REsp 2150636 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a tese quanto à necessidade de pesquisa em período anterior ao ajuizamento (fundamentada no art. 391 CC e art. 792, IV CPC) não foi objeto de prequestionamento na origem mediante manifestação nos termos do art. 1.022 do CPC, incidindo assim a Súmula 211 do STJ.
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Fraude À Execução, Sujeição Patrimonial, Consulta CENSEC, Prequestionamento, Súmula 211 STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se a pesquisa no sistema CENSEC pode ser delimitada apenas a atos posteriores ao ajuizamento ou deve abranger atos anteriores ao ajuizamento
- 2 Aplicação do art. 391 do Código Civil e do art. 792, IV, do CPC
- 3 Necessidade de prequestionamento (art. 1.022 CPC) para conhecimento do recurso especial e incidência da Súmula 211 do STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a tese quanto à necessidade de pesquisa em período anterior ao ajuizamento (fundamentada no art. 391 CC e art. 792, IV CPC) não foi objeto de prequestionamento na origem mediante manifestação nos termos do art. 1.022 do CPC, incidindo assim a Súmula 211 do STJ.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
- Inaplicável o art. 85, § 11, do CPC/2015 (por se tratar na origem de agravo de instrumento).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial fundamentado no art. 105, III, "a", da CF, interposto contra acórdão assim ementado (fl. 26): AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO MONITÓRIA, EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - DECISÃO AGRAVADA QUE INDEFERIU O PLEITO DE EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO À CENTRAL NOTARIAL DE SERVIÇOS ELETRÔNICOS COMPARTILHADOS (CENSEC), INSTITUÍDA PELO PROVIMENTO Nº 18/2012, DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - INSURGÊNCIA DO EXEQUENTE - CONSULTA À CENTRAL DE ESCRITURAS E PROCURAÇÕES (MÓDULO CEP) - POSSIBILIDADE - TENTATIVAS FRUSTRADAS DE LOCALIZAÇÃO DE BENS DO DEVEDOR ATRAVÉS DE MEIOS USUAIS - FEITO EXECUTIVO QUE TRAMITA HÁ MAIS DE 7 ANOS - MEDIDA PLEITEADA QUE SE REVELA PERTINENTE - DECISÃO REFORMADA - RECURSO . CONHECIDO E PROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 46/49). Em suas razões (fls. 52/61), a parte recorrente aponta violação dos arts. 391 do CC e 792, IV, do CPC, ao argumento de que todos os bens do devedor respondem pelo inadimplemento de suas obrigações, defendendo assim a utilidade para o credor na pesquisa por meio do sistema Censec em período anterior ao ajuizamento da ação. Contrarrazões não apresentadas. O recurso foi admitido na origem. É o relatório. Decido. O acórdão estabeleceu o marco inicial da pesquisa ao sistema Censec adotando, para tanto, a seguinte fundamentação (fl. 47): Cumpre destacar que, não obstante os argumentos do Embargante a respeito da responsabilidade patrimonial, o ajuizamento da ação se mostra como o termo inicial adequado para realização da referida pesquisa, consoante entendimento jurisprudencial, em especial porque seria a partir desse marco quando se poderia visualizar eventual fraude de execução (cf. art. 792, inc. IV, CPC). No recurso especial, a parte recorrente sustenta, com fundamento no art. 391 do CC, que há interesse na pesquisa de bens não apenas após o ajuizamento da ação, mas sim a partir da constituição do débito, o que faz adotando a seguinte fundamentação (fl. 59): Assim, sob o aspecto da utilidade, mostra-se superada a conclusão do acórdão, o que se faz a título argumentativo e ressaltando-se que não apenas o art. 792, IV, do CPC/2015 é aplicável para sujeição de bem ou direito ao processo executivo, mas também as regras de direito material, tal como invocado pelo Exequente, com amparo no art. 391 do Código Civil. Se bens ou direitos do devedor foram dispostos para aquisição ou disposição, em momento posterior à dívida, tais aspectos são tão relevantes à execução, como aqueles posteriores ao ajuizamento. Ademais, a leitura do art. 792, IV, do CPC/2015 traz a afirmação do sistema legal, de que a alienação de bem ou direito na pendência de processo judicial caracteriza fraude à execução, MAS NÃO EXCLUI A POSSIBILIDADE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE EM MOMENTO ANTERIOR, o que, logicamente, segue a dinâmica de outros ônus probatórios. Assim, tem-se que ao delimitar o período de busca junto ao CENSEC, apenas para atos posteriores ao ajuizamento da ação, o r. acórdão violou o art. 391 do Código Civil, que dispõe sobre todos os bens do devedor, e, cronologicamente, entendeu que são sujeitos à execução os bens do Executado e aqueles que dispôs no curso da existência da ação, EXCLUINDO EVENTUAIS BENS ANTERIORES, em afronta ao art. 391 do Código Civil, que não dispõe de forma parcial ou delimitada sobre a sujeição patrimonial, mas sim total. Verifica-se que a tese desenvolvida pelo recorrente no recurso especial, relativa à violação aos arts. 391 do CC e 792, IV, do CPC pela existência de interesse e utilidade ao credor na pesquisa de bens anteriores ao ajuizamento da ação, não foi apreciada pelo Tribunal a quo, apesar da oposição de embargos declaratórios. Caberia à parte, então, alegar violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, o que não ocorreu. Dessa forma, à falta do indispensável prequestionamento, incide a Súmula n. 211 do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Inaplicável o art. 85, § 11, do CPC/2015, por se cuidar, na origem, de agravo de instrumento. Publique-se e intimem-se. EMENTA