representativo de controvérsia, no qual a cadeia negocial restringiu-se à transação entabulada entre o devedor do crédito fiscal e o então terceiro embargante, conforme se extrai do seguinte trecho do voto: (..) Também no sentido da impossibilidade da extensão automática da ineficácia da primeira alienação às transações subsequentes, já se manifestou o C. STJ. Confira-se: (..) Assim, não há como se entender que a apelante não foi diligente, uma vez que não lhe competia, conforme consta da ementa acima transcrita, perquirir acerca da existência de processos em nome de antigos proprietários dos imóveis, mas somente de quem lhe alienou o imóvel. Desse modo, não tendo a apelada comprovado o consilium fraudis em relação à apelante, não há como se reconhecer a fraude à execução no caso em tela, devendo ser provido o recurso de apelação da embargante, com a inversão do ônus de sucumbência. Desse modo, aplica-se à espécie o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual "não se configura a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia que lhe foi apresentada" (AgInt no REsp 1.916.616/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/06/2021, DJe 01/07/2021). Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem entendeu que, mesmo que a alienação inicial do bem imóvel tenha ocorrido após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa e após a citação da devedora originária, não se configurou fraude à execução fiscal em relação à atual adquirente, diante das alienações sucessivas. A Corte Regional considerou que, nessas hipóteses, a presunção de fraude não se estende automaticamente aos adquirentes subsequentes, sendo necessária a demonstração concreta do consilium fraudis. Entretanto, nesses casos, "nos termos da jurisprudência desta Corte, é irrelevante a existência de boa-fé ou de má-fé do terceiro adquirente, ou mesmo a prova da existência do conluio, para caracterizar fraude à Execução Fiscal, já que se está diante da presunção absoluta, jure et de jure, inaplicando-se a Súmula 375/STJ, mesmo em se tratando de alienações sucessivas" (AgInt no AREsp n. 1.431.483/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 19/11/2019, DJe de 29/11/2019). No mesmo sentido (sem destaque no original): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA VINCULATIVA DO ACÓRDÃO PROFERIDO NO RESP 1.141.990/PR. ALIENAÇÃO DO BEM APÓS A INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. FRAUDE À EXECUÇÃO CONFIGURADA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 375/STJ. PRESUNÇÃO ABSOLUTA FRAUDE À EXECUÇÃO. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Na hipótese dos autos discute-se a ineficácia da alienação sucessiva de imóvel. Conforme assentado no acórdão recorrido (fls. 138/139), incialmente, no ano de 2007, a executada em execução fiscal ajuizada pela Fazenda do Estado de São Paulo alienou imóvel de sua propriedade ao filho de um dos seus sócios - venda que fora considerada ineficaz em processo judicial transitado em julgado em 2009. Nesse interregno, no ano de 2008, esse mesmo imóvel foi alienado pelo filho do sócio, que o havia adquirido em 2007. Discute-se a presença de boa fé dos adquirentes em relação a esta alienação ocorrida em 2008, considerando que o filho do sócio da empresa executada não figurava no polo passivo da execução fiscal. 3. O recorrente afirma em seu recurso especial que "não há prova de que os Recorrentes eram sabedores da existência da ação de execução fiscal, sendo clara a boa fé na qualidade de terceiros adquirentes, cuja compra se deu através de pessoa estranha à referida ação, motivo pelo qual não podem prevalecer os termos do V. Acórdão recorrido que fere os artigos já prequestionados, assim como a predominância jurisprudencial dessa E. Corte conforme adiante demonstrado" (fls. 203/204). 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp. 1.141.990/PR, representativo de controvérsia, da relatoria do eminente Ministro LUIZ FUX (DJe 19.11.2010), consolidou o entendimento de que não incide a Súmula 375/STJ em sede de Execução Fiscal. Naquela oportunidade, ficou assentado que o art. 185 do CTN, seja em sua escrita original ou na redação dada pela LC 118/2005, não prevê, como condição de presunção da fraude à execução fiscal, a prova do elemento subjetivo da fraude perpetrada, qual seja, o consilium fraudis. Ao contrário, estabeleceu-se que a constatação da fraude deve se dar objetivamente, sem se indagar da intenção dos partícipes do negócio jurídico. 5. "Considera-se fraudulenta a alienação, mesmo quando há transferências sucessivas do bem, feita após a inscrição do débito em dívida ativa, sendo desnecessário comprovar a má-fé do terceiro adquirente" (AgInt no REsp n. 1.820.873/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 23/5/2023). No mesmo sentido: AgInt no REsp n. 1.982.766/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 2/6/2022. Cite-se ainda: REsp n. 1.833.644/PB, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/10/2019, DJe de 18/10/2019; AgInt no AREsp 1.171.606/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 19.6.2018; AgInt nos EDcl no REsp 1.609.488/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 23.4.2018; AgInt no REsp 1.708.660/SC, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 14.3.2018; AgInt no REsp 1.634.920/SC, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 8.5.2017. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 930.482/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 15/8/2023.) TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. FRAUDE À EXECUÇÃO. NEGÓCIO REALIZADO APÓS A INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO ABSOLUTA. BOA-FÉ DE TERCEIRO ADQUIRENTE. IRRELEVÂNCIA. MATÉRIA DECIDIDA EM RECURSO REPETITIVO. EXCEÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 185 DO CTN. VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DESCONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. 1. Tendo sido o recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado n. 3/2016/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.141.990/PR, realizado na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que "a alienação efetivada antes da entrada em vigor da LC n.º 118/2005 (09.06.2005) presumia-se em fraude à execução se o negócio jurídico sucedesse a citação válida do devedor; posteriormente a 09.06.2005, consideram-se fraudulentas as alienações efetuadas pelo devedor fiscal após a inscrição do crédito tributário na dívida ativa". 3. Nesse contexto, não há porque se averiguar a eventual boa-fé do adquirente, se ocorrida a hipótese legal caracterizadora da fraude, a qual só pode ser excepcionada no caso de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita. 4. Esse entendimento se aplica também às hipóteses de alienações sucessivas, daí porque "considera-se fraudulenta a alienação, mesmo quando há transferências sucessivas do bem, feita após a inscrição do débito em dívida ativa, sendo desnecessário comprovar a má-fé do terceiro adquirente" (REsp 1.833.644/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 18/10/2019) 5. No caso concreto, o órgão julgador a quo decidiu a controvérsia em desconformidade com a orientação jurisprudencial firmada por este Tribunal Superior, porquanto afastou a hipótese legal caracterizadora de fraude em atenção à boa-fé do terceiro adquirente. 6. Não obstante, remanesce a possibilidade de o negócio realizado não implicar fraude, acaso ocorrida a hipótese do parágrafo único do art. 185 do CTN. Assim, os autos devem retornar ao Tribunal Regional Federal para novo julgamento, afastada a tese de boa-fé do terceiro adquirente. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.820.873/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 23/5/2023.) TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. FRAUDE À EXECUÇÃO FISCAL. ATO TRANSLATIVO IMOBILIÁRIO PRATICADO APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 (9/6/2005). OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO ABSOLUTA. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA. 1. Consoante decidido no julgamento do REsp n. 1.141.990/PR, sob o rito dos recursos repetitivos, a fraude à execução fiscal mencionada no art. 185 do CTN (LC n. 118/2005) é de natureza absoluta, invalidando o negócio jurídico independentemente da boa-fé do terceiro adquirente. 2. Cumpre registrar que esse entendimento se aplica também às hipóteses de alienações sucessivas, uma vez que se considera "fraudulenta a alienação, mesmo quando há transferências sucessivas do bem, feita após a inscrição do débito em dívida ativa, sendo desnecessário comprovar a má-fé do terceiro adquirente" (REsp n. 1.833.644/PB, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/10/2019). 3. No caso dos autos, diferentemente do alegado pelo contribuinte, o alienante Daniel David da Silveira não se tornou devedor dos créditos tributários em decorrência da decisão judicial que determinou sua inclusão no polo passivo da execução fiscal, mas em razão da partilha dos bens do falecido, com o recebimento de seu quinhão hereditário. A alienação do imóvel ocorreu após a citação do espólio do sócio-gerente executado. 4. Ademais, o acórdão recorrido, ao afastar a fraude à execução, fundamentou seu julgamento no fato de que, "embora possa estar caracterizada a má-fé do alienante, presume-se a boa-fé do terceiro adquirente que adotou as cautelas necessárias à celebração do negócio jurídico, em especial a obtenção das certidões negativas de débitos". 5. Entretanto, esse entendimento não deve prevalecer, tendo em vista a jurisprudência desta Corte de Justiça de que presunção de fraude é absoluta, não comportando prova em sentido contrário; fato que torna irrelevante o posicionamento do Tribunal de origem a respeito da suposta boa-fé da parte adquirente. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.817.508/SC, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 28/3/2022, DJe de 11/4/2022.) Diante disso, o acórdão recorrido deve ser reformado, a fim de que sejam restabelecidos os termos da sentença que reconheceu a fraude à execução. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso especial para restabelecer os termos da sentença. Publique-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO EVIDENCIADA. IMÓVEL. ALIENAÇÕES SUCESSIVAS. FRAUDE À EXECUÇÃO. NEGÓCIO REALIZADO APÓS A INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO ABSOLUTA. BOA-FÉ DE TERCEIRO ADQUIRENTE. IRRELEVÂNCIA. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO EM PARTE.